Capítulo 29

Olhei para Ryan pasma, ele quem? Que eu saiba o senhor Martilhe não tem nenhum conhecimento sobre mim, ou tem?

— O que você disse? — Arqueei as duas sobrancelhas em interesse.

— Nada — falou rápido demais.

Não disse nada, e tentei o empurrar de cima de mim. Tem barata nessa história e vou colocar o inseticida, ah! Se vou.

— Sai, você pesa. — Dei vários impulsos para conseguir tirá-lo de cima de mim.

— Ai! É assim que trata seu homem? — indagou já do meu lado.

— Desde quando você é meu? — Encarei em controvérsia.

— Desde o momento em que os meus olhos bateram nos seus naquele elevador. — Deu um sorriso charmoso.

Dei uma risada interna, vou fingir que acredito.

Me virei para a ponta da cama e me enrolei na coberta para dormir. Em vez do indivíduo me conceder o sono da beleza, o safado resolveu grudar em mim igual a uma preguiça.

— Sai de cima de mim encosto. — Me sacudi para ele desgrudar.

— Pare de brabeza mulher. — Grudou mais ainda.

Bom, terminamos a noite assim, abraçados como dois animais no cio. Sim, quem olhasse para mim agora não me reconheceria, doce Bela, não se deixe levar.

Para a minha total alegria, na manhã seguinte acordei e ele não se encontrava mais na cama. No decorrer do dia fiz minhas tarefas sem muito alarde, mesmo tendo Tiana sempre pendurada no meu braço. Contudo, para aumentar a minha alegria de vez ou diminuí-la por completo, a Dona Serena irá embora quando viajarmos, fiquei feliz, pois, falta apenas uma semana, mas fiquei triste, porque ela terá o prazer de nos levar no aeroporto particular. Então, isso quer dizer que não terei escapatória, pois, tenho certeza, se eu pisar o pé naquele avião Ryan não me deixará mais voltar, sem ele.

No momento estou no automóvel de Ryan, sendo dirigido pelo seu motorista Paul. Comigo está Helena, Tiana, Tomas, Anthony e Alexandre, resumindo tive que trazer a cambada toda, por quê? Segundo a minha sogra, as crianças têm que andar mais com a mãe, só assim eles vão construir laços fortes comigo.

Agora olhe bem para a minha cara, olhou? Vocês pensam que quero construir algum laço forte com os filhos dos outros? Se disse sim, parabéns, você é um imbecil que não sabe o que diz, e quem falou não, te agradeço, você merece um abraço meu. Por agora estou muito irritada, dado que, em vez de paz e sossego, ganhei aborrecimento no meu juízo.

— Bela, é realmente necessário à minha presença? — A coitada da Helena falou querendo também uma folga das pestes.

— Sim, não vou dar conta desses embrulhos. — Claro que fiz questão em trazê-la comigo, afinal de contas, com quem vou deixar as bombas?

— Mamãe, a senhora deveria ser gentil com seus filhos — disse Tomas fingindo uma cara de inocente.

Nesse tempo que passei na casa dos Martilhes descobri que Tomas é um pentelho irritante, se encontra sempre grudado na minha pessoa para descobrir algum segredo meu, segundo a sua fala: estou apenas garantindo a segurança da minha família de mulheres interesseiras. Sério isso! Olhem para mim e vejam se tenho rosto de interesseira? Claro que não, prefiro mil vezes o meu dinheiro, não o de homem.

— Oh!? Meu amor, vem dar um abraço na mamãe. — Tentei chegar perto dele para um abraço, de preferência bem apertado.

— Eca! — Mas o desgraçado fugiu, ficando bem próximo da janela do carro contrária a mim.

— Chegamos. — Anthony falou cortando o clima da asneira.

Bati na porta da pensão e encontrei uma Dona Linda muito animada.

— Menina, fico feliz que não esqueceu dos pobres. — Abraçou-me, quase sufocando essa miserável mulher.

Dona Linda, queria esquecer, pode crer.

— Onde estão as meninas? — perguntei quando me soltei do seu aperto.

— Estão no quarto, Lúcia acabou de chegar. — Me indicou para entrar com a mão.

