Capítulo 9
A primeira coisa que fiz ao acordar foi ver se tinha alguma mensagem nova. Tinham várias de familiares e de alguns amigos, mas nenhuma do Pedro. Fiquei respondendo as mensagens até ouvir barulhos na cozinha. Provavelmente eram os meus pais tomando café da manhã e, como eu quase nunca acordava cedo o suficiente para tomar café com eles nos finais de semana, me levantei e arrumei tudo para fazer uma surpresa.
Meus pais gostaram tanto da surpresa, que me deixaram ver televisão a manhã inteira, o que era praticamente impossível! Aos sábados sempre tínhamos que dividir o tempo entre o meu pai, meu irmão e eu, ou seja, eu só conseguia assistir à noite! Aproveitei a oportunidade e não saí do sofá até a hora que minha mãe me chamou para almoçar, que, coincidência ou não, foi a mesma hora que o Caio levantou, ainda com cara de sono.
- Hibernou hoje, hein? – Peguei no pé dele.
- Tive que descansar de ontem e me preparar pra hoje! – Ele piscou o olho para mim.
- Não acredito que você vai sair hoje de novo! – Eu ainda me surpreendia com o pique que meu irmão sempre teve para festas.
- Não só hoje como todos os dias do Carnaval! – Ele estava colocando um pouco de arroz no prato dele.
- Pode sair agora, mas não quero cansaço quando voltarem as aulas! – Minha mãe estava séria.
- Pode deixar, mãe! – Ele falou impaciente.
- Vem cá, os seus amigos vão sair todos os dias também? – Perguntei curiosa.
- Sim. Por quê? – Mesmo cortando um pedaço de carne, ele ficou me olhando intrigado.
- Como vocês conseguem?!
- Como a gente consegue se divertir? – Ele riu.
- Não! – Falei incomodada. Eu estava cansada de acharem que eu não me divertia só porque eu preferia ficar em casa assistindo as minhas séries preferidas. – Como vocês conseguem fazer a mesma coisa sempre e nunca enjoar!
- Não é sempre a mesma coisa... A gente sempre muda de lugar e as pessoas que conhecemos são diferentes também!
- Sei! – Espetei uma batata com o garfo e comi.
- Você que fica em casa sempre fazendo a mesma coisa! – Foi a vez dele pegar no meu pé.
- Posso ficar sempre em casa assistindo a alguma coisa, mas as séries são bem diferentes umas das outras! É como se num mesmo dia eu estivesse em lugares e situações totalmente diferentes!
- Tanto faz! Acho bom você ficar em casa mesmo!
- Ah é?
- É! A cidade anda muito perigosa!
- Verdade! – Nosso pai entrou na conversa. – Vocês dois precisam tomar muito cuidado!
Ficamos conversando até o almoço acabar e, na hora de lavar a louça, corri para a sala para poder ver um pouco mais de televisão. O Caio ainda tentou me subornar de várias formas para eu lavar a louça no lugar dele, mas se eu aceitasse uma vez, ele iria querer fazer sempre, então mantive a minha posição e ele não teve outra escolha quando minha mãe chamou a atenção dele por não ter lavado ainda. Pude comandar o controle até o final da tarde, na hora em que meus pais acordaram e meu pai quis ver os programas de esporte que ele tanto gosta. Fiquei um pouco no meu quarto e olhei o meu celular para ter certeza de que não tinha chegado nenhuma mensagem do Pedro. Mandei uma mensagem para a Carla, mas ela só respondeu que estava saindo de casa para um baile de Carnaval e que conversaria melhor comigo no dia seguinte, após ter tentado, mais uma vez sem sucesso, me convencer a ir com ela. Jantei uma pizza com meus pais e depois ficamos juntos na sala assistindo a um filme sobre mudança climática. Quando acabou, eles foram dormir, mas eu continuei até começar a cochilar. Desliguei a televisão, fui para o meu quarto e dormi assim que deitei.
