Capitulo Quarenta e Um
Victor Jones:
Depois de deixar a sala de Meteora, percebi que ela evitou mencionar as correntes que eu ainda carregava. Com a mente repleta de pensamentos tumultuados, pedi permissão para usar uma das salas de treinamento.
Ela concordou sem hesitar, me autorizando a escolher qualquer sala disponível enquanto ela se encarregava de mostrar as instalações a Carla e Brian.
Ao entrar na sala de treinamento, meu foco se intensificou imediatamente. Um arco elemental se enrolou em meu braço direito como uma serpente pronta para atacar. O poder do Punho dos Poderes Elementais estava concentrado em minha mão; bastava um movimento para lançar um raio devastador em qualquer alvo.
Senti a energia da Força dos Poderes espiralando ao redor do meu braço. Uma pergunta persistente martelava em minha mente: como seria liberar todo esse poder? Só de pensar nisso, meu coração acelerava, ansioso por experimentar.
Estendi a mão, e alvos surgiram à minha frente, enquanto o ambiente ao redor se transformava na configuração ideal para o treinamento.
Respirei fundo, tentando manter a calma, e concentrei-me em cada alvo. Segurei o arco e puxei a corda, sem saber exatamente onde mirar ou a que velocidade lançar a magia. Não podia arriscar errar e destruir a sala. Em uma missão, um erro poderia significar a morte iminente, pois enfrentava constantemente criaturas monstruosas. Portanto, precisava ser extremamente habilidoso com armas mágicas, autodefesa e feitiços.
Inspirei profundamente, mantendo o foco. Concentrei toda a minha magia e liberei a flecha mágica; era crucial manter a serenidade.
As flechas atingiram os alvos com efeitos impressionantes. Um explodiu em chamas, outro congelou e se despedaçou, enquanto o último foi levantado do chão e, quando começou a cair, uma estalagmite cinza surgiu, perfurando-o.
Eu era realmente um mago excepcional!
Queria usar o poder desse arco mais vezes, mas assim que terminei de disparar as flechas mágicas, meu corpo começou a pesar e a ficar tonto.
— Isso deve ser a exaustão espiritual de que os mestres falam — murmurei para mim mesmo.
Geralmente, eu podia treinar "Controle do Arco" por até duas horas antes de sentir exaustão mágica. Mas agora, após criar o arco, minha força mágica estava se esgotando rapidamente. Eu compreendia vagamente o motivo. Enquanto treinava o "Controle", meu corpo lidava com uma quantidade massiva de magia. O uso conservador de mana não causaria isso, mas ao canalizar efetivamente a magia comum e a espiritual para alcançar o verdadeiro poder da Magia, a maior parte da mana era consumida conforme minha vontade.
Nunca tinha sido um mago antes, e tampouco recebi treinamento físico adequado ao crescer. Contudo, meu conhecimento de jogos como League of Legends e The Legend of Mir seguia uma lógica semelhante!
De repente, ouvi uma risada e me virei. Encostada na parede estava uma figura em calça jeans e uma camiseta verde, com cabelos que caíam até os ombros.
— Parece que você precisa de ajuda — Camilla Skyline comentou com um sorriso. — Jogar videogames não vai te ensinar a controlar seus poderes.
Olhei para minhas mãos, surpreso com a facilidade com que a havia convocado.
— Não adianta tentar entender como me chamar para uma conversa — ela continuou. — Estou aqui para lhe dizer que seu corpo precisa se adaptar e absorver toda essa mana. — Ela apontou para o meu peito. — Comece com a essência da magia e acostume-se com a quantidade de poder que você possui.
Fazendo sentido, segui suas instruções. Meus olhos se arregalaram quando minhas mãos começaram a brilhar com uma luz dourada, e a magia se apoderou de mim em segundos.
— Isso vai levar um tempo, eu suponho — murmurei, tentando novamente.
— "Peles da Manhã" é um feitiço que exige total sintonia entre mente e corpo. Diria que você está apenas a 10% dessa sincronia — Camilla explicou, observando os alvos destruídos. — Mas isso já o torna muito poderoso.
— Agradeço pela ajuda — disse sinceramente, e ela sorriu. — Posso fazer uma pergunta?
— Claro, fique à vontade — ela respondeu.
— O que aconteceu entre você e Urlac? Por que vocês brigaram e você nunca mais o invocou? Você sabe o quanto isso o magoou quando soube que você tinha morrido.
Camilla hesitou antes de responder.
— Nossa briga começou por causa de um conflito entre as nações feéricas e os dragões. Eles queriam iniciar uma guerra para controlar os espíritos, e tivemos opiniões divergentes sobre como lidar com a situação. Acabamos nos envolvendo em uma luta fria, até que percebi que a única forma de resolver tudo era afastá-lo e enfrentar o problema sozinha. As palavras dele sobre confiar nele como se fosse família me afetaram mais do que eu admiti.