— Vou vê-las — Me virei, entregando Tiana a Helena, com a pretensão perfeita para um descanso merecido.

— Quem são? — perguntou antes que eu subisse a escada.

Ela observou as quatro crianças, que agora estão aparentando um semblante meigo como se fossem uns completos anjinhos, doce engano, quem vê nem imagina as pestes que tenho, provisoriamente, faço questão de ressaltar.

Eles estão em fileira na porta da pensão, como se estivessem de prontidão prontos para serem avaliados, ao contrário do que aconteceu comigo quando os conheci. Enquanto Helena segura Tiana desajeitadamente, pois esta tenta a todo custo voltar para os meus braços.

— Ah! São os filhos do meu patrão, eles podem ficar na sala? Já, já volto. — Nem a deixei iniciar outra frase, subi rapidamente para o quarto das meninas.

— Oi!!! — falei um pouco alto demais.

Assim que olharam para mim, vieram ao meu encontro me dando um forte abraço. Lúcia tirou as provas que estava corrigindo da cama e se sentou na minha frente, Ângela fez o mesmo com seu celular.

— Então, Bela, como vai a vida? — Lúcia comentou sucinta.

— Nada boa. O senhor Martilhe quer ter algo mais concreto comigo. — Soltei logo a bomba de uma vez.

Eu sei, para quem disse que não iria mais confiar em alguém, dei o primeiro passo rápido demais. Oh céus, realmente, gente burra ama quebrar a cara. Não gosto de pensar de maneira segregada, como se não estivesse falando comigo mesma, mas neste momento é realmente necessário, dado ao meu estado de ignorância.

— O quê? Explique essa história direito. — As duas se acomodaram ao meu lado me encarando ferozmente.

Comecei a explicar tudo do início, em cada palavra inusitada elas faziam uma careta. No fim, caíram na gargalhada. Isso é esquisito, é injusto rir da desgraça alheia.

— Qual é a graça? — Já estou com raiva, nem sei o que deu em mim para falar com essas duas retardadas.

— Toda, tente entender a nossa visão. — Lúcia olhou para Ângela, depois me encarou e continuou a falar.

— Espere até Lúcia terminar. — Ângela cortou Lúcia antes dela começar.

— Você está apaixonada por uma pessoa, que nem sabe se ele está brincando com a sua cara ou sendo verdadeiro. — Riu, mas sua expressão mudou de brincalhona para uma temerosa.

Realmente sua fala é uma verdade, mesmo que eu tente não admitir, mas Ryan expõe todos os indícios de uma pessoa que está brincando com os sentimentos dos outros, e isso é efetivamente preocupante, porque se eu entrar nessa enrascada serei uma sadomasoquista comigo mesma.

— Não estou apaixonada — falei convicta.

Quem estou querendo enganar, as palavras "fogo na lambreta" estão escritas na minha cara, ainda por cima, devo estar com o farol aceso e a traseira desencapada.

— Sério? Me descreva ele. — Levantou o canto do seu lábio em um sorriso presunçoso.

— Não, não, não vou cair nessa armadilha novamente. Está certo, estou apaixonada, e daí? Fui burra o suficiente para me levar novamente. — Confessei logo, antes que tivesse que pagar aquele mico novamente.

E deveras sou uma tremenda idiota, por perder o meu tempo me apaixonando, especialmente por Ryan, o "senhor quero te seduzir".

— Ei, se apaixonar não é burrice, isso mostra que você tem coração. Algo que pensávamos que não existisse em você. — Olhou para Ângela rindo. — Veja pelo lado positivo. — Cruzou as pernas.

— Qual? Além de ser usada, abusada e descartada. — comentei puxando o lábio para o lado direito, em exasperação.

— Lembre-se, se não der certo, pelo menos você não vai dizer que nunca tentou. — Deu de ombros.

— Isso é um grande incentivo, Lúcia. — Levantei-me da cama e comecei a rodar pelo quarto.

— Não lembro de qual filme é, mas vi essa frase em algum lugar: "não planeje sua vida, projete ser pega de surpresa!" — Disse sorrindo como se estivesse tirado o ouro do baú.

