O primeiro dos últimos olhares.
AVISOS DO AUTOR: Essa fanfic aborda um tema fantasioso de um universo onde existem outras realidades, sendo que uma delas é onde vive Park Jimin, um vampiro com grande cargo em seu mundo. Nessa história também contém relações sexuais não explícitas.
Não esqueçam de comentar caso gostem desta história! Boa leitura para vocês!
CRÉDITOS:
Fanfic por: @Kook_My_Love [Spirit]
Avaliação por: koofus
Betagem por: @parfaitjoon [Spirit]
Design por: @505empty
Trailer por: @Azulety [Spirit]
»»————- ★ ————-««
A cena a seguir poderia ser considerada interessante, dependendo do indivíduo que estivesse assistindo ou interpretando.
O homem jogou o paletó escuro para as costas e estava prestes a abrir a porta da casinha cinza e sem decoração. Ele parecia confiante, afinal, estava orgulhoso de sua própria decisão. No entanto, ele não sabia o que o aguardava. Felice deixou apenas que uma lágrima descesse por seu rosto. Ela não queria dar mais prazer à ele do que seu coração partido. Quando o homem, aliviado demais, cruzou a porta, todo o palco escureceu.
Eu me levantei, ficando de pé e quando a luz retornou, a mulher e a filha daquele homem já estavam na minha frente. Felice sorriu de um jeito tenebroso e, sem demora, voou no pescoço da garota de cabelos loiros até ver sua alma desfalecer do corpo. Já a outra mulher, a mais velha, olhou a cena horrorizada. Sua filha estava sendo sugada até a alma, até não sobrar mais nenhuma cor em sua pele. Desesperada, ela se debateu de onde estava e começou a chamá-la.
— Sarah! Minha amada Sarah! — Sua voz saiu aos cacos. As lágrimas pareciam tirar litros e mais litros da sua última hidratação.
Felice, sem qualquer remorso, torceu o pescoço da garota e depois jogou seu corpo no chão. A menina já estava morta, não havia mais como salvá-la. Mas para a mulher adulta, Felice tinha outros planos. Ela caminhou até a mãe da garota enquanto segurava um bastão de beisebol. Seu olhar era sorridente, naquele momento parecia meramente com o gato do país das maravilhas.
— Sabe o que é melhor, Dorothy? — Perguntei, deixando a voz de Felice bem ameaçadora. — Ele nem sabe onde vocês estão. Ele não faz ideia da surpresa que terá quando chegar aqui.
— Quem é você? Por que fez isso com minha filha? O-O que é você?! — ela se debatia no banco, mas era em vão. Seus braços e pernas estavam presos, diferente da garota que já estava morta. Felice apenas ri das perguntas da mulher.
— Eu sou o que vocês chamam de fantasia, história para assustar crianças, criaturas abomináveis… — levantei o taco até o rosto da mulher e o posicionei na bochecha avermelhada. — Eu sou uma vampira.
— E-Essas coisas não podem existir! — Ela esbravejou, mas no fundo sabia que era verdade. Sua filha já estava morta, e Felice não havia feito nada a não ser sugar seu sangue e torcer seu pescoço.
— Ora, se você quer acreditar nisso, será melhor para mim. O ato de acreditar não faz essa coisa deixar de ser real. — Em sincronia, movi o taco em direção a seu rosto e Dorothy virou na mesma hora. Ela cuspiu sangue, deixando seus olhos pesarem por um momento. — O que deveria fazer com você, querida Dorothy? O Thomas precisa ficar chocado quando chegar aqui.
— C-Como… Você conhece meu marido? — Ela teve forças para perguntar, tentando levantar o rosto.
— Achava que ele estava esse tempo todo na indústria de tecidos, trabalhando no escritório? — Foi impossível debochar com o fato daquela mulher ser tão ingênua. — Seu marido me procurava, Dorothy. Ele me prometeu grandes coisas, um futuro de verdade para mim. Me fez abandonar minha vida, meu povo, com a desculpa de me dar tudo que eu mais queria: amor.
— E-Ele não faria isso… O meu Thomas jamais… Jamais faria isso com sua própria família.
— Ele fez, querida. Sem peso na consciência. — Caminhei mais um pouco e agi de forma que Felice ficasse atrás da mãe da garota morta. — Se quer um conselho, é melhor aceitar, mas acredito que não irá doer menos. — Felice mal espera que a mulher se recupere e já lança mais uma vez o taco de beisebol com força na região de suas costas. — Seu marido mentiu para mim, não me contou que tinha uma família e, quando vocês sumiram, chegou e disse que não me amava mais.
Felice falou tudo aquilo com o coração apertado. A dor por ter sido enganada pedia vingança, por isso ela estava torturando a esposa daquele homem após matar a filha dele. Thomas não merecia os sacrifícios que Felice fez por ele. A mulher havia abandonado seu povo, indo contra sua própria mãe para ir embora se casar com um humano. Ela era uma vergonha para todos os vampiros. Felice sonhava em se casar com uma presa de sua raça. Esses já eram motivos suficientes para ela nunca mais ser aceita. No entanto, para Felice, Thomas em sua vida já bastava.
Mas ele tinha uma família. Ele amava essa família mais do que amava Felice. Deveras, ele nunca amou Felice. A mulher vampira sempre esteve sozinha naquele barco. Apenas ela amava inteiramente. Para Felice, ver aquela mulher atormentada de dor ao sofrer violências físicas era mais do que prazeroso. A filha que eles tanto amavam estava morta, sem uma gota sequer de sangue circulando em seu corpo. Enfim, a vingança de Felice estava fazendo efeito.
— Dorothy. — Ela chamou a mulher depois de inúmeros golpes. Dessa vez, a vítima não tinha mais forças para responder. — Eu só estou fazendo ele sofrer pelo mal que me fez. Não é nada pessoal, ok? — Ela já estava praticamente sem vida, mas ainda assim Felice se aproximou e puxou seu pescoço, sugando até a última gota de sangue.
Ao redor do palco, o público assistia a tudo aquilo em choque e silêncio.
Ainda na cena, alguém bateu na porta. Era Thomas. Ele entrou e olhou para aquele cenário horroroso como se tivessem puxado sua alma do corpo.
— Deve ter recebido a minha cartinha, certo? Espero que tenha gostado do presente. — Felice disse sem medir as palavras. Thomas, aquele que um dia jurou amar para sempre, caiu de joelhos no piso amadeirado da casa cinzenta.
— O-O que… você fez, Felice? — Sua voz estava quase sem som. Seu rosto parecia o de alguém que viu o sobrenatural, no entanto, Thomas já estava acostumado com coisas sobrenaturais depois de se relacionar com uma vampira.
— Eu estava falando sério quando disse que não voltaria atrás na minha decisão de me doar a você. Mas o que fez por mim? Nada. Apenas me chutou quando não te fui mais necessária.
— Você… Matou elas?
— E você é o próximo, amor.
Depois de dizer essa frase, senti uma fisgada em meu corpo. Me arrepiei por completo. Parecia que algo havia me atingido ferozmente. Por um instante, olhei para o público e busquei o olhar dos espectadores. Todos pareciam abismados, espantados e ouso dizer que muitos estavam quase desmaiando de medo. Só terminei minha busca após identificar um olhar estranho. Era de um rapaz loiro e… Seus olhos estavam focados em mim, suas orbes eram claras. Eu nunca tinha visto alguém com um castanho tão vivo nos olhos.
Ele… Estava sorrindo para mim. Mais uma vez me arrepiei. De repente minha mente deu um branco. Seus olhos, aqueles claros e vívidos, queriam me guiar para algum lugar que eu não tinha domínio. O que era aquilo? De onde havia surgido aquela sensação de queimação no corpo? Quem era ele?
