Prólogo


O pequeno Alonso Ramirez era o mais novo de cinco irmãos, seu pai na época era um poderoso traficante de drogas, procurado por toda policia mexicana e alguns fortes carteis de drogas, vivo ou morto. O homem que Alonso amava e admirava vivia pelo mundo com seus negócios ilícitos. Já sua mãe era apenas em casa, era ela quem cuidava de tudo, dos filhos, da casa, das contas e muitas vezes do emocional de seu marido quando era necessário ser mais firme com sócios, ou seja, matá-los. Era uma grande felicidade quando seu pai voltava para casa depois de longas viagens e podia ficar um pouco com a família, era algo que ele sempre prezou, amava a mulher, os filhos, e estar em casa no aconchego do lar. Sentindo o calor de sua esposa na cama e o abraço dos filhos quando lhe contava uma historia antes de dormir. Ele era uma criança feliz, tinha tudo que precisava, o amor do pai, da mãe e dos irmãos por ser o mais novo.

Um dia Alonso saiu de seu quarto assustado. Teve um pesadelo horrível e foi para o quarto dos pais, era acostumado a fazer isso sempre que tinha um sonho ruim, sua mãe já o conhecia bem que a porta de seu quarto ficava destrancada. Adorou ter aquele pesadelo, pois assim poderia dormir com o aconchego de seu pai e de sua mãe, amava aqueles momentos, porém ao abrir a porta ficou impactado, sua mãe estava com os pulsos preso na cabeceira da cama por cordas, uma mordaça na boca e lagrimas nos olhos. Seu pai segurava um chicote que ele já virá muitas vezes os empregados usarem para bater nos cavalos. Tudo aquilo foi um choque tremendo para o pequeno garotinho de seis anos. Pensar que ele demorava dias, até meses para voltar e quando o fazia só vinha para machucar sua mamãe? Não! Ele não ia deixar isso acontecer. Cheio de fúria soltou o cobertor e partiu para cima de seu pai que estava nu segurando o chicote e ofegante, quando ele gritou para soltá-la seu pai virou-se para ele assustado.

O menino chutou, socou e gritou irado, sentia tanto ódio enquanto gritava para não machucá-la.

Ele machucava sua mãe, ele tinha que parar, ele ia a salvar. As lágrimas embaçava sua visão de horror ao ver tudo aquilo. Seu pai o segurou firme pelos braços o impedido de chutá-lo mais e o olhou firme.

-Alonso, meu filho. Pare! Não é o que você estar pensando. -O sentou na beirada da cama. Não gritou e nem tentou machucá-lo também. Apenas pediu como sempre fazia, com toda calma e serenidade. -Não estou machucando a mamãe, meu filho. -Tentou acaricia lhe a bochecha, mas ele virou o rosto.

-Estar sim. Você e mal. Eu odeio você, odeio você. - Tentou chutá-lo, esperneando.

-Não! Olhe para mim. Vou soltar sua mãe. Então vamos conversar sobre isso, está bem? - Os dois olharam para ela na cama ainda presa. Sua mãe lhe olhava envergonhada.

Seu pai assim fez, soltou sua mãe, a ajudou vestir um robe e juntos sentaram ao seu lado e explicaram o que significava aquilo, que ambos gostavam daquele momento, que não se machucavam, que era somente prazer. Ele não chegou a entender o porque das pessoas gostarem daquele tipo de coisa. Seu pai sorriu e lhe disse que quando fosse mais velho ele iria entender e quem sabe também gostar. Os dois o levaram para quarto, sua mãe o deitou na cama e afagou seus cabelos enquanto seu pai lhe contava pela trigésima vez a historia do lobo e dos três porquinhos. E assim ele caiu no sono.

Naquela mesma noite, seu pai, sua mãe e seus irmãos foram mortos por um rival do tráfico de drogas que mandou matar toda sua família sem dó e nem piedade. Ele apenas sobreviveu porque seu irmão mais velho conseguiu entrar em seu quarto e o escondê-lo em um baú velho, Aurélio lhe disse para fica quieto e não se mexer, que fosse corajoso que tudo ficaria bem, e que lhe amava muito assim como os pais. O barulho dos tiros foi horrível, perdeu as contas de quantos foram, ele se encolheu e chorou baixinho com barulho e gritos do lado de fora. Perdeu a noção de tempo, quando se deu conta, tudo ficou em silencio, não havia mais as rajadas de bala e nem gritos. Só tinha seis anos, mas ele rezou para que todos estivessem bem. Ele chorou assustado ate cair no sono. Acordou pelo susto quando alguém abriu o baú. Achou que o tinham encontrado, nas não, era a policia que veio ao seu resgate.

Um homem todo de preto lhe tirou do baú, perguntou-lhe se estava bem e o retirou do quarto cobrindo seus olhos para não ver o horror que a casa se tornou. Mancha de sangue no chão, buracos de tiros nas paredes e o irmão que o salvou estava ali, morto na porta de seu quarto. Mesmo o homem tentando esconder aquele horror, de longe pode ver o irmão no chão sujo de sangue, no corredor seu pai ainda com uma arma nas mãos, na cama sua mãe, não viu os outros irmãos, deviam estar mortos também, jamais poderia esquecer aquele dia, jamais seria capaz de esquecer como foi assustador e horrível.