— Que asneira é essa que você falou? Definitivamente vocês são péssimas para dar conselhos. — Comecei a andar em círculos desmanchando meu cabelo que estava em um coque bem apertado, quase comendo o meu juízo. — Eu não quero amar tanto alguém a ponto dessa pessoa ocupar toda a minha cabeça, todo meu espaço, isso é ridículo, não tenho tempo para esses fetiches românticos de mulherzinhas, tenho uma carreira para reconstruir, e mulheres de sucesso não precisam de família. Se eu soubesse que ia me sentir desse jeito a respeito dele, teria ido embora há muito tempo, enquanto ainda podia. — Parei na frente das meninas toda descabelada. — Por qual motivo ele não sai da minha cabeça? Chega! Quero voltar a pensar livremente. — Às duas começaram a me encarar como se eu estivesse louca.

Esse cenário me lembra quando Hana contou que ela estava grávida, na época ela era apenas uma adolescente. Quando soube, agi como se ela estivesse louca, e por incrível que pareça ela entrou na brincadeira.

— Você não vai dizer a sua mãe que está grávida? Ela pode notar quando sua barriga começar a crescer. — perguntei me divertindo um pouco, afinal, nunca imaginei minha melhor amiga certinha engravidar na universidade.
— Ela vai dizer que estou gorda. — Brincou com o ocorrido.

Naquela época fiquei besta com o acontecimento, pois eu esperava uma Hana chorosa e deprimida, em vez disso ela arcou com as consequências de seus erros, foi madura e não escondeu de ninguém.

— Ei! Terra chamando Bela! — Ângela deu um peteleco no meu nariz.

— Ei! Pare, sua retardada. — Me virei para a pequena janela do quarto.

— Chata, o que aconteceu? Parece que você parou no tempo — falou parecendo estar se divertindo com o ocorrido.

— Só estava recordando algo do passado. — Resolvi ser sincera, afinal, elas são minhas amigas, que fique claro, somente um pouco.

— Continue. — Insistiu.

Revirei os olhos.

— Me recordei que minha amiga engravidou assim que ela acabou de sair da adolescência, tinha feito apenas o primeiro semestre na faculdade, mas ela não fez escândalo, muito menos chorou, nem exagerou no drama. Apenas agiu de maneira madura e arcou com as consequências.

— Isso é um tapa na sua cara Bela. — Lá vem ela. — Você só está apaixonada e fez esse drama todo. Só queria ver se estivesse grávida, só me falta pensar que você abortaria a criança. — Riu do seu próprio comentário.

Isso pode ser engraçado agora, mas não se engane. No medo ou raiva, as pessoas fazem coisas que se arrependem pelo resto da vida.

— Então, vai dar uma esperança para o gatão? — Riu histericamente.

— Não sei — falei indecisa.

— Pare de drama, você não é assim. Dê uma chance ao boy, mas não esqueça dos preservativos. — Deu leve tapinhas nas minhas costas.

Um! Ótima ideia, ele quer me namorar, né? Portanto, vai ter que entrar no meu jogo.

— Obrigada meninas, vocês são ótimas. — Dei um sorriso de orelha a orelha.

— O que você está tramando? Esse sorriso macabro está me assustando. — Olharam uma para a outra. — Então, que tal marcarmos um encontro duplo? Essa pode ser a oportunidade de você conhecer melhor o Sr. Martilhe e de apresentar a você o meu namorado. — Esbanjou um sorriso radiante, até para Lúcia.

— Namorado? — Não acredito que sou a última a saber. Meu semblante enrugou em reação.

— Lúcia, olha ela. — Ângela apontou para mim. — Já voltou com a cara de bicho.

— Pare de drama, isso tem poucos dias. Fale com seu amado, para sairmos. — Não deu muita importância a minha reação.

Suspirei alto pelo ocorrido, mas tive que levar numa boa.

— Vamos descer, os filhos de Ryan estão me esperando.

— O quê? Você trouxe os filhos do chefe para cá e não nos contou? — Desceram desesperadas na minha frente. Malucas!

Quando cheguei na sala, as meninas estão brincando com Tiana, conversando com os meninos e aproveitaram o tempo para conhecerem Helena.

