E P Í L O G O
Estou num lugar que não conheço. Parece uma gruta, e é tudo tão frio que eu tenho que me abraçar para amenizar o frio que sinto. O escuro me rodeia e eu caminho descalça pelo chão com pedrinhas que arranha impiedosamente a sola dos meus pés.
Vejo Jhonny parado de costas para mim vestido de branco da cabeça aos pés.
— Jhonny! — Corro até meu irmão mais velho. Estou prestes a tocar seu ombro, mas um clarão me cega e ele some antes que eu possa toca-lo. Abro os olhos e me assusto ao ver que estou num quarto branco e estranho.
— Impressionante. — diz uma mulher loira vestida de branco. Percebo que Isaac está ao seu lado e que os dois me observam. Ele se encontra com uma roupa similar a minha, de paciente de hospital.
— Onde estou?
— Bem vinda ao projeto X, Aurora. — Ela me abre um sorriso simpático enquanto verifica meus batimentos cardíacos e ajeita o soro em meu braço — Você, Isaac e os outros jovens são a salvação do mundo. Vocês sobreviveram ao caos e a infecção dos bichos e acredito que possamos salvar os outros a partir do DNA de vocês.
— Nós somos a cura. — Isaac abre um sorriso empolgado.
— E o meu irmão?
Eles se entreolham e abaixam a cabeça.
— Sinto muito. Ele não conseguiu.
Irônico que eu seja a única da família com essa capacidade. Salvar o mundo nunca foi uma das minhas ambições, mas eu os ajudaria a restaurar o que restou de nós pelos meus irmãos que não conseguiram.
Isaac segura firme minha mão como se quisesse me transmitir um pouco de força. Aperto sua mão de volta ciente de que, ele é a única pessoa que tenho no momento.
Ainda não tenho certeza de que estou apta para a tarefa de salvar o mundo, mas farei o que estiver em meu alcance para ajudar.
A médica me explicou que além de fornecer meu DNA, que seria de grande ajuda se eu fosse com Isaac e os outros nas expedições de resgate. Quanto mais pessoas fossem salvas, maiores eram as nossas chances de restaurar o mundo que conhecemos.
Alguns anos depois.
Isaac se joga em cima de mim para me proteger da explosão ao nosso redor. Vejo o abrigo que construímos e que foi a minha casa por muito tempo ser destruído até restar somente os escombros e o fogo que se alastra rapidamente.
Ele segura meu pulso com força e me puxa para cima para que possamos correr. A fumaça e o fogo atraem os bichos e eu observo toda a pesquisa e esperança serem queimadas. Não conseguimos o antídoto, e não conseguiremos nunca mais.
Corro como se estivesse ligada no piloto automático. Isaac me joga dentro de um dos utilitários do hospital. Subo no estofado e observo pela janela os bichos que não queimaram vindo atrás da gente e das pessoas que correm com o caos.
Ele pisa fundo no acelerador enquanto as lágrimas escorrem pelos meus olhos. Eu olho para Isaac com tristeza.
— Está tudo perdido... Tudo...
Eu não digo nada pois acho que não preciso. A pesquisa para o antídoto se foi junto com os médicos na explosão. Nós teremos que viver nesse inferno infinito até o dia de nossas mortes que, pelo andar da carruagem, não está tão distante de acontecer.
Olho para trás novamente e vejo o caos que nos cerca. Essa é a nossa vida agora. Estamos no fim do mundo e não há mais nada que possamos fazer para mudar isso.
Constato isso no momento em que um carro que estava a toda velocidade colide com o nosso, fazendo Isaac perder o controle do veículo. Nós capotamos diversas vezes pela estrada e então, tudo se acaba de uma vez.
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