Capítulo 23
Na terça-feira, durante o café da manhã, contei para a minha mãe o que eu tinha feito e ela disse que já estava na hora de tomar uma atitude e esperava que tivesse sido a atitude certa, já que eu não tinha dado chance para o Pedro se explicar. Percebi que ela não tinha concordado com o que fiz, mas ela também não comentou mais nada. Já no colégio, a Carla quase morreu quando eu mostrei para ela conversa na hora do lanche:
- Você pirou? – Ela estava de boca aberta encarando o celular nas mãos.
- Por quê?
- Você agiu que nem uma louca! – Ela continuava de boca aberta, mas me encarou.
- Não agi, não!
- Agiu, sim!
- E por que você acha isso? – Perguntei impaciente.
- Eu não acho! – Ela me mostrou o celular. – Eu estou vendo! Eu tenho provas de que você enlouqueceu!
- Carla, para com isso! – A minha paciência tinha acabado. Peguei o celular da mão dela.
- Olha só, Aline... Eu entendo que você tenha ficado chateada, mas você descontou tudo em cima do Pedro! Ele tentou se explicar e você nem ligou, você nem se importou com o que ele estava tentando dizer! O garoto escreveu que gostava de você e você disse que o sentimento dele era fraco!
- E é mesmo! – Me defendi. – Ele não pode assumir na frente do meu irmão! Como vou confiar nele?
- Eu concordo! – Ela disse e eu ri de forma cínica. – De verdade! Só que você tinha que ter falado isso para ele! Você tinha que explicar que você gosta dele e que você gostaria de tentar, só que você precisa ter certeza de que ele está mesmo a fim também, porque você não quer ficar se escondendo de ninguém... Sabe, alguma coisa do tipo! Não simplesmente dispensar, fazendo todo esse drama!! – Ela estava revoltada.
- Carla, eu agradeço a sua opinião e ajuda, mas eu tenho que tomar a minha decisão e é isso o que eu acho! Eu fiz o que fiz e não me arrependo. – Meus olhos encheram de lágrimas.
- Que bom, então! Você só devia começar a demonstrar essa certeza toda, porque não é o que está parecendo. – Eu a encarei tentando segurar o choro e respirei fundo. – Vou ao banheiro. – Ela saiu e eu fiquei parada enquanto secava rápido uma lágrima que não consegui segurar.
Na hora da saída, vi que tinha uma mensagem da minha mãe avisando que não poderia me pegar no colégio. Falei com a Carla e fomos andando em direção à saída de pedestres, conversando sobre a aula de geografia que tínhamos acabado de ter. Assim que a gente passou do portão eu travei.
- O que foi? – A Carla me perguntou sem entender o que estava acontecendo. Eu estava muda e ela só ergueu as sobrancelhas esperando uma resposta. Como eu não respondi, ela perguntou de novo. – Ei! O que aconteceu?
- Eu não saio daqui enquanto a gente não conversar. – O Pedro também tinha me visto e andou na nossa direção enquanto eu estava parada.
- Ai meu... – A voz da Carla sumiu. – Eu vou deixar vocês a sós! – Ela sorriu para o Pedro e me olhou séria. – Vocês têm muito o que conversar, ENTENDEU?! – Ela enfatizou a última palavra olhando para mim e depois olhou para o Pedro. – E você tenha um pouco de paciência com a minha amiga... As vezes ela é um pouco cabeça dura mesmo!
- Carla! – Eu olhei para ela. Até aquele momento eu ainda estava olhando para o Pedro sem reação, mas a Carla já estava passando do limite.
- Fui! – Ela saiu e o Pedro sorriu.
- Quando eu disse para não me mandar mais mensagens, era porque eu não queria conversar e não porque eu queria que a gente se visse pessoalmente! – Falei baixo, pois ainda não tinha me recuperado totalmente.
- Onde a gente pode conversar? – Ele me perguntou sério.
- Pode falar aqui mesmo. – Eu estava nervosa por ele estar perto de mim, mas toda a discussão com o meu irmão tinha voltado a minha cabeça como se estivesse acontecendo naquele momento.
- Aqui não. Eu vim pra gente conversar, não pra eu falar sozinho. – Ele me olhou sério. – Ontem eu respeitei o seu pedido... Hoje eu só te peço pra você respeitar o meu.
- Ok. – Eu apontei para dois bancos na frente do colégio. – A gente pode sentar ali. - Nos sentamos e ele começou a me encarar. Eu estava de cabeça baixa, olhando para a minha mochila e brincando com o zíper.
- Eu te magoei tanto que você nem olha pra mim? – Ele levantou o meu rosto segurando o meu queixo e viu que meus olhos estavam cheios de lágrimas. Ele balançou negativamente a cabeça. – Aline, desculpa! – Ele falou triste.
- Pedro, deixa...
- Não! – Ele me interrompeu. - Eu não vou deixar pra lá! O que eu falei pra você ontem é verdade! Eu gosto de você e quero ficar com você!
- Pedro... – Ele me interrompeu de novo.
