Nota número !@*?!

Escuro, escuro e ainda mais escuro. Tudo ao redor esta rodeado em trevas. E isto, por algum motivo, me deixa animado.

Eu não sei a quanto tempo estou aqui. Eu não sei a quanto tempo eu rabisco notas nesta agenda. Minha existência é um enorme mistério. Contudo, eu não gosto de brincar de detetive.

Eu existo aqui. Eu permanecerei aqui.

O que você faria na ausência de luz? Você entraria em desespero? Correria? Respiraria fundo imaginando tudo aquilo ser um sonho? Ou quem sabe ainda buscasse um brilho em toda aquela escuridão? No meu caso, eu apenas riria do inevitável. Mas também não resisti a penúltima opção.

Por minutos, segundos ou horas eu vaguei. Sem rumo, sem desejo, sem determinação. Apenas com uma tola esperança.

Nem toda jornada de fato é recompensada, contudo a minha deu peculiares frutos. Eu pude ver adiante uma minúscula fonte de luz. Eu corri freneticamente até ela, saltei no escuro chão e a agarrei. O piso era inesperadamente macio. Devido a isto eu não me machuquei. Foi quase como pular em uma nuvem fofa. A luz, para minha surpresa tinha uma consistência. Era lisa. E aparentemente retangular. Seu brilho se desfez totalmente quando a agarrei. Dificultando assim eu identifica-la.

O tato era meu único aliado naquele momento.

Com as duas mão eu a segurei. Acabei por sentir uma certa sensação diferente em um de seus extremos. Como se fosse mais fino. Eu o tateei. Meus dedos penetraram por ele. Uma sensação familiar passou por minha espinha.

Instintivamente eu agarrei o extremo, da frente a das costas, com as duas mão e puxei para lados opostos, abrindo-o. Neste momento eu não entendo bem o que aconteceu. Era como se o objeto estivesse sugando toda a escuridão ao meu redor. Não apenas a escuridão. Todo o oxigênio. Eu cai como uma pedra.

Não sei o ocorrido depois de minha queda. Eu simplesmente apareci nesta sala estranha. A escuridão....se foi. Não sei deveria ficar feliz ou triste. Mas no fundo de meu coração, estou um pouco desapontado. Quanta luz.

Ao meu lado acabei por encontrar esta agenda. Talvez tenha sido ela o objeto que encontrei na escuridão. A sensação é semelhando. Teorizo principalmente por sua capa ser escura. Talvez tenha ficado assim devido a toda escuridão que absorveu.

Resolvi então escrever um pequeno diário nela....bem....o que mais eu poderia fazer?

O ambiente ao meu redor é sólido. O chão diferente do anterior, é duro como obsidiana. Eu aprendi isto do pior jeito. As paredes e o teto, assim quanto o chão, são cinza. Esta bendita cor morta. As portas...não existem...estou preso.

Não sei quem foi...mas como ousam prender esta alma escura? Agora que percebi eu nem sequer lembro de meu nome...eu tinha algum? Bem...posso criar eu mesmo então? Tenho que pensar em um nome legal. Caso algum dia leiam isto quero que se surpreendam. Contudo não quero um nome comum como Fernando. Ummm, vejamos. Senhor da noite? Da escuridão? Dos anéis? Este último não faz sentido. Eu amo as trevas....Trev...Treva...Trevares....ha! perfeito. Já consigo até imaginar eu transformando este pequeno diário em um livro: “vida escura” por Trevares...ha...acho que tenho que continuar escrevendo.

Espere um segundo...de onde veio todas essas memórias? Livros? Nome...isto...não estava aqui antes, contudo, eu não ligo nem um pouco. Vamos seguir com minha aventura.

Voltando a minha jornada sombria, como eu disse, nada de saídas. Isolado completamente. Sem amigos, sem namorada. Nem ao menos um espelho para admirar minha, possivelmente, bela aparência. Contudo, devido a ausência da escuridão, pude finalmente enxergar um pouco de meu corpo. E isto meu deixou pasmo. Tanto minha pele quanto um leve manto que me cobria eram tão cinza quanto a sala. Era quase como seu eu fosse ela. Eu tinha um corpo pequeno como um adolescente. Tinha um fofo cabelo liso, este sendo curto. Fiquei mais alguns minutos admirando cada pedaço de mim. Aqui um desenho definitivamente lindo para me retratar:

Depois disto resolvi finalmente explorar a sala.

O que eu tenho a dizer? Cinza. Por todo lado há cinza. É irritante. Agoniante. Contudo. Tinha algo extremamente estranho no centro da sala. É como se fosse um buraco, ou melhor um portal. Ele não era tão grande, mas grande o bastante para passar por ele. Eu conseguia sentir uma aura peculiar ao seu redor. Talvez algum curioso sentiria vontade de pular dentro, contudo eu não. Apenas a ignorei de imediato. Aqui, eu fiz uma visão geral da sala. Eu não sei o que tem no exterior, nisto vou supor que não tem nada:


Para minha surpresa tinha alguns pontos não cinzas no meio de todo aquele lugar agoniante. Eu poderia citar direto o que havia em cada um deles, contudo, vou citar por ordem que fui encontrando.

A priori eu me deparei com um pequeno ponto vermelho no chão. Eu me aproximei, abaixei meu corpo, estiquei minha mão esquerda e o agarrei. Era um pequeno carro.

Eu não entendo o porque...todavia, aquele carro me irritava. Não importa como, eu tinha um enorme desejo de me livrar dele. Não, EU TINHA QUE ME LIVRAR DELE. Deveria despedaça-lo talvez? Mas isso não o removeria de minha existência...pensei outras possibilidades, contudo ambas paravam no mesmo problema. Até o momento que eu me lembrei...o buraco. Ele era minha resposta. Logo, sem relutância, atirei aquele objeto insuportável naquele abismo sem fundo. Por segundos eu ouvi o som de suas pequenas rodas. Era como se estivesse descendo uma enorme rampa. Até certo momento que seu ruído desapareceu.

Não sou curioso, contudo aquele poço parecia me atrair. Não é como se eu fosse doente ao ponto de pular nele, entretanto, uma pequena espiada não iria me matar...possivelmente. E foi o que fiz. Me aproximei a ponto de ficar ao seu lado. Fiquei de joelho, posicionei minhas mão dos seus dois lados, de modo que minha queda fosse improvável, e com meu olho esquerdo (apenas com ele) eu olhei o abismo.

Não havia nada.

Absolutamente nada. Tudo era transparente. Tudo era inexistente. É isto que eu ganho por minha curiosidade?

Admito que eu não esperava uma resposta, contudo a sala começou a se chacoalhar. Mesmo  isto não foi o bastante para derrubar este ser escuro naquela vala profunda. Eu estava preparado de qualquer forma. A única coisa que tive que mudar em minha posição foi os meus joelhos, estes se abaixando e fazendo que eu desse um abraço apertado no chão. E assim fiquei. Até que tudo voltasse ao normal. Bem...quase tudo. A sala havia mudado, mas precisamente se expandido.

Não entendo bem a razão de tamanha peculiaridade. Entretanto, isto só pode significar que ela possa fazer isto de novo. E de novo. E DE NOVO! Até que esta maldita prisão fique em pedaços e eu volte novamente para minha escuridão.

Todos aqueles eventos randômicos aparentemente foram o bastante para me levar a exaustão. Eu me afasto do maldito buraco e deito próximo a uma das paredes. E é claro, adormeço com meu livro em meus braços. Meu belo e perfeito livro.




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