🌹If there is no priority, don't expect too much🌹
(Se não há prioridade, não espere muita coisa)
—x—
O primeiro tempo de aula hoje foi incrível. A diretora tinha ido em todas as salas novamente, dizendo que haveria um projeto novo no colégio, atividades divertidas e estimulantes para pessoas da nossa idade. Bom... Que ela realmente saiba do que a gente gosta, porque nem a gente sabe do que a gente realmente gosta.
Eu estava bastante preocupada, Meghan não havia ido para a escola hoje, e nem Alex. Eu tinha pensado em passar na casa dela, mas eu não devo ser bem vinda lá. Eu só queria entender o motivo dela não me responder... E a casa de Alex não era um ambiente bom para se visitar.
Quem me fazia fugir dos meus problemas, era Nick Fallon. Ok, são apenas duas semanas, mas quem nunca se identificou com uma pessoa, que chega a assustar? Ele era fofo, era amigável, era compreensivo. Não éramos aqueles tipos de pessoas que quando se encontrava, o único foco era juntar nossas bocas. Conversávamos sobre várias coisas, como, livros, filmes, fanfics, séries, músicas e diversas outras coisas. Claro, nesse meio tempo tinha pegação quando saímos, mas nada que chegasse a ser meloso. Deve ser por isso que eu não tenho um namorado, pois antes de querer ter um relacionamento, eu quero ter uma amizade com o ficante. Não quero namorar um desconhecido.
Mesmo eu achando ele muito tenso perto de mim, eu estava tranquila. Eu não iria ser invasiva como eu sou com Meghan e Alex... Acho que esse seja o motivo deles não estarem falando comigo. Eu iria esperar o Nick vir até mim e falar comigo. Eu tenho que me preocupar com os meus problemas em PRIMEIRO lugar, e não com o dos outros. Mas não é fácil.
Era 8:40, hora do intervalo. Vejo que Nick sai andando junto com o grupinho da Lana, e pior, abraçado com ela! A-b-r-a-ç-a-d-o com aquela vaca dos infernos! Por isso eu descubro as coisas antes das pessoas me contarem. Ninguém facilita nessa merda.
Em vez de ir em direção ao refeitório para comer (eu estava faminta), vou em direção ao banheiro batendo o pé para descontar minha raiva toda naquele local.
— QUE MERDA! — Eu grito jogando a minha bolsa em direção ao espelho. Ia fazer um mês, e eu já estava me importando com quem o macho andava ou deixava de andar. Tudo o que eu prometi não fazer.
— A patricinha tá surtando? — Pergunta Cristal entrando ao banheiro, e encarando a minha cena.
— Eu posso ter todos os defeitos, mas não sou patricinha. — Eu digo pegando a bolsa, que tinha caído dentro da torneira.
— Mas o motivo da sua raiva é por causa de um garoto, não é? Isso te faz uma patricinha. — Ela vem na minha direção, de frente para mim. Só assim eu pude reparar a sua roupa gótica, ela tinha um estilo maravilhoso. Usava uma jaqueta de couro, aplique roxo nas pontas do cabelo, calça preta rasgada e uma bota imensa.
— Se eu te contar, você jura que não espalha pra ninguém? — Eu pergunto, com um receio.
— Prometo. Mas nem pense em estender o mindinho igual pessoas idiotas fazem. — Ela diz revirando os olhos. Sim, eu ia fazer isso. — Fala logo o que é! — Ela diz me apressando impaciente.
— Eu estou ficando com Nick. — Eu digo, soltando uma grande pressão do meu corpo.
— E daí? — Ela pergunta sem nenhuma reação.
— A gente propôs ficarmos sério e escondidos antes de nos relacionarmos. Se fosse pra ser taxada de interesseira por namorar o cara mais popular do colégio, eu iria esperar até ter certeza. — Eu digo e ela começa a demonstrar um certo interesse.
— Já sei, e ele não cumpriu a promessa, não é? — Ela pergunta num tom convencido.
— Não sei... Ultimamente ele anda muito tenso. E pior, só nos falamos pessoalmente na escola, quando estamos ficando. Ele nunca fica perto de mim, nem sequer me olha... — Eu digo me sentindo uma imbecil, e Cristal dá uma risadinha.
— Saquei tudo. Ele é alma gêmea da Lana Carpenter. Ele não pode ser visto com você, para não comprometer a popularidade que ele tem a zelar junto com ela. Uma perguntinha, quem veio com a ideia de vocês ficarem escondidos? — Ela pergunta e eu me lembro de quem foi, infelizmente. — Viu só? Mais um babaca. — Ela diz rindo da minha burrice, e eu merecia.
— Mas talvez eu possa estar enganada. Eu já saí com ele nesse meio tempo. — Eu digo com uma esperança no fim do túnel.
— E alguém da escola viu? Foi nesse bairro de riquinhos? Ou no seu, onde ninguém conhece ele? — Ela pergunta e minha esperança escorre pelo lago.
— Eu sei que você deve estar pensando, "ah, mas ele é tão doce, tão carinhoso, tão compreensivo" blá blá blá. Esquece. Ele é o tipo de pessoa que gosta de ficar com você... Quando não tem ninguém! — Ela diz num tom raivoso.
— Como você sabe dessas coisas? — Eu pergunto, vendo que ela estava coberta de razão.
— Eu tive uma irmã patricinha, que fazia esse tipo de coisas com inúmeros garotos ingênuos e apaixonados. — Ela diz um pouco sem graça.
