Capítulo III

"O mal é um ponto de vista"
             — Entrevista com um vampiro

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     O cheiro potrificado era forte, a visão de Jennifer era ainda pior. Ela estava com a respiração ofegante, o medo tomava conta de todo seu corpo, tudo que pode pensar em fazer, era correr dali, assim o fez. Num momento o qual pensou estar livre, virou-se de costas e correu pelas escadas de tijolos medievais. Ouviu o homem praguejar de longe. Ainda estava fraca, mas o medo fez com que corresse o máximo que podia.

Tropeçou, pode ouvir que os passos de Bálder se aproximavam cada vez mais. Logo recuperou-se e tornou a correr. Ao chegar na porta, percebeu que a mesma estava trancada, praguejou baixinho. O homem chegou por detrás da mulher, ele sorriu.

— Pensou que iria fugir? — ela choramingou. Novamente se viu presa a ele.

Arrastando-a pelos cabelos negros, ela tentou se livrar das mãos pesadas e fixas do homem, fracassou miseravelmente. Fechou seus olhos e sentiu seu couro cabeludo queimar, provavelmente alguns fios haviam soltado de sua cabeça.

Ele estava cantarolando uma música infantil, uma cantiga a qual se lembrava. Aquele momento, apesar de tenebroso, fez a mesma se lembrar do tratamento que recebia em casa, o pai era violento, por usar drogas pesadas, a mãe não ficava atrás, sobrava para ela e seus irmãos sofrer as desgraças que seus pais sofriam durante os longos dias. Fugiu de casa algumas vezes, fora trazida de volta pela polícia, apanhava, ou pior, era espancada, os pais culpavam seus vizinhos, diziam que ela costumava se meter em brigas. De fato, a vida de Jennifer nunca foi boa, ela nunca teve paz, sempre se virou.

Ao chegar na parte mais funda daquela masmorra, Bálder a prendeu em cima de uma mesa de madeira. Seu corpo ficou esticado, ela engoliu seco e passou a chorar. Tudo o que conseguia falar era de difícil interpretação, por causa dos balbucios.

— Calma minha lebre assustada, eu não vou te machucar... — Ele pegou uma mordaça e colocou na boca da jovem. — irei permitir que durma um pouco.

Aquele objeto estava sujo, ela sentiu um nojo ao extremo. Seu corpo estava empapado de suor, tudo que queria era que aquilo fosse somente um pesadelo, que assim que abrisse os olhos, ela estivesse na casa alugada. Alguns relapsos de memórias surgiam em sua cabeça. "Eu não quero morrer", queria poder gritar isso, infelizmente não podia.

— Fique calma, vou te deixar aqui, pensando sobre o que você fez, meu anjinho — ele deslizou suas mãos largas pelo corpo suado da jovem, ela estava tremendo.

Andou ao redor daqueles corpos, ainda cantarolando. Não perdeu por nenhum instante seu sorriso macabro. Ele agarrou um cadáver, que possuía os ferimentos mais horríveis, deslizou suas mãos até as próprias da mulher. Desamarrou suas amarras e a deixou cair no chão. Antes não era possível ver seu rosto, pois além de escuro, o cabelo estava na cara, agora conseguia ver que estava irreconhecível.

— Eu nunca soube o nome dela, está tão leve, minha primogênita... — Bálder a tinha sobre seu próprio corpo. O cadáver mais parecida uma boneca, ele havia retirado suas entranhas e substituído por isopor. - não conhecia o Mrs. Bunny, fiz tudo sozinho, a persegui naquela madrugada gélida... tão bela, suas pernas não puderam a salvar, bem, ninguém mandou ela tentar correr com salto alto, não é? Consegue sentir seu perfume? — ele cheirou o pescoço da carne que se mantinha conservada por causa do excesso de formou.

Devolveu a defunta para seu lugar. Com pouco dificuldade amarrou as mãos da mesma, a deixando novamente exposta como uma peça de gado no frigorífico. Jennifer ainda estava tremendo e extremamente inojada. Ele se direcionou a mulher que permanecia imóvel, pela forma a qual foi amarrada e forçadamente silenciada.

— Vou te ensinar a ser bem educada - ainda andando em seu torno, pegou uma faca pontiaguda. — não sei se isso lhe causa algum tipo de medo ou coisa do gênero, mas eu sou simplesmente fascinado pelo sangue escorrendo, virou um hobby, pegar mulheres ou homens como você e colocar seus corpos bem ali, sem a língua.

Jennifer arregalou seus olhos, seu rosto estava todo molhado, de tanto que chorava, queria poder fugir, gritar ou correr, queria que alguém aparecesse para socorre-la, igual nos filmes de Hollywood... infelizmente todo aquele pesadelo era real, ninguém viria salvar uma prostituta.

Vagarosamente ele usou a faca para cortar o vestido da jovem, de cima para baixo, na altura do tórax até metade da barriga, deixando seus pequenos seios expostos. Ele olhou com empatia para os mesmos, mas murmurou algo para si mesmo, algo que ela não conseguiu decifrar o que significava. Bálder respirou fundo, prosseguindo com aquele ritual, antes de tranforma-la em uma de duas esculturas macabras.

