Capítulo II
"Eu sou cada pesadelo que você já teve. Eu sou o seu pior sonho se tornando realidade. Eu sou tudo o que você sempre teve medo."
— Pennywise
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Vagarosamente, Dalila abriu os olhos. O cheiro potrificado adentrou suas narinas, causando ânsia. Sua visão ainda estava um pouco turva, mas logo conseguiu estabilizar a mesma. Se viu em um local um tanto escuro, com apenas um pequeno feixe de luz. Ela estava solta, diferente de antes, antes...
— Jennifer!!! — gritou, mas percebeu que sua voz estava rouca e seus pulmões doloridos, assim como o restante de seu corpo, principalmente seu pescoço.
Ouviu alguns gemidos vindo de seu lado, vagarosamente ela virou-se. Ainda não conseguiu ver com nitidez a sua volta. Tateou ao redor e pode sentir um corpo, imóvel, gelado e mole. Ela quis gritar, sua voz falhou, por causa da garganta seca ao extremo.
Algo agarrou suas mãos, ela tentou puxar, todavia percebeu que era sua amiga que estava a segurando. Agora ela enxergava com mais precisão.
— Lila... onde estamos? — Dalila esfregou seus olhos e finalmente percebeu que estava em um local fechado. Parecia uma espécie de rancho sujo. Ao seu redor, as paredes eram de madeira suja e velha, mas ainda sim firmes o suficiente para que não conseguissem fugir. As brechas mostravam com clareza que não estavam mais na cidade, a luz vinda pelas frestas eram fortes e não havia barulho algum ao redor, o que as deixou preocupadas, visto que nem ao menos um som de carro distante havia lá.
— Jennifer... fiquei preocupada... O que aconteceu? — sua voz estava trêmula, não sabia onde estava, só se recordava de relance da noite anterior, a frase a qual ouviu ao pé do ouvido e do... — Mr. Bunny!
Se levantou rapidamente, logo sua visão tornou a ficar turva, seu corpo a obrigou ir para o chão, sua respiração ficou pesada e seus batimentos diminuíram, sua pressão havia caído. Sua amiga continuou junto dela, trouxe a cabeça da amiga para perto de si. Elas não faziam idéia de quanto tempo havia se passado desde o momento o qual estavam ali. Nem sabiam se realmente era a noite anterior, ou se tudo aquilo de fato havia acontecido.
— Lila, você está bem? — tocou a testa da amiga, percebeu que sua temperatura corporal estava caindo. — Lila!!!
— Eu... Eu estou bem, só preciso esperar minha pressão voltar ao normal — levantou vagarosamente, pode sentir seu estômago embrulhar. O mesmo odor impregnou em suas narinas, viu ao seu lado um animal morto.
— Acho que é uma lebre, se eu estou bem em dedução, acredito que ele tenha nos trazido para algum lugar longe da cidade — Jennifer era mais esperta que sua amiga. Afinal, tudo o que passou, fez com que ela se tornasse mais inteligente e madura em alguns quesitos.
— Que lugar horrível.
Se levantaram e passaram a caminhar ao redor, tentando entender do que se tratava. Desconfiadas, tentaram se manter em silêncio. O lugar era médio, nem apertado e nem grande, o telhado era a parte mais alta, de madeira. Havia teia de aranha, o chão era de cerâmica branca, o que deixava o local desarmonico.
Havia pingos vermelhos e algumas manchas, aparentemente sanguíneas, no chão. Estavam demasiadamente assustadas. Até ouvir um barulho vindo do lado de fora. Não havia para onde se esconder. Apenas ficaram largadas ao chão. Jennifer ainda estava com o vestido vermelho justo da noite a qual foram raptadas. Já Dalila foi vestida, enquanto desacordada, com um vestido preto justo nos seios e largo da cintura pra baixo. Ambas estavam com o cabelo solto e descalças.
Uma luz irritante possuiu suas vistas, era a luz de fora, alguém entrou, mas não parecia o mrs. Bunny. Era um homem extremamente forte, com longos cabelos, isso era tudo que conseguiam distinguir, pois a visão não estava muito boa com tanta claridade.
— Ora, vejam só, que coelhinhas mais assustadas — sua voz penetrou as mesmas, as deixando ainda mais nervosas e amedrontadas. — O que foi? O gato comeu suas línguas?
— Quem é você? — Dalila ousou se pronunciar.
