Nota número 3:
Estava um total silêncio. Um silêncio extremamente anormal. Nem mesmo meus pensamentos ocasionavam seus caóticos sons como de costume.
Eu estava em um lugar novo. Não era tão transparente como o anterior. Contudo, eu ainda me sentia um pouco invisível. Mas ao mesmo tempo, era como se eu deixa-se de ser um rascunho e passasse a ser uma sombra. Uma escura e pequena sombra.
Meus sentidos pareciam não fazer mais sentido neste novo universo. Apenas a visão permanecia. Todavia, o que eu deveria olhar? Por segundos pensei ter parado em outra realidade transparente. Mas, felizmente, coisas começaram a aparecer.
Primeiramente um chão se expandiu por todos os lados. Um chão verde claro com pequenos fiapos afiados. Logo depois uma enorme estrutura se ergueu. Sua forma a priori era um quadrado, mas logo um triângulo foi incorporado em sua parte superior. Era simplesmente escura, sem cor, sem detalhes. Mas subitamente várias linhas foram se traçando por entre aquela construção. Formando mais quadrados, retângulos e outras figuras. Ficou bonita. Me passava uma sensação boa. Minha mão se esticou para tentar agarra-la, neste momento eu percebi que eu estava mais visível que de costume. Minha pele realmente parecia uma sombra, escura como ela pelo menos. Tentei tocar meu rosto com minhas mão, contudo, elas o atravessaram. Não sabia o que fazer naquela situação. Nisto eu apenas voltei a fitar aquela aparição.
De repente, um dos seus retângulos começou a se projetar para frente, até o momento que ele quase se soltou daquela estrutura e deixou aberto um grande buraco para dentro.
Algo estava se movimentando em seu interior. Não demorou muito para esse algo sair daquela coisa. Eu o olhei de cima a baixo. Era como eu, uma sombra. Contudo era bem maior e mais extensa. Outra sombra saiu em seguida segurando mais uma outra pequena pela mão. Esta parecia bastante agitada enquanto caminhava ao lado daquela. A pequena então se soltou da sombra maior que a guiava. Correu até a primeira que havia saído. Esta agarrou pela cintura e a ergueu no ar. A segundo sombra caminhou e se posicionou ao lado das outras. Eles riam, eles pareciam felizes. Já no chão a minúscula sombra parecia falar com as outras preocupada. Eu não entedia o porque. Até certo momento que seu olhos escuros colidiram com os meus. Ela me olhou profundamente. Senti como se ela pudesse ler minha alma. Então ela agarrou a sombra que a havia guiado com uma mão, e com a outra apontava freneticamente para mim. A sombra olhava para ela com empatia, contudo ela pareceu virar o rosto para ambos os lados em sinal negativo. Dobrou os joelhos e agarrou a pequena em um abraço. Sinto que algo deslizava em seus rostos. Ela por fim a ergueu do chão ainda no abraço, se virou e junto com a primeira e começou a caminhar de volta para a estrutura. A pequena sombra olhava tristemente para mim. Ela começou a esticar seu bracinho em minha direção. Eu estico o meu também, contudo, eu não consigo sair do lugar. Meu corpo parecia estar enraizado. A porta se fecha.
Subitamente minhas pernas pareciam ter ganhado vida. Eu só tinha um desejo: alcança-los. Entretanto, eu fui barrado. Meus braços...minhas pernas...inúmeras sombras agarravam todo o meu corpo. Eu tentava tolamente me soltar, porém eu já havia sido preso. Todas as sombras aquelas sombras de chapéus me puxavam...não...arrastavam...como um trapo velho, como um pedaço de lixo. E assim como este eu fui atirado em uma lixeira. Trancado. Eu batia desesperadamente contra as paredes. Minhas respiração estava no ápice de bufante. Eu queria sair dali. Eu...eu então acordei.
Quem dera eu tivesse o alívio de saber que tudo aquilo era um sonho. Aquilo foi além do real, além de pura ilusão. Minha respiração continuava aceleradíssima. Fiquei assim por mais alguns minutos, até que meus batimentos foram se estabilizando.
Aquilo parecia importante, por mais intenso que possa ter sido, eu queria guardar aquela experiência, com isto, a primeira coisa que fiz foi agarrar minha agenda e fazer um desenho:
Eu olhei profundamente para aquele desenho.
Por que eu sinto que faltava algo ali?!
Eu simplesmente não entendo...por que eu estou abraçando a agenda?!
Por que está saindo este líquido estranho de meus olhos?!
Por que estou me sentindo tão mal?!
Como um desenho pode ter tanto impacto em alguém tão inexistente como eu?!
Eu fiquei mais alguns minutos agarrado a agenda. Cachoeiras pareciam fluir por meu rosto. Contudo, certo momento eu simplesmente parei. Era como se eu soubesse que fiquei assim tempo demais. Eu limpei os últimos resquícios aquáticos. Algumas gotas parecem ter caído em minha agenda. Eu as limpo com a costa de minha mão esquerda. Foi quando eu percebi. Minha mão estava escura. E ela existia. Já não era mais um rascunho transparente. A agenda cai da minha mão no chão. Eu o encaro. A minha cor escura parecia ter se propagada. Tudo deixou de ser transparente e passou a ser escuro. Tudo era visível. Que mágico.
