🌹Carry on, regardless🌹

(Siga em frente, independente de tudo)
           
                                 —x—

Minha vida parecia estar mudando finalmente, e isso era realmente bom. Tinha se passado dois dias. Eu estava me dando bem com a minha mãe, com o meu irmão melhor que nunca. Minha amizade estava incrível com Cristal. Por mais que inúmeras vezes, uma parte de mim quisesse se importar em como eles estavam, eu apenas respirava fundo e seguia em frente. Eu estava orgulhosa, e pela primeira vez era de mim. Não por Meghan, nem por Alex, e sim por mim!

Minha dependência emocional estava indo embora, mas eu e minha inspiração havíamos virado melhores amigas. Já estava escrevendo o meu décimo. Eu estava realmente focada no meu livro, o que até surpreendeu Cristal.

— Tá bem inspirada não é? — Ela perguntou deitada na minha cama, enquanto eu digitava loucamente. Ela morava na minha casa praticamente.

— É claro né querida? Um sucesso literário não vai se fazer sozinho. — Eu digo rindo debochadamente. Eu e minhas ilusões.

— Tem certeza que vai aguentar participar do jornal com aquela patricinha mal educada? — Pergunta Cristal se sentando na metade da cadeira ao meu lado.

— Bom, se eu pudesse escolher não seria com ela, com toda certeza. Mas o jornal vai me ajudar na minha escrita. E pior de tudo, é que vamos nos encontrar no Lemonade para planejar tudo. Hoje. — Eu digo salvando o décimo capítulo pelo word.

— Ah vão é? São amigas agora? — Pergunta Cristal me encarando com ciúmes.

— Pelo amor de Deus! Eu sou louca, mas não a esse ponto. E até se eu fosse amiga dela, jamais iria te abandonar. Agora eu vou imprimir os capítulos para você ler. — Eu digo esperando para imprimir todas as páginas.

— E como ficou a história Clarice Lispector? — Ela pergunta tirando as páginas impressas da impressora.

— Bom, como antes, Íris Blanco é contratada pelos Alonso, para cuidar da filha cega deles durante o dia. No início, Clara odeia Íris, como todas as suas ex cuidadoras, mas Íris não desistia de jeito nenhum. Até que finalmente, Íris aumenta a voz para Clara, a fazendo cair na real, dizendo que ela não é nenhuma coitadinha. Que a vida não tinha parado apenas por perder a visão, e que ela tinha muito pela frente. — Eu digo surtando de alegria, entregando os papeis para ela.

— Tá, e a ação que eu te falei? — Pergunta Cristal de braços cruzados e eu reviro os olhos em seguida.

— Se eu te dei todas essas páginas, significa que é para você ler, descobrir e dar a sua opinião. — Eu digo apontando para os papeis.

— Entendi palhaça. — Ela diz rindo. — E as aulas de escrita, como vão? — Ela me perguntou, se sentando na minha cama.

— Estão indo bem. Melhorei muito nessas aulas. Sem contar que o assistente do professor Bruce Fox é um gato. — Eu digo com um sorriso malicioso, dando uma risada maléfica.

— O que adianta, se você não consegue tirar o Simon da cabeça? — Ela diz me fazendo revirar os olhos novamente.

— Cala a boca. Você não consegue esquecer o Michael. — Eu digo revidando o ataque dela.

— Mas o Michael me chamou para sair, e o Simon namora outra pessoa. — Ela diz me jogando uma piscada, comemorando que ganhou essa partida da realidade.

— Isso não importa. Eu não gosto dele. Eu devo apenas estar ressentida por não ter conseguido pedir desculpas até hoje, e ele ter seguido em frente, independente disso. — Eu digo para ela, me preparando para ir no Lemonade encontrar a nojenta da Lana. Era seis da noite.

— Entendi. Vou fingir que acredito. — Ela diz prendendo o riso e se levantando para ir embora.

— Deseje-me sorte. — Eu digo para ela.

— Eu não. Você que lute. — Ela diz me deixando boquiaberta, por usar a frase que eu sempre uso.

Descemos as escadas, e nos despedimos da minha mãe, que não estava com uma cara feliz. Ele estava meio pálida, com o telefone fixo na mão. Na volta eu iria ver o que estava acontecendo.

— Amanhã a gente se ver Clarice. — Ela diz me dando um abraço e entrando no seu carro.

— Com toda certeza surtada. — Eu digo caminhando em direção oposta a ela, indo em direção ao Lemonade.

