2. capítulo trinta e sete
ㅤㅤㅤLucas está em perigo.
ㅤㅤㅤO pensamento corroía a mente de Alice como um sussurro incansável, e a quantidade de Pessoas de Sombra que a cercavam eram o suficiente para que toda sua visão periférica fosse escurecida. Todos estavam agitados enquanto ela tentava se concentrar no restante do dia.
ㅤㅤㅤOs únicos momentos em que Alice perdeu Lucas de vista, foi quando estavam em horários diferentes. Cada segundo longe dele era uma agonia. Ela temia que de uma hora para outra, ele simplesmente não estivesse mais lá e sua garganta apertava com a possibilidade. Adam não se arriscaria.
ㅤㅤㅤLucas está seguro, por enquanto.
ㅤㅤㅤAs mãos tremiam, ela corria os dedos pelos bolsos do casaco até encontrar um maço pela metade, velho e amassado. Lucas a olhava torto, dizendo que ela teria que parar com aquilo, mas isso não a impediu de levar o maço até o rosto, inspirando profundamente o cheiro do tabaco.
ㅤㅤㅤNão é o suficiente.
ㅤㅤㅤ― Vai ficar tudo bem ― Lucas repetia, enquanto ela fechava os olhos e pressionava o maço contra o peito.
ㅤㅤㅤEstá longe de ficar tudo bem.
ㅤㅤㅤAs coisas pioraram nas horas seguintes.
ㅤㅤㅤSeu telefone não parava de tocar. Várias ligações perdidas de uma irmã mais velha preocupada e algumas de Lucas, as quais ele retornou com SMS: "Já avisei pra Georgia que não vamos, preciso trabalhar". Não era totalmente mentira, mas fazia Alice se perguntar por quanto tempo poderia continuar evitando aquilo.
ㅤㅤㅤ― Estava começando a achar que tinha me deixado na mão ― Joe comentou casualmente, apoiando-se no balcão enquanto os olhos corriam o bar pouco movimentado, costumeiro de segunda-feira. ― Já falei pra você, Frances. Quando tiver problemas, me dê um toque. Não posso ficar esperando sua boa vontade de aparecer.
ㅤㅤㅤAlice forçou um sorriso, acenando com a cabeça. Já haviam tido aquela conversa durante o final de semana, enquanto Joe fumava seu charuto dentro do escritório minúsculo e Alice agarrava as barras do avental tentando não vomitar.
ㅤㅤㅤSerá que se ela falasse para ele que o amigo que estava sentado na mesa de canto, o cara careca com muitas tatuagens e cara de poucos amigos, era um grande problema, Joe a ajudaria? Paul não bebia, não conversava. Cumprimentava poucas pessoas e observava. Alice revirou os olhos, desviando o olhar. Se fingisse que não o via, talvez ele desaparecesse alguma hora.
ㅤㅤㅤOnde está Lucas?
ㅤㅤㅤA cada dez minutos, Alice checava o celular, buscando algum sinal. Às vezes já havia uma mensagem esperando, outras ela perguntava se tudo estava bem. A mãe de Lucas não estava de plantão naquela noite, ficando em casa, Grace convidou o irmão e Isaac para maratonar alguns filmes da Barbie e mais dois amigos deles foram para lá. A casa estava cheia, ele estava seguro. Por favor, me avise de qualquer coisa.
ㅤㅤㅤ"Podemos falar com minha mãe essa semana?"
ㅤㅤㅤ"Não tenho tanto tempo..."
ㅤㅤㅤAlice olhou a mensagem que começou a escrever e, com um suspiro, a apagou - deixando-o sem uma resposta.
ㅤㅤㅤEm algum momento da noite, Joe foi para seu escritório e Jen, a outra garçonete, conversava com os motoqueiros que jogavam sinuca. Pelo canto do olho, ela viu um vulto enorme se aproximar. Não precisou olhá-lo diretamente para saber que ele não desapareceria.
ㅤㅤㅤ― Água ― pediu, sem olhá-la diretamente.
ㅤㅤㅤ― Você é o único cara que vem pra um bar e não bebe ― Alice comentou com um tom amargo, enchendo um copo e colocando sob o balcão.
ㅤㅤㅤ― Não bebo em serviço ― retorquiu.