— Fico feliz pelo interesse pessoal. Podem me chamar de Bálder — ele fez sinal reverencial. — Posso saber vossos nomes?
As duas ficaram encolhidas, abraçadas. O homem fechou a porta, percebeu que Jennifer calculava uma brecha para conseguir fugir. Acendeu uma luz branca, que iluminou todo aquele local repulsivo. As garotas viram que se tratava de cativeiro.
— Por que estamos aqui? — agora foi Jennifer que perguntou.
— Vejo que minhas lebres são espertas e ansiosas. Senhorita veja bem, contemple esse lugar o qual estão — abriu os braços. Homem estava usando um terno, tão elegante quanto o mr. Bunny. — acha que eu as traria para cá sem um propósito?
— Gostaria de saber qual — Jennifer soltou-se de sua amiga.
O homem caminhou em sua direção, ela ia se afastando a cada passo dele. Ele sorriu. Agora, podiam reparar em sua enorme cicatriz no rosto. Ele possuía uma feição nórdica. Suas mãos fortes se envolveram no maxilar de Jennifer, ela conseguiu ver os olhos verdes de Bálder, seu coração estava ainda mais acelerado.
— Você fala demais, coelhinha — abriu um sorriso enorme — acho que será a primeira a entrar para minha coleção.
A jovem engoliu seco, estava trêmula e nervosa. Quis fugir, mas Bálder era incrivelmente forte. Ele modificou sua pegada, que antes no rosto e agora estava no braço, a apertou tão forte que ela gemeu de dor.
Dalila ficou apenas olhando por alguns segundos, logo em seguida, jogou seu corpo magro contra o do homem que tentava ferir de certa forma sua melhor amiga. Esforço inútil, ela sentiu-se jogando contra um muro de cimento. Caiu no chão, mas ele soltou Jennifer.
— Certo, vejo que ambas estão ansiosas para brincarmos um pouco. Você coelhinha, vamos começar! — apontou para a asiática.
A pegou pelos cabelos e a puxou por toda àquele local. Ela gritou de dor e sua amiga tentou ajudar, inutilmente. O homem a atingiu em cheio com suas mãos abertas, a fazendo cair para trás e rolar no chão. Ela estava caída no chão e pode ver o homem sair levando junto dele sua melhor e única amiga.
— Por favor... não a machuque — sua garganta não permitiu que fizesse muito.
Bálder abriu uma segunda porta, a qual elas ainda não haviam visto, lá entraram. Dalila estava sozinha, assustada e sentindo sua visão escurecendo, a pancada fez com que a ela aos poucos fosse perdendo os sentidos.
Já lá dentro, havia um caminho como de masmorras, escadas com pouca iluminação e rodeada por tijolos. Jennifer passou a gritar ainda mais alto, a cada passo que davam. Mas ninguém correspondeu, o homem ainda ria alto ao ver o desespero no qual a mesma se encontrava.
— Se acalme, o caminho até onde vai ficar, não é ruim, ruim será no momento o qual chegarmos lá — soltou uma risada demoníaca, fazendo a garota se arrepiar por completo.
— O que vai fazer comigo? — hesitou por alguns instantes em fazer essa pergunta, mas não poderia mais segura-lá para si, precisava saber o real motivo pelo qual foi sequestrada.
Ele não respondeu, apenas continuou andando e fazendo com que ela andasse também. Ao chegar, não conseguiu enxergar nada, estava tudo escuro. Sentiu as mãos do homem se desprender dela, o cheiro que exalava o local, era tão podre que fez a mesma ter um forte enjoou. Seu coração palpitou. As luzes foram ligadas. Seus olhos saltaram e sua boca ficou pálida, seu coração estava ainda mais acelerado.
— Gostou? — ele gargalhou ainda mais alto.
— O que é isso? — suas pernas queriam lhe falhar.
— Minha brilhante coleção particular — abriu os braços abertos.
Ao seu redor, estavam corpos de homens e mulheres, com os braços e pernas esticados, amarrados por um gancho metálico, corpos banhados por sangue seco, provavelmente seus próprios. Os corpos estavam com um corte profundo que transversava do tórax ao fim do abdômen, o corte estava costurado. No centro daquela sala macabra, havia uma mesa, em cima dela, dezenas de objetos semelhantes aos que estavam na casa do Mr. Bunny, porém aparentemente mais violentos. No canto, uma espécie de chaminé que não estava ativa.
— Está é minha coleção de gritos, coelhinha. Em breve, você fará parte dela.
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