— Gwen! Ei! — A voz da minha supervisora de script surgiu no fone de ouvido escondido na minha orelha.
Despertei, e voltei para as falas.
— Você irá se arrepender de ter entrado na minha vida, Thomas. Eu nunca… Nunca mais darei chance a outra pessoa depois do que você me fez. Achou mesmo que viveria feliz com sua família? Sinto muito, mas essa realidade não é possível para você. Se eu não serei feliz, você também não será.
Peguei o homem pelo pescoço e pressionei toda minha força ali, até seu rosto ficar distorcido com a falta de ar. Quando ele estava prestes a desmaiar, soltei-o deixando que caísse no chão. Ele tossiu, pediu misericórdia, mas avancei em sua direção com o taco de beisebol, lançando diversos golpes em diferentes regiões.
— Você é o culpado, Thomas! Você é o único culpado!
Essas foram minhas últimas palavras. O cenário escurece e depois que a luz retorna, eu estou sentada na beira da cama do quarto. Os corpos estão espalhados no local ainda. Felice está intacta e com um sorriso diferente no rosto. Ela está aliviada, até mesmo as batidas do seu coração se tornaram mais calmas. Ela olhou para o público e sorriu de forma esquisita. Por um instante, quando olhei para aquele mesmo cara, desmanchei um pouco do sorriso, porém a cortina se fechou, indicando o fim da apresentação.
Todos do lado de fora demoraram dez segundos para entender que a peça realmente havia acabado. Os aplausos que vieram em seguida foram ensurdecedores. Me levantei da cama e ajudei a Janessa a se levantar. A garota loira sorria para mim e repetia diversas vezes que minha interpretação estava ótima. Apenas sorri em resposta. Nós quatro e todos que participaram da peça e dos três contos se posicionaram atrás dessa cortina vermelha. Quando fomos mostrados ao público, os aplausos se intensificaram e nos curvamos em agradecimento.
Curiosa, procurei pelo olhar daquele rapaz de antes e ele estava lá. De pé, batendo palmas para mim. Seus olhos não circulavam ao redor do palco, ele estava apenas focado em mim. Por um instante, meu estômago sentiu borboletas voando em círculos. Em agradecimento a ele, sorri em sua direção e fui o mais simpática possível. Ele também sorriu e aquele sorriso foi capaz de aquecer meu coração.
Meus colegas foram se afastando e eu também procurei seguir meu rumo. No caminho até o camarim, fui agradecendo a equipe de produção e aos atores pelo bom trabalho deles. Faziam meses que estávamos planejando aquela peça de Halloween, mesmo não sendo a data oficial. Todos estavam muito nervosos com a peça, mas o resultado tinha sido melhor do que o esperado. Quando entrei na sala, todos os meus colegas de antes me parabenizaram.
— Foi inesquecível, Gwen. — Wendy garantiu, limpando seu rosto do sangue que sua personagem, a Dorothy, havia cuspido mais cedo. — Dava para ver nos seus olhos a vontade de matar.
— Não é pra tanto. — Digo dando risada. — A verdade é que eu me empolguei um pouco.
— Todos sabemos. — Janessa se aproximou de mim, sentando na outra cadeira vazia. — Você se entregava nos ensaios como uma profissional. Eu acho que a partir de hoje você consegue um bom emprego em uma novela ou filme.
— Espero mesmo, é o meu sonho. — Eu peguei a garrafa de água e tomei alguns goles.
Eu estava ansiosa para saber se os homens da televisão, que minha supervisora havia dito, estavam realmente no público. Se eles gostassem da minha atuação, eu poderia começar enfim a minha carreira como atriz profissional! Só de imaginar meu sonho se tornando realidade, achava que nada seria melhor que isso. Mas… Eu me lembrei daquele rapaz. E do seu olhar castanho e intenso.
Ele… Não veio me ver ainda. A maneira como ele me olhava, me enfeitiçou totalmente. Parecia que eu estava sendo levada para outro universo, um lugar onde só havia nós dois. Fiquei perdida, mas não me senti desesperada. Pelo contrário… Ele parecia meu caminho. Só de ter tais pensamentos, minhas bochechas já ficam vermelhas. Que vergonha… Ele mal sabe quem eu sou. E eu não sei o nome dele.
— Gwen. — Deby, minha supervisora de script, veio segurando um grande buquê de hortênsias. — Você foi ótima, garota. Todos estão falando lá fora que a sua interpretação foi o ápice da noite.
— Obrigada, Deby. Eu estou muito feliz por ter me saído bem. Se não fosse aquele momento em que quase esqueci a fala…
— Ninguém nem percebeu, você só demorou alguns segundos para falar. — Ela disse de forma descontraída. — E, como prova da sua ótima atuação, um espectador deixou esse buquê lindo para você.
— É muito bonito. — Eu peguei o presente, admirada. Nunca havia recebido um buquê tão grande e charmoso. — Quem foi? Ele se apresentou?
— Não… Só disse que você merecia isso. — Olhei para Deby, achando estranho.
— Como ele era? — Eu esperava que minha supervisora detalhasse o rapaz como sendo o mesmo que estava no público olhando para mim.
— Loiro, um pouco alto, de traços bem asiáticos mesmo e tinha uma voz encantadora. — Ela diz sorrindo levemente e meu coração acelera em êxtase.
Era ele. O mesmo cara que estava olhando para mim mais cedo, o mesmo que tem olhos castanhos claros, vívidos e intensos.
— Ele está aí fora?
— Acho que não. Ele só me deu o buquê e foi embora pela saída principal. — Ela apontou a porta do camarim e me levantei rapidamente. — Onde você vai, Gwen?
— Eu já volto. Tenho que resolver algo antes.
— Não se atrase para guardar o figurino! — Foi o que ela gritou quando eu já estava longe da porta da sala.
Caminhei por todo corredor do teatro, procurando o rapaz loiro entre as pessoas que saíam. Alguns que assistiram a peça fizeram questão de me falar elogios e fui obrigada a responder a todos eles. Quando enfim saí do local, procurei ao redor o cara do buquê e encontrei ele abrindo a porta de um carro. Sem pensar duas vezes, eu desci as escadinhas do teatro e corri em direção a ele.
— Ei! — Chamei, alto e apressada.
Ele olhou para mim. Seus olhos pareceram surpresos por um momento e ele não se movimentou mais.
— Foi você quem me deu esse buquê de hortênsias, certo? — Indaguei mesmo sabendo a resposta. Naquele teatro só havia um rapaz de traços asiáticos que tinha cabelo loiro, e só podia ser ele.
Ele assentiu, quase formando um sorriso em seus lábios.
— Obrigada. Pelo buquê. — É a única coisa que consigo dizer, afinal, não havia mais o que dizer. O rapaz olhou para mim mais uma vez com aqueles olhos claros e assentiu. Ele se curvou uma vez, como se fosse um cumprimento e estava prestes a entrar no carro quando segurei seu braço. — Não vai me dizer seu nome? Eu preciso ao menos saber o nome de quem me deu esse presente.
— Park Jimin. — Deby estava certa, a voz daquele rapaz realmente era encantadora. Ele olhou para o banco de trás do carro e eu também fiz a mesma coisa.
No carro estava outro cara, asiático igual ele, mas o moço tinha cabelo escuro e um piercing na sobrancelha. Ele apenas sorriu simplista para mim. Jimin então se aproximou um pouco mais de onde eu estava e voltou a falar.
— Sua interpretação foi incrível.
— Obrigada. Eu me empolguei um pouco.
