48 ☰☐••

Yanka permaneceu com os braços em volta de Eros por muito tempo, acalentando-o.

Por dentro, ela estava despedaçada pelo destino de ambos. Como a vida podia ser tão cruel?

A dor de ter deixado sua tribo adormecida não era nada em relação a dor de Eros, enquanto seu grande guerreiro tentava agarrar com todas as forças as boas lembranças que restaram de sua mãe.

Frio rastejava sobre seus ossos, mas ela permaneceu quieta até que ele levantou os olhos vermelhos, parecendo estar bem mais aliviado depois de chorar tanto tempo.

- Precisamos ir. - Ela sussurrou, tentando não olhar para a boca dele. Eros foi menos sutil, encarando-a.

- Não estou preparado para ir.

- O que pretende fazer? - Ele deixou a cabeça cair, encaixando-a debaixo da dela.

- Descansar. Não consigo pensar bem.

- Então venha – Ela deslizou para fora de seu colo, mas Eros a puxou de volta, se aninhando nela.

- Não, vou descansar aqui.

- Eros... - Ela avisou. Não confiava em si mesma para estar tão perto dele. Ele cedeu com um olhar triste. Pela primeira vez, ela se sentiu ligeiramente desconfortável com a sua nudez.

Ele fungou, roçando o ombro no dela quando passou.

- Nada que você já não tenha visto antes.

- Eu sei. - Ela murmurou. Ele parecia abatido quando entrou na água. Ela os guiou até a faixa de areia.

- Quando montou isso? - Ele perguntou enquanto se enxugava com uma toalha que Yanka pegara para ambos, além de ter trazido roupas confortáveis e secas.

Yanka tinha montado uma barraca na areia, feito um lugar para fogueira e instalado uma panela em cima do fogo, que exalava um cheiro maravilhoso. Ela deu de ombros, mexendo na comida.

- Achei que não iria querer voltar. Bruxo da Árvore tinha essas coisas de prontidão e eu só peguei.

Ele se sentou em frente ao fogo, visivelmente tremendo. Sua forma encolhida partiu o coração de Yanka.

- Como sabia onde eu estava?

- Aparentemente Bruxo da Árvore controla aqueles macacos. Alguns deles os seguiram até aqui.

Eros bufou.

- Ótimo, estou sendo vigiado também.

- Não Eros, não é isso. - Ela colocou uma tigela de sopa fumegante de cogumelos azuis na mão dele – Nem mesmo Bruxo da Árvore conhece a dimensão e os perigos de toda a floresta. Ele fez isso para ajudá-lo.

- Sei.

Yanka hesitou. Ainda permanecia firme na ideia de se manter o mais longe possível de Eros, mas quando ele se mantinha distante, ela não sabia o que fazer. Ela se levantou.

- Vou te deixar sozinho. Eu trouxe roupa de cama, e roupas limpas que Kaiko emprestou. Devem servir. Tem uma mala de comida ali e... - Eros segurou sua mão. Ele mordeu os lábios antes de responder.

- Desculpe. Eu... não quero ficar sozinho. Fica comigo?

O estômago dela deu cambalhotas. Sua razão dizia para fugir daquele homem, mas seu corpo... bem, a reação era totalmente diferente ali. Antes que pudesse responder, no entanto, Eros puxou Yanka para seu colo novamente e depois de aninhá-la, voltou a comer.

- É isso que quis dizer quando falou para que eu ficasse? - ela tentou sair de seu abraço, mas ele fez uma jaula com os braços.

- É uma posição confortável.

- Por que eu acho que você não está falando de algo inocente?

Uma sombra de um sorriso apareceu no rosto dele e Yanka parou de lutar contra o abraço enquanto observava o sorriso de canto dele. Energia pulou entre eles quando Eros se inclinou para perto dela, suas bocas a milímetros de distância.

- Isso foi uma indireta?

Ela mordeu a língua, ignorando a sensação de formigamento entre as pernas. Pelos deuses, como ela sobreviveria um dia que fosse sozinha com aquele homem?

////

- Não acha mesmo que iremos dividir a barraca – Ela protestou quando ele se deitou, abrindo espaço para ela.

- Ande logo, Yanka.

- Você não manda em mim – Ele fez um muxoxo, se apoiando nos cotovelos. Os cabelos loiros estavam soltos, emoldurando seu rosto cansado, mas levemente divertido.

- Estou doente, panemorfi. Preciso que cuide de mim essa noite.

Yanka revirou os olhos.

- Está se esforçando demais, Eros. Você já é um homem bem crescidinho, não acha?

- De fato, meu tamanho é impressionante.

Ela soltou um grito de frustração e jogou as mãos para o alto. Como ele era teimoso! Ela saiu pisando duro, e depois de um tempo voltou. Quando o espiou, ele tinha se encolhido no formato de uma bola, em silêncio. Será que ele estava bravo? Ou se estava magoado? Yanka ruminou consigo mesma se deveria ir lá ou se deixaria isso para lá.

Foi o tremor ligeiro do corpo enorme dele que a fez se decidir. Ela engatinhou com cuidado para dentro da barraca e o espiou. Ele parecia estar sonhando e...

- Ei! - Eros rolou sobre o próprio corpo e a prendeu embaixo de si. O rosto dele pairou acima, intenso, esfomeado e sexy. - Me solta, Eros!

- Eu tenho apenas uma pergunta, e deixo você ir. - Ela pensou por um instante.

- Apenas uma pergunta.

- O que faria se eu te beijasse agora?

Ela abriu a boca para responder, mas nada saiu. A questão não era o que ela faria para interrompê-lo, era que... naquela posição, vendo apenas Eros... Com certeza ela gostaria de ser beijada.

Ele virou a cabeça, tentando interpretá-la.

- Eros, você não está bem...

- Sei que não estou. Mas não consigo parar de pensar em você, Yanka. - Ele acariciou seu cabelo, deslizando um dedo pela bochecha dela. Um rastro de fogo acompanhava seu dedo - Antes, não conseguia parar de pensar em toda essa situação. Depois que você chegou, parece que minhas inseguranças e medos foram colocados em segundo plano. Não é estranho?

Ela balançou a cabeça negativamente.

- Sinto o mesmo quando estou com você - Yanka sussurrou. O aperto de Eros diminuiu quando deslizou o olhar pelo corpo semi nu dele. Ele deu um sorrisinho de canto.

- Você não respondeu minha pergunta.

- Que tipo de resposta você gostaria, Yretoo?

Eros beijou suavemente a bochecha dela, usando língua e dentes para mordiscar a pele do rosto e pescoço.

- O tipo de resposta que te deixa confortável, panemorfi – Ele levantou a cabeça, pairando perigosamente por cima de seus seios, uma promessa safada em seus olhos.

E Yanka soube que não sairia dali. E que se danasse as malditas tradições e o doido que as inventara, porque ela não definitivamente iria embora.

- Vou te mostrar algo que me deixa muito confortável, Yretoo – E puxou a cabeça dele, até colarem seus lábios, em um beijo ávido e eletrizante.  

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top