— Fico feliz que a Bela esteja conversando com alguém no trabalho. — Ângela falou como se Helena já fosse sua melhor amiga, tenho certeza de que ela não vai deixar a garota em paz.

— Mamã. — Tiana falou querendo ir para o meu colo, nessa hora todo mundo resolveu parar o que estavam fazendo e prestar atenção na vida dos outros.

— Não acredito. — Alguém falou.

Droga! Sabia que isso uma hora aconteceria, e o pior, logo na frente de Tomas, que azar. Mordi a boca em nervosismo e tentei agir naturalmente com a minha grosseria habitual.

— Boca fechada não entra mosca. — Peguei a menina e olhei para todos, principalmente Tomas.

— Só quero ver a reação do papai quando ele souber. — Pela primeira vez Tomas pronunciou-se.

— Não haverá reação nenhuma, pois você não vai contar. — Dei um olhar mortal para ele.

Depois desse ocorrido, ninguém comentou mais nada sobre o assunto. Fiquei em um canto com Tiana, enquanto Lúcia ficou com as crianças, e Ângela enchendo o saco de Helena. Após isso, Dona Linda só nos liberou para sair depois de comermos o seu bolo de laranja, e fomos embora.

Por volta das 21h chegamos à casa. Os meninos foram para os seus respectivos quartos e dei mamadeira a Tiana antes que ela pegasse no sono. Logo após fui para o quarto.

Depois do banho, deitei-me na cama e comecei a folhear um dos livros de estudo do senhor Martilhe.

Têm horas que imagino que sou louca, por chamar o meu falso noivo pelo sobrenome em vez do nome, mesmo que isso esteja diminuindo com o tempo, ainda é estranho.

Sou dispensada dos meus pensamentos pelo toque do celular.

— Alô. — Atendi já sabendo ser Miguel.

— Parabéns pelo noivado irmã. — Jogou a bomba sem alarde na minha cara.

Nesse momento o ar me faltou, não de alegria, mas de puro pânico, pois se Miguel soube quer dizer que outras tantas pessoas também sabem do ocorrido.

— Como? — Minha voz soou falha.

— Não acredito que você noivou sem nem convidar a sua família, estou decepcionado. — Fez drama.

— Me poupe Miguel, como você soube dessa porcaria de noivado? — A apreensão tomou conta do meu semblante, e dei graças aos céus por estarmos conversando pelo telefone.

— Não é difícil quando os sites de fofoca expõem uma mulher como sendo a noiva do incrível CEO Ryan Martilhe. — Seu tom de voz alterou-se.

Assim que mamãe morreu, Miguel teve uma mudança súbita de comportamento, se tornou maníaco pela boa imagem pública, principalmente se tratando da sua família. A sua sorte é incrível em relação aos irmãos, porque eu e Philip não fazemos a mínima questão de conceder vexame a mídia, tendo em vista a nossa mínima participação nos eventos da sociedade, apenas pelo nome da família. Como tinha uma empresa de médio porte, o meu único objetivo era ascender no mercado da moda, algo muito difícil. A família possuía uma empresa na área de produtos agropecuários que terminou por ser vendida aos sócios da organização, já que, nem eu e meus irmãos temos afinidade com essa área. Com o dinheiro da herança e da maioria das propriedades vendidas, Miguel e Philip resolveram investir, e a burra aqui decidiu abrir uma empresa juntamente com Clara, grande erro da minha parte, visto que, se fosse esperta como meus irmãos, hoje estaria rica e não precisaria passar por essa humilhação.

— Apareceu a minha imagem? — Fiquei apavorada, era só o que me faltava, ninguém pode me reconhecer.

— Não, afinal de contas, os irmãozinhos servem para isso. Agora me responda, o que é melhor que ter um irmão advogado? — O seu ego acendeu imediatamente.

— Viver em completa harmonia com ele. — Afinei a voz.

— Não, porque isso é sua obrigação. Dizer a verdade Bela! Como é que posso confiar em você se a senhorita não diz a verdade e esconde as mínimas coisas? — Transparece irritação.

— Isso não é mínimo. — Tentei desconversar.

— Aí!? Sua... — Tenho certeza de que ouvi um palavrão do outro lado da linha.

