Capítulo 38

Três anos depois e aqui estou eu, em um completo conto de fadas. Deixe-me revelar a surpresa... encontrei o boy dos sonhos, Ryan com certeza não é mais o homem dos meus sonhos e delírios da minha juventude. Doce engano, a quem estou tentando enganar? Uma solteirona convicta de 29 anos, sim, foi isso o que escutaram... quando a minha pessoa chegar aos 30 anos vou emitir o meu certificado de encalhada. Estou em uma vida maravilhosa, sinceramente, nunca estive tão bem. Sabe aquele peso que senti em toda a minha existência? Ele foi pastar no deserto do Saara, então, não poderia estar melhor. Agora entenderam a ironia? Por isso vou falar a realidade, segui a vida normalmente, mas não esqueci o passado, é difícil virar a página de algo que você alimentou durante um pouco mais de 5 anos. Porém, tentei, graças a magnífica rasteira que a vida me presenteou.

Todavia, vale ressaltar, amadureci bastante, observem... aparento ser uma mulher de 29 anos? — Está mais para uma adolescente problemática. — Calada consciência. Essa bendita vive me atormentando, mas voltando ao assunto, finalmente dei uma guinada na minha vida. Provando que a belezura aqui tem sorte na estrada... pelo menos mínima.

— Bela! Ligação. — Helena gritou da sala, com a bendita preguiça em atender o telefone.

Não acredito, é a hora. Corri até a sala quase tropeçando, só para não perder o costume.

— Que demora, seja pontual. — Procurou drama, como sempre.

— Tomas sem estresse, quero paz. — Coloquei a mão na cintura, batendo o pé direito freneticamente.

Nesse tempo em que estivemos distantes, procurei manter contato com as crianças, ou seja, entre mim e Ryan não existe nenhuma possibilidade de romance. Isso é uma lição que aprendi desde cedo, não vivemos em um conto de fadas, não é por quê existe química que irá ter relacionamento. Bom, pelo que os meninos me informaram o senhor Martilhe mudou bastante. Também, se não mudasse perderia completamente o crédito com os próprios filhos. Agora ele é mais participativo e atencioso, passou a dar prioridade a família, algo muito importante.

— Você prometeu que viria no aniversário de 5 anos de Tiana, ela ficou a noite inteira te esperando. — Sua voz soou autoritária, como sempre.

— Sei, mas não pude, você sabe, minha mãe está fazendo... tratamento. — Inventei uma desculpa.

Sendo sincera, ainda não esqueci Ryan, para falar a verdade, todas as noites penso nele, mas o meu orgulho é maior. Durante esses anos o meu contato com as crianças foi através das redes sociais, Skype e telefonemas. Tudo isso, sem parar para conversar uma vez com ele, claro que não vou mentir, nos vimos algumas vezes enquanto conversava com seus filhos, mas nem eu e ele proferimos alguma palavra em relação a nós.

— Qual tratamento é feito de madrugada? — Tenho certeza de que nesse momento ele arqueou a sobrancelha.

— Você não entenderia, mas, prometo, logo estarei aí. — Tentei soar convincente.

— Não quero que pegue o costume do papai. — Foi abaixando gradativamente o tom de voz.

— Ei! Não sou igual a ele. Então, como estão indo? — Mudei rapidamente de assunto.

— Bem, depois da sua saída, papai mudou bastante, no começo ele não conseguia ficar dez minutos conosco, agora, ele passa as férias inteiras. — Animou-se um pouco.

— Isso é ótimo, se pudesse dava um beijo em Ryan por isso. — Tentei fazer uma piada.

— Fale baixo, ele pode ouvir, semana passada ele tentou nos comprar para enganar você. — Confessou como se fosse um segredo.

Quis rir com o seu comentário, Tomas está se mostrando cada vez mais parecido com uma criança "normal", isso é ótimo.

— Sério?! Até demorou. — Demonstrei um falso pânico.

Espero que ele não tenha acompanhado nenhuma conversa indiscreta minha com os meninos, embora, duvide que isso não tenha acontecido.

— Ele falou semana passada, mas não sabemos quando aconteceu — disse Tomas sem dar importância.

— É a vida, onde estão seus irmãos? — Deixei de lado o assunto Sr. Martilhe.

— Estão aqui, Anthony está lendo um de seus livros melosos e Alexandre se encontra praticando um acorde da guitarra como sempre.

— E você? Mudou o hobby? — Sorri.

— Não, tenho a certeza, vou me tornar o maior hacker da história. — Entrou em ação o seu ar esnobe.

— Não duvido disso. — Ri um pouco com seu comentário.

— Mãe! — Ouvi a voz de Tiana do outro lado da linha.

