🌹Never give up on things so easily🌹
(Nunca desista das coisas tão facilmente)
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— Alunos, tenho algo a contar! — Diz a professora Sofya empolgada, atraindo todos os olhares dos alunos. — Obrigada professora por me deixar entrar. — Ela diz virando para a professora de matemática.
— A novidade é, que graça a Beatriz, a diretora finalmente permitiu o passeio para trilha! — Ela diz empolgada e todos nós gritamos de alegria.
— Bea, como conseguiu isso? — Nick me pergunta. Ele estava sentado ao meu lado.
— O dono de lá é amigo do meu pai. Então ele conseguiu disponibilizar apenas um dia para as duas turmas. — Eu digo um pouco tímida. Era estranho ser filha de um cantor famoso.
— Palmas para ela! — Diz Sofya e em seguida todos batem palmas, me deixando morta de vergonha. Menos Meghan. Eu só queria fazer algo legal, sem segundas intenções.
— Obrigada. — Eu digo bem baixinho para os alunos.
Logo após o aviso dela, o sinal toca para o intervalo. Eu e Nick estávamos nos dando super bem, apenas como amigos. Ele não tentava nada mais, e nem eu tentava algo. Tudo estava entrando nos eixos.
Caminhamos juntos jogando papo fora, quando a diretora Jade aparece atrás de nós.
— Meninos! — Ela nos chama, nos fazendo virar em sua direção.
— Oi diretora. Algum problema? — Eu pergunto vendo ela um pouco nervosa.
— Acreditam que eu mostrei o jornal de vocês para o conselho. — Ela diz e nós dois ficamos confusos.
— E isso não é bom? — Nick pergunta sem entender.
— Mais ou menos. Eu mostrei para ver a aprovação deles, e eles me disseram que o jornal tem tudo de bom, menos a identificação dos alunos. — Ela diz nos deixando confusos novamente.
— Identificação? — Perguntamos em coro.
— Sim, o conselho quer que falemos de alguns alunos que estudam aqui, aqueles com vidas complicadas. — Ela diz e finalmente entendemos.
— Mas todos nós temos vidas complicadas. Somos adolescentes. — Eu digo e ela concorda com a cabeça.
— Eu disse isso. Mas eles querem que falemos sobre dois alunos em especial. Eles querem que vocês anotem tudo sobre a vida deles, o que o colégio os influenciou e em como eles estão vivendo agora. Eles querem saber se algo mudou em suas vidas — A diretora diz decepcionada. Estava na cara que ela não concordava com isso. O conselho queria passar uma imagem de acolhedores de jovens problemáticos.
— E quem são essas duas pessoas? — Nick pergunta.
— Cristal Perroni e Christian Smith. A jovem que perdeu o irmão, e o menino que sofria bullying por anos nesse colégio e agrediu o menino num nível, que quase o matou. — Diz Jade meio fragilizada. — Eles me colocaram numa situação complicada... Ou eu faço isso, ou eu sou demitida. — Ela diz nos deixando chocados. O conselho é realmente nojento.
— Entendemos. Eu posso tentar convencer os dois. Mas não posso fazer muita coisa. Eu não tenho muita intimidade com o Christian. — Eu digo com vontade de abraçar ela.
— Eu vou falar com ele daqui a pouco. Por enquanto, tenta falar com a Cristal. Mas se nenhum deles topar, eu assino a minha demissão e saio de cabeça erguida
Logo após ela sair, eu e Nick nos sentamos na mesa, estavam um pouco arrasados com essa situação.
— O conselho é mesmo sujo. Não dá pra acreditar que estão fazendo isso com uma mulher que está tentando mudar o colégio para melhor! — Eu digo revoltada.
— E o que vamos fazer? — Ele pergunta me encarando.
— Eu ainda não consegui falar com a Cristal. Eu nem sei como nossa amizade está. Não quero que ela pense que eu estou tentando me aproximar dela, por conta desse favor. Eu não sou assim. — Eu digo ficando com a cabeça quente.
— Bom, temos até o final dessa semana para fazer isso. Pois é quando o próximo jornal será publicado. — Ele diz me tranquilizando um pouco.
— Graças a Deus. — Eu respiro aliviada.
— Se queria falar com a Cristal, ela chegou agora. — Ele diz me fazendo virar ao ver a Cristal. Ela estava atrasada como de costume. Seu rosto parecia mais iluminado. Ela usava uma jaqueta e um vestido preto. E tinha tirado o roxo das pontas. Ela vai em direção ao banheiro, e era a hora de seguir ela.
Me levanto, e vou em direção ao banheiro, até que alguém me chama. Uma voz que eu não me comunicava fazia tempo.
— Beatriz! — Meghan me chama, me fazendo virar em sua direção. Seu rosto estava abatido e ela colocou a mão em seu braço. Parecia machucado.
— Meghan, não tenho tempo agora... — Eu falo querendo ir logo para o banheiro.
— Eu queria conversar para... — Ela tenta dizer quando eu a interrompo.
