Capítulo Trinta e Dois

Victor Jones:

Minutos depois, encontrei-me imerso em um vibrante grupo composto por Duncan, Erick e Matt, com Merlin liderando nossa expedição por um lugar secreto e deslumbrante. Enquanto virávamos em um corredor sinuoso, cristais mágicos emergiam do teto, lançando um brilho etéreo sobre nosso caminho. À medida que prosseguíamos, os cristais nas paredes cintilavam, criando a ilusão de que estávamos atravessando um corredor coberto por uma delicada camada de neve.

Eu me perguntava se esses corredores eram todos encantados, pois, mesmo depois de passar por eles várias vezes, nenhum havia revelado seus segredos como estava acontecendo agora com Merlin.

— Aonde estamos indo? — ousei perguntar.

— Para a galeria — respondeu Merlin, sua voz cheia de mistério. — Um refúgio onde todos podem desfrutar de momentos de relaxamento.

Contive a mágoa e a raiva em minha voz antes de continuar:

— Por que só estou descobrindo este lugar agora? Já faz meses desde que comecei meus estudos aqui, e ninguém nunca mencionou isso. — perguntei.

Duncan respondeu com serenidade:

— Você estava constantemente imerso em treinamentos e responsabilidades. Era impossível trazê-lo para este lugar naquela época. Planejamos esperar até que você estivesse mais livre.

Merlin interveio, reconhecendo a pressão que eu havia enfrentado:

— Imagino como sua mente estava prestes a explodir com a quantidade de conhecimento que você acumulou. — Ele me olhou com um pedido de desculpas no rosto, mas ele havia me deixado usar seu canto do relaxamento por alguns dias quando eu queria distância de tudo, o que me deixou feliz.

Erick acrescentou:

— Vamos deixá-lo descansar por meia hora, como ordenado pelos mestres e pelo rei. Ainda temos muito trabalho a fazer.

Merlin, que nunca havia soltado minha mão, murmurou:

— Ele merece mais do que meia hora de diversão, então, por favor, deixe-o aproveitar.

Juntos, caminhamos por uma parte desconhecida deste lugar, onde o corredor começou a se inclinar suavemente para cima, revelando um atalho que cruzava um lago subterrâneo.

Pela primeira vez, deixei de lado as preocupações do momento, pois esta parte dos corredores se transformara em uma série de cavernas espetaculares. Estalactites e estalagmites brilhavam em tons de azul e verde devido à presença de cobre na rocha. Uma formação calcária de calcita branca se assemelhava a uma cachoeira congelada, enquanto animais mágicos se moviam ao nosso redor.

Merlin apontava para coisas que eu nunca havia visto antes, como os buracos nas altas rochas, onde morcegos e salamandras faziam sua morada. Uma passagem secreta se revelou, e pude ouvir sons vindos de seu interior. Acenei para um pequeno animal que lembrava um camundongo alado com olhos de esmeralda.

— O que é isso? — perguntei, intrigado.

Duncan se ajoelhou e o animal subiu em sua palma. Ele parecia um pouco culpado ao responder:

— Este é o Segi. Foi meu primeiro animal de estimação quando criança; pertencia à minha mãe.

Minha curiosidade aumentou:

— Ele era o responsável pelos sons que eu ouvia do seu quarto?

Duncan sorriu com carinho enquanto acariciava a cabeça do pequeno animal:

— Sim, ele adorava minha mãe. Quando comecei a invocar bestas divinas, o Segi apareceu e me pediu para ser minha Besta Mística. Agora, ele vagueia livremente pelos corredores e me traz informações úteis quando necessário. Dou muita comida para ele. Meteora sabe disso e, embora não goste de uma besta divina andando por aí, ela deixa o Segi fazer o que bem entende.

— Mas ele é tão fofo — falei, fazendo cafuné na cabeça de Segi, que pareceu alegre com meu gesto.

Então, ele pulou no chão e voltou para seu esconderijo nas paredes.

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A galeria era simplesmente imensa, com um teto majestoso que se erguia a pelo menos trinta metros acima de nossas cabeças. Na extremidade oposta, um amplo tapete estendia-se pelo chão, levando a um lago que emanava uma suave névoa. Alguns alunos se divertiam na água, que parecia fumegar levemente, criando um cenário de conto de fadas.

Merlin me guiou até uma mesa central, onde uma suqueira de vidro gigante repousava ao lado de três partes distintas. Ele pegou um copo, enchendo-o na torneira, e o colocou sob uma das partes brilhantes. Um líquido verde jorrou na água, criando um mini redemoinho que misturou o azul e o transparente, enquanto bolhas dançavam na superfície.