— Oi querida, como está? — Fiquei feliz com sua aparição, dificilmente tenho a oportunidade de falar com ela.

— Bem, tlo mal. — Tenho certeza de que ela fez muxoxo do outro lado da linha.

— Não pude ir, porém prometo que vou visitá-la em breve, perdoa a mamãe? — Fiz uma voz de dengo.

Com o passar do tempo já me acostumei em tê-la me chamando de mãe, até que é bom o soar nos ouvidos, claro, isso é um segredo.

É feio metli. — Colocou a sua voz mais meiga.

— Sei, agora tenho que ir, dê um beijo por mim nos seus irmãos. — Desliguei o telefone.

Não posso me apegar a essas crianças, com o tempo cortarei contato com eles. Afinal, eles têm que seguir a vida e eu preciso fazer o mesmo com a minha.

— Mana! — Encarei o pestinha a minha frente com mais uma de suas indagações.

— Sem chantagem emocional Pedro, fale logo o que quer. — Olhei para o meu irmão com mais uma de suas petições.

Pedro, por incrível que pareça, se tornou o mestre em arrancar as coisas de mim, com um de seus "draminhas" melosos. Não estou acreditando no estado da minha pobre vida, como fui terminar assim? Joguei pedra na cruz, é a única resposta.

— Os meus amigos da escola marcaram hoje de ir ao shopping, todas as mães iram acompanhá-los.

— E o que EU tenho a ver com isso? — Cruzei os braços.

— Sabe, a mãe não pode, então pensei... — Apertou as mãos em nervosismo.

Suspirei, o que não faço pela família, até abdicar do meu único dia de descanso. Triste realidade.

— Vou, com uma condição. — Sorri me divertindo com a situação.

— Prometo lavar os pratos por uma semana — respondeu por mim e saiu pulando.

Sei que isso não irá acontecer, mas não quer dizer que não possa ameaçá-lo depois. — Sorri comigo mesma.

— Maninha do meu coração. — Agora é vez da outra usar a tática da irmã meiga.

— Sem carro Helena, sabe de uma coisa, quando te conheci... não imaginava que amasse tanto a rua. — Me virei para ela.

— Apenas vou à biblioteca, soube que publicaram um novo conto, Rei Bode, e estou louca para lê-lo. Minhas colegas me informaram que é muito bom, principalmente para quem gosta de romance fofo. — Gritou na última parte da frase.

Misericórdia, nessa casa só tem maluco. Sei que isso foi uma indireta para mim, mas ninguém precisa saber que gosto de romance.

Depois de longos minutos de tédio, finalmente Pedro resolve sair.

Saí do simples apartamento, localizado em uma cidade pequena. O prédio é simples, com uma maravilhosa comodidade para uma casa alugada. Não tenho nada a acrescentar, é uma moradia de "classe média" como qualquer outra. É! Agora sou classe média, tenho certeza de que foi praga da minha nobreza impecável. Vale ressaltar que, no momento sou uma administradora de sucesso... em 2030, para a minha completa decepção. Porém, sou uma das executivas do hospital Querendy, um pequeno centro de saúde muito bem-visto na cidade, ganho dinheiro o suficiente para sobreviver, pagar o tratamento da minha mãe, os estudos de Helena, a escola de Pedro e o apartamento. E ainda fico com 500 dólares para despesas com o carro, e 200 dólares para farra... de sorvete.

Na concepção do tempo, estou no paradoxo das mães chatas. O que fiz de errado para merecer tal castigo?

— Mana? — Sou interrompida de meus pensamentos.

— O que foi menino? — Quase tive um treco do susto que levei.

— Você estava com uma cara esquisita. — Cutucou o meu rosto.

— Esquisito vai ficar seu braço com o tanto de beliscão que vou te dar se você não sair daqui. — Tentei o assustar.

Garoto abusado, só poderia ser meu irmão.

Enquanto estou acomodada em uma parte satisfatória do shopping, observo Pedro brincar com as crianças, enquanto as mães estão em outra parte fofocando, como sempre.

No entanto, para o meu imprevisto azar, enxerguei uma cabeleira negra deslizando como cascatas sobre o seu ombro, combinando perfeitamente com a sua pele bronzeada, que por incrível que pareça, deixa-o com uma imagem de anjo da meia-noite, o assemelhando aos contos nórdicos, embebedando mulheres com seus encantos físicos.

— Não. — Sussurrei como se fosse uma prece para mim mesma.

Em contraponto, para a minha desgraça, ele prendeu os seus olhos nos meus, como se fossem dois ímãs perto de entrar em combustão, no caso, já estou em erosão. Maldição, isso não poderia acontecer, não é justo, por quê?

Sebastian? O que ele faz aqui? Tenho certeza de que esse encontro é improvável.

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