Nota número 5

O verde esmeralda da sala ainda brilhava em meu olhos escuros. Era um verde sereno. Que me enchia de um sentimento de conclusão.

Por quê? Seria aquele o fim?

Depois desta explosão luminosa. A parede escura, em vez de se expandir novamente, ela simplesmente desapareceu. Foi uma cena mágica, contudo, uma outra parede, desta vez branca, surgiu mais a frente. “Bom demais para ser verdade” eu pensei. Todavia, algo parecia anormal.

Onde estava o pedestal?

Onde estava o retângulo sexy? Senti uma tristeza pela ausência deste.

Só uma muralha branca. Eu me aproximo, toco-lhe com minha mão esquerda. A consistência era estranha. Mas ao mesmo tempo familiar. Dura, contudo, não tanto quanto a anterior. E aparentava simultaneamente uma resistência e uma fragilidade. Parecia oca.

O que mais me assustava em tudo aquilo era o fato de que existia uma saída. Era uma abertura, eu tenho certeza. Sendo que acima dela havia escrito a palavra “FIM”:


Seria tão fácil assim?

Sem enigmas?

Sem desafios?

O que diabos eu devo fazer?

Bem...o que mais eu poderia? Eu abraço minha agenda contra o meu peito e começo a dar curtos e demorados passos em direção ao “Fim”.

Cada passo era como se meu corpo ficasse cada vez mais pesado. Minha respiração ficava cada vez mais bufante. E assim foi até que cheguei a frente do meu destino. Eu fitava cada pedaço daquela esperança. Eu queria adentrar. Assim que eu inicio o primeiro passo eu sinto um certo arrepio percorrer por todo o meu corpo. Eu me sinto observado.

Meu pescoço junto com meus olhos então viraram na direção oposta que eu seguia. Elas estavam lá. As três sombras. As duas grandes e a pequena nos braços de uma delas. Elas olhavam para mim felizes. Ou aparentavam estar felizes. Eu tive certa vontade de correr até elas, contudo, uma delas moveu a cabeça em sinal negativo, parecendo prever minha próxima ação. Ela apontou para a saída. Eu a olho e volto a admirar aquelas figuras escuras. Por um segundo elas pareceram estar sorrindo. As três então levantam a mão e a movem indicando despedida. Eu automaticamente repito o movimento. Meu corpo se vira, eu já debulhado em lágrimas, adentro finalmente o “Fim”.

Era escuro. Tudo brilhava escuro. Eu caminhava o que parecia ser um eterno corredor. A cada passo dado eu recuperava mais uma memória. Minha real história parecia finalmente brotar na minha cabeça:

Meu nome é Fernando, Fernando Monte Castello. Um assalariado comum. Nunca fiz faculdade. Meus pais morreram bem cedo em um acidente de carro, junto com a minha irmã mais nova. Eu, por algum milagre, fui o único que sobrevivi. Contudo, parte de mim preferia ter morrido naquele dia. A única coisa que guardei deste acidente foi uma repulsa enorme de carros.

Eu tive uma vida vazia. Solitária. Não tinha muitos amigos. Não queria muitos amigos. Eu era o tipo de cara que apenas queria deixar o resto da vida passar. Eu sempre fui um covarde. Daqueles tipos que queria tirar sua própria vida, mas que não tinha coragem.

Eu sempre tive medo de me machucar.

A última coisa que lembro é de ser atirado, em uma viatura, por policiais (possivelmente devido a um mal entendido). Aquilo provocou um ataque de ansiedade extremo em mim...o mundo se apagou depois disto.

Poderia eu retornar a minha realidade caso eu termine este corredor?

Eu subitamente paro. Aquilo estava extremamente estranho. Fácil também. Além de que tudo parecia estar conspirando a meu favor. Talvez fosse um raciocínio um pouco psicótico, contudo, eu sentia. Tinha algo faltando. Havia algo além que eu não sabia o que era. E este, não estava no fim do corredor. Eu tenho certeza.

Por segundos eu olho para o vazio das minhas costas. Nada. Absolutamente nada acontece.

O que normalmente você faz quando passa por um momento de espera?

Eu normalmente rabisco alguma folha branca. Contudo, naquele momento, eu não estava afim de desenhar. Eu apenas queria olhar para aquela inexistência. A qualquer momento poderia brotar algo ali. E quando isto ocorresse, eu tinha que estar preparado...mas isso seria mesmo o certo? Apenas esperar que aquilo que quero chegue até mim?

Eu deveria voltar?

Algo me diz que isto é uma péssima ideia....

Por que eu continuo relutante? É como se o que eu faço esteja programado... como se eu não tivesse meus próprios desejos.

Você já se sentiu assim?

A inexistência continua. Eu não sigo meu rumo. Pelo menos estamos empatados.

Talvez na verdade eu não tenha entendido muita coisa.

Eu não sei mais o que escrever aqui. Vou simplesmente esperar mais um pouco. Só mais um pouco. Talvez um pouco mais. O tempo é relativo no final das contas. Eu sou relativo também.
Nada mais vem a minha mente.

Nada mais.

Nada.

.

..

...

....

Ah! Estou livre agora!

Acho que deveria ficar alegre.

Mas na verdade eu não sinto nada.

Estou preocupado.

Onde você está?

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