— Experimente, vá em frente! — incentivou Merlin, com um brilho nos olhos.

Ao provar a bebida, senti uma explosão de sabores de blueberry, maçã caramelizada e manga tomando conta da minha boca.

— Isso é incrível! — exclamei.

Merlin explicou com entusiasmo:

— Essas são fontes mágicas. Quando alguém pega um copo com água, a bebida se transforma nos sabores preferidos da pessoa. E o melhor de tudo, você pode pedir para outra pessoa pegar a bebida para você, que ela se adaptará aos seus gostos.

Ele serviu a si mesmo, com um sorriso de puro contentamento no rosto.

— Fruta do conde, melancia e chocolate.

A mesa estava repleta de outros petiscos igualmente fascinantes. Tigelas repletas de pedras brilhantes que eram claramente feitas de açúcar, pretzels em forma de símbolos alquímicos cujos cristais de sal cintilavam, e até mesmo uma tigela de algo que à primeira vista parecia batatas fritas crocantes, mas que revelavam um dourado mais profundo quando examinadas de perto.

Decidi experimentar uma delas e, para minha surpresa, o sabor era quase idêntico ao de pipoca com manteiga.

Finalmente, percebi Anna, Rebecca e Aurora sentadas em um enorme cogumelo que lembrava um puff aveludado. Eu me acomodei ao lado de Anna, enquanto Matt saltava em meu colo, segurando pequenas pedras em suas mãos. Segi, o fiel companheiro de Duncan, apareceu na mão de Anna, e ela gentilmente acariciou sua cabeça.

Curioso, perguntei apressadamente a Aurora:

— Como está progredindo na invocação de uma besta divina?

Aurora respondeu com uma voz lenta:

— Continua igual. Não entendo por que não consigo invocar uma besta elemental do Gelo. Sigo cada passo, reviso as anotações de Duncan, mas nada acontece.

Uma voz sussurrou ao meu lado e eu me concentrei para ouvi-la claramente. Suspeitas confirmadas: Aurora ainda não conseguia controlar uma única parte do selo de invocação, como se algo a impedisse de acessar outra extensão de sua magia. Ela estava imersa nesse estudo por todo o semestre.

Aurora desabafou:

— Vou desistir, sou terrível nessa magia.

Rebecca a encorajou:

— Não seja tão pessimista. Com tempo, estudo e treinamento suficientes, você vai conseguir.

Anna acrescentou:

— Você sempre foi a melhor nos estudos desde os seis anos. Continue fazendo o que sempre fez: concentre-se no que acredita.

Eu também me pronunciei:

— Aceite. Sabe, ouvi falar de alguém que estava em uma situação semelhante há muito tempo. Essa pessoa dominava o Elemento Gelo desde a infância e, de repente, não conseguia invocar uma criatura desse elemento. No entanto, essa pessoa fez contratos de invocação com criaturas do elemento oposto.

Aurora parecia surpresa:

— Como você soube disso? Não vi nada sobre isso em nenhum livro de invocação, e Duncan leu quase todos.

Respondi com um toque de mistério:

— É um segredo. Mas, quando enfrentei dificuldades, usei algo do elemento oposto para me ajudar.

Anna estava orgulhosa:

— Você está realmente crescendo e dominando suas habilidades mágicas.

Eu reconheci:

— Sim, estou aprendendo com os melhores.

Minha mente estava cheia de métodos para controlar o poder espiritual; as outras magias eram agora tão naturais para mim como respirar, graças ao treinamento árduo e à orientação habilidosa que recebi.

Logo me aventurei pelo amplo salão para explorar o que mais ele tinha a oferecer. Uma piscina de água quente chamou minha atenção, borbulhando com cores vivas e encantadoras. Alguns dos aprendizes, incluindo Rebecca e Duncan, estavam nadando na água, criando pequenos redemoinhos na superfície enquanto se divertiam.

A diversão era tão contagiante que momentaneamente deixei de lado todas as preocupações que haviam pairado sobre mim. Mergulhei na água e senti o calor relaxante se espalhando pelo meu corpo. Rimos e brincamos, esquecendo as responsabilidades por um breve momento.

À medida que emergíamos da água, notei um grupo de aprendizes mais experientes se aproximando da passagem. Alguns deles eram carregados em macas improvisadas, feitas de galhos. Um jovem seguia apoiado por dois outros aprendizes, com sua roupa dianteira completamente queimada, deixando sua pele vermelha e repleta de bolhas. Todos estavam com suas vestimentas chamuscadas e rostos manchados de fuligem escura. Alguns sangravam.

