45| Eu não quero ficar sozinho
Olá! Bom, antes de começar sua leitura, quero falar que nesse capítulo teve algumas músicas que me inspiraram a escrevê-lo. Em algumas partes desse capítulo eu vou estar indicando as músicas para vocês ouvirem, e será assim a partir desse capítulo até o final do livro. Boa leitura e peguem os lencinhos.
Músicas que me inspiraram:
Anchor- Novo Amor; Stine Lines- Novo Amor; Wide Eyed- Billy Lockett; Where's My Love - STONKS; Brave- Riley Pierce
#Blacklifesmatter✊🏿
🌟🌟🌟
Eu o beijava como se tudo fosse acabar. Ele segurava na minha cintura e me apertava contra si, enquanto nossas bocas estavam em uma sintonia perfeita. Eu podia sentir seu membro duro na minha barriga, e o cheiro do seu perfume agora estava em mim. Ele beijou meu pescoço, e foi tirando minha camisa lentamente, e logo começou a beijar meu pescoço com mais vontade, me deixando extremamente excitado.
— Eu te amo, Erick. — falei, olhando nos seus olhos verdes.
— Eu...
Fui abruptamente acordado com um jato d'água na cara, senti meu corpo aquecer e o choque térmico se espalhar por mim, eu agora estava ofegante, sentindo a água fria espalhar pelo meu corpo. Hugo estava parado com um pequeno balde na mão, me olhando.
— Mas que porra... O que você tem na cabeça Hugo? — falei. — Não podia me acordar de outro jeito? — falei, visivelmente irritado, me levantando. Olhei para a cama e agora ela estava toda ensopada.
— Olha, amigo, esse foi o único jeito de te acordar. