37 ☽☐•
O som dos tambores o levou de volta ao dia em que apareceu naquela terra misteriosa.
Segundos antes, ele estava na proa observando seus homens treinarem. Era um dia de muito sol e pouco vento, o que queria dizer que ou eles desciam para o porão para remar, ou esperavam algum vento passar.
Pela primeira vez em semanas, ele permitiu que houvesse um treino livre, que ele tinha certeza de que viraria bagunça.
Catri corria atrás de alguns homens, balançando a espada de forma perigosa e rindo. O tímido Tiro estava amuado em um canto, tentando equilibrar a arma nas mãos. Beros ria ruidosamente enquanto era desarmado por Ícaro e Alexander e Gleitor inflava o peito enquanto gritava ordens, obviamente ignoradas.
- De todos os soldados que treinamos, eles são os mais tolos até hoje – Nicholas apareceu ao seu lado. Eros teve que concordar com o amigo. - Acha que chegamos em casa daqui a alguns meses?
- Depois de ter sido acusado de ter engravidado uma plebeia? Vamos voltar para casa somente quando seus meninos estiverem grandes.
- Não ouse me segurar por tanto tempo – Nicholas lhe deu um tapa forte.
Eros torceu o braço do amigo, mas Nicholas sempre fora mais veloz e lhe acertou um chute no estômago.
Arfando, Eros caiu, rindo.
Uma sombra o cobriu. Uma mulher de pele preta. A mulher mais bonita que ele já vira, com uma trança enorme e ramos de plantas secas trançadas em seu corpo esbelto.
- Venha – Ela estendeu a mão.
- Para onde vamos? - Ele aceitou ser puxado para seus pés, sem nenhum receio.
- Precisa voltar.
- Para onde?
Ela olhou entre suas mãos. Dois colares com pingentes de concha estavam aninhados entre suas mãos entrelaçadas.
- Para onde deve estar.
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Uma sensação de calor cada vez maior tomou conta de Eros. No começo, era apenas um formigamento na mão, que ia subindo lentamente pelo seu braço. Mas em segundos, seu corpo inteiro queimava, ao ponto de ser uma dor insuportável.
Ele gritou e tentou sair das garras da dor, mas seu corpo parecia um peso morto.
Eros arqueou as costas, abrindo os olhos de repente e olhando para o alto.
Um enorme buraco acima de sua cabeça mostrava as estrelas de um céu noturno.
- Se levante nobre guerreiro! - Uma voz ecoou pelo espaço. Com dificuldade ele obedeceu, os membros gritando de dor.
O lugar estava repleto de tochas, e ele percebeu que estava dentro da água, tão rasa que lhe batia nos calcanhares. Seu corpo estava nu, e molhado.
A caverna estava repleta de pessoas encarando-o e apesar da dor extrema no corpo, sua mente estava limpa e tranquila.
Bumbo se aproximou, entrando na água.
- O que... aconteceu? - Eros falou, a voz rouca.
- Grande guerreiro sobreviveu a água sagrada. Sinal de coração nobre e bom.
- Como eu vim parar aqui?
- Grande guerreiro doente. Água cura aqueles bons de coração. No entanto...
- No entanto?
Pela primeira vez desde que a conhecera, Bumbo parecia intrigada.
- Cura nunca acontece do dia para a noite. Leva vários sóis e luas para restaurar homem. O que viu antes de se levantar?
Eros hesitou. Procurou um rosto entre a multidão e a achou, um olhar ansioso no rosto bonito. Em suas mãos, ela tinha um colar. Eros pegou sua réplica exata da joia de Yanka e apontou um dedo para ela.
- Ela me puxou para fora de meu sonho. Ela... tinha um colar igual a minha pulseira.
Bumbo assentiu como se fizesse sentido. Se virou para a multidão, abrindo as mãos.
- Um coração entrou na água. Dois corações se provaram dignos. Uma cura foi feita. O direito saber foi concedido. - Ela estendeu uma mão pequena na direção de Eros – Grande guerreiro, venha. Respostas iremos lhes dar.
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Eros estava seco e vestido quando os levaram por uma passagem estreita, em direção às entranhas da montanha.
Ele se sentia bem como nunca antes, uma sensação de paz e tranquilidade em seu corpo.
Pessoas encapuzadas andavam à sua frente e atrás do pequeno comboio de Eros, que consistia em Yanka, Nicholas e Kaiko. O restante estava esperando na sala do trono.
- O que aconteceu comigo? - Ele sussurrou para Yanka.
Ela deu de ombros. Desde que ele acordara, ela parecia ao mesmo tempo aliviada e distante, como se tivesse muita coisa em sua cabeça. Eros desconfiava que tinha a ver com a sua joia.
- Uma hora você estava bem e na outra estava caído no chão, tremendo – Kaiko murmurou atrás dele.
- E como eu voltei?
- Bumbo colocar homem na água. Água curar milagrosamente homem. -Bumbo respondeu.
O corredor estreito se abriu, mostrando uma caverna baixa, pontilhada por tochas flamejantes que lançavam sombras em cima de quatro mesas de pedra no centro da sala. Panos brancos estavam em cima das pedras, delineando o que pareciam ser corpos deitados.
As figuras de branco se espalharam pela sala e Bumbo se pôs a frente.
Com um sinal, os panos foram retirados, e até mesmo Eros teve que virar a cabeça para longe.
Ao seu lado, Nicholas saiu tropeçando da caverna, a mão em frente a boca.
Yanka virou o rosto, choque em suas feições enquanto encarava as quatro pessoas deitadas, imóveis. Seus corpos estavam... mutilados. Torturados... e marcados. Com exatamente os mesmos símbolos que marcaram a tribo Cati.
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