Capitulo Trinta e Oito
Victor Jones:
Caminhei pelos exuberantes jardins do palácio, tentando afastar as preocupações sobre a recente reunião com o rei. Ao passar pelo corredor, encontrei Roena e perguntei onde estavam os outros. Ela me informou que a princesa e os príncipes estavam explorando o jardim, admirando as flores.
Ainda refletindo sobre a conversa com o rei, fui interrompido pelo som do meu celular. Era uma mensagem da minha mãe, perguntando quando eu voltaria.
— Ei, Victor! Espere! — Nesse momento, meu corpo se congelou, e me virei abruptamente ao ouvir duas vozes familiares.
Carla e Brian corriam em minha direção. Quando chegaram, se lançaram sobre mim em um abraço tão forte que acabamos caindo no chão, rindo.
— O que vocês estão fazendo aqui? — perguntei, surpreso.
— Depois da sua última visita, começamos a notar contradições nas suas respostas às nossas perguntas — explicou Carla, ajudando-me a levantar. — Além disso, seu irmão e sua mãe pareciam ter esquecido que você estava na cidade.
— Ficamos desconfiados e, depois, algo estranho aconteceu. Encontramos uma mulher chamada Maya, que parecia muito interessada em você — acrescentou Brian.
Meu coração acelerou ao ouvir o nome de Maya, e uma sensação de pavor se instalou.
— Então tudo ficou confuso. De repente, acordamos em nossa lanchonete habitual, sentindo uma estranheza e uma sede por sangue que não compreendíamos — continuou Carla, coçando a testa em confusão. — Foi quando aquele homem, que se apresentou como Sumo Sacerdote Horeom, explicou o que estava acontecendo.
Ela mostrou os dentes, revelando duas presas afiadas, enquanto Brian erguia a mão para mostrar um anel prateado e suas próprias presas.
— Horeom nos disse que Maya era uma vampira e que havia feito um acordo mágico — Brian disse. — Ela nos atacou, apagou nossas memórias e nos deixou à mercê da transformação.
Ouvi em crescente horror enquanto eles contavam os detalhes. Vampiros eram humanos infectados por uma doença demoníaca que conferia imortalidade, mas algo havia dado errado. Esses vampiros eram conhecidos como "mortos-vivos".
Para um humano se tornar vampiro, precisava consumir sangue de vampiro suficiente e depois morrer de morte natural. Durante esse processo, seus corpos entravam em um estado de transição. Enterrados, ressuscitariam e deveriam sair do próprio túmulo, alimentando-se de uma grande quantidade de sangue humano nas próximas 24 horas ou morreriam definitivamente. Devido ao sangue de vampiro em seus corpos, seus cadáveres permaneciam intactos e animados.
— Nos tornamos híbridos da linhagem dela — Carla disse com desgosto, fazendo um gesto que fez uma magia brilhante brotar de seus dedos.
— Maya nos escolheu como um sinal para você — Brian acrescentou, mostrando suas presas afiadas e o anel prateado.
A revelação era devastadora. O horror nos olhos de Carla e Brian era palpável, e eu sabia que a vida deles nunca mais seria a mesma.
Meu coração estava apertado de preocupação e culpa. Maya havia arrastado meus melhores amigos para essa terrível situação, transformando-os em híbridos vampiros apenas para me enviar um aviso. Se ela era capaz disso, o que poderia fazer com minha família?
— Victor, isso não é culpa sua — Brian tentou me tranquilizar, segurando minha mão trêmula.
— Você está se preocupando demais. Não precisa se sentir responsável. Estamos bem agora — Carla disse, apertando minha outra mão.
— Sempre nos preocupamos com você, e agora que algo aconteceu, queremos ajudar. Lembre-se de que estamos aqui para você — Brian falou, me abraçando.
— Somos amigos até o fim, e seus problemas são os nossos — Carla completou. — Se precisar de ajuda para enfrentar alguém, saiba que nos conhecemos o suficiente para perceber quando você está angustiado.