ㅤㅤㅤOs olhos azuis se reviraram dramaticamente, enquanto ela secava algumas canecas - elas já estavam secas, mas Alice precisava ocupar suas mãos com algo.
ㅤㅤㅤ― Fez o teste?
ㅤㅤㅤA pergunta foi direta, invasiva demais, mas Paul não estava lá para deixá-la confortável. Alice evitou encará-lo, olhando ao redor para ver se tinha alguém perto o suficiente para ouvi-los, e tentou manter uma expressão neutra, mas seus ombros ficaram tensos o suficiente para que ele entendesse.
ㅤㅤㅤ― Adam não vai gostar.
ㅤㅤㅤNão fode, Sherlock.
ㅤㅤㅤAlice soltou um suspiro, deixando a caneca de lado e guardou o pano de volta no bolso do avental. O ambiente era preenchido por uma música de fundo, conversas baixas e o barulho das canecas batendo contra as mesas de madeira. Ela mordeu o lábio, apoiando as mãos no balcão.
ㅤㅤㅤ― Adam falou algo sobre Lucas? ― Sua voz saiu em um sussurro, e os olhos hesitantes observaram seus arredores novamente.
ㅤㅤㅤPaul a encarou com um olhar afiado, talvez surpreso pela pergunta, mas foram segundos desconfortavelmente longos. Deu um longo gole na água e girou o copo entre as mãos antes de assentir positivamente. Os dedos se agarraram nas bordas do balcão, as unhas se cravando na madeira e tudo ao redor pareceu ficar mudo.
ㅤㅤㅤ― O que ele disse?
ㅤㅤㅤNão houve uma resposta direta, mas a forma que ele a olhava era o suficiente para que ela sentisse o estômago revirar. Lucas está em casa, ele está seguro. O pensamento se repetia, buscando um conforto que parecia nunca alcançar. Lucas estar acompanhado pelos amigos era uma garantia, Adam gostava de provocá-la com a incerteza, mas ele não iria agir impulsivamente.
ㅤㅤㅤO celular vibrou em seu bolso atraindo sua atenção, e ela leu a mensagem: "Estamos no terceiro filme. Luigi deu a ideia de tomarmos um shot toda vez que falassem o nome da Barbie. Eu estou bêbado". Quem diabos é Luigi?, pensou com um suspiro. Pelo menos, alguém estava se divertindo.
ㅤㅤㅤ― Você é sádica pra caralho, sabia? ― Paul comentou, observando-a guardar o celular.
ㅤㅤㅤEle não disfarçava a incredulidade em sua voz, nem tentava suavizar o julgamento que pesava em seus olhos. Era a primeira vez que Paul expressava alguma emoção real ao falar com ela, e isso a preocupou.
ㅤㅤㅤ― E o que isso quer dizer? ― A pergunta saiu baixa, mas era afiada - como um desafio.
ㅤㅤㅤ― Você continua arrastando o garoto contigo. ― Ele afastou o copo vazio e cruzou os enormes braços tatuados sobre o balcão. ― Mesmo sabendo o que vai acontecer com ele.
ㅤㅤㅤAlice sentiu o sangue ferver, suas bochechas ficaram quentes e, instintivamente, ela bateu a palma da mão contra o balcão. O barulho atraiu os olhares curiosos dos velhos sentados a alguns metros deles, mas Paul não se mexeu. Ele continuou encarando-a por mais alguns segundos, e logo desviou o olhar, como se a conversa tivesse acabado.
ㅤㅤㅤCom a respiração irregular, Alice inspirou profundamente, tentando se acalmar. O que quer que Paul falasse, ela não poderia permitir que bagunçasse ainda mais sua mente.
ㅤㅤㅤ― Você não sabe porra nenhuma ― Alice sibilou, por fim.
ㅤㅤㅤEle ergueu os olhos entediados.
ㅤㅤㅤ― Sei o suficiente.
ㅤㅤㅤA resposta curta pesou entre eles, as palavras flutuando no ar e se dissipando feito fumaça. Ela fechou a mão em punho, novamente cravando as unhas em sua palma até que a dor chegasse em sua mente. E Alice concluiu que gostava mais quando Paul ficava calado. O homem retornou à mesa de canto com um ar entediado, sentando-se como uma Pessoa de Sombra no na visão periférica de Alice, onde permaneceu pelo resto da noite.