— Eu vou soltar sua boca, vou deixar que fale um pouco, gosto de conversar — foi soltando a mordaça. — Você é daqui mesmo?

— Não me mate... por favor... — implorou entre lágrimas.

— Ora, eu não irei mata-la, apenas irei lhe transformar em uma das minhas obras.

Introduziu a faca em sua perna, ela gritou de dor, tentou de toda forma arrancar aquelas fortes amarras, inutilmente. Se debatia, o homem apenas ria de todo aquele esforço sem fundamento. Ele retirou a faca e observou o sangue grosso escorrer por suas coxas e pingar na mesa. Aproximou seu rosto e passou sua língua pelo ferimento, fazendo ela gemer de dor.

— Pare! — seu tom era de ordem. Bálder a olhou de relance e sorriu. O homem possuía uma longa barba e longos cabelos. Ele retirou aquele terno, pois era quente e úmido na parte de baixo. Ela percebeu que ele tinha algumas tatuagens pelo corpo, entre elas uma chamou sua atenção. - Você faz parte do organ seller.

Rapidamente ele se desdobrou e a fitou com um olhar peculiar.

- Como você tem essa informação?

- Sua tatuagem - seus olhos se direcionaram para o peitoral dele, o qual havia um símbolo de um grande "OS" com uma balança ao contorno.

- Conhece a organ seller da onde? - estava realmente curioso com a resposta.

- Já fui em cana. Além de que meus pais costumavam trazer amigos do crime pra casa. Meio que cresci escutando sobre essa organização, fui saber mais na cadeia, tive uma parceira de cela que fazia parte, ela foi presa por sequestro, mas na verdade ela apenas seduzia os homens para depois fazer com que eles fossem na casa dela e lá fossem mortos.

Ele inclinou sua cabeça para o lado esquerdo, abriu um sorriso um tanto peculiar.

- Não faço mais, eu sai de lá há anos, infelizmente não tem como remover minhas origens.

- Eles não deixam nenhum membro sair - O olhar dela era desafiador.

Ele ignorou as últimas falas da jovem e continuou a tortura-la. Estava tirando sua pele, pouco a pouco, ela passou a gritar ainda mais alto, infelizmente, não podia ser ouvida. Queria se livrar do homem de alguma forma, mas não conseguia. Ele tornou a passar sua língua pelos cortes, tocava ps ferimentos, fazendo com que ela ainda gritasse muito mais alto e forte.

A mulher num impulso lhe deu uma ajoelhada, fazendo com que ele tirasse seu rosto de perto dela. Bálder lambeu os lábios e sentiu um gosto de ferro na boca, a tocou e percebeu haver sangue. Seus olhos verdes se fixaram nela, houve exatos sessenta segundos de silêncio mortal, fazendo a mesma se arrepender instantaneamente após tê-lo agredido.

Ele foi até perto de seu rosto, com toda sua força, que não era pouca, ele a desferiu um forte soco, fazendo com que ela perdesse a consciência e sangrasse pelo nariz. Com o ódio que estava da mesma, passou a lhe desferir socos, a riscou toda com a faca, abrindo um corte profundo na região estomacal.

- Isso é para você aprender a não ser tão desafiadora, coelhinha. Embora, penso eu, que você não será mais nada - gargalhou ao ver o estado no qual a descendente oriental se encontrava. Colocou a faca perto do pescoço dela.

Ele a deixou ali. Deu as costas e saiu de lá, a deixando sangrar até a morte, enquanto permanecia inconsciente. Ele subiu as escadas daquela masmorra, para ir de encontro a Dalila, que havia ficado na parte superior.

Ele abriu a porta que estava trancada, e assim que passou pela porta, percebeu algo estranho, viu que a jovem estava acordada, diferente do que ele havia deixando antes. Bálder se aproximou de Dalila, ela não estava tão assustada como antes, parecia na verdade estar até mais tranquila, o que o deixou um pouco desconfiado.

- O que aconteceu minha coelhinha? - seus passos até ela, eram lentos, como tentativa de proteção.

Ela estava no mais puro silêncio, abriu um leve sorriso em seus lábios. Ele perdeu o sorriso dele. Assim que ele se aproximou, ela pegou um salto e lhe desferiu um golpe na nuca, a rapidez a qual ela agiu foi enorme, o impedindo de se defender. Fez com que ele ficasse tonto e caísse. Sendo assim, Dalila tentou correr, todavia o homem a segurou pelo tornozelo. A jovem caiu ao chão como chuva, desmoronou. Passou então a espernear e gritar por socorro.

- Esperta, mais ainda que sua falecida amiga - ao ouvir aquela frase, Dalila sentiu seu coração sendo esmagado, lágrimas passaram a sair por seus olhos. Ele recuperou a visão e a pegou no colo, por mais que ela tentasse resistir, não era possível, Bálder era infinitamente mais forte que ela.

Juntos desceram as escadas que levavam para aquele lugar sujo e sombrio. Bem mais tentou resistir a morte, sabia que era inútil e só provocava ainda mais a ira dele.

Ao chegarem lá, o susto foi inevitável por parte de ambos. As cordas estava cortadas e o corpo de Jennifer havia simplesmente desaparecido.

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