— Ei! Calma, prometo não esconder nada, agora pare de drama. — Tentei soar sincera, mas nós dois sabíamos que isso não era verdade.

— Não vou nem comentar. Espero que você seja discreta, pois, se ocorrer outro escândalo, não tenho certeza de que poderei te livrar. — Desligou o telefone.

O céu e à terra não se importam com a sua ira irmãozinho, mas prometo ser uma boa irmã recatada e calada como era antes de Sebastian me destruir. Como se eu fosse um objeto descartado, ele decidiu se apaixonar por uma mocinha perfeita como nos livros de romance. Até hoje não entendo o que há na cabeça das pessoas em torcer pela separação do casal já existente na trama porque uma mulher perfeita apareceu encantando os olhos do galã que já era comprometido. Isso é uma lástima, uma completa covardia, seria bem aprovado se acontecesse na vida real a mesma coisa com elas.

Mesmo perante esse martilho a minha família sempre esteve comigo, pelo menos Miguel e Philipe sempre estiveram. Mas como posso me esquecer de Hana ela sempre foi como uma irmã para mim, mesmo em meio as minhas loucuras para separar Sebastian de seu novo amor, ela nunca me deixou, sempre me aconselhou. Até quando fui o pivô da sua pior desgraça... Algo que não faço a mínima questão em recorda, é como uma ferida que não foi completamente cicatrizada, é algo que não se deve tocar. É por amor a ela que não faço nada com Clara, a sua irmã gêmea, pois a cada segundo que olho para o seu rosto vejo a imagem de Hana dizendo: não toque nela, você não tem esse direito, um dia ela aprenderá uma lição, mas não quero que você seja a causa disso. É por causa de tudo que aconteceu que me mantenho passiva, porém um dia essa calma vai acabar, e espero que Clara tenha mudado até lá.

Éramos como às três mosqueteiras, mas pelas minhas atitudes fomos divididas por uma série de acontecimentos, na maior parte causada por mim. Sei que Clara ficou magoada pelo que aconteceu com Hana e até hoje tem raiva de mim, a respeito por isso, afinal era a sua irmã. É algo que só o sangue pode explicar, como eu, Phillipe e Miguel, mesmo sendo irmãos adotivos.

Suspirei e tentei não me importar muito com o senhor palhaço, mesmo a minha mente gritando — Poxa! Miguel está bravo mesmo, porcaria! Não adianta me martirizar, só tenho que parar de chamar atenção para a minha pessoa.

— Chegou tarde. — Ryan me deu um selinho, causando susto ao meu pobre coração.

Olhei para ele assim que tirei o celular do ouvido, após encerrar a ligação.

— Que susto. — Dei um tapa no seu braço.

— Mulher brava. — Saiu de perto de mim, entrando no banheiro.

Quando estou quase pegando no sono, ele chega me dando outro beijo.

— Saia, desgruda. — O empurrei.

— Você é chata. — Ajeitou-se.

— Bom saber. Vamos acertar o termo do contrato. — Olhei para ele ainda deitada.

— Então aceitou? — Pareceu confiante e estranhamente animado.

— Claro que aceitei, senão você não estaria me beijando. Mas tudo tem um porém... — Cruzou os braços me encarando sério. — Só teremos beijos, nada além disso.

— Como assim? — Estreitou os olhos.

— Sei que você não é burro, foi isso que ouviu, sem sexo. — Afirmei convicta.

— Por quê? — Se fez de desentendido.

Quero que você me ame por quem sou, não por aquilo que posso te proporcionar. Com certeza, é divertido brincar com o famoso senhor Martilhe. Contudo, o senhorio não pode saber disso!!!

— Isso é uma resposta que você vai ter que descobrir. — Dei um selinho nele, na última palavra e virei para o outro lado da cama. — Assim, amanhã vamos sair com uns amigos — falei ainda virada.

— Desde quando você tem amigos? — comentou querendo ser incisivo.

Preferi não responder ao seu comentário ofensivo e fechei os olhos para dormir.

Durante a noite, tenho a ciência que ele ficou perturbado, portanto, que os jogos comecem. Só espero não sair ferida dessa brincadeira.

Espero que tenham gostado, até a próxima.

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