Capítulo Quarenta e Sete
Victor Jones:
Viajar para longe do castelo revelou-se uma tarefa árdua. Descemos a montanha guiados pelas instruções de Anna no celular, que nos conduziam por um caminho traiçoeiro, cheio de perigos. Elementais e bestas, visivelmente mais ativos pela manhã, espreitavam nas sombras, aumentando o suspense e o perigo.
Além dos riscos naturais, a ameaça dos cavaleiros pairava sobre nós. Nosso grupo era pequeno, composto apenas por Anna, Merlin, Duncan e eu, mas a tensão era palpável. Mantivemo-nos alertas, sabendo que a qualquer momento poderíamos ser interceptados. Finalmente, chegamos ao estacionamento onde o carro de Duncan estava. No entanto, encontramo-nos com uma surpresa desagradável: alguns cavaleiros, incluindo Erick, estavam ali.
— Droga — murmurou Merlin, o desespero evidente em sua voz. — O que faremos agora?
— Não se preocupem — disse Duncan, afastando-se discretamente para uma área mais sombria. Fiquei atento, observando os cavaleiros que patrulhavam ao redor do carro.
— Anna, está tudo bem? — perguntei, a preocupação dominando minha voz.
— Vou fazer esses idiotas pagarem assim que os encontrar — respondeu Anna, com um brilho furioso nos olhos. — E quanto à música? Você tem as instruções para o local que precisamos chegar?
— Sim, mas preciso ouvi-la novamente para garantir a localização exata — respondi, mantendo a calma enquanto apertava a caixa de música contra o peito. Anna me entregou uma mochila para que eu guardasse a caixa. Coloquei-a com cuidado, escondendo-a dentro do meu anel.
De repente, um brilho cortou o céu e um estrondo ensurdecedor ecoou no ar. O som era aterrorizante, como se uma besta furiosa estivesse lutando contra algo maior do que ela mesma. Merlin arregalou os olhos, o som era tão imenso que ele virou para nós, preocupado. Todos os cavaleiros se prepararam para o ataque.
— É um Esquilo Divino! — gritou um dos cavaleiros ao avistar a criatura.
No mundo mágico, quando alguém exclamava "é um Esquilo Divino", não se fazia perguntas. Apenas se aproveitava a distração criada. O rugido estrondoso do Esquilo Divino nos apavorou. Corremos do nosso esconderijo em direção ao carro. Foi então que percebi que Merlin estava com um rosto marcado, como se tivesse levado um tapa.
— Duncan, o que você fez? — murmurou Merlin quando Duncan se aproximou.
Segi, o espírito convocado por Duncan, apareceu no chão. Notei um pedaço de papel em suas patas, com um glifo de invocação e as iniciais "MS".
— Precisávamos de um plano de contingência caso os cavaleiros nos interceptassem — explicou Duncan, seu tom carregado de tensão. — Agora, não importa o que fizemos. — Duncan fez Segi desaparecer na escuridão e se preparou para retornar ao castelo. — Por favor, não falem nada. Era a única solução que tínhamos para sair do estacionamento. Era necessário tomar uma decisão rápida.
Merlin e Anna soltaram uma enxurrada de palavrões em uma língua que eu mal compreendia, suas vozes se entrelaçando em um turbilhão de frustração e desespero. O fluxo incessante de palavras e insultos, alguns dos quais me surpreenderam pela intensidade, refletia a tensão e o pânico que estavam sentindo.
Finalmente, conseguimos entrar no carro e nos afastar do estacionamento, o barulho do confronto entre o Esquilo Divino e os cavaleiros diminuindo atrás de nós. Duncan assumiu o volante com uma expressão resoluta, e começamos a jornada em direção à localização indicada pela música. No entanto, a aparente tranquilidade de Duncan só aumentava a inquietação de Merlin.
— Fale logo o que está pensando! — exclamou Duncan, notando o desconforto palpável no ar.
— Ainda acho que foi um erro monumental usar esses glifos — Merlin retrucou, seu olhar fixo e intenso sobre o irmão. — Você sabe o quanto é perigoso mexer com esses símbolos. Prometeu que nunca os usaria.
— De quem eram esses glifos? — perguntei a Anna, a curiosidade misturada com apreensão em minha voz.
— Eram da minha mãe — respondeu Anna, a raiva e a tristeza cintilando em seus olhos. — Meteora os guardava, e Duncan prometeu nunca usá-los. Parece que essa promessa foi quebrada.
— Foi uma medida de emergência — Duncan disse, sua voz carregada de tensão enquanto apertava o volante com força. — Meteora concordou com a necessidade, e eu apenas segui a decisão. Esses glifos podem ser úteis caso alguém tente nos rastrear por magia. Agora, vamos ficar em silêncio; estou dirigindo e preciso me concentrar.
