Capítulo especial: Depois da Liberdade

6 ANOS DEPOIS...

Acordei abruptamente quando ouvi o despertador tocando, estava suado e a camisa que eu usava grudava na minha pele. Olhei as horas no meu celular na mesinha de cabeceira e eram exatamente 5:08, não lembrava de ter colocado o alarme para aquela hora, que estranho.

Voltei a deitar, colocando minha cabeça no travesseiro e suspirando, agora eu iria demorar horas pra dormir, que inferno. Eu já estava pegando no sono quando ouvi um barulho estranho na cozinha, abri meu olhos rapidamente e o medo tomou conta de mim. Será que era bandido?

— Droga... — falei, nervoso. — Bandido às cinco horas da manhã, sério?

Peguei um taco de basebol que até o momento nunca tinha me questionado o porquê de eu ter um na minha casa, e ligeiramente feliz por ele está ali. Se o bandido viesse aqui eu iria tacar esse taco com força na cabeça dele.

Caminhei lentamente até à porta do meu quarto e então a abri bem devagar, para não fazer tanto barulho. Olhei de relance para o corredor vazio e criei coragem para finalmente ir ver quem estava assaltando meu apartamento.

— Olha, seja lá quem estiver aí... Eu estou com uma arma e vou atirar bem na sua cara se você não for embora... Eu tô avisando. — falei, atropelando as palavras. Eu me odiava por estar blefando, queria mesmo ter uma arma naquele momento.

Perto da cozinha, eu ainda podia ouvir o barulho, parecia que alguém estava mexendo em plástico ou algo assim. Tentei chegar mais perto sem fazer barulho, eu iria pegar o maldito de surpresa e estourar a cabeça dela com aquele taco. 

Parando perto da entrada da cozinha, segurei firme aquele taco e me encostei na parede gélida. Era hora. Seja lá quem estivesse ali iria ter a cabeça partida ao meio.

Criando coragem, respirei fundo e então corri para cozinha, em posição de ataque, e ao ligar a luz, tive uma surpresa, literalmente:

— AHHH — gritei, ao ver não um bandido, mas Hugo em pé e encostado na mesa, com uma arma de confete na mão e um cone rosa na cabeça. — Mas que porra é essa?

— Feliz aniversário! Irra — ele disse, sorrindo. E então estourou confetes pela cozinha.

Caralho, eu esqueci do meu fucking aniversário.

A caixa de som ao lado dele chamou minha atenção quando começou a tocar Parabéns, da Pabllo Vittar. Ele começou a dançar, vindo na minha direção.

— Eu vou comer seu bolooo — ele me deu um abraço. — Feliz aniversário, amigooo! Desculpa te dá um susto desses, mas eu estava planejando isso a meses. Pera aí... Você não esqueceu do seu aniversário, esqueceu?

— É claro que esqueci, Hugo! Eu acordei às cinco horas da manhã com alguém remexendo minha cozinha! — afirmei, e por mais que tivesse feliz coma supresa e por ele ter lembrado do meu aniversário, eu estava um pouco bravo com situação. — E por que não fez uma surpresa como alguém normal faria? Sem invadir a casa dos outros às cinco da madrugada! E aliás, como entrou aqui?

— Fiz uma cópia da chave! — ele disse, pegando um brigadeiro de cima da mesa e comendo — Agora, me dá esse pedaço de pau aqui e vamos comer esse bolo — falou, pegando o taco da minha mão e colocando em cima do balcão.

— É de madrugada, Hugo! — falei, me dirigindo rumo à geladeira, gritar me deixou com sede. — E você vai me devolver esta chave, não quero você xeretando nas minhas coisas quando eu não estiver aqui.

— Você não confia em mim ao ponto de me dá uma cópia da chave da sua casa? — ele fez uma voz manhosa, revirei os olhos.

— Por que a minha casa? Você tem a sua!

— Não é a mesma coisa! Eu não gosto de ficar lá sozinho, é horrível. Aqui pelo menos eu fico com... Com o Billy! — disse ele, apontando para meu gato, que acabara de aparecer na cozinha, ronronando.

— Ele não gosta de você, e você sabe disso. — Hugo... Qual o real motivo de você querer uma cópia da chave?

— Fui demitido, quer dizer, na verdade eu me demiti — falou, sorrindo, como se aquilo fosse algo para se orgulhar.