- AIine, deixa eu me explicar! Por favor, me ouve! – Ele respirou fundo. – Eu sei que eu errei. E eu sei que você ficou muito chateada comigo pela forma como eu agi. Mas eu não fiz por mal e é isso o que eu preciso que você entenda! – Ele fez uma pausa. – Na hora eu achei que o Caio estava brigando demais com você, achei que ele não tinha razão pra fazer aquela cena, mas eu não sabia o que fazer. Eu estava lá parado e você brigando com o seu irmão! Eu queria fazer alguma coisa e não te deixar lá sozinha! Até porque EU tinha ido atrás de você! E você estava discutindo por causa da MINHA decisão! – Ele fez mais uma pausa. – Quando ele perguntou o que tinha acontecido lá, eu lembrei de você me pedindo no shopping pra não dizer que estávamos juntos, então eu achei que você ia querer a mesma coisa! Você tava de costas pra mim...
- Pedro, - foi a minha vez de interrompê-lo. – eu entendo tudo o que você tá dizendo, só que o problema... – Ele me cortou e completou a frase:
- Foi não ter assumido pro seu irmão que a gente se beijou. – Ele ficou mais triste do que estava. – Quando você me mandou aquelas mensagens ontem eu entendi o porquê de você ter ficado chateada. Só que eu não fiz por mal! E é isso o que eu quero que você entenda!
- Eu entendi o seu lado, Pedro!
- Não! Não é o meu lado! Não tem lado nessa história! Tem o que eu fiz e o você esperava que eu fizesse! Eu achei que você quisesse continuar escondendo, só que você queria assumir já que a gente já tinha dado um beijo! A gente tinha acabado de começar a ficar e não tinha porque esconder isso do Caio!
- Pedro, a gente não tava ficando... – Eu falei um pouco sem graça.
- Para mim estava. Na verdade, pra mim a gente ESTÁ ficando! – Ele enfatizou o tempo verbal. – E eu espero que você pense do mesmo jeito, porque foi isso o que eu acabei de dizer pro seu irmão antes de vir pra cá!
- O quê? – Perguntei assustada.
- Você tinha razão! Se é pra gente ficar junto, os dois têm que estar 100% dentro! E eu quero estar 100% numa relação com você! Eu quero ficar só com você e quero que a gente se conheça e, eu já sei que eu quero namorar com você, mas a gente vai com calma se você preferir... – Ele fez uma pausa. – Eu só quero ter uma chance com você! E eu não quero te esconder de ninguém, Aline! Essa nunca foi a minha intenção!
- Pedro... O que você tá falando? – A minha voz saiu baixa.
- Eu tô falando que na minha cabeça a gente já tá ficando desde sábado, mas eu te magoei e eu percebi que você não entendeu dessa forma, então eu falei com o seu irmão que eu te beijei no sábado! Eu contei tudo pra ele... Tudo! Que eu só subi pra pegar bebida porque eu sabia que você tava em casa e que eu levei um cara a mais pra poder descer com a bebida que eu teria que levar e, quando eles saíram, eu fiquei te olhando pintar e cantar... E aí você me encontrou no corredor e a gente acabou se beijando. – Ele fez uma pausa. – Também disse que eu quero repetir esse beijo todos os dias! – Eu estava chorando, mas sorri nessa hora e ele sorriu de volta.
- Você falou isso tudo pro meu irmão? – Perguntei com a voz baixa por ainda estar chorando.
- Tudo isso. – Ele confirmou me olhando dentro dos olhos.
- Tem certeza de que era o Caio? – Eu sorri.
- Absoluta! – Ele sorriu também.
- E como você conseguiu falar isso tudo pra ele e ainda estar vivo pra me contar? – Eu tentava sorrir, mas tinha começado a chorar mais.
- Porque eu não menti. Ele sabia que eu tava falando a verdade, ele sabe que eu gosto de você... De verdade... – A gente se olhou fixamente e, no segundo seguinte, a gente estava se beijando.
- Eu não acredito nisso! – Eu sorri para ele.
- Quer ligar pra ele pra confirmar? – Ele brincou.
- Nem pensar! – Dei um selinho nele.
- Desculpa, tá? Eu não fiz por mal... – Ele parou de sorrir.
- Esquece! É passado! O que importa é a partir de agora!
- Combinado! – Ele me deu outro selinho.
- O Caio sabe que você tá aqui? – Estava curiosa.
- Por que você acha que a sua mãe não veio te pegar? – Ele falou sorrindo, mas eu arregalei os olhos e fiquei de boca aberta.
- Você tá falando sério? – Ele balançou afirmativamente a cabeça. – O que aconteceu com o meu irmão?!
- Ele sabe que eu não tô brincadeira com você. – Eu sorri para ele.
- Acho bom mesmo! – A gente deu outro beijo.
Ele foi andando comigo até em casa e a gente se despediu no portão.
ÊÊÊÊ!!!! Finalmente esses dois se acertaram!
Confesso que escrevi esse capítulo sorrindo que nem uma boba por tudo o que o Pedro falou e fez!
Bem, o próximo capítulo é o epílogo, ou seja, o último!
Não esqueçam as suas estrelinhas e comentários!
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