Os outros dois permaneceram em silêncio, a tensão no carro se tornando quase palpável enquanto avançávamos pela estrada. Eu peguei a caixa de música do armazenamento, abri-a e comecei a ouvir a melodia, ajustando as instruções para Duncan com cuidado. Cada nota parecia carregar o peso da nossa missão e da tempestade emocional que deixamos para trás.
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Nossa jornada nos levava para fora da zona rural, rumo ao oeste de Magix. Era surreal estar novamente em uma autoestrada, com Anna e Merlin mergulhados em um silêncio carregado de tensão. O mundo mágico ao nosso redor parecia uma mescla de fantasia e realidade, com lanchonetes à beira da estrada, criaturas sobrenaturais e shoppings repletos de seres mágicos. Até os espíritos estavam surpreendentemente calmos.
— Até agora, tudo tranquilo — comentou Anna, tentando soar otimista. — Quinze quilômetros e nenhum inimigo à vista, nem mesmo cavaleiros nos seguindo.
— Como eu já disse, enquanto não usarmos magia além da conjuração, será impossível nos rastrearem — explicou Duncan, sua voz firme. Merlin bufou, claramente irritado.
— Duncan, eu já falei que foi um erro usar esses glifos! — Merlin retrucou, seu olhar fixo e acusador. — Você prometeu que nunca mais os usaria.
— Eu só fiz o que achei necessário para nos ajudar — disse Duncan, sua frustração transparecendo. — Não precisa se irritar tanto. Afinal, está tentando se tornar o melhor do mundo? Eu sei coisas sobre você que dizem o contrário.
Merlin lançou um olhar furioso para o irmão, mas antes que pudesse responder, eu interrompi.
— Podemos parar com a discussão? Precisamos seguir em frente — pedi, a preocupação na minha voz.
— Para onde estamos indo? — Anna perguntou, sua expressão carregada de curiosidade.
— Estamos indo para a Prisão do Meio — expliquei. Anna franziu a testa, confusa.
— Prisão do Meio? — repetiu ela.
— Sim, é um local entre os espaços que dividem o mundo físico e o espiritual — continuei. — Urlac e outros espíritos me contaram sobre isso. As Dimensões, também conhecidas como Mundos, são universos autônomos que operam quase independentemente. Enquanto muitas dimensões existem em planos não físicos, os Mundos Prisionais são uma exceção. Apesar de serem paralelos ao nosso plano convencional, obedecem a leis sobrenaturais da física. Algumas dimensões surgiram naturalmente, enquanto outras foram criadas através da Bruxaria para aprisionar os inimigos mais perigosos da sociedade.
— O Rei das Sombras está lá — acrescentou Duncan, confirmando minhas palavras.
— E como chegaremos lá? A Prisão do Meio deve ser protegida por espíritos, certo? Vamos ter que enfrentá-los? — Anna perguntou, sua preocupação evidente.
— Não, a música nos guiará e nem mesmo os espíritos ousam se aproximar desse lugar. Mayi e os outros foram pelo caminho dos espíritos, usando seus próprios monstros — expliquei. — O que faremos é seguir uma entrada secreta esquecida ao longo do tempo. Aqueles que conhecem bem o mundo espiritual e ouviram essa melodia podem entendê-la. Precisamos virar nesse caminho agora!
Entramos em um estreito caminho de terra, repleto de buracos e pedras que batiam contra o carro. O som do vento nas árvores se tornou quase imperceptível, substituído pelo rugido constante do motor.
De repente, o carro tremeu violentamente. Olhei pela janela e vi grandes pássaros com penas vermelhas e negras voando em nossa direção. Seus bicos eram afiados, e eles emitiram gritos estridentes e furiosos ao nos avistarem. Um deles soltou um grito agudo que fez meus tímpanos vibrar. O líder dos pássaros agarrou-se ao teto do carro com suas garras afiadas.
Duncan lançou-me um olhar preocupado, seu rosto pálido com o temor de que o carro pudesse sofrer danos irreparáveis.
Os pássaros continuaram atacando, o líder pairando acima de nós e impedindo nossa fuga. Então, um trovão rugiu à nossa frente, e uma tempestade furiosa se desatou. Raios de fogo despencaram sobre as árvores, bloqueando os pássaros e iluminando o céu com flashes incandescentes. Eu segurei Matt com firmeza contra meu peito enquanto o líder dos pássaros lutava para evitar os raios.
Finalmente, o líder dos pássaros mergulhou na densa mata de arbustos espinhosos, e o carro chocou-se violentamente contra o chão. O impacto nos lançou em direção à floresta abaixo.
— Segurem-se! — gritei, puxando Anna para perto.
— Trilha do Vento: Desconjuntura dos Ventos — sussurrou Anna, suas mãos brilhando com energia.
Ela segurou minha mão, e juntos sussurramos as palavras mágicas que conhecíamos. O vento ao nosso redor começou a desacelerar nossa queda. Finalmente, sentimos o impacto contra o chão, um choque que nos fez tremer, mas nos manteve vivos.
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Gostaram?
Até a próxima 😘
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