— Você daria uma ótima vampira. — Seus olhos ficaram um pouco mais intensos depois do que disse. Ele me fitou, esperou e eu respondi.
— Confesso que fiquei bem ligada ao papel. — Soltei uma risada baixa ao lembrar da minha emoção ao saber que ficaria com um dos papéis principais da trama de um dos contos. — Você pode vir me ver mais vezes. Me ver atuando, é o que digo. — Olhei para ele esperançosa demais, mas o rapaz não abalou minhas expectativas.
— Eu adoraria ser um espectador frequente.
— Esses dias eu não tenho muitas apresentações importantes, mas vamos fazer algumas pequenas aqui mesmo no teatro.
— Eu garanto que vou vir na próxima vez.
— Gwen. Eu sou a Gwen. Esqueci de me apresentar. — Me senti meio mal por um instante, mas Jimin apenas riu do meu nervosismo.
— Eu já sabia.
— Como?
— Sua supervisora me contou.
— A Deby… Esqueci dela. — Digo, deixando o Park mais risonho.
— Bom, acho que está na hora de eu voltar para casa. — Ele olhou para o carro mais uma vez, percebendo a cara de impaciente do seu conhecido dentro do automóvel.
— Eu também devo voltar.
— Você vai estar acompanhada quando voltar para casa? Está muito tarde para andar sozinha. — Ele perguntou aquilo como se fosse alguém próximo de mim o suficiente para se preocupar comigo. Fiquei um pouco acanhada com sua pergunta.
— Não, eu sempre volto com algumas colegas do trabalho. Não estou sozinha. — Ele suspirou um pouco mais aliviado talvez.
— Certo… Então, te vejo por aí.
— Até logo, Jimin. — Ele entrou no carro e não deixou de olhar mais uma vez para trás, antes do carro voltar para a avenida.
Mesmo o automóvel estando a longa distância de mim, senti meu coração bater cada vez mais acelerado. Aquele cara havia falado comigo e me olhou de um jeito que ninguém nunca fez antes. Não era incômodo, mas sim confortável ao ponto de me fazer querer saber mais sobre ele. Quando eu voltei para o teatro com o intuito de me preparar para voltar à minha casa, pedi muito que Jimin fosse me ver em breve.
[...]
Os dias realmente passaram rápidos. E eu, como uma boa atriz em ascensão, estava trabalhando duramente para mais uma peça de teatro. Era um curta metragem de poucos minutos que seria encenado em uma escola para crianças pequenas. Eu estava ansiosa, nunca tinha feito uma apresentação para o público mirim. Esperava que eles realmente gostassem de mim.
Naquele momento, eu estava em casa, terminando de ajeitar meu vestido colorido. Eu estava parecendo uma borboleta, e essa era realmente a intenção. Quando estava terminando de guardar as maquiagens, lembrei de Jimin. Ele apareceu algumas vezes essa semana, mas nunca mais falou comigo depois daquele dia. Eu queria ter mais contato com ele. Queria saber mais sobre o que ele achava de mim. Sua presença me deixa calma e ao mesmo tempo extasiada. Fico com vontade de ver ele todos os dias.
Mas, ele se afasta antes mesmo que eu possa ver ele outra vez. Parece mágica, num instante ele some sem deixar rastros. Acabo me frustrando muito, não pedi que ele apenas fosse me ver, e sim que, quem sabe, conversasse comigo também.
Interrompendo meus devaneios, alguém acaba tocando a campainha da minha casa. Eu fiquei em silêncio no primeiro momento, pois fazia um bom tempo que morava sozinha e não tinha dito para ninguém vir me visitar hoje. Tentei deixar a ansiedade de lado e fui atender a porta. Do outro lado havia um rapaz diferente. Ele era alto, tinha cabelos escuros que cobriam o rosto e vestia uma roupa social elegante demais para ele.
— Pois não? — Indaguei um pouco receosa, mas quando fitei seus olhos novamente, enfim lembrei de onde o encontrei pela primeira vez.
Ele era o rapaz que estava no carro de Jimin.
— Você é a Gwen, certo? — Ele perguntou diretamente, sem desviar os olhos ou gaguejar.
— Primeiro eu tenho que saber seu nome… Você não é aquele cara que estava no mesmo carro que o Jimin entrou naquele dia no teatro?
— Sou eu mesmo. Jeon Jungkook.
— Então… Prazer em conhecê-lo, Jeon Jungkook. — Sorri pequeno, tentando ser educada. Algo que ele não foi em momento algum. — Bom… Você pode me dizer por que está aqui na minha porta? Tem algo para me contar? — Logo me espantei quando pensei em algo. — Aconteceu alguma coisa com o Jimin? Ele tá bem? — Ao invés de me responder logo, Jungkook continuou me examinando.
Seu olhar era bem diferente do Jimin. Ele parecia mais sombrio e impetuoso, com suas orbes escuras e capazes de revirar a minha mente a qualquer instante. Pensei seriamente se ele não estava tentando ler meus pensamentos. Depois de um tempo considerável, ele voltou a falar.
— Vim conversar sobre o Jimin. Preciso que você se afaste dele. Ou melhor, se afaste da gente de qualquer forma.
Sua declaração me deixou magoada. Parecia que alguém tinha acabado de dar um tapa na minha cara.
— Por que eu deveria me afastar do Jimin? Ele se sente incomodado com a minha presença? — Questionei com dúvidas. Jimin não parecia nenhum pouco estranho quando olhava para mim. Ele sempre me encarava com tanta atenção e cuidado.
— Só preciso que você se afaste de nós. Se pensar bem, irá fazer isso. — Ele pensou em me dar as costas e quando estava fazendo isso, agarrei seu braço.
— Não. Espera. Por que você acha que eu vou fazer isso sem ter nenhuma explicação clara do motivo? — Lhe encarei com indignação. — Só vou aceitar se ouvir esse absurdo do próprio Jimin.
— Não acredito que já está tão iludida a esse ponto. — Ele revirou os olhos e puxou seu braço da minha mão. — Pelo jeito vou ter que ir pelo lado mais complicado.
— Preciso de um motivo plausível. Por que deveria me afastar do Park Jimin? E por que você fica falando como se você também estivesse incluído nisso?
— Sei que na sua cabeça deve estar rolando milhões de suposições e casos sobre o Jimin ter uma família ou ter algo comigo, mas não é nada disso. — Ele negou, voltando a me encarar de novo. — Ele simplesmente não pode ficar com você.
Fiquei assustada ao ouvir Jungkook falar daquele jeito. Parecia que até ele percebeu a maneira como eu encarava Jimin e como ele me respondia na mesma intensidade.
— Por que o Jimin não pode ficar comigo?
— Ele não pertence a esse mundo.
— Ele veio de outra cidade? Esse é o motivo?
— Não, Gwen. — Jungkook ficou nervoso, mais impaciente. Ele jogou os fios de cabelo que estavam na testa para trás enquanto bufava pela boca. — Só aceita que vocês não devem ficar juntos.
Encarei ele, intacta.
— Por que você acha que tem o direito de julgar a minha relação com o Park?
— Jimin já está caidinho por você, garota. Esse já é um péssimo caminho que ele está escolhendo. Mesmo que eu aconselhe meu amigo a se afastar de você, ele não irá me escutar e, consequentemente, sofrerá. — Diz, com preocupação na voz.
— Ele… Gosta de mim?
— Você também parece gostar dele.
Isso não era algo que eu queria que Jungkook dissesse tão facilmente.
— Eu não sei bem o que sinto.
— Então se afaste antes que seus sentimentos sejam mais verdadeiros. — Ele se aproxima mais um pouco, ficando totalmente de frente para mim. — Escuta esse conselho, Gwen. Você vai acabar sofrendo quando ele e eu irmos embora daqui.