— Obrigado, pessoal. Significa muito para mim — consegui dizer, minha voz fraca. — Vocês sabem que não voltarão ao que eram antes, certo? Já viveram mais do que suas famílias e amigos...
Carla soltou uma risada leve.
— Está tudo bem, Victor. Já tivemos bastante tempo para aceitar essa nova realidade — ela disse. — Mesmo que ainda haja muita coisa para aprender e se acostumar.
— Sim... — murmurei, ainda confuso.
— Não se preocupe, não estamos em choque, e sabemos que não é culpa sua. Além disso, sempre podemos contar com você, não importa o que aconteça — Brian concluiu, me apoiando.
Eles continuaram a expressar preocupação e amizade, mas meu coração ainda estava pesado com a sensação de tê-los arrastado para essa situação, apesar de suas palavras reconfortantes.
Agradeci a Horeom por trazê-los ao palácio real, mas um ruído distante chamou minha atenção. Matt pousou na cabeça de Brian.
— Matt! — exclamei, e o pixie saltou para os meus braços.
— Agora você tem um bicho de estimação — Carla brincou, acariciando Matt.
— Horeom e o rei pediram que ele cuidasse de mim, mas acabei me apegando a ele — expliquei.
— Bem, os animais sempre gostaram de ficar perto de você — Brian acrescentou, sorrindo.
Matt voou ao nosso redor, emitindo pequenos brilhos, como se estivesse se divertindo com a atenção que recebia. Sua presença trouxe um toque de leveza ao momento, uma distração bem-vinda diante da gravidade da situação.
— Ei, pessoal, acho que vocês deveriam conhecê-lo melhor — sugeri, olhando para Matt. — Ele é um companheiro leal e, mesmo com todas as mudanças e desafios, sempre esteve ao meu lado.
Brian e Carla trocaram olhares e concordaram. Sentamo-nos na grama macia do jardim, permitindo que Matt se juntasse a nós enquanto compartilhávamos histórias e risadas, como nos velhos tempos.
Foi um momento de conforto e conexão, algo que todos nós precisávamos. Enquanto o sol se punha no horizonte, criando um espetáculo de cores no céu, percebi que, apesar das reviravoltas e desafios que a vida nos lançara, nossa amizade permanecia inabalável.
— Victor, independentemente do que aconteça, estamos aqui para apoiá-lo. Não importa o quão estranho esse mundo possa ser, sempre estaremos ao seu lado — Carla disse, me olhando com determinação.
— É isso aí, cara. Nós somos a sua equipe, e juntos podemos enfrentar qualquer coisa — Brian acrescentou, com um sorriso confiante.
A gratidão encheu meu coração enquanto olhava para meus amigos. Saber que eles estavam dispostos a enfrentar essa nova realidade ao meu lado era um conforto inestimável. Independentemente dos desafios que o futuro reservava, eu não estava sozinho, e isso fazia toda a diferença.
Enquanto a noite caía sobre o palácio, nossa amizade brilhava com a certeza de que estaríamos lá um para o outro, não importa o que acontecesse em nosso mundo mágico em constante mudança.
**************
Então, uma enorme sombra surgiu abruptamente, fazendo a terra tremer sob seus pesados passos. Um rugido ensurdecedor ecoou pelo jardim do palácio, enchendo todos de horror.
— O que é essa coisa?! — exclamou Carla, seus olhos arregalados de terror.
A criatura colossal era coberta de lodo e escuridão, seu corpo imenso se erguia como uma montanha, e sua cabeça plana alcançava alturas que rivalizavam com os prédios mais altos. Era uma visão aterradora, uma abominação da natureza que não deveria existir.
Dois desses monstros se aproximavam do jardim, e eu sabia que precisava agir rapidamente para proteger meus amigos e as pessoas do palácio. Enquanto um deles erguia um enorme pedaço de terra em direção ao jardim, corri em direção à criatura mais próxima.
Canalizei minha magia, invocando bolas de fogo azul que atingiram as mandíbulas da criatura. O monstro rugiu de dor, mostrando-se vulnerável ao calor ardente. Enquanto gemia e se contorcia, os outros dois gigantes voltaram sua atenção para mim.