Eu me sentei no chão e agarrei a única coisa que se destacava em toda aquele mar escuro, minha vermelha agenda. Eu a coloquei em meu colo. Naquele momento eu estava bem curioso com meu novo, e visível, corpo. Meus braços não eram tão longos, isto combinava bem com as pernas. Eu tinha uma estatura quase como de uma criança (uma criança com fome). O inesperado era que eu estava equipado com um manto branco. Não lembro de ele existir em minha invisibilidade. Meu cabelo tinha uma sensação um pouco caótica. Era grande e disforme, além de ter um pedaço que estava estático para cima em formato de triângulo. Eu tateava aquela parte curioso. Era duro como o chão. Aquilo era estranho, muito estranho. E ao mesmo tempo era divertido. Era como algo irregular que não deveria estar ali, mas isso o trazia certa personalidade. Não resisti a tentar representá-lo:
Fiquei mais alguns minutos explorando meu visual. Até que finalmente relembrei de minha atual existência...e consequentemente me lembrei daquele olho bizarro...um certo arrepio percorreu minha espinha. Contudo, já estava na hora: eu tinha que continuar...isso.
Meus olhos rodaram por toda a sala(agora visível). Como supus, não havia praticamente nada. De destaque apenas havia o pedestal numérico e o retângulo sexy. Esta primeira visão de meu ambiente ficou marcada eternamente em meu coração não mais de rascunho.
Eu caminhei então para próximo de meus atuais companheiros. Fiquei pasmo de imediato. Primeiramente o pedestal havia sofrido uma grande atualização. Ele apresentava um tom mais claro que o resto da sala e agora além dos números, havia também todas as letras do alfabeto. Não sei se ficava feliz ou triste, acho que meu sentimento naquele momento era uma mistura dos dois. O RS também havia mudado um pouco. Ele aparentava um vermelho bem semelhante o da agenda. Acima dele havia uma nova dica:
Dentro do carro
Fiquei um pouco surpreso admito. Nunca esperaria uma dica tão direta e clara. Eu não demorei muito tempo para perceber que ele se referia ao carrinho que eu atirei na parede. Tive de imediato uma onda de desespero. Havia eu destruído minha próxima dica?
Freneticamente eu corri para o local de colisão. Eles continuavam lá. Cada um dos fragmentos. Aquilo tudo me encheu de agonia, todavia deveria estar lá, então eu segurei minha relutância e comecei a procurar.
A priori eu não tinha ideia do que, nisto eu fui apenas catando cada um dos pedaços: eu achei as quatro rodas, achei a parte de baixo (esta tendo se fragmentado em vários pedaços), achei alguns pequeno quadradinhos(o que pareciam ser pequenas janelas). A única coisa que faltava era a parte superior. Eu olhava para todos os possíveis paradeiros levando em conta o impacto, mas não estava lá.
Era ilógico, contudo eu resolvi procurar do outro lado da sala...Não estava. Eu já estava por ficar desesperado, eu insanamente procurei em cada canto daquela prisão...eu simplesmente não encontrava...até que me lembrei de um único lugar que eu não havia procurado. Este era sem dúvidas o menos provável. Era inviável...impossível...sinto um certo arrepio.
Eu caminho de volta para onde eu havia pegado a dica. Eu me esgueiro e olho por de trás do pedestal. EU HAVIA ENCONTRADO. Eu instantaneamente puxei de volta o meu rosto. Eu fiquei um pouco pálido. Aquilo não fazia sentido. Eu tento me acalmar. Eu respiro fundo. Tento manter minha sanidade. E finalmente resolvo agir. Eu volto até onde estava o que eu procurava, eu estico minha mão (esta em estado de tremedeira), agarro aquela assombração vermelha e finalmente a ergo. Dela caem exatamente três objetos azuis, nesta hora meu rosto já perdia a vida, quase senti minha alma voando para fora do corpo. Contudo nada de anormal aconteceu. Eu fiquei mais alguns segundos fitando aqueles objetos sinistros esperando um possível movimento...ummmm....nada acorreu. Eu já estava ficando cansado de ficar apavorado, então apenas agarrei aquelas três peculiaridades com minha outra mão.
Eu coloquei a parte superior do carro próxima ao resto dos fragmentos(este estando na frente do pedestal). Depois disto eu abri a palma da minha mão e encarei calmamente aquelas pequenas coisas. Eram três minúsculos bonecos. Eles tinham um azul forte, este intercalando entre escuro e claro. Não eram nada detalhados, entretanto em seus crânios, no lugar dos olhos haviam dois X. Aquilo era bizarro. Por algum motivos aqueles símbolos me lembravam da inexistência. Eu senti uma sensação estranha em minha barriga.
Finalmente estava lá, minha possível senha...era o que eu esperava mas o que diabos eu deveria escrever?
Um grupo azul de bonecos...exatamente três...Há!
Eu clico rapidamente nos notões do pedestal e escrevo:
Tresbonecos
Eu clico em ok.
A luz vermelha cobre toda a sala, desta vez um pequeno tremor a acompanha.
Ummmmmmm, ok. Talvez:
3bonecos
O evento anterior ocorre de novo. Desta vez o tremor estava mais intenso.
Minha mão esquerda vai até o meu queixo. Eu reflito profundamente.
Eu novamente encaro aqueles três objetos azuis. Estava com uma enorme vontade de desenha-los. Nisto, eu pego minha agenda e vou alternando as folhas em busca de uma branca. Quando de repente eu me vejo novamente naquela folha. Aquele desenho que fiz a pouco. Três...três sombras...três...três bonecos. Isto tem alguma ligação? Neste momentos realmente tive uma sensação de que os fragmentos na minha cabeça estavam do meu lado.
Meu rosto estava pálido, sem vida, suado. Minha mão esquerda vai de botão em botão. Era como se ela estivesse respondendo.
F.......a........m.......i......l.........i.........a
“Familia”
Minha cabeça doía. Meus olhos estavam um pouco molhados. Eu relutava, contudo minha mão parecia ganhar vida própria. Ela novamente se moveu até o último botão. O botão de “ok”
A sala brilhou verde.
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