— Vocês vão viajar para outro lugar? — Fiquei preocupada com a chance de não poder mais ver o Park outra vez, por isso perguntei inquieta.
— Esquece isso de viajar. — Se estressou. — A questão é que você e ele não podem realmente ficar juntos por muito tempo. Jimin tem outro destino o aguardando e tenho certeza que você não faz parte do futuro que o aguarda.
— Somos nós que fazemos nosso próprio destino. Se o Jimin sente algo por mim e não quer se afastar, por que eu deveria fazer isso? — Digo com firmeza, sentindo meu coração acelerar. — Me dê uma razão para que eu não fique com ele. Eu preciso desse motivo, Jungkook.
Jeon olhou para mim demasiadamente. Quando enfim soltou o ar, ele olhou para os dois lados, como se fosse dizer algo que ninguém pudesse ouvir.
— Não sei se você acredita em contos sobrenaturais, Gwen, mas a partir de agora você vai ter que acreditar. — Ele consertou a postura, ajeitando a roupa. — Minha espécie é apenas um mito para vocês humanos, então, desde o momento em que criaram histórias mirabolantes sobre nós, começamos a viver escondidos, em outro mundo para ser quem somos.
— Do que está falando? Não consigo compreender nada do que diz. — Digo um pouco nervosa, com medo do que ele pudesse me contar.
— Na sua peça, Felice se apaixona por Thomas em um genuíno amor entre uma criatura sobrenatural e um humano. Ela, presa a esse sentimento dado como puro, acaba deixando seu povo, seu mundo e sua espécie para viver feliz ao lado do amado. No entanto, julgando não sentir mais o mesmo por ela, Thomas se afasta e volta para sua família humana. Como instinto vingativo e insaciável de sede, de sangue humano, ela assassina a família dele e por fim o mata em um ato de ódio. — Jeon sorri pequeno, sendo a primeira vez que vejo ele sorrindo. — Não acha emocionante a história?
— Eu escutei ela nos últimos meses várias vezes. Não precisa me contar a história. Mas… O que isso tem a ver com o fato de Jimin não poder ficar comigo? — Perguntei ainda confusa. Jungkook voltou a ficar sério, olhando-me dos pés à cabeça.
— Você daria uma ótima vampira, mas suponho que não ache a ideia muito convidativa.
— Essas coisas de vampiro não existem. — Ele ergueu a sobrancelha depois da minha resposta. Eu havia dito a mesma coisa que Dorothy disse na peça de teatro.
— Acha mesmo que não existem? Você acha que os humanos criaram essa história de vampiro por simples diversão? Ou talvez, alguém viu um ser diferente dos humanos andando por aí e resolveu contar a história sobre sua experiência com esse ser.
— Isso não faz sentido. Se os vampiros fossem reais, todos nós já saberíamos.
— E o que fariam com essa informação? Começaria a nos caçar? Trataria de encontrar um por um para fazer de nós objetos de estudo? — Fiquei assustada por um segundo ao ouvir sua declaração.
— Você disse… "nós"?
— Eu sou um vampiro, Gwen. — De algum jeito, ele deixou seus olhos escuros ficarem castanhos iguais aos de Jimin.
— C-Como você fez isso?
— Lembrou dele, não é mesmo? — Seus olhos voltaram para a cor normal em um instante. — Ficamos assim quando desejamos algo. Mas no geral, nossos olhos mudam de cor com o estímulo do instinto.
— O que você… Desejou nesse momento? — Por algum motivo, consegui perguntar aquilo sem pensar no quão absurda era a ideia de Jungkook ter mudado a cor dos olhos de repente.
— Talvez seu sangue. — Ele disse, me assustando. — Pra ser sincero, seu perfume tem cheiro de uma fruta que eu particularmente gosto. Não foi especificamente o seu sangue.
— Por que você acha que eu vou acreditar em uma desculpa tão incomum?
— Porque Jimin também é um vampiro. E ele não é alguém que está no mesmo nível que você. — Jungkook se afastou, dessa vez descendo os degraus da escada. — Pode ser que você não acredite no que digo, mas aconselho-te a deixar Jimin o quanto antes. Vocês só vão ter até o dia 31 deste mês para se verem, de qualquer forma.
— O quê?! — Desci as escadas, acompanhando-o. — Vocês vão embora mesmo?
— É isso que estou tentando dizer, mas você parece não entender nada do que digo, ou simplesmente não querer acreditar.
— Como você quer que eu acredite que o cara, que me assistiu naquele dia e que me deixa ansiosa para vê-lo desse jeito, seja um vampiro? — Impedi Jungkook de andar mais ao parar na sua frente. — Não percebe que isso é um absurdo? Tem certeza de que não está bêbado e tem algum problema com seu amigo?
— Eu não estou bêbado e a minha amizade com Jimin é ótima. O caso é que eu não vou deixá-lo se jogar em uma situação onde no final ele irá sair machucado.
— Mas mesmo assim, não iremos sair machucados se você chegar e dizer simplesmente que eu deveria me afastar dele? — Olhei Jungkook o mais séria possível. — Jeon, eu sei que está preocupado com seu amigo, mas isso é algo que deve ser decidido pelo Jimin. E por mim também. Não acha que me deixou magoada por dizer simplesmente que eu não estou no nível dele?
— Você é uma humana, Gwen. Não deveria estar mais preocupada com o fato dele ser um vampiro? — Jungkook debocha, tentando voltar a andar, mas fiquei na sua frente outra vez.
— Como posso dizer que isso é um problema sendo que meus sentimentos por ele não mudaram? Mesmo você dizendo isso, acho que cabe a Jimin interromper qualquer tipo de coisa que possa rolar entre eu e ele.
Jungkook continuou com seu olhar crítico em minha direção. Entretanto eu estava disposta a provar para ele que Jimin significava algo para mim. Eu não sabia classificar naquele momento, mas tinha certeza que descobriria quando encontrasse Jimin outra vez.
— Tentei te convencer, mas parece que não deu certo também. Talvez vocês dois realmente combinem muito.
Ele se desvencilhou da minha barreira e voltou a caminhar até o portão. Jungkook sumiu na minha rua, antes mesmo que eu pudesse perguntar onde ele e Jimin estavam. Quando entrei na minha casa, a conversa que aconteceu a poucos minutos ainda continuava rondando a minha cabeça. Eu deveria estar com medo pelo fato de Jimin ser um vampiro, mas por algum motivo o prazo que Jungkook disse me preocupava mais.
Jimin irá embora e eu não poderei vê-lo, talvez nunca mais.
[...]
Já era tarde e o Sol, em seu espetáculo de sempre, se despedia de mim e de todos os seres humanos — e não humanos — dessa cidade em mais um final de dia. Eu, por outro lado, apesar de estar me aprontando para voltar a minha casa, continuava tendo alguns pensamentos estranhos sobre o que Jungkook me disse. Suspirei um pouco cansada. Deby já tinha me deixado no caminho de casa fazia alguns minutos, então eu só precisava andar mais um pouco.
— Gwen. — Uma voz masculina e delicada me chamou, neutralizando meus passos adiante. Quando levei meus olhos para o indivíduo, foi impossível não permitir que um sorriso cruzasse meu rosto.
— Jimin! — Percebi depois que a forma como falei seu nome parecia animada demais, mas sentia falta do Park mesmo tendo visto ele a poucos dias. Sem demora, me aproximei demasiadamente de si, quase tombando com o mesmo. — Oi. Você veio.
— Tive que resolver umas coisinhas. — Ele explicou, colocando as mãos atrás do corpo. Jimin era alto, mas eu não tinha tanta dificuldade em encarar seus olhos dessa altura.