A partir dali sua vida estava mudando drasticamente, de um lar familiar cheio de amor e alegria, para um abrigo social do governo. Não demorou muito até uma família vir e o levar para morar com eles, no começo até que foi bom, achou que o amor que eles demonstravam para as pessoas iria lhe fazer superar o trauma. A mulher era boa, cuidava dele. Mas nem tudo são flores, o amor que a família dizia sentir mudou em uma noite quando estava no quarto e o marido dela adentrou sorrateiro, disse que ia lhe contar uma história e brincar um pouco, e nisso ele baixou o short e o pediu para tocar mais intimamente, ele não quis, o sujeito puxou as calças de seu pijama acariciou seus órgãos genitais e tentou beijá-lo. Sentiu medo, sentiu nojo do perfume dele, pulou da cama e vômitou. Com isso sofreu seu primeiro abuso, e não parou mais, foi abusado uma, duas, três vezes até perder as contas. Ficou um ano naquele inferno, para todos eram a família perfeita, mas a noite o homem exemplar tornava-se um mostro.

Alonso já tinha oito anos, não suportava mais aquela situação, tentou falar para a mulher, mas ela não acreditou dizendo que era coisa de sua cabeça, o chamou de mentiroso e lhe deu um tapa. Então ele próprio teria que resolver essa situação por si só. Ele estava sozinho, tinha que aprender a se cuidar e não esperar pelos outros. Naquela noite isso iria parar, não iria acontecer nunca mais. Antes de deitar pegou uma das facas na gaveta da cozinha, a maior que viu e levou para cama, era sempre a mesma coisa, noite sim, noite não ele ia visitá-lo. Depois da meia noite o homem invadia seu quarto e o abusava de formas que ele não suportava nem pensar, sentia nojo de sua pele depois de ser tocado e violado.

E como o esperado assim aconteceu, o homem entrou com aquele cheiro nojento de um perfume caro, o chamou de querido e disse que tinha ido lhe fazer um agrado, quando ele tirou o short e subiu na cama, sem hesitar Alonso lhe enfiou a faca na barriga. Era inumano para um garoto de oito anos ter aquele tipo de sentimento, mas sentiu um imenso prazer quando o viu de olhos esbugalhados e assustados tentando balbuciar algo. Já havia planejado tudo, depois que fizesse aquilo, pegava sua mochila e iria embora para nunca mais ser encontrado. Quando saltou da cama, pegou a mochila escondida no armário com roupas e uma boa quantidade de dinheiro que roubou dos dois e abriu à porta a mulher que se dizia ser boa mãe para todos estava ali. Chocada olhando o porco imundo sobre sua cama nu e sangrando. Ele nem parou para a encará-la apenas saiu correndo enquanto ela gritava o chamando de monstrinho assassino e corria para socorrer o nojento. Depois do que fez, passou a noite inteira no bueiro de um esgoto ouvia o barulho de sirene indo e vindo, no dia seguinte iria para o Novo México e assim conseguir chegar aos Estados Unidos da América.

Achou que depois que fugisse tudo seria um mar de rosas, mas não foi. Entrou para uma gangue no Brooklin, usou sua primeira droga, maconha. Viciou-se e queria sempre aplacar o vicio. Tornou-se um forte viciado com dez anos. Os anos passaram e já com quinze anos foi pego roubando um pedaço de pão em uma mercearia, o dono não perdoou e lhe entregou para a gangue rival onde lhe deram uma surra daquelas e o jogaram em uma vala, sujo, ferido e faminto. Desejou tanto morrer enquanto apanhava, mas não aconteceu, não suportava mais aquela vida de fome, vicio e miséria ao qual vivia. E ainda mais o trauma da infância que o perseguia muitas das noites. As drogas ajudavam a aliviar os sonhos ruins que tinha todas as noites. Ali jogado na sarjeta, com a torrente chuva caindo sobre ele e lavando o sangue de seus machucados. Viu quando um senhor que sempre era visto por ali comprando pão as tarde aproximou-se, ele se agachar ao seu lado, segurava o guarda chuva e a sacola com três pães o ajudou a ficar de pé e levou para sua casa. Cuidou de seus ferimentos, lhe deu comida, lhe deu roupas limpas e disse que se ele quisesse mudar podia ficar. Alonso disse a si mesmo que jamais faria tal absurdo, já viu aquele tipo de bondade disfarçada em ajuda. Pensou que o senhor seria igual ao outro, mas no fim de tudo Francis não era. Era um senhor de idade avançada, solitário que tinha pilhas e pilhas de jornais antigos e revistas que adorava ler toda noite.

Então ele ficou. Sua vida mudou completamente, passou pela abstinência do vicio por drogas, gritou muitas das noites com os pesadelos. Mas no fim superou tudo graças ao apoio de Francis. Ele estudou, se formou e cuidou de Francis até sua morte. Onde lhe deu como único herdeiro. Era um homem sozinho, não tinha família não tinha para quem deixar sua herança, e em seu túmulo, Alonso lhe jurou que seria um homem melhor, um homem poderoso e com princípios. E assim fez.

Daria orgulho aos seus pais, e a Francis que confiou e acreditou nele mesmo sem ter motivos.

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