ㅤㅤㅤO relógio marcava quase meia-noite e as vozes ao redor diminuíram enquanto os poucos clientes restantes terminavam suas saideiras. Alice começou a organizar as garrafas, limpar o balcão e separar guardanapos para substituir os da mesa. Jen se aproximou, carregando algumas canecas sujas e lançou um olhar curioso para ela.
ㅤㅤㅤ― Você tá pálida, Fran ― comentou, parando diante da porta vai-e-vem que dava acesso para a cozinha. ― Do que aquele cara tava falando?
ㅤㅤㅤ― Nada demais ― Alice forçou um sorriso ― Só estou cansada.
ㅤㅤㅤJen deu de ombros e sumiu para a cozinha.
ㅤㅤㅤO celular vibrou novamente em seu bolso e uma nova mensagem. Dessa vez, era uma foto que mostrava Lucas adormecido com a cara enfiada no sofá enquanto Isaac sorria ao seu lado. Logo em seguida chegou outra mensagem, escrita pelo amigo: "Jaymsy aoagou. Ganjei 25 pratas".
ㅤㅤㅤ― Fran, se quiser ir, tá tranquilo ― Jen falou, colocando a cabeça pela porta. ― Eu fecho aqui, o Nic ainda vai demorar pra vir me buscar.
ㅤㅤㅤEla hesitou, erguendo o olhar para Paul como se buscasse algum tipo de aprovação.
ㅤㅤㅤ― Valeu ― disse, assentindo.
ㅤㅤㅤJogando a bolsa sobre o ombro, Alice se despediu enquanto seguia para a porta dos fundos. Uma chuva fina caia, fazendo-a ajustar o casaco no corpo e puxar o capuz sobre a cabeça. Era uma curta distância até o carro. O telefone vibrou mais uma vez no bolso e ela o pegou, sem diminuir os passos. O número desconhecido brilhou na tela e Alice sentiu o peito afundar.
ㅤㅤㅤ― Saiu cedo hoje ― a voz de Adam deslizou do outro lado da linha, sem esperar um cumprimento.
ㅤㅤㅤEle queria que Alice soubesse que estava sendo observada, é claro, e o tom casual que utilizava soava mais como um desdém. Discretamente, ela apressou o passo, olhando ao redor e o procurando nas sombras da noite fria.
ㅤㅤㅤ― O que você quer? ― indagou, apoiando o celular no ombro para destrancar a porta do carro e entrar.
ㅤㅤㅤ― Parece que você está me evitando. ― Ele disse, no fundo da ligação, Alice conseguia ouvir algo chiando. ― E eu não gosto disso, querida.
ㅤㅤㅤ― Eu não...
ㅤㅤㅤ― Nós temos assuntos pendentes. ― Adam a interrompeu, e soltou um suspiro impaciente.
ㅤㅤㅤ― Não tenho nada pra conversar com você.
ㅤㅤㅤUm silêncio se instalou brevemente e, enquanto ela ligava o carro e ajustava o retrovisor, teve certeza de ouvir aquele sorriso debochado se formando do outro lado da linha.
ㅤㅤㅤ― Tem certeza disso? ― Adam indagou retoricamente. ― Nesse momento, Lucas não é minha prioridade, mas posso fazer com que seja.
ㅤㅤㅤLucas está seguro, Alice se garantiu mais uma vez. Adam não poderia fazer nada contra ele naquela noite, ela só precisava que ele nunca mais ficasse sozinho. Oh, céus.
ㅤㅤㅤ― Agora escute bem, Alice. ― Adam disse em um tom sedutor, mas firme. ― Você vem direto para o apartamento. Sem desvios, nem paradas. Paul está de olho em você. Entendeu? Direto. Pra. Casa.
ㅤㅤㅤ― E se eu não fizer isso? ― Alice o desafiou, apesar de seguir o caminho certo.
ㅤㅤㅤUma risada baixa soou.
ㅤㅤㅤApesar de tudo, ela ainda o divertia.