Continuei a lançar ataques de fogo, concentrando-me nas fraquezas das criaturas. Os monstros, enfraquecidos e com seus movimentos limitados, finalmente começaram a tremer e perder a força. Um a um, caíram no chão, derrotados.
Sabia que não poderia deixar os monstros corrompidos se recuperarem. Misturei meus poderes com o fogo espiritual e lancei uma técnica avançada que envolvia o uso de um veneno inofensivo para humanos, mas letal para espíritos corrompidos. Os gigantes não tiveram chance enquanto a técnica os consumia.
Foi a primeira vez que usei essa técnica, uma habilidade que parecia ter sido desencadeada por memórias antigas dos guardiões. Desta vez, não senti a vertigem que me atormentou da primeira vez. Parecia que eu estava me adaptando a esses novos poderes.
Enquanto me ajoelhava junto ao primeiro monstro derrotado, senti a vida dos espíritos se extinguindo lentamente. Uma onda de tristeza invadiu minha mente ao pensar em como essas criaturas foram usadas como armas.
Mas havia algo mais, algo sinistro e carregado de ódio, algo que já havia sentido quando lutei contra Maya no mundo humano ou contra aquele ogro possuído. De repente, algo bateu violentamente contra meu corpo, me arremessando longe. Na minha visão embaçada, outro monstro surgiu, ainda maior e mais ameaçador.
Levantei-me com dificuldade, sentindo a dor latejante do impacto. O novo monstro era ainda mais imponente, com olhos que brilhavam com uma malícia fria. Sua presença emanava uma aura de pura maldade, o que tornava a situação ainda mais desesperadora.
Carla e Brian correram para o meu lado, suas expressões eram de determinação apesar do medo evidente. Sabíamos que não podíamos permitir que essa criatura causasse mais destruição.
— Victor, vamos enfrentar isso juntos — disse Brian, cerrando os punhos.
— Estamos com você — acrescentou Carla, suas mãos brilhando com magia.
O monstro avançou, cada passo seu fazia o chão tremer. Eu invoquei uma barreira de energia ao redor de nós para ganhar tempo. A criatura colidiu contra a barreira com força brutal, fazendo-a rachar, mas comprando-nos alguns segundos preciosos.
— Carla, Brian, preciso que ataquem os pontos fracos dele enquanto eu mantenho a barreira — instrui, sentindo o peso da magia me exaurindo.
Carla ergueu as mãos e disparou uma série de feixes de luz pura, mirando nos olhos do monstro. Brian, por sua vez, conjurou espinhos de gelo que cravaram na carne escura da criatura, enfraquecendo-a. A criatura rugiu de dor e raiva, suas investidas contra a barreira se intensificando.
Minha barreira finalmente cedeu sob a pressão implacável, mas ganhamos o tempo necessário. Canalizei o resto da minha energia em uma poderosa explosão de fogo azul, mirando diretamente no coração da besta. O fogo espiritual consumiu a criatura, seus rugidos de agonia ecoando pelo jardim.
A criatura se contorceu e finalmente desabou, sua forma colossal desintegrando-se em cinzas. Sentimos o alívio momentâneo da vitória, mas sabíamos que a batalha estava longe de terminar.
— Não podemos baixar a guarda — disse Brian, ofegante. — Havia algo mais naquela coisa, algo que não vimos ainda.
Antes que pudéssemos processar suas palavras, o chão sob nossos pés começou a tremer novamente. Outra criatura, ainda maior e mais grotesca, emergiu das sombras. Suas garras afiadas brilharam sob a luz da lua, e seus olhos eram poços de escuridão.
— Preparem-se! — gritei, assumindo posição de combate.
Carla e Brian se prepararam ao meu lado, suas magias prontas para serem lançadas. A nova criatura avançou com velocidade surpreendente, suas garras cortando o ar. Evitei o ataque por um triz, sentindo o vento passar raspando.
— Vamos, temos que ser rápidos! — Carla lançou uma onda de energia que atingiu a criatura, mas parecia apenas irritá-la.