A atmosfera de alegria e descontração se desfez rapidamente, substituída por uma preocupação palpável. Merlin, que até então estava sorrindo, correu para ajudar os feridos. Eu senti um nó se formar no meu estômago ao ver o estado em que estavam.

— O que aconteceu? — perguntei a Duncan, que havia saído da água ao meu lado.

— Eles estavam em um treinamento avançado de controle de fogo — respondeu ele, com uma expressão grave. — Parece que algo deu terrivelmente errado.

Rebecca se aproximou, a preocupação estampada em seu rosto.

— Precisamos ajudar — disse ela, a voz trêmula. — Eles precisam de cuidados imediatos.

Sem hesitar, segui Merlin e os outros até uma área de descanso onde começaram a tratar os feridos. Ajudei como pude, trazendo água fresca e suprimentos médicos. O jovem com queimaduras graves gemia de dor, e fiz o possível para confortá-lo enquanto os curandeiros aplicavam pomadas e feitiços de cura.

A visão da dor e do sofrimento trouxe de volta a realidade da nossa formação mágica. Não era apenas diversão e descoberta; era também perigosa e exigia grande responsabilidade. Merlin, ao ver minha expressão preocupada, colocou a mão no meu ombro.

— Esta é uma lição importante — disse ele suavemente. — A magia é poderosa, mas também pode ser muito perigosa se não for controlada adequadamente.

Concordei com a cabeça, absorvendo a gravidade da situação. Enquanto continuávamos a ajudar os feridos, uma nova determinação crescia dentro de mim. Eu sabia que, para proteger aqueles que me eram queridos e dominar a arte mágica, precisaria me dedicar ainda mais aos meus estudos e treinamento.

Então, notei na outra extremidade outro grupo, e meus olhos se fixaram em um rapaz que passava em uma maca, contorcendo-se de dor. A manga de sua camisa havia sido consumida pelo fogo, e seu braço estava irreconhecível, parecendo um graveto carbonizado. O Mestre Damian e as irmãs Flora seguiram o grupo, ordenando que voltássemos imediatamente para o nosso grupo de quatro.

Os ânimos estavam agitados enquanto seguia meu caminho, e uma dor de cabeça começou a pulsar.

Duncan permaneceu em silêncio enquanto caminhávamos juntos.

— Victor, por favor, tome cuidado — ele sussurrou com preocupação. — Desde que você chegou aqui, tenho ouvido rumores de que a segurança dos aprendizes está se tornando instável até mesmo nas missões.

Eu respondi com confiança:

— Eu sei me cuidar. — Mas percebi que Duncan soltou um suspiro preocupado.

Ele continuou:

— Apenas tome cuidado... Este semestre está quase no fim. Você precisa fazer o seu melhor para mostrar que está no controle, especialmente no evento do rei ao qual terá que comparecer.

— Você tinha que me lembrar disso — murmurei.

Duncan parou e segurou meu braço, forçando-me a olhar nos seus olhos.

— Victor, estou falando sério. Você tem talento, mas não pode subestimar os perigos. Esse evento é uma oportunidade para provar sua capacidade, mas também é um teste. Sei que você é forte, mas até os mais fortes precisam de apoio.

Eu respirei fundo, sentindo o peso das suas palavras. Olhei ao redor, vendo os aprendizes machucados, a preocupação nos olhos dos meus amigos e o ambiente carregado de tensão.

— Eu entendo, Duncan. Prometo que vou tomar cuidado. E vou me preparar da melhor forma possível para o evento do rei.

Duncan relaxou um pouco, soltando meu braço.

— Isso é tudo que eu peço. Lembre-se, não estamos sozinhos nisso. Estamos todos juntos.

Caminhamos em silêncio por um momento, absorvendo a seriedade da situação. A dor de cabeça latejava, mas eu a ignorei, focando no que precisava ser feito. O semestre estava quase no fim, e eu sabia que cada momento contava.

Enquanto continuávamos, uma nova determinação crescia dentro de mim. A visão do aprendiz ferido, o olhar preocupado de Duncan e a iminência do evento do rei serviam como lembretes de que o caminho que escolhi era cheio de desafios. Eu precisava estar preparado para enfrentar cada um deles, com coragem e com o apoio daqueles que estavam ao meu lado.

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Gostaram?

Até a próxima 😘

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