ㅤㅤㅤ― Quer testar seus limites novamente? Então vá em frente. ― Ele fez uma pausa e Alice sentiu a raiva queimar em seu peito, sabendo exatamente sobre o que ele se referia. O som de algo borbulhado acompanhava as palavras dele.
ㅤㅤㅤAlice queria gritar, dizer a ele que não era daquela forma que as coisas funcionavam, mostrar que Adam não tinha controle. Mas, no fundo, ela sabia que aquilo não era verdade.
ㅤㅤㅤ― Se lembre que se optar por esse caminho, vai ser pior. Para você. Para ele.
ㅤㅤㅤO estômago revirou e o coração martelou forte contra suas costelas. Não posso arriscar, pensou, apertando o volante com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos.
ㅤㅤㅤ― Estou indo pra casa. ― respondeu, por fim.
ㅤㅤㅤ― Boa garota ― Adam disse, triunfantemente.
ㅤㅤㅤAlguns segundos depois, a ligação ficou muda e ela jogou o aparelho contra o banco do passageiro, ouvindo-o quicar e cair no chão.
ㅤㅤㅤUm suspiro pesado escapou.
ㅤㅤㅤAlice sabia que não tinha muitas escolhas, além de fazer exatamente o que Adam mandou. Não fazia ideia do que ele estava planejando, mas não queria descobrir. Olhou para a rua à frente, as luzes da cidade refletindo pelas gotas de chuva do para-brisa. Ela já havia arriscado a vida de Lucas demais, não podia arriscar continuar com aquilo.
ㅤㅤㅤDesviou os olhos para o espelho retrovisor, encontrando uma pessoa de sombra sentada logo atrás dela, e um brilho distante dos faróis de outro carro.
ㅤㅤㅤAlice não se lembra do caminho que fez até chegar na casa de Georgia naquela noite, mas ela se lembra dos faróis constantes às suas costas. Será que Paul mentiria novamente? Ligou o pisca, fingindo que entraria em uma rua fora da rota; e a picape acelerou, jogando luz alta contra ela. Suspirou, seguindo pela rua rotineira.
ㅤㅤㅤA tensão pesava em seus ombros. Tudo era sufocante demais.
ㅤㅤㅤChegar em casa.
ㅤㅤㅤManter Lucas seguro.
ㅤㅤㅤDescobrir como sair dessa.
ㅤㅤㅤMassageou a têmpora antes de abrir o porta-luvas e pegar o maço de cigarros amassado. Com um movimento rápido, acendeu um e tragou profundamente, soltando a fumaça pela janela.
ㅤㅤㅤ― É o último ― anunciou ao sentir a ânsia ameaçando se formar.
ㅤㅤㅤOs olhos vagaram brevemente para baixo, pousando na barriga que ainda não demonstrava sinais da gravidez. O enjoo não veio tão forte como o esperado, talvez porque aquilo sentisse o quanto Alice precisava do cigarro naquele momento. Ela balançou a cabeça, afastando o pensamento.
ㅤㅤㅤ― Que diabos eu tô fazendo? ― murmurou, sua voz oscilando entre incredulidade e nervosismo. ― Devo ter perdido a cabeça completamente pra tá falando com você.
ㅤㅤㅤPor conta do vento que entrava pela janela, a fumaça quente que soprava voltava contra seus olhos, ou aquela era a desculpa que encontrou para justificar os olhos quentes e turvos.
ㅤㅤㅤ― Jesus, do que eu tô reclamando? ― indagou, dando uma tragada e uma risada seca. ― Pelo menos, você é real.
ㅤㅤㅤA queimação da boca do estômago era incômoda, mas não o suficiente para impedi-la de continuar fumando. A fumaça quente presa em seu peito era contraditória ao vento frio que preenchia o carro, soprando contra seu rosto. Ela riu novamente, sem alegria, consciente que aquele cigarro era mais um castigo do que um alívio.
ㅤㅤㅤ― Você definitivamente escolheu o pior momento da minha vida para aparecer ― murmurou tristonha. ― Mas não consigo imaginar um em que isso teria sido uma boa notícia. Não me entenda mal.
ㅤㅤㅤA brasa chegou ao filtro, queimando levemente os dedos dela, e Alice o jogou pela janela; os olhos correram nervosos até o retrovisor. A caminhonete havia se distanciado, porém seus faróis ainda eram visíveis.