Brian conjurou uma barreira de gelo para nos proteger enquanto eu preparava um ataque final. Sabia que precisava de algo mais poderoso, algo que pudesse acabar com isso de uma vez por todas.
Fechei os olhos e me concentrei, sentindo a energia ao meu redor. Lembrei-me das antigas técnicas dos guardiões, um poder que parecia estar adormecido dentro de mim. Canalizei essa força, sentindo-a crescer até que não pudesse mais ser contida.
— Agora! — gritei, lançando uma onda de energia pura diretamente na criatura.
A explosão de luz foi cegante, e o rugido da criatura foi cortado abruptamente. Quando a luz finalmente se dissipou, tudo o que restava era um monte de cinzas e a sensação de vitória. Olhei para Carla e Brian, exaustos mas triunfantes, sabendo que havíamos vencido uma batalha.
— Derrotamos um monstro...? — A voz chocada de Brian quebrou o silêncio.
— Sim, derrotamos — Carla respondeu, animada.
A notícia se espalhou rapidamente pelo palácio, e em poucos minutos, pude ouvir gritos e aplausos de todas as direções. As pessoas, que haviam assistido à batalha de longe, agora se aproximavam para nos parabenizar.
Olhei ao redor, vendo os corpos desintegrados dos monstros e sentindo uma estranha energia no ar. Uma sensação de desconforto tomou conta de mim, como se algo estivesse errado.
— Victor, você está bem? — perguntou Carla, percebendo minha expressão.
— Sim, só que... algo não parece certo — respondi, tentando identificar a fonte da minha inquietação.
Enquanto os aplausos continuavam, um murmúrio começou a se espalhar pela multidão. Olhei para onde todos estavam apontando e vi uma sombra se movendo entre os destroços. Meu coração disparou quando percebi que a batalha estava longe de acabar.
— Todos, para trás! — gritei, puxando Carla e Brian para mais perto de mim.
Das sombras, uma figura encapuzada emergiu. Seus olhos brilhavam com uma luz sinistra, e a maldade em sua presença era palpável.
— Parabéns, vocês conseguiram derrotar meus servos — disse a figura com uma voz gélida. — Mas não pensem que acabou. Isso foi apenas o começo.
— Quem é você? — Carla perguntou, tentando manter a calma.
— Eu sou o mestre desses monstros, e estou aqui para recuperar o que é meu — respondeu a figura, revelando um sorriso cruel. — E vocês, tolos, acabaram de me mostrar o quão fracos realmente são.
Com um movimento rápido, a figura lançou uma onda de energia sombria em nossa direção. Mal tive tempo de erguer uma barreira protetora, que estremeceu sob o impacto. A figura riu enquanto nossa defesa vacilava.
— Você precisa de mais poder, Victor — sussurrou uma voz dentro de mim. Era a voz dos antigos guardiões, um eco de sabedoria e força.
Fechei os olhos e me concentrei, buscando a energia ancestral que havia usado anteriormente. Sentia-a crescendo dentro de mim, uma força que poderia ser a chave para nossa vitória.
— Carla, Brian, preciso que segurem essa barreira um pouco mais — disse, a voz firme. — Vou acabar com isso.
Eles assentiram, redobrando seus esforços para manter a barreira intacta. A figura sombria lançou mais ataques, cada um mais poderoso que o anterior. Sentia a pressão crescente, mas a energia dos guardiões fluía através de mim, fortalecendo-me.
Com um grito de determinação, canalizei toda a minha energia em um único ataque. Uma explosão de luz irrompeu de minhas mãos, atingindo a figura encapuzada com força devastadora. O grito de dor ecoou pelo jardim, e a figura foi lançada para trás, desaparecendo nas sombras.
O silêncio voltou, quebrado apenas pelos aplausos hesitantes da multidão. Olhei para Carla e Brian, exausto mas triunfante. Havíamos vencido mais uma batalha, mas sabíamos que a verdadeira luta ainda estava por vir.
— Temos que nos preparar — disse, ofegante. — Isso foi apenas o começo.
Carla e Brian assentiram.
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Gostaram?
Até a próxima 😘
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