— Eu lembro que há três meses atrás eu também queria, mas você e Alex não tinham tempo. Quem não tem tempo agora só eu, chama as suas amigas populares para bater papo. — Eu digo irritada e volto a seguir meu rumo. Nem Meghan e nem Alex iriam me tirar do foco.
Entro no banheiro e Cristal estava numa ligação.
— Tudo bem amor. Depois eu passo aí. Também te amo Michael. — Ela diz me deixando boquiaberta. Ela estava namorando ou meu irmão, ou seria alucinação minha? — Olha quem decidiu voltar... — Ela diz me vendo pelo espelho e se virando.
— O-ooi Cristal. — Eu digo gaguejando.
— Oi Beatriz. Tchau Beatriz. — Ela caminha para a saída do banheiro, mas eu paro na frente dela.
— Precisamos conversar. — Eu digo.
— Engraçado, você não pensou nisso quando foi embora sem me avisar! Eu não teria te impedido de ir, garota! — Ela grita que chega a me incomodar.
— Eu tomei a decisão de ir embora, pois eu estava sobrecarregada! Eu precisava fugir, me regenerar, para ter que lidar com os problemas nesse lugar com mais força! — Eu digo gritando também. — Alex e Meghan não falavam comigo, meu quase relacionamento com Simon foi por água abaixo, na época eu pensava que Nick era um babaca, e você tinha sumido do mapa quando eu quis falar sobre a sua irmã! — Eu grito a deixando finalmente calada. — Você mentiu para mim sobre a verdadeira história, e se acostumou a essa versão que sua irmã era uma santa! Nós duas estávamos desgastadas, com problemas que não se resolviam, acha que se eu continuasse aqui, nossa amizade iria para frente? — Eu pergunto falando tudo o que estava engasgado em mim. Eu pude ver a sua face mudar.
— Você está certa... Quando eu li a sua carta eu decidi mudar... Esqueci completamente esse lance de vingança, que por mais que esse colégio estivesse sobrecarregando ela, esse não foi o real motivo do suicídio dela. E sim por ela não ver um real futuro em si. — Ela diz de cabeça baixa.
— Viu só? Nós duas com o tempo, conseguimos superar nossos problemas. Tem vezes que se permanecermos num pensamento ou num ambiente tóxico, nada irá mudar em nossas vidas. Mas agora estamos aqui. E eu te pergunto, se você ainda quer se a minha amiga, pois nesses três meses que eu estava longe, não parava de pensar em você. — Eu digo pegando na mão dela, com vontade de chorar. Ela também estava.
— Eu também não... Claro que eu quero, pois você que me fez acordar para a vida. — Ela diz chorando e me abraçando. Nunca respirei tão aliviada por não ter pedido uma pessoa tão importante na minha vida. Ficamos abraçadas por uns 5 minutos.
Nos sentamos no chão do banheiro, jogando assunto fora, rindo iguais umas loucas, eu disse para ela que ouvi algumas músicas de rock e gostei, e ela me contou a parte que eu estava mais curiosa.
— Então ele me chamou para sair e fomos ao cinema. Mas não vimos o filme claramente. Ele criou coragem para me beijar, o que eu queria já há um tempo. — Ela diz fazendo uma dancinha com os braços e eu fico boquiaberta a cada acontecimento. Parecíamos duas velhas fofoqueiras.
— Então decidimos tentar algo, e depois que se passou um mês, ele me pediu em namoro. No começo eu fiquei com medo de dar errado, mas nosso relacionamento é tão diferente sabe. Às vezes parecemos melhores amigos do que namorados. Não temos esses ciúmes bobos, e somos super abertos a dizer algo que nos incomoda. E claro, eu estou na banda. — Ela diz e eu fico totalmente feliz por ela.
— Que bom que tudo deu certo para você. — Eu digo orgulhosa. Parecia que nossa amizade tinha dado mais um passo. Estávamos mais abertas uma com a outra.
— Vamos marcar de sair, para você contar tudo sobre a sua vida. E para eu dar a minha opinião completa sobre o seu livro. — Ela diz me deixando boquiaberta. Ela tinha lido de verdade.
— Você leu? Não estou acreditando. — Eu rio de nervoso.
— Claro, por mais que eu estivesse te odiando naquele momento, seu livro é maravilhoso. E você seguiu o meu conselho que eu dei sobre colocar alguma ação inesperada. — Ela diz e eu dou um outro abraço nela.
— Te amo surtada. — Eu digo me deitando no colo dela.
— Também te amo Clarice Lispector. — Ela diz rindo.
Ficamos por duas horas conversando no banheiro, perdendo a segunda aula de biologia. Eu me adiantei e contei tudo para ela sobre o que passei em outra cidade, e ela enlouqueceu quando eu contei que era amiga do Justin Merrell. Eu perdia a noção das coisas perto dela e esse sentimento era incrível. Parecia que tudo estava voltando aos eixos. Estava me dando super bem com a minha mãe e Michael, tinha voltado a falar com Cristal e Nick, e iniciado uma amizade nova com Justin e iniciando algo com a Lana. E eu me sentia feliz... Novamente.
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