ㅤㅤㅤ― Acabou ― disse a si mesma, rolando o vidro para cima. ― Sabe, tenho a impressão que eu ia gostar de conhecer você, mas... em alguma outra vida. Não nessa.
ㅤㅤㅤUma outra vida talvez fosse o que ela realmente precisasse, uma oportunidade de fazer as escolhas certas desde o começo. Ela pensou em Lucas, as lembranças do sorriso dele pareciam distantes. Alice nunca quis criar laços, muito menos um que viesse com tantas complicações. Talvez se eu tivesse conhecido Adam primeiro, provavelmente estaria morta.
ㅤㅤㅤOs dedos batucavam o volante, inquietos. A ansiedade causada pela ausência do cigarro se instalou quase instantaneamente, e ela tentava controlar a coceira no fundo da sua garganta. James definitivamente não pode saber disso, pensou ao guardar o maço no bolso do casaco antes de sair do carro.
ㅤㅤㅤAlice acenou para Jonas, que espiou pela porta de vidro do mercadinho e se virou. A caminhonete estava parada alguns metros após a saída do estacionamento, o motor ainda ligado e a luz baixa. Ela caminhou em passos determinados e bateu no vidro, que desceu lentamente .
ㅤㅤㅤ― Pode me dar carona? ― indagou, mesmo sabendo que eram apenas duas quadras até seu prédio.
ㅤㅤㅤPaul a olhou com a expressão entediada, pendurando o braço para fora da janela e soprando uma fumaça em direção ao rosto dela. Alice revirou os olhos, virando-se e começando a andar.
ㅤㅤㅤ― Entre.
ㅤㅤㅤO cheiro de cigarro impregnava o interior do veículo, misturado com um leve odor de suor. Nenhum dos dois parecia interessado em iniciar uma conversa, e o silêncio era quebrado apenas pelo barulho do motor. O trecho curto foi rápido, sem trânsito. Paul estacionou o carro na frente do prédio, olhando de soslaio enquanto ela saia, murmurando um breve "obrigada".
ㅤㅤㅤAlice subiu as escadas rapidamente, seus passos ecoavam pelos corredores criando a ilusão de que pertenciam a mais de uma pessoa. A inquietação em seu peito crescia à medida que se aproximava da porta. Pela fresta, era possível ver a luz amarela acesa do lado de dentro.
ㅤㅤㅤEncostou a testa na porta, segurando a maçaneta com a mão trêmula e ouviu a música clássica tocando do outro lado. Sabia que Adam estava ali, do outro lado, esperando. Cada segundo de hesitação era pior que o anterior - não era como se ela tivesse outra opção.
ㅤㅤㅤNo colégio, havia alguma ilusão de liberdade. A presença dele pelos corredores ainda era sufocante o suficiente para incomodá-la, mas poderia ser facilmente evitada com uma curva rápida no corredor ou um desviar de olhos durante a aula. Adam não podia segui-la de perto sem que alguém percebesse; atenção demais vinda de um professor sobre uma aluna era algo que até ele não poderia justificar.
ㅤㅤㅤNo bar, a situação era um pouco diferente. Já fazia algumas semanas que ele não aparecia pessoalmente, mas Paul estava sempre por lá - um lembrete constante de que ele sempre estaria de olho. Por mais desconfortável que fosse a sensação de estar sendo observada, era muito melhor do que a presença de Adam.
ㅤㅤㅤMas, em seu próprio apartamento, ela estava encurralada. Não havia corredores compridos para evitá-lo, ou distrações surgindo em meio ao expediente que dificultavam a conversa. A porta era a única barreira entre eles e, a partir do momento que a cruzasse, não haveria mais volta.
ㅤㅤㅤEle não vai me matar aqui... Vai?
ㅤㅤㅤO que Adam faria dali em diante era um mistério que ela não queria desvendar, mas não tinha escolha. Alice respirou fundo ao girar a maçaneta e empurrou a porta devagar.
Olá, olá! Não abandonei, viu?
Tirei 15 dias de férias do trabalho e tava aproveitando a folga. Deveria ter colocado um aviso nos capítulos programados, mas esqueci :~
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