— Entendi... Obrigada. — Eu digo sem jeito.
— De nada. Vê se deixa de ser burra. — Ela diz dando uma piscada e indo em direção a saída.
— Ei! — Eu digo fazendo ela se virar.
— Me desculpa por ter me tratado mal no dia do desafio, está bem? — Eu digo mais sem graça ainda por se lembrar.
— Não! Não aceito suas desculpas. — Ela diz e eu fico totalmente sem graça. Ela realmente ficou com raiva das coisas que eu falei para ela. — Só irei aceitar, quando você mudar por dentro, e ver que alguns momentos da vida, temos que ser egoístas. — Ela diz dando outra piscada e saindo do banheiro.
Ela tinha total razão. Cristal parecia ser legal. Retiro tudo o que eu disse para ela. Até porque eu estava com ódio de outra pessoa! Eu não estava acreditando que ele estava me usando todo esse tempo! Eu era apenas um brinquedo dele... Com quantas meninas ele deve ter feito o mesmo? Ou será que ele faz isso apenas com os pobres? NÃO IMPORTA! Eu ia resolver isso, e seria agora!
Pego o celular na base da raiva, procuro o nome dele e mando uma mensagem:
[08:47] Beatriz Miller: Oi, me encontra no nosso lugar.
Eu envio a mensagem, sentindo um nojo de ler ela. Em instantes, ele responde.
[8:47] Nick Fallon: Claro, já estou a caminho.
Agora o imbecil estava disponível. Claro, para me beijar ele sempre estava disponível. Como eu me sentia usada.
Vou em direção a sala do zelador, antes, eu verifico se ele não está na sala, e se ninguém estava olhando. Graças a Deus, estavam todos no refeitório e o zelador também. Eu entro e fecho a porta. Eu respirava fundo, eu me sentia como uma estrangeira nesse lugar... As pessoas não tinham empatia uma com a outra. Elas levaram a sério a questão da popularidade e em como uma pessoa pobre era insignificante para elas. Eu tinha medo do pensamento preconceituoso dessas pessoas.
— Oi gatinha. — Diz Nick entrando, me tirando do transe e me jogando um beijo, que por mais que eu esteja com raiva dele, eu retribuo, como uma despedida sem consentimento. Estava apenas fazendo o mesmo que ele.
— Eu te chamei para dizer algo sério. — Eu digo me afastando da tentação.
— E o que é? — Ele pergunta sem confuso.
— Não quero mais ficar com você. Não quero ouvir e nem ver você. Fica longe de mim! — Eu digo respirando para não surtar.
— Hã? Do nada? Achei que tínhamos algo... — Ele diz fazendo o desentendido.
— Eu também achei. Até cair em mim que para você, eu sou apenas mais uma. Você não teve a ideia de ficarmos escondidos, por você está pensando em mim. Você fez isso por pensar apenas no seu próprio umbigo, pensando apenas nessa sua popularidade de merda! — Eu digo aumentando a voz.
— O QUE? Acha mesmo que eu tenho vergonha de você? — Ele pergunta com os olhos arregalados, sem acreditar. Como era sonso.
— Então por que você não fala comigo na escola? Apenas nos "comunicamos" por aqui, nessa sala empoeirada e bagunçada do zelador. Realmente acha que eu mereço essa humilhação? — Eu pergunto fazendo o sinal de aspas com os dedos.
— Mas você também topou a ideia... Não pode me culpar sozinho. Eu gosto de você, para com isso. — Ela tenta se aproximar e eu dou um passo para trás.
— Eu topei a ideia por achar que você estava querendo o meu bem. Eu achei que iríamos esconder apenas as nossas ficadas e não a nossa comunicação. Por que diabos ninguém pode nos ver, nem falado um com o outro como amigos? Você deu essa ideia para se safar, admiro a sua inteligência, mas não durou muito tempo. Você me quer com você, mas não por completo. — Eu digo indo em direção a porta da saída, e ele me puxa pelo braço.
— Beatriz por favor! Eu não fiz isso por pensar na minha popularidade, por favor, acredita em mim! — Ele diz desesperado e eu o empurro.
— Suas atitudes não condizem com as suas palavras. E se você me segurar de novo, eu não respondo por mim. — Eu digo encarando ele com todo o ódio que eu estava sentindo naquele momento. — E você gostou desse beijo? Se contente com ele, pois foi o último. — Eu digo soltando uma piscada para e saindo daquela sala, fula da vida.
Nick Fallon era a pessoa que eu jamais achei que iria fazer esse tipo de coisa. No final, todos são os mesmos... Eu já estou farta de nunca ser o suficiente para as pessoas, me sentia sufocada. Como a Danna Paola diz em uma das suas músicas, "um namorado a menos, uma amiga mais". Mas eu era tão insignificante e burra, que nem cheguei a ser a namorada dele. Eu acho que eu nunca iria ser.
Vou andando em direção ao refeitório para comer algo, pois eu estava faminta. O pior de tudo é que quando eu fico triste, eu nunca consigo chorar na hora. Parece que eu acumulo toda a minha tristeza e ela vai pesando no meu peito. Eu sou estranha demais. Parece que as vezes eu forço as coisas, tenho medo de isso ser realidade, e as pessoas que tem me magoado, estarem certas sobre eu ser uma garota dramática e mimada.
—x—
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top