— Se demitiu? Meu deus!

— Olha, aquele meu ex chefe era um porre. Ficava toda hora reclamando de tudo que eu fazia, literalmente. Mas você não respondeu a minha pergunta! Você não confia em mim?

— Sinceramente? Nem um pouco — coloquei o copo na pia cheia de louça suja e fui até Hugo. — Mas, dessa vez, vou te dá um voto de confiança. Se fizer alguma merda, tal como trazer caras sem a minha permissão, fazer festas ou... Orgias — fiz uma cara de nojo — diga adeus a chave.

— Meu deus, eu te amo! — ele me deu um abraço — E pode ficar tranquilo, não vou trazer caras sem a sua permissão, ou... Fazer orgias, ou seja lá o que for! E não se preocupa, só vou ficar aqui até eu arrumar outro emprego, e quem sabe, alugar outro apartamento, porque o outro...

— Eu também te amo. Agora eu vou tomar banho, porque eu tenho trabalho daqui a pouco, não sou um desempregado que nem você. E vem cá, quando foi que você se tornou alguém tão irresponsável?

— Vai se foder. — falou, me mostrando o dedo do meio. — E eu não sou irresponsável, sou não ligo muito para organização e trabalho...

— Espera, deve ser por isso que desistiu da faculdade de direito — provoquei, pondo a mão no queixo como se eu tivesse pensando.

— Se você não ir tomar a porra do seu banho quem vai ficar desempregado aqui é você.

Gargalhei, saindo da cozinha e indo para o banheiro.

                             ***

Eu trabalhava em uma editora no sul do Rio de Janeiro, depois que o Sr.Moreira morreu, a família dele teve que vender a propriedade dele e, consequentemente, a sua amada biblioteca. Fiquei bem abalado na época, eu gostava muito dele. Então, em contrapartida, eu tive que arrumar outro emprego para me sustentar e pagar a faculdade de letras.

Meus pais até quiseram ajudar, mas eu recusei. Seria uma maravilha ter a faculdade toda paga pelo meu pai, ou um apartamento pela minha mãe, mas eu queria ter um sentimento de conquista.

Bom, e se eu saí vivo de uma pandemia que matou milhões de pessoas no mundo e um presidente maluco que quase acabou com o país, eu conseguiria morar sozinho, com meus próprios gastos e meu próprio dinheiro, como um adulto de 24 anos faria — ou pelo menos tem que fazer.

— Jason, gostaria que você fizesse um relatório sobre os novos livros de destaque do mês, e que também checasse os malditos emails que eu mandei a Marisa checar há uma hora atrás. Por favor, faça isso... Não queremos ser processados. — pediu o Lucas, meu chefe. Ele era gente boa.

— Tá bom, chefe. Só vou verificar se os lotes dos livros publicados recentemente estão em ordem. — falei.

— Obrigado, você é um anjo.

Mandei um beijinho para ele, o mesmo sorriu.

                             ***

— Arrumei outro emprego. — disse Hugo, chegando de repente e sentando ao meu lado na praça de alimentação da Editora.

— Parabéns, amigo. É da sua área? — disse, bebendo o resto do meu achocolatado.

— Sim, felizmente. O salário é ótimo, o chefe é um gato e é bem perto de onde eu vou alugar um novo apartamento.

— Nossa, eu tô muito feliz por você. — falei, sorrindo.

— Tá feliz é porque eu vou sair da sua casa, isso sim. — Hugo disse, jogando um pedaço de bolo em mim.

— Não, não é isso. — me defendi — Quer dizer, só um pouco... Mas saiba que você é bem vindo pra ir passar um final de semana comigo.

— É uma honra, obrigado. — ele voltou a comer seu bolo coberto de chocolate e sua Coca-Cola.

— Não acha que isso vai te fazer mal mais tarde? Não é uma combinação muito boa, foi o que minha ex nutricionista disse.

— Foda-se você e sua maldita nutricionista, eu comeria você vivo agora de tanta fome.

— Tá bom... — olhei estranho para ele. — Tá na minha hora... Se eu chegar um minuto atrasado meu chefe me mata. Boa sorte com seu novo trabalho.

— Obrigado. — ele sorriu e voltou a comer, revirei os olhos.