Passa 10 minutos e eu entro na lanchonete. Estava cheia como sempre. Vejo Lana sentada à minha espera impaciente, com seu milk-shake de morango.

— Oi. — Eu digo colocando a minha bolsa na mesa e tirando o meu notebook.

— Finalmente. Vai querer alguma coisa? — Ela pergunta me encarando.

— Não, obrigada. — Eu dispenso com um sorriso. E aí, o que vamos colocar no jornal? Eu tive inúmeras ideias. — Eu digo empolgada. Escrever era realmente o meu hobby.

— Bom, como eu sou a mais popular, claramente né, não preciso das suas ideias. Já sei tudo o que você tem que colocar no jornal. — Ela diz me dando um caderno com todas as suas anotações.

— Mas eu também quero dar as minhas ideias. Afinal, somos uma dupla e você nem queria participar. Não vai me jogar para escanteio. — Eu digo devolvendo o caderno.

— Mas que tanta ideia é essa que você tem para o jornal? Apenas temos que falar o que acontece na Blake e pronto! — Ela empurra o caderno novamente.

— Mas temos que ter uma base. O jornal tem que ser interessante para o pessoal. Pois ninguém lê direito... Ainda mais jornal, não é? — Eu digo vendo ela revirar os olhos.

— Tá! Você tem razão. E qual a sua ideia então? — Ela me pergunta com os braços cruzados.

— Eu estava pensando em iniciarmos falando dos menores eventos que não tem um público grande e fiel, e irmos prolongando até os maiores eventos, como o jogos de basquete, líderes de torcida, blá blá. — Eu digo virando o notebook para ela.

— Não! Eu acho que temos que iniciar falando dos maiores eventos, já que são importantes, e depois dos menores, já que ninguém se importa. E claro, temos que falar de tudo o que o colégio tem a oferecer! — Ela diz dando os seus três estalos insuportáveis.

— Pra que vamos falar do colégio em si, no jornal do colégio? Não tem sentido! Todos nós já sabemos o que a Blake tem a oferecer. E temos que falar primeiramente dos menores eventos, para os outros começarem a se interessar. Basquete, ser líder de torcida, bandas, etc, todo mundo já conhece. — Eu digo revoltada com a opinião ridícula dela.

— Eu penso totalmente ao contrário. — Ela diz com os braços cruzados, olhando para o lado.

— Senhor, dá-me paciência. — Eu digo em pensamento.

— Olá meninas. — Diz o assistente do Bruce Fox, nosso professor de escrita. Ele se chamava Justin Merrell. Ele era alto, seu cabelo era preto arrepiado, seus olhos eram castanhos e ele era bem forte. Ele tinha 19 anos.

— Oi Justin. — Eu digo com um sorriso simpático.

— Oi. — Diz Lana super seca.

— Posso me sentar com vocês? Eu sou novo nessa cidade, e eu não conheço ninguém. — Ele diz com uma risada fofa. Ele usava uma camisa branca, um casaco verde, e uma calça jeans.

— Claro. — Eu digo fingindo não ver o olhar de Lana me fuzilando com os olhos. Ele se senta de frente para nós duas.

— Eu soube que vocês estão responsáveis pelo jornal do colégio. Eu fui na época que eu estudava. — Ele diz olhando para a mesa, onde estava meu notebook e os cadernos da Lana.

— Já que participou, pode colocar um miolo no cérebro dessa garota? — Diz Lana deixando ele confuso.

Ficamos uns 10 minutos explicando para ele as nossas ideias, e ele ouvia as duas versões para dar a sua opinião.

— E aí? Qual é melhor? — Perguntamos em coro.

— As duas são boas. Falar do colégio é bom Lana, assim você agrada a diretora. E falar dos eventos menores também é inteligente Beatriz, assim as pessoas se interessarem em algo que não seja apenas basquete. É só vocês juntarem as duas coisas. — Ele diz fazendo nós duas apresentarmos a bandeira da paz.

— Ok. — Nós duas aceitamos a proposta, mas não deixamos de revirar os olhos.

Depois que encerrarmos isso, começamos a bater um papo sobre séries. Lana parecia outra pessoa nesse papo, não a garota chata e insuportável que ela é o tempo todo. Justin além de um gostoso, era um cara legal e simpático que tinha um papo legal. Pude sentir uma conexão entre ele e Lana. Os olhares dos dois não paravam de se conectar o tempo todo.

Passou uns 20 minutos, e eu me lembrei do rosto abatido da minha mãe. Eu precisava sentar e conversar com ela sobre o que estava acontecendo. Estávamos na vibe da conversa agora, e eu estava amando. Minha vida está no melhor momento, e nada vai estragar dessa vez.

Me despeço de Justin e da Lana, que ainda continuam conversando loucamente. Tava bem claro que havia uma química ali. Bem que a Lana precisa de um namorado urgentemente.

Caminho em direção a minha casa, e vejo que havia dois carros parados em frente da minha casa. Um deles eu não conhecia, já o outro era o de Simon. E pior! Ele estava encostado nele. Será que ele estava me esperando? Ou o Michael? Não importa.

Vou em direção a ele.

— Quer que eu chame o Michael? — Eu pergunto bem baixinho.

— Não. Eu estava te esperando. Preciso falar com você. — Ele diz chegando bem perto de mim, me deixando nervosa, com o coração acelerado.

— Eu também queria falar com você. Mas pode falar primeiro. — Eu digo me sentindo aliviada de finalmente estarmos conversando.

— Eu quero falar que eu não consigo parar de pensar em você Beatriz Miller. Eu gosto de você desde quando éramos crianças. Eu não consigo tirar você da minha cabeça... — Ele diz segurando as minhas mãos, me deixando super nervosa e sem reação.

— Mas... Mas... — Eu tento dizer, mas não vinha palavras na minha mente.

— Eu te amo! — Ele diz me puxando para perto dele, e me dando um beijo. Aquele beijo que eu queria desde o incidente do carro. Eu poderia definir esse beijo como a perfeição. Nossos lábios pareciam conectados, e a sua língua se encaixava perfeitamente em mim. Tudo estava perfeito, até eu cair em mim.

— Espera espera. — Eu digo afastando ele, e o deixando confuso.

— O que foi? — Ele pergunta sem entender.

— Você namora com a Taylor. E está aqui dizendo que me ama? E ela? — Eu pergunto encarando ele.

— Eu posso terminar com ela. Eu nunca gostei dela. Só queria te esquecer. — Ele diz me deixando chocada.

— Você está se ouvindo? Usou a Taylor para me esquecer, em vez de ser uma pessoa decente, e conversar comigo, você preferiu se aproveitar dos sentimentos dela? — Eu pergunto pasma sem entender.

— Calma, Beatriz, eu... — Ele tenta dizer mas eu o interrompo. Minha opinião estava formada.

— MAiS NADA! — Eu digo em voz alta. — A Lana disse para mim no Lemonade, que a Taylor é apaixonada por você! — Eu digo e ele não me responde nada. — E eu me sentindo culpada por querer ter transado com você para esquecer o meu ex ficante, e você faz bem pior. — Eu digo e ele se aproxima.

— Beatriz por favor... Eu termino com ela... — Ele diz e novamente eu o interrompo.

— Você deve mesmo! Mas não para ficar comigo, e sim por você não gostar dela. Esquece Simon, eu não vou ficar com você. Por mais que eu goste de você, a gente não daria certo a longo prazo. Nem devíamos ter ficado para começar. Agora boa noite e passar bem. — Eu digo me virando e caminhando em direção a minha casa.

— Beatriz por favor. — Ele clama, mas eu continuo andando. Foi nesse momento que eu percebi o quando eu havia mudado. Se eu fosse antiga Beatriz, teria corrido para os braços dele arrependida dois segundos depois da minha ação.

Entro dentro de casa aliviada. Nem Nick e nem Simon. Eu estava decidida a focar em mim, na minha amizade com Cristal e com a minha família.

Quando eu reparo, eu vejo a minha mãe e meu irmão pálidos, sentados com um homem na sala. E quando eles me vêem, ficam mais pálidos ainda. Mas eu vejo o homem sorrir ao meu ver. Eu não estava entendendo nada.

— O que foi gente? — Eu pergunto sem entender.

— Conta para ela mãe. Agora é a hora. — Diz Michael para a minha mãe, me deixando mais confusa ainda.

— Querida, esse homem aqui sentado conosco, Manuel Dier... — Diz minha mãe gaguejando.

— O que tem ele mãe? — Eu pergunto sem entender o mistério.

— Querida... Ele é o seu pai! — Ela diz com lágrimas descendo do rosto. — E ele não te abandonou, irei contar a verdade agora.

Eu tinha ficado imóvel, sem reação nenhuma. Nos meus 16 anos de vida, eu achei que meu pai havia abandonado a minha mãe grávida de mim e o Michael pequeno. Até agora.

Justin Merrell:



Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top