— Você poderia ter resolvido isso com uma conversa. Por que não tentaram? — indaguei, com firmeza. — Você o tratou como se ele fosse insignificante, e isso o marcou profundamente, afastando-o de todos nós.
Camilla deu de ombros, desdenhosa.
— Essa é uma realidade que não posso mudar facilmente. Espero que ele consiga seguir em frente — disse, fazendo um gesto de desdém com a mão. — Não vou pedir desculpas pelo que fiz; na minha visão, era a melhor solução. Sempre lhe disse para não se envolver emocionalmente com ninguém para que as decepções não fossem tão devastadoras.
Antes que eu pudesse responder, ela desapareceu diante dos meus olhos.
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Depois de sair da sala de treinamento, fiquei profundamente perturbado com a indiferença de Camilla em relação às emoções de Urlac. Sua falta de empatia durante nossa conversa me deixou inquieto.
Urlac havia perdido a confiança em qualquer pessoa desde que alguém em quem ele acreditava o traiu. Com a mente cheia de pensamentos confusos, corri de volta para o meu quarto. Assim que entrei, procurei um livro específico: um volume de capa marrom que narrava a história de Camilla antes de se tornar guardiã.
O livro revelava que Camilla tinha um irmão e uma amiga bruxa que ocupava um lugar especial em seu coração. No entanto, após descobrir seu destino como guardiã, a amiga começou a sentir inveja e a desejar mais poder. Ela recorreu à magia negra para alcançar seus objetivos.
O nome dela era Maya Chan.
Para obter poder, Maya realizou um feitiço que exigia um sacrifício e usou o irmão de Camilla para isso. Quando Camilla descobriu que seu irmão havia sido morto e traído por sua amiga, ela matou Maya Chan em meio à traição.
O livro mencionava que o ritual ocorreu em um templo no território dos dragões.
— Maya deve ter encontrado uma forma de evitar a morte, tornando-se uma vampira — murmurei para mim mesmo. — Camilla nunca compartilhou muitos detalhes sobre o que aconteceu naquele templo ou com o corpo de Maya Chan. Após o incidente, sua personalidade mudou drasticamente devido à experiência traumática.
Refleti sobre como alguém pode mudar completamente após confiar em alguém e perder tudo em um instante.
Nesse momento, bateram à minha porta, e Carla entrou com um copo de uma fonte mágica, borbulhando com líquido mágico.
— Essas fontes mágicas são incríveis — disse Carla, tomando um gole. — Apesar do gosto meio amargo, são uma das coisas que mais amo neste mundo.
Ri em concordância.
Brian entrou logo em seguida, segurando outro copo. Ele bebeu e sua expressão oscilou entre prazer e uma careta que fazemos ao tomar um remédio horrível.
— Ter o paladar de vampiro está sendo um pesadelo. Os magos precisam encontrar uma solução para isso — ele reclamou, apontando para mim. — Victor, você é responsável por criar uma bebida que agrade ao meu paladar.
— Nunca concordei muito com o Brian — disse Carla, sentando-se na minha cama. — Mas, Victor, é sua responsabilidade fazer algo a respeito.
Chamei-os de folgados.
— O que é essa criatura? — Carla perguntou, apontando para Matt, que entrou pela janela e foi para o seu canto e Marko fez a mesma coisa e ficaram lado a lado. Simultaneamente, Segi também entrou e se deitou ao lado dele.
— É o animal de estimação do Duncan — expliquei.
Carla achou a cena fofa.
— Mas o Merlin estava perguntando sobre você quando era mais jovem — acrescentou Carla, me dando um leve cotovelo, que doeu um pouco. — Desculpe, ainda estou me acostumando com a super-força.
— O que ele perguntou? Por favor, digam que não contaram nada embaraçoso — implorei.
Carla sorriu amplamente.
— Só contamos sobre aquela vez em que você tentou andar de skate e caiu de cara no chão — ela disse, e eu olhei horrorizado para ela, que soltou uma risada.
Brian congelou e se aproximou da janela, pedindo silêncio.
— Estou ouvindo uma conversa do guarda que está vigiando Victor junto aos mestres — Brian disse. — Parece que encontraram outro corpo na floresta. Vinte corpos foram descobertos na última semana. Embora a família real e o conselho estejam fazendo o melhor possível para encobrir as circunstâncias misteriosas de cada morte, todos foram enterrados em caixões fechados. Os corpos estavam desfigurados e queimados. — Fez uma pausa. — Todos os mortos estavam em grupos de patrulha e foram aniquilados em questão de segundos.
Meu coração gelou com a ideia de que Maya e Ravan estavam lá fora, prontas para atacar a cidade e dispostas a ferir quem fosse necessário. Com o poder concedido pelo Rei das Sombras, elas poderiam se tornar extremamente perigosas.
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Gostaram?
Até a próxima 😘
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