                                 ***

— Por favor, para. — falei à minha mãe, que insistia em me apresentar um amigo do trabalho dela. Estávamos na cozinha, enquanto eu fazia minha janta. — Não preciso de relacionamentos, estou muito bem sozinho.

— E quem falou em relacionamentos? Eu só quero que conheça alguém pra sair e se divertir um pouco. — ela disse, olhando para mim. — Você não namora ninguém desde...

— Não quero falar disso, mãe. — a regra era: não falávamos daquele assunto em hipótese alguma.

— Hugo tava certo quando disse que você passa muito tempo trabalhando, nem se importa mais com sua vida.

Ela estava certa. Mas, eu não me importava com esse fato. Garotos e relacionamentos não iriam pagar minhas contas e colocar comida na mesa. Não me importava com absolutamente nada disso. E não tinha nada a ver com ele... 

Definitivamente não tinha.

— Fico feliz que ainda se importe comigo, mas não precisa. — fui até ela e peguei na sua mão. — De verdade, mãe. Só quero continuar fazendo o que eu gosto. Sem ocupar minha cabeça com homens e... Namoro.

Há 3 anos minha mãe havia se curado do seu câncer. Foram 3 anos de quimioterapia, luta e tratamento. Ficamos tão felizes quando recebemos a notícia de que ele finalmente iria poder voltar para a casa bem e saudável.

Agora ela estava curada, casada e feliz.

— Jason, tem alguém querendo te ver! — Hugo apareceu na cozinha de repente.

Quando cheguei na sala, meu pai estava parado me olhando, depois de 2 anos ele finalmente voltou para o Brasil. Corri e o abracei, tão forte que parecia eu iria esmaga-lo.

— Calma, Jason! Assim vai me matar — disse, dando uma risada.

— Ele devia mesmo te matar por demorar tanto tempo pra voltar pra casa. — sugeriu minha mãe, sorrindo.

— Você está ótima! — afirmou, sorrindo.

***

— Prontinho! — disse, colocando a salada em cima da mesa. O clima na mesa estava agradável e fazia um bom tempo que eu não juntava toda minha família para um jantar. — espero que gostem.

— E você Hugo, o que anda fazendo? — meu pai perguntou.

— Sinceramente? Nada. Desisti da faculdade de direito.

— Hugo agora é um completo irresponsável. — pontuei.

— Sempre foi! — rimos.

— Um soco no meio da cara vocês não querem, né?

***

Quando terminamos o jantar, fomos para a sala assistir um filme de comédia. Tudo estava tão pesado para mim ultimamente, com o trabalho, a casa... Eu realmente estava precisando de momentos assim, com a minha família.

O celular do meu pai começou a tocar, chamando nossa atenção, ele pediu licença e foi atender um pouco distante de nós.

Quando voltou, ele parecia um pouco nervoso.

— O que foi, pai? — perguntei, preocupado.

— Não é nada... Era só meu agente, ele ligou pra avisar sobre... Sobre o Erick.

Comecei a ficar nervoso. Fazia tanto tempo que eu não ouvia esse nome, não em voz alta, pelo menos. O que tinha acontecido com ele?

— Ele vai sair amanhã. Jason, Erick finalmente vai sair.

Tudo começou a ficar lento, eu não conseguia ouvir nada, as vozes estavam distantes, eu só conseguia pensar no tempo que passei longe dele, nos momentos difíceis em que queria eu ele estivesse comigo, quando quis ir visita-lo tantas vezes mas ele simplesmente não quis.

E agora, ele estaria livre, livre para seguir em frente, como planejamos.

— Licença, acho que vou... — corri para o banheiro às pressas, e despejei toda a comida que comi dentro da privada. Minha barriga estava dando um nó.

— Você está bem? — Hugo apareceu de repente, me olhando preocupado.

— Eu não sei... — disse, me sentando no chão do banheiro. Estava frio.

— Devia estar feliz, Jason... Erick finalmente vai ser livre para vocês ficarem juntos, como você sempre sonhou.

— Mas eu não sei o que pensar, Hugo! Não foraddas dias ou... ou meses! Foram anos! Seis anos! — afirmei — Eu estou tão feliz, ninguém estar tão feliz como eu estou... Mas, não é tão simples.

— É sim!

— Não é, cara! O Erick que vai sair amanhã não é o mesmo Erick que me afastou há seis anos atrás! Ele não é mais o mesmo, eu não sou mais o mesmo. Tenho medo dele não me amar mais... Ou até mesmo eu não ama-lo como antes.

— Olha, entendo está completamente nervoso, com medo, eu também estaria! Mas tudo de ruim que tinha pra acontecer já aconteceu! Carlos está morto há anos, você conseguiu superar todos aqueles obstáculos ao lado dele, do Erick... Então, não tem como um amor que passou por tanta coisa acabar assim.. Vocês foram feitos um para o outro, será que não percebe isso?

De qualquer forma, Hugo tinha razão. Erick e eu passamos por tanta coisa juntos, algo que nos uniu e que fez nós dois nos amar mais ainda. Porém, na minha cabeça, ainda tinha a possibilidade dele me amar. E se ele não me quisesse mais? E se, depois de todos esses anos, ele decidiu que não iria mais me ver e me esquecer?

— Consegue imaginar o quanto ele vai ficar feliz em te ver lá fora esperando por ele depois de tanto tempo? Pois eu consigo!

Eu dei um leve sorriso ao imaginar a cena.

— Tem razão... Eu tenho que ir. Preciso disso mais do que ninguém. Preciso do Erick.

— E eu tenho certeza de que ele precisa de você mais ainda — concluiu — agora vem cá, sai desse chão frio e vem me dá um abraço.

Ele abriu os braços e e então eu dei um abraço nele.

***

Lá estava eu, 6 anos depois, em frente aquele lugar novamente. Ainda lembro da última vez que pisei ali, quando o Erick pediu para que eu não viesse mais visitá-lo. Foi quando meu coração se partiu e eu não queria aceitar o fato de nós não ficarmos juntos.

Eu estava nervoso, não sabia o que fazer ao ver ele sair por aquele portão. O que eu devia dizer? Como eu devia agir? Fazia tanto tempo, eu não tinha a mínima ideia de como ele estava mentalmente, fisicamente.ou o mais importante; se ele ainda era meu Erick de anos atrás...

Meu coração acelerou ao ouvir o barulho do portão abrindo, senti minhas pernas tremerem e minha mãos soarem... era como se o portão tivesse se abrindo lentamente, só para me torturar.

O que eu faria ao vê-lo? Correria? Sairia correndo? Céus.

Finalmente o portão se abriu e então eu o vi. Não acreditava no que meus olhos estavam vendo. Talvez fosse um sonho em que eu fosse acordar no exato momento em que ele me beijasse. Senti minhas mãos tremerem, minha pernas não queriam se mover. Por que eu não tinha reação?

Ele ainda não tinha me visto, pois olhava desnorteado para os lados, provavelmente estranhando ver o lado de fora novamente. Era estranho vê-lo depois de tanto tempo, ainda mais tão diferente.

Quando nossos olhos se encontraram e eu vi aquele sorriso no rosto dele, que, depois de muito tempo, permanecia nas minhas lembranças, meus olhos se encheram de lágrimas e eu senti vontade de chorar.

Finalmente consegui mover as pernas e caminhar rumo a ele, ele também estava vindo na minha direção. Quando ficamos cara a cara, a poucos metros centímetros de distância, damos um abraço apertado e só Deus sabe o quanto eu senti falta do corpo dele, de estar em contato com ele, de abraça-lo... Ele me apertou contra si e era como se a saudade estivesse indo embora aos poucos, levando consigo a tristeza, o ressentimento e a dor.

— Eu senti tanta sua falta... Meu deus, como eu senti sua falta! — ele tocou na minha bochecha enquanto segurava o choro, e então me beijou, um beijo lento e doce, que fez o mundo parar por alguns segundos.

Era estranho beija-lo depois de tanto anos longe dele, mas ainda assim era o mesmo beijo, o mesmo gosto e a mesma sensação de quando eu o beijei pela primeira vez.

— Você tá tão diferente... Tá tão lindo, meu amor!

Ele passou a mão nos meus cabelos platinados e eu também olhei, ele também tinha mudado fisicamente; tinha algumas algumas cicatrizes no pescoço, no braço e sua cabeça estava raspada. Passei minha mãos pela sua cabeça e voltei novamente a sentir a textura dos seus cabelos, mesmo agora não tendo muitos.

Ele ainda continuava lindo. Tão lindo como na primeira que o vi, quando ele me salvou no meio daquele tiroteio.