— Veio me ver? — Sou direta, o que faz ele sorrir mais animadamente.
— Claro. Queria conversar com você. Podemos nos sentar ali? — Ele apontou um banquinho ao longe, que estava próximo do parque infantil.
— Por mim tudo bem.
Nós dois caminhamos até o banco e, depois de estarmos lado a lado, comecei a falar com Jimin o que estava me incomodando nos últimos dias.
— É verdade que vocês vão embora? — Indaguei sentindo a garganta quase fechar em agonia. Jimin suspirou pesadamente ao ouvir minha pergunta.
— O Jungkook já veio até você falar sobre isso? Realmente, meu amigo se preocupa muito comigo. — Ele passou as mãos no cabelo, suspirando frustrado.
— Mas é verdade? Você vai embora? — Jimin olhou para mim, deixando que seus olhos claros roubassem toda minha atenção.
— Sinto muito, Gwen. É verdade. Nós vamos embora no final do mês. — Com essa constatação, foi impossível não desviar de seu olhar. — Jungkook deve ter te contado sobre mim. — Ele ficou em silêncio, balançando um pouco as pernas. Como não respondi ao que disse, Jimin voltou a falar. — E o que você acha? Do fato de eu ser um vampiro.
— Eu não consigo gritar e me afastar de você, Jimin. — Sou sincera, fazendo um sorriso pequeno surgir ao pensar na probabilidade. — A princípio, neguei veementemente, mas o que posso fazer se você é um vampiro?
— Eu aceitaria se você se assustasse e tentasse se afastar de mim. Essa é a reação normal da raça humana ao descobrir que aquilo que eles sempre consideraram apenas um conto para assustar crianças na verdade era real. Se você sentisse medo de mim, eu tentaria, de alguma forma, te fazer enxergar o que sou por dentro e não por fora.
— O que o Jungkook disse é verdade? — Indaguei, voltando a encarar seu rosto.
— O que ele disse?
— Que você está caidinho por mim. — Não sei se era certo dizer isso, mas Jimin ficou um pouco constrangido, deixando seu rosto ficar rosado depois da minha pergunta. — Isso é verdade?
— É verdade sim. Eu realmente gosto de você, Gwen. Planejei o dia em que te contaria que sou um vampiro, mas parece que não há mais o que temer. Você me aceitou do jeito que sou. — Ele sorriu carinhoso, quase como se quisesse derreter o meu coração.
— Eu também gosto de você, Jimin. Mais do que eu realmente queria admitir que gosto. De um jeito novo e profundo, eu gosto muito de você. — Queria passar para ele o quão reais eram as minhas palavras, por isso me aproximei a fim de lhe roubar um beijo singelo.
Ao passo que me afastei dos seus lábios, Jimin mudou repentinamente a cor de seus olhos. Não consegui identificar a tempo qual era a coloração, pois ele se aproximou para outro beijo, dessa vez, um pouco mais intenso. Aproveitando aquela liberdade que Jimin me propôs, deixei que sua língua invadisse a minha boca e que minhas mãos tocassem seu rosto, como em uma promessa de que não iria se afastar de mim.
— Por que você tem que ir? Por que simplesmente não fica comigo? — Suplico, chateada demais para alguém que só havia beijado ele uma vez.
— Jungkook já deve ter dito, mas eu não pertenço a esse mundo, Gwen. Eu não posso simplesmente abandonar toda a minha vida lá e vir para cá. Nenhum de nós sobreviveria ao fazer esse sacrifício. Assim como eu não posso ficar aqui por ti, você também não pode viver lá por mim.
— Por que tem que ser tão complicado assim? — Minha voz saiu mais baixa do que o planejado e me lamentei por ser tão difícil aquela situação.
— Simplesmente porquê tem que ser. Não há nada que podemos mudar nesse cenário injusto. — Ele deixa que meu rosto descanse em seu ombro e que eu possa guardar seu cheiro em meus pensamentos. — Gwen, eu estou apaixonado por você. Mesmo sofrendo, eu vou tentar lidar com a dor de não poder criar um futuro com você. No entanto, se eu pudesse evitar que você chorasse e ficasse triste por mim, eu juro, eu faria qualquer coisa… Sinto muito por fazer você se apaixonar por mim.
— Não diga isso. De alguma forma, eu me apaixonaria por você outra vez. Isso não foi apenas um acaso do destino, Jimin. Se eu tivesse chance, eu voltaria a encontrar seus olhos outra vez naquele teatro. Pra mim, você é o único espectador que merece a minha atenção. — Me afastei superficialmente, apenas para encarar seus olhos. — Me promete que até o dia da sua partida, vamos ficar juntos. Aproveitando um ao outro e o tempo que temos. Você me promete?
— Se isso vai te fazer lembrar de mim depois que eu for e vai me dar forças para seguir guardando você em meu coração… Sim. Eu prometo que vou estar com você nesses dias.
Com aquele sorriso tão sereno, percebi de uma única vez que os nossos sentimentos um pelo outro eram mais reais do que eu cogitava acreditar. Ele queria estar comigo e eu queria ficar ao seu lado. Enquanto aquele sentimento existisse, eu lutaria por seu amor até o último dia. Nada desse tipo nunca aconteceu na minha vida. Sempre fui a pessoa mais pé no chão que existe, mesmo sendo uma atriz que participa de histórias fictícias. Eu nunca cheguei a sentir metade do que sinto agora por outra pessoa na minha vida inteira.
Se tivesse alguma chance de Jimin e eu sermos felizes, eu desejava que o universo nos ajudasse de verdade.
— Vamos, me conte mais coisas sobre você. Como é ser um vampiro de verdade? O Jungkook não me passou uma boa impressão sobre isso. — Digo dando risada, fazendo Jimin ficar um pouco assustado.
— Ele falou algo estranho pra você?
— Só disse algo sobre meu sangue e depois que meu perfume… Enfim, ele não me explicou direito sobre como funciona realmente o lado de um vampiro.
— Meu amigo às vezes tende a assustar as pessoas, no entanto, ele não é de todo ruim, Jungkook é apenas… Sério demais.
— Percebi isso da pior forma possível.
Ele me acompanhou na risada, deixando aquele momento o mais confortável possível para mim. Eu tentava não pensar que perderia Jimin depois daquele mês, mas era difícil quando aquela pessoa que domina meus pensamentos sorri para mim de forma calorosa, como se nada fosse mais fácil do que ficar aqui para sempre.
[...]
Como havia me prometido, Jimin estava ao meu lado nos últimos dias. Conversar com ele se tornou minha terapia diária. Ele sempre chegava no momento em que meus pensamentos estavam perdidos em lembranças ao seu lado. E mais uma vez, estávamos passeando, de mãos dadas, na rua até a porta da minha casa. Os dias se passavam rápidos, mas eu tentava não pensar muito nisso. Era difícil acordar todas as manhãs e lembrar que faltavam poucos dias até o final do mês. Jungkook, quando nos viu juntos, apenas assentiu e disse que não ia falar mais nada a respeito disso. Percebi que Jimin ficou um pouco triste pela forma que seu melhor amigo reagiu, mas logo me respondeu falando que não era nada demais quando perguntei se ele estava bem.
— A Lua está tão linda hoje. — Digo para passar o tempo, mesmo aquele silêncio ao lado de Jimin sendo ótimo.
— Realmente. No meu mundo, a Lua é muito importante.
— Acredite ou não, eu fiz minha lição de casa e assisti Crepúsculo. — Jimin olhou para mim e riu um pouco alto demais.
— Então esse é o filme mais famoso sobre vampiros?