No dia seguinte, acordei tarde e cheia de fome. Ainda sonolenta fui ao banheiro, troquei de roupa e fui para a cozinha tomar café. Em cima da mesa tinha um bilhete dos meus pais avisando que tinham ido à praia e que voltavam para o almoço. Peguei o queijo e o leite na geladeira e coloquei o último na caneca que já estava com o achocolatado. Puxei uma cadeira para sentar e, enquanto mexia o leite com a mão direita, tentei pegar o pacote fechado de torrada com a esquerda, só que, sem querer, esbarrei no pote de alumínio onde guardamos as torradas abertas e ele caiu no chão fazendo um grande barulho. Peguei o pote do chão e já estava começando a comer as torradas quando o Caio apareceu na porta da cozinha.
- Que barulho foi esse? – Ele ainda estava tentando abrir os olhos.
- Foi mal! Esbarrei no pote... – Apontei para o pote de torradas.
- Que horas são? – Ele ainda estava encostado na porta.
- Dez e trinta e sete. – Respondi olhando para o relógio do micro-ondas.
- Hmmm. – Ele puxou uma cadeira e se sentou. – Vou tomar logo o café.
- Toma. – Estendi uma caneca para ele fazer o achocolatado dele.
- Valeu! – Ele já estava mais acordado.
- E aí, como foi a noite ontem? – Perguntei para puxar assunto.
- Boa. – Ele estava mexendo o leite na caneca.
- Se divertiu bastante? – Normalmente as respostas dele eram sempre "ótima", "maravilhosa" ou "demais", então até estranhei.
- Uhum. – Ele confirmou. – Todos se divertiram dessa vez.
- Como assim? – Naquela hora lembrei do Pedro e queria saber exatamente o que tinha acontecido. Afinal, ele ainda não tinha me mandado nenhuma mensagem.
- O que você não entendeu? – Ele me perguntou confuso.
- O que você quis dizer com "todos se divertiram dessa vez"?
- Precisa explicar mais? – Ele riu e ergueu as sobrancelhas. – Todo mundo ficou com alguém!
- To-do mun-do? – Eu engasguei com a torrada.
- É! Todo mundo do grupo ficou com alguém! – Ele me olhou intrigado e continuou: – Até o Pedro que nunca queria ficar com ninguém desencalhou ontem! Tudo bem que foi só um beijo depois da gente insistir muito... Mas a garota era uma gata! Se ele não tivesse chegado, eu tinha ido com certeza! – Ele me olhou e viu que eu estava estranha. - Por que você ficou assim?
- Assim como? – Consegui não gaguejar, mas eu precisava sair de perto dele.
- Estranha...
- Não tô estranha! Só não gosto do jeito que você fala! – Fui para a pia lavar a louça e ficar de costas para ele, eu sentia que meus olhos estavam enchendo de lágrimas.
- Tá estranha, sim! – Depois de uma pausa, ele completou. – Vem cá, por que você quer saber tanto dos meus amigos? Você nunca perguntou nada de amigo nenhum! Por que esse interesse agora?
- Até parece, Caio! – Coloquei a caneca no escorredor e sequei minhas mãos. – Tô indo pro meu quarto.
- Viu só?! Eu sabia! – Ele falou um pouco mais alto.
- Sabia o quê? – Eu já estava na porta da cozinha, de costas para ele e a primeira lágrima tinha escorrido do meu olho.
- Você tá indo pro seu quarto porque tá estranha, sim! O que aconteceu?
- É só que eu cansei de ouvir o jeito que o meu irmão fala das garotas! – Eu continuava de costas para ele. - Eu posso ser a sua irmã, mas eu também sou uma garota e eu não gostaria de ser tratada desse jeito! Então eu tô estranha, sim, se você quer saber! Porque eu cansei disso! Eu acho ridículo o jeito que os garotos tratam as garotas! – Eu fechei os olhos para tentar conter as lágrimas que caíam aos montes. – Por favor, não vem atrás de mim agora! Eu tô chateada de verdade!
Ai, ai, ai... Será que o Caio falou a verdade? Por que o Pedro beijou uma menina se deu a entender que estava a fim da Aline? Será que ele é igual ao irmão dela??!
O que vocês acham?
Se gostaram, deixem suas estrelinhas!
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