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Eros piscou, aturdido. Olhou ao freneticamente ao redor e percebeu que todos os seus homens também estavam ali, com expressões confusas.

Ele apertou os lábios, certo de que estava alucinando devido as várias horas debaixo do sol. Uma hora estava no convés de Princesa Dione, dando ordens e sentindo o sol lhe arder nos ombros e no próximo segundo estava no meio de... Ele avaliou seu redor, usando seus sentidos aguçados. Árvores enormes estavam a sua volta, e era noite. Se agachou e passou os dedos na terra, cheirando. Cheirava a terra seca, e a animais que ele não conhecia. As estrelas brilhavam, nítidas no céu. Ele analisou, franzindo a testa. A ursa maior estava ao sul quando verificara no Princesa Dione... Mas ali ela estava a oeste.

Balançando a cabeça, ele se forçou a colocar os pensamentos em ordem. "Um capitão não se deixa abalar por nenhuma situação... por mais inusitada que seja"

- Imediato Nicholas, apresente um relatório.

- Senhor – Seu imediato bateu a continência mais desleixada desde que Eros o conhecera – Eu gostaria de lhe dar um relatório detalhado, mas não sei o que está acontecendo.

Eros o fuzilou com os olhos.

- E está esperando minhas ordens para descobrir?

Nicholas engoliu em seco.

- O senhor quis dizer... mandar batedores?

Eros fechou os olhos com força.

Sua tropa era composta por um bando de idiotas e imbecis. Não sua tropa oficial, que ficara em terra na Grécia. Esses ele treinara com afinco, e eram os melhores soldados da nação. Mas os que estavam ao seu redor naquele momento eram dignos de pena. Todos haviam cometido algum crime para estarem ali, em troca de perdão por seu bom serviço.

"Se eles se tornarem bons soldados, quem precisará de perdão será eu", pensou Eros.

Uma respirada funda e alguns homens se retiraram apressadamente, se enfiando mais para dentro da noite.

- Tenente Gleitor.

O homem se adiantou, quase tropeçando nos próprios pés.

- Sim, senhor! – Gritou.

Eros estava prestes a lhe fazer um comentário mordaz quando ergueu o punho pedindo silencio.

- Escutam?

O tenente balançou afirmativamente a cabeça.

Um som fraco e longe de tambores. Eram ritmados o suficiente para Eros ter certeza de que sua música não pertencia a uma festa.

Nicholas apareceu ao seu lado, ofegante.

- Tem várias pessoas a frente fazendo um...

- Ritual? – Eros chutou, e pela cara de seu imediato soube que acertara em cheio.

- Sim, mas... – Ele o olhou incerto – Parece que estão se preparando para jogar alguém em um vulcão.

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Eros já havia visto rituais antes, mas nada comparado àquilo.

Ele e seus homens estavam agachados em uma colina que dava diretamente para um anel de árvores altas, e o que parecia ser uma aldeia aninhada no centro. Avaliando rapidamente, Eros viu que o lugar não era grande. Tendas quadradas se organizavam em um círculo, com cordas amarradas entre as árvores. A impressão que ele tinha era de que tanto as árvores quanto a tribo eram um elemento só.

Pessoas estranhas dançavam e cantavam em uma língua desconhecida. Tinham peles pretas e tatuagens douras que contrastavam maravilhosamente bem em suas peles. Usavam colares, pulseiras, brincos e roupas trançadas com folhas de bananeira, palha e flores.

Ao centro da cantoria e da dança, uma jovem bonita, esbelta e alta erguia o queixo e tinha um olhar resoluto no rosto. Ele já vira aquele olhar no rosto de prisioneiros de guerra antes.

Um olhar de quem sabia que iria morrer, mas não aceitava isso.

Seu imediato o cutucou e ele voltou a realidade. Seguindo para onde o homem apontava, ele viu o vulcão ativo do outro lado. Dois homens estavam lá em cima, cantando um cântico, enquanto o cortejo se dirigia lentamente em sua direção.

- Senhor, o que faremos? – Gleitor sussurrou, quase gritando. Ele viu alguns homens de pele preta franzirem a testa, virando as cabeças como se procurassem a origem do som. Estapeou com força o tenente e balançou a cabeça em aviso.

Ele mordeu os lábios enquanto pensava.

A ordem que recebera antes de zarparem no Princesa Dione era a de treinar aqueles tolos em alto mar, uma ordem que fora justificada como sendo algo novo e desafiador. Mas Eros sabia que aquilo era somente uma artimanha para tirá-lo de perto do escândalo que envolvia seu nome.

Mas nunca lhe proibiram de procurar riquezas por conta própria. Aquela tribo poderia ter algo que o levasse a sua antiga glória de capitão. Seus olhos desviaram involuntariamente para a jovem que era levada para o vulcão. Sem tirar os olhos dela, começou a descer a colina.

Nicholas segurou seu braço para impedi-lo. Parecia cauteloso.

- Senhor...

Eros o olhou, de forma incisiva.

- Diga aos homens que nós vamos impedir essa loucura. - Quando ele abriu a boca para protestar, Eros o interrompeu - É uma ordem, Nicholas.  

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