— Foi o que estava ao meu alcance em casa. — Naquele momento, paramos na porta da minha casa. Jimin nunca entrou realmente lá, porque dizia ele que isso ia contra seus princípios. Fiquei confusa, mas talvez ele fosse um pouco tradicional demais. — Tá tudo bem? Você passou o caminho todo até aqui olhando em volta como se tivesse algo estranho.
— Eu… — Ele olhou mais uma vez ao redor da casa e da vizinhança. Para mim, Jimin ficava muito bonito quando franzia o cenho e inclinava a cabeça de lado. — Não é nada demais. Talvez seja apenas coisa da minha cabeça.
— Ok. — Dei de ombros, segurando suas mãos, fazendo sua atenção se voltar totalmente para mim. — Então… Boa noite, Jimin.
— Já vai entrar? Estava pensando em inventar outro motivo para andarmos por aí. — Confessou, me deixando mais risonha.
— Está tarde e amanhã tenho uma reunião com a Deby e os atores. Se pudesse, eu ficaria com você a noite inteira.
— Te prometo fazer isso se tornar realidade um dia desses. — Ele piscou com um dos olhos e quase fiquei arrepiada. Se Jimin realmente estivesse me prometendo o que estava desejando há dias ter consigo, eu adoraria receber logo.
— Por favor, não demore. — Pedi e ele assentiu várias vezes. Por um instante, Jimin ia se afastar, mas segurou minha mão.
— Nunca esqueça que eu amo você. — Ele suplicou quase em um sussurro, me pegando desprevenida.
Park soltou minha mão sem esperar minha resposta para sua declaração tão sincera. Eu já tinha dito que gostava dele e que estava apaixonada, mas sentia receio de dizer que o amava justamente por estarmos juntos por pouco tempo. Em breve ele irá embora e eu, que doei um amor tão exagerado por si, irei sofrer sem ninguém para me consolar. Mesmo tendo certeza dos meus sentimentos, dizer a Jimin que o amava ainda era um ato imaturo na minha opinião. No entanto, ver ele me dar as costas depois de dizer tais palavras, me deixou um pouco mal por dentro.
Ele também irá sofrer depois que ir. Ele também vai lembrar de mim até que seu coração esteja totalmente pronto para amar outra pessoa. É bem provável que ele tenha se questionado ultimamente se deveria ser o primeiro a dizer "Eu te amo" enquanto eu afastei todas as chances de falar tal declaração. O que sentíamos um pelo outro era realmente forte, mas ainda assim, o medo do abandono e do coração partido nos impediam de seguir em frente no nosso relacionamento.
Esgotada emocionalmente, abri a porta de casa e entrei. Não precisei jantar já que eu e Jimin comemos algumas coisas no passeio. Só fiz tomar um banho e ajeitar o meu quarto que estava uma bagunça de roupas espalhadas do momento em que não sabia qual roupa vestir para o encontro com Jimin. Depois que me deitei na cama, usei o celular até sentir o sono tomar conta do meu corpo, mas antes mesmo que eu apagasse totalmente, a campainha tocou.
Já se passavam das 1h da madrugada, não fazia sentido algum ter uma pessoa tocando a campainha da minha casa. Fiquei com medo por um instante, mas ao pensar que podia ser Jimin, tomei coragem, calcei as pantufas e fui atender a porta.
— Jimin…?
Para minha surpresa e medo, não era Park Jimin.
Na frente da minha casa, havia uma pessoa alta e muito bem encapuzada de preto, me impossibilitando de ver seu rosto. Sua áurea era esquisita, apenas sua presença já me deixava desconfortável, o total oposto de Jimin, mas não lembrava nenhum pouco Jungkook.
— Quem é você? — Segurei a maçaneta com certa força. Naquele horário, a minha rua estava vazia e os vizinhos provavelmente estavam dormindo. Ninguém iria aparecer para me salvar caso eu gritasse.
— Senhorita humana. — A voz era de um homem e ele não parecia ser alguém normal. — Sinto muito esse ser o único horário disponível para termos uma conversa.
— Me desculpe, mas eu não te conheço de lugar nenhum.
— É óbvio que não me conhece. Eu não pertenço a esse mundo. — Ele tirou o capuz, apresentando seu rosto. Ele tinha uma pele pálida e cabelos bem escuros e encaracolados. Naquela escuridão, ele parecia um jovem humano, mas seus olhos… Eram vermelhos feito sangue. Dei um passo para trás, receosa. Ele com certeza era um vampiro e não se parecia nenhum pouco com Jimin e Jungkook.
— Q-Quem é você? De onde surgiu? Por que está na minha casa? — Perguntei enquanto gaguejava. Meu coração batia acelerado e o medo dele fazer algo comigo era tremendo.
— Não há o que temer, senhorita humana. Se você seguir minha ordem, tudo terminará como começou. — Ele sorriu de um jeito muito estranho, que me arrepiou até a alma.
— Que ordem o senhor pretende ditar?
— Eu sou Rafal, conselheiro da comunidade de vampiros. Não vou te contar mais sobre minha espécie porque acredito que seu amado Jimin já deve ter falado um pouco sobre nosso mundo.
— Você conhece o Jimin?
— E o Jungkook, o amigo dele. Os dois são muito promissores em meu mundo e alcançaram cargos parecidos com o meu. Entendo seu desespero em relação a partida dele, mas Jimin tem um grande futuro o aguardando.
— O que está dizendo?
— Jimin será o próximo a comandar o nosso povo, ele é o sucessor do império de vampiros. Como deve ter dito para você, ele não pode simplesmente abandonar o que o aguarda lá.
Jimin nunca havia me falado realmente qual era a sua posição em seu mundo. Ele sempre dizia que era um cargo importante, mas mudava de assunto. Talvez ele não quisesse me assustar mais com essa história de vampiro. Park apenas me disse que todos de sua espécie precisavam passar pelo mundo dos humanos, como uma experiência ou teste, mas que nada aqui era permanente e que se apaixonar por um humano era estritamente proibido.
— E como um excelente conselheiro, vim ordenar que você se afaste do meu futuro soberano. Senhor Jimin não deve perder seu tempo aqui na Terra com uma simples humana inútil e que apenas o deixa com pensamentos confusos e estranhos. — Ele sorriu, falso, tentando de alguma forma me assustar mais.
— Você espera que eu faça o que disse?
— É o mais sensato se você for uma humana inteligente.
— E se eu negar isso?!
— Está pedindo para sofrer as consequências. — Ele desmanchou o sorriso, encarando-me como se buscasse me matar de todas as formas fatais.
Eu estava com medo. Minha mão suava e sentia-me incapaz de ir contra sua ordem. Porém… Mais cedo, Jimin disse que me amava e que era para eu não esquecer disso. Como poderia eu ser covarde e não defender os meus sentimentos por ele?
— Eu amo o Jimin e não irei abandoná-lo. Não importa o que você e qualquer outro diga. Eu vou ficar com o Jimin até o último dia, até quando não tivermos mais chances. — Declarei, liberando meus sentimentos mais sinceros. E por mais doloroso que seja, eu ainda desejava no meu coração que houvesse alguma forma de eu e Jimin acabarmos felizes para sempre.
— Você realmente não é inteligente, assim como eu havia previsto.
Em ato violento demais, Rafal avançou para cima de mim, arranhando profundamente o meu braço esquerdo. Gritei de dor no mesmo instante, sentindo o sangue descer pelo pijama de dormir. Quando ele ameaçou abocanhar o meu pescoço, alguém o puxou para trás e eu caí no chão. Meu braço estava latejando de dor, de uma forma que nunca senti antes. Enquanto gemia no chão, tentei olhar para a porta e ver quem estava atacando Rafal. Era Jimin. Ele estava lá, enfrentando o homem que parecia desesperado ao ver meu sangue sendo jorrado por toda a sala. Nervosa demais, sem saber nem o que fazer, tentei me apoiar no encosto do sofá e pressionar o meu braço. O sangue precisava parar de sair naquela intensidade ou então eu teria uma hemorragia profunda.