— Você também não está nada mal — ri, em meio as lágrimas de felicidade. — Eu não sei como aguentei ficar longe de você por tanto tempo... Eu tô feliz em te ver, tão perto de mim, como antes... Tô contente que ainda me ame.

— Eu nunca deixei de te amar desde o dia em que partiu. Pensei em você cada momento em que estive naquele inferno, quando fui espancado, torturado, você era minha última gota de esperança, Jason... Você era o motivo de eu ainda está vivo. Se não fosse esse amor que ainda corre pelas minhas veias, eu não teria aguentado. Eu te amo tanto. Nunca duvide disso.

Nos abraçamos de novo, ainda mais forte. Erick ainda me amava, mesmo depois de tudo. Se fosse por mim, eu nunca mais sairia de seus braços, queria que o tempo parasse só para eu permanecer lá para sempre.

Porra, como eu o amava.

3 DIAS DEPOIS...

— Nossa, na cadeia eles ensinavam como fazer churrasco? Porra, que coisa maravilhosa! — disse Hugo, fazendo todos ao redor rirem.

Estávamos na casa de praia do meu pai, em West Palm Beach, decidi tirar uma folga do trabalho e viajar um pouco com minha família.

— Não, lá eu era o churrasco.

— Meu deus, Erick! — falei, dando um tapinha nele.

— Mas é verdade, amor!

— Deve ter sido difícil, Erick. Sabe, a convivência, aquele ambiente hostil. — disse minha mãe.

— Não foi fácil. Tudo que vivi lá eu prefiro esquecer. Prefiro apagar da minha memória. Mas, antes disso, eu vou lavar como uma lição de vida, vou lembrar de todos aqueles dias horríveis e vou pensar que nunca mais quero voltar lá. — ele olhou para mim e apertou minha mão, sorrindo. — Quero viver o resto da minha vida ao lado do cara que eu amo, que não desistiu de mim...

Dei um beijo nele e encostei minha cabeça em seu ombro.

— Isso és lindo, amigo. — disse Petrus, quase chorando.

— Chega desse papinho emotivo, gente! Foi lindo, mas eu preciso mesmo comer!  — Hugo sugeriu, cortando o clima. — Mário, pelo amor de deus, dá pra cortar logo essa carne?

— Para de querer mandar em todo mundo!

— Mas eu não tô mandando em você...

Não conseguimos ouvir a discussão, pois estávamos nos afastando deles e se aproximando do mar calmo em contraste com o pôr do sol, havia poucas ondas.

— Sabe do que eu acabei de lembrar? — perguntou Erick, se sentando na areia, fiz o mesmo e envolvi meus braços nos seus, encostando minha cabeça no seu ombro. — Do dia em que nos beijamos na praia lá no Rio. Quando você ainda era um metidinho arrogante e mimado.

— Não mudei muita coisa. — afirmei, sorrindo.

— Mas eu gosto de você por isso. — ele me deu um beijo — imagina amar alguém perfeito e que não comete erros?

Suspirei, olhando para o pôr do sol. Olhando para o eu do passado, quando fui fazer aquele trabalho, não imaginava que aquele dito dia fosse me trazer para esse lugar, junto do amor da minha vida.

— Como é possível? — indaguei.

— O que?

— Como é possível, depois da porra de 6 anos, eu te amar como se fosse a primeira vez? — olhei para Erick, bem no fundo dos seus olhos.

— Eu não faço a mínima ideia.

Rimos.

Se era para sempre ou não, não me importava, eu não iria permitir que Erick saísse mais uma vez da minha vida. Não importa quanto tempo a mais passasse, eu ainda o amaria como se fosse a primeira vez.

Agora. E sempre.



Fim.

Última nota:

Finalmente lancei o tão esperado ( ou não ) capítulo bônus, o final do nosso casal.

Só Deus sabe o quanto eu chorei escrevendo. Amo tanto esse livro, queria que ele fosse eterno.

Obrigado por terem paciência e esperado o capítulo! Erick e Jason estão muito felizes agora! Todos estão! O

Assim como o Hugo, Luisa, Mário, Luiz, Rodrigo e Petrus.

Todos esses personagens vão estar para sempre no meu coração.

E espero que no de vocês também.

Desculpe-me qualquer erro, obrigado pelo apoio sempre.

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top