— Vá embora daqui e não pise mais os pés nesse mundo a não ser que eu mesmo ordene, Rafal! — Jimin esbravejou de uma forma que nunca havia escutado antes. Sua voz ficou mais grave e pela minha fraca visão periférica ele estava cheio de raiva.
— Mas, senhor…
— Vá embora agora!
Ele não rebateu a resposta de seu futuro soberano, por isso sumiu de algum modo que eu não vi. A sala voltou a ficar em silêncio, deixando apenas que meu gemido de dor ecoasse. O sangue escorria sem parar, mesmo eu colocando a outra mão em cima. Era muito sangue e banhava tudo que era meu na sala. Eu estava começando a ficar zonza, sentia que ia desmaiar a qualquer instante.
— Gwen… E-eu sinto muito… — Os olhos de Jimin brilhavam num tom mais diferente. Ele estava mais expressivo que antes. Por algum motivo, Jimin estava receoso em se aproximar.
— Jimin… A culpa não é sua… — Minha voz saiu em um mero sussurro enquanto lutava contra a dor.
— Eu não consigo ir até você… É muito sangue. — Ele apertou as mãos na camisa lilás que vestia, como se tentasse se segurar. As mãos de Jimin tremiam muito. Foi então que percebi.
O sangue. Ele não conseguia se aproximar por causa do sangue.
— Jimin… Por favor, você precisa me ajudar.
— Eu posso acabar te machucando, Gwen. Eu posso perder o controle. — Ele disse, mas contra suas próprias palavras, andava lentamente até mim.
— Eu confio em você. Sei que não vai me machucar.
— Como pode dizer isso para um vampiro? — Ele se agachou, ficando da minha altura. — Você só está machucada desse jeito por minha causa.
— Não foi você, Jimin.
— Mas a culpa continua sendo minha! — Ele olhou mais uma vez para meu braço encharcado e suspirou pesadamente. Sem demora, Jimin tirou a camisa do seu próprio corpo e passou a colocar o tecido envolto em mim. Quando percebeu que estava grosso demais, rasgou a roupa em duas partes sem demonstrar quase nenhum esforço. — Acho que isso vai impedir que esse sangue se espalhe tão rápido, mas precisamos chamar uma ambulância agora.
— Meu celular está no quarto, em cima da cama. — Assim que disse isso, Jimin vai rapidamente para meu quarto buscar o aparelho. E assim que ele retornou, lhe disse o número da ambulância.
— Eles estão a caminho. — Jimin me pegou no colo apenas para me deixar no sofá. Meu braço continuava doendo muito, mas vê-lo naquela noite já me acalmava mais do que poderia imaginar. — Eu sinto muito. Não queria que você se machucasse por minha causa.
— Você não fez isso, Jimin. Quantas vezes vou ter que repetir? — Ele abaixa a cabeça, frustrado.
— Não consigo suportar te ver sofrendo. Me sinto pior ainda por ter meu lado vampiro se debatendo aqui dentro por causa do seu sangue. Eu me sinto tão imundo…
— Não diga isso, por favor.
— É por isso que a relação entre humanos e vampiros nunca será possível. Eu simplesmente não posso te proteger dos males que me cercam e nem negar o meu lado terrível.
— Você não é terrível, Park. Para de falar isso! — Meu coração doía. Chegava a doer muito mais do que aquele ferimento no braço por ver Jimin tão arrasado.
— Gwen. — Ele voltou a me encarar, com os olhos brilhantes, como se estivessem prestes a derramar gotículas de água salgada. — Eu não posso ficar com você. Me desculpa.
— Eu sei, Jimin, mas…
— Não dá. É sério. Se você ficar ao meu lado, sempre sairá machucada de alguma forma. Tenho medo de um dia ser eu a pessoa que te fará sofrer. E se eu perder o controle na sua frente? O que será de mim se algo de ruim acontecer contigo por minha culpa, Gwen? Não vou conseguir viver com esse fardo.
— Jimin… Mas eu ainda quero ficar com você. — Ele se levantou, apertou os punhos e suspirou alto.
— Se for para salvar você de qualquer perigo, eu prefiro me manter longe. — Ele olhou para mim, profundamente magoado. — Desculpa, Gwen, por te fazer sofrer estando ao meu lado.
— Jimin!
Ele passou pela porta da minha casa assim que o barulho da sirene cruzou a minha rua. Sem perceber, comecei a chorar por vários motivos. Pela dor e pela partida de Jimin. Quando os socorristas chegaram e perceberam a cena do acidente, me levaram rapidamente até a ambulância. Enquanto me faziam perguntas, eu tentava de toda forma falar algo, mas a lembrança da partida de Jimin era mais forte. Eu não acreditei que ele realmente havia ido embora. Ele desistiu de lutar só para me proteger.
E eu não tive a chance de dizer que o amava de todo meu coração.
[...]
A Lua era realmente linda vista da sacada de um hospital. Mais belo ainda era ver a alegria daqueles que recebiam alta e tinha alguém esperando por sua saída na frente do local. Eu não queria soar melancólica, mas era assim que eu me sentia naquele dia. Mais cedo, Deby me visitou no quarto para perguntar como eu estava depois de perder a apresentação de ontem e apenas disse que estava tudo bem. Não contei para minha supervisora o melodrama que vivi a poucos dias, apenas guardei essa história para mim mesma.
Às vezes me pegava pensando que tudo isso não passou de uma fantasia ou de um sonho, mas em seguida percebia que o machucado terrível no meu braço não havia surgido sem motivo. Foi real. Por mais que minha mente sinta falta do cheiro dele e de sua presença, pensando que nada disso aconteceu… Eu ainda assim conheci Jimin, o vampiro que mudou o meu coração para sempre. Ele não veio me ver no hospital, mas às vezes me questionava se ele não estava à espreita, apenas me observando de longe. Ou talvez, eu estivesse muito carente de sua presença.
Teve dias em que pensei seriamente que ele havia ido embora, mas meu coração insistia em afirmar que Park apenas estava esperando por mim em algum lugar. Parecia bobo guardar tal desejo nos meus pensamentos, mas eu queria vê-lo antes que ele fosse embora para sempre. Queria me despedir da forma certa.
— Está animada para o Halloween, senhorita? — Marcus surgiu na porta do quarto, trazendo algumas coisas nas mãos. Ele era meu enfermeiro, assim como de todos os pacientes que saíram da UTI.
— Nem um pouco. — Fui sincera, fazendo ele rir fraco.
— Alguma lembrança traumática do Halloween? Receio que as crianças do quarto 759 negue veementemente sua opinião.
— Crianças sempre se alegram no Halloween. — Agradeci quando ele deixou o almoço em cima da mesa. — Eu também gostava do Halloween até pouco tempo, mas parece que essa data vai ser triste a partir de hoje.
— Hum… Alguma coisa realmente aconteceu com você. Não queria ser indelicado, mas isso envolve algum tipo de amor?
— Seus poderes de dedução são incríveis, Marcus. — Debochei, fazendo o enfermeiro rir desenfreadamente.
— Muitas pessoas dizem isso. — Ele ajeitou os lençóis da cama antes de voltar a falar. — Mas você sabe que hoje é seu dia de alta.
— Eu sei.
— E me promete que não irá aparecer aqui novamente. Quero dizer, que não irá se machucar desse jeito de novo.
— Prometo.
Depois do meu almoço, o doutor apareceu no quarto e pediu que eu assinasse alguns papéis de comprometimento com minha saúde. Marcus deixou minha roupa nova que Deby trouxe no banheiro, por isso me troquei sem demora. A cicatriz no meu braço esquerdo não tinha ido embora e tinha certeza que iria demorar muito mais tempo até ela desaparecer um pouco. No entanto, aquela marca era a única prova real de que o que houve entre mim e Park foi verdadeiro.
Assim que botei meus pés para fora do hospital, respirei o ar externo o mais fundo possível. Estava com saudades daquela sensação de liberdade. E para não preocupar meus amigos, fiz questão de enviar uma mensagem para eles falando que eu estava bem e que já estava de alta.
Depois que recuperei o ar, voltei a caminhar pelas ruas da cidade noturna e cheia de decorações de Halloween. Havia muitas pessoas vestidas de diversas fantasias. Zumbis, animais, personagens de desenho e até algumas criaturas sobrenaturais, todos estavam ali, crianças e adolescentes acompanhados de alguns adultos que amavam a tradição de pedir doces ao invés de travessuras.
Mesmo tendo em volta de mim toda aquela energia e alegria das pessoas, meu coração continuava triste e magoado. Jimin provavelmente estaria indo embora essa noite mesmo. Talvez ele nem estivesse mais na minha cidade ou no meu mundo. Cogitar essa ideia me fazia sentir falta dele de todas as formas possíveis. Eu precisava ver Jimin outra vez.
Quando cheguei na porta da minha casa, antes de entrar literalmente, olhei para a Lua em seu esplendor de beleza e supliquei meu maior pedido.
— Traga Jimin esta noite, por favor. Permita que eu e ele façamos memórias que jamais iremos esquecer. Permita que… Eu possa me despedir dele adequadamente. Por favor.
Era infantil fazer um pedido à Lua e suas milhões de estrelas, mas essa era a única forma de acalmar o meu coração entristecido. Eu queria ver Jimin de toda forma. Minha alma queria se fundir com sua presença de todos os jeitos possíveis. Eu queria ter a coragem de dizer frente a frente para ele que o amava. Todo meu corpo clamava por seus toques, por sua voz e por seu olhar. Eu precisava encontrá-lo só mais uma vez.
Abri meus olhos depois do pedido egoísta e olhei para o portãozinho da minha casa. Lá estava ele. Park Jimin, o único vampiro capaz de me fazer amá-lo de todo coração estava na minha frente, olhando para mim como um espectador que aguardava o seu astro estrear no palco, como alguém que sentia falta da pessoa amada, como um ser que era capaz de voltar para mim quantas vezes fossem necessárias.
— Gwen. Eu estou aqui. — Ele disse, baixo, tímido, genuinamente feliz.
Nós dois quebramos a distância quando corremos um em direção ao outro. Ele me pegou no ar, me abraçou de uma forma como se dissesse que nunca mais iria permitir que meu corpo se afastasse do seu. Eu me lancei a ele carregando a minha saudade e amor absurdo que sentia ultimamente por nunca mais vê-lo. Era maravilhoso ter seu cheiro novamente. Era indescritível saber que ele estava ali para mim mais uma vez.
— Você não foi embora. — É o que digo, deixando que minhas mãos circulem seu corpo com força.
— Como eu posso ir embora sem te ver uma última vez? — Jimin ergueu meu rosto do seu peito e me encarou docemente. — Eu fiquei todos esses dias pensando em você. Lembrando de cada momento que compartilhamos como amantes de um amor impossível. Ficar sem você foi a prova mais difícil que já experimentei até aqui. Me desculpa por vir somente agora. Não sei se consigo viver sem você, Gwen.
— Nós não temos nenhum futuro juntos, não é mesmo? — Minha voz saiu abalada, mas essa era a realidade. Não tínhamos nenhum futuro como um casal. Um romance entre um vampiro e uma humana nunca daria certo.
— Se eu pudesse arranjar alguma forma de mudar isso, eu faria, mas… Não há nenhum jeito de ficarmos juntos. — Não queria perder mais tempo, por isso puxei Jimin para um beijo apressado, que demonstrava o quão torturante havia sido ficar sem ele naqueles dias.
— Eu sei que vamos sofrer depois de hoje. Eu sei que amanhã… Ficarei mais arrasada por nunca mais te ver. Nós sabemos disso, Jimin. Quando decidimos ficar juntos, escolhemos correr o risco, assim como Felice decidiu abandonar tudo para ficar com Thomas, mesmo não tendo certeza da felicidade que ele lhe propôs. — Emocionada, segurei suas mãos com mais força. — Vamos concretizar esse momento. Fazer dele inesquecível para nós dois. Como eu sou humana, vou morrer em alguns anos, mas você é uma criatura sobrenatural e tem muito mais tempo para encontrar outros amores.
— Não fale assim. Eu não vou encontrar outra pessoa para amar que não seja você.
— O futuro é traiçoeiro, Jimin. Me dói dizer essas coisas, mas é isso que nos aguarda lá na frente. — Levantei minhas mãos até seu rosto, segurando-o. — Eu amo você, Park Jimin. Desculpa por estar falando isso só agora, mas fiquei muito indecisa antes de colocar para fora o que sentia de verdade por você.
— Eu também te amo, Gwen.
— Por favor, use esse amor que sente por mim e faça com que hoje seja um dia inesquecível. Me ame, Jimin. Me faça ser sua de verdade, assim como eu anseio que você seja meu inteiramente. Mostre para mim que todo esse tempo que passamos juntos, no final, valeu a pena. — Ele me encarou em êxtase. Seus olhos estavam em uma coloração linda demais para se descrever, focados apenas em mim. Ele me desejava da mesma forma que eu ansiava por si.
— Esse tempo realmente valeu a pena, Gwen. Eu irei te provar isso.
Seus dedos alcançaram a minha nuca e Park Jimin me beijou de forma agitada, fazendo-me lembrar dos dias que tivemos de encontro antes dessa distância acontecer. Ele deixou que sua outra mão descesse pela minha cintura, enquanto eu sentia seu gosto ser dividido com o meu. Meu coração e alma estavam entregues ao vampiro de olhos claros que me levava a loucura de prazer, paixão e amor. Quando estávamos aos tropeços entrando na minha casa, fiz as honras de jogar nossas roupas pela casa e admirar seu corpo bem definido. Park Jimin era simplesmente lindo de qualquer jeito.
A cada beijo que ele espalhava por meu corpo, sentia que estava sendo levada ao céu sem muita dificuldade. Eu o queria em mim cada vez mais, queria ter ele o mais rápido possível. E quando Jimin enfim me fez sua, pude sentir pela primeira vez o que é fazer amor com a pessoa que ama. E aquele sentimento era diferente. Não era apenas prazer e sim uma paixão que só era visível em nossos olhares desejosos. Ele me amava. Eu o amava. Naquele momento eu só conseguia ter essa constatação.
Era real. Era amor.
Mesmo depois de tudo, continuaria sendo amor e ele não se esqueceria de mim. E mais tarde, quando estava deitada ao lado de seu corpo, com ele acariciando o topo do meu cabelo, sorri inocentemente. Faltava muito pouco para o Halloween acabar, mas eu não sentia tanto medo assim. Meu amor por Jimin, naquele instante, me prendia a sua alma e me fazia apenas aproveitar aquele momento. O que importava era que estávamos juntos e não o que aconteceria depois. Afinal, tudo isso poderia ser apenas uma utopia de Halloween.
Talvez eu ainda estivesse perdida nos olhos claros e vívidos do espectador principal da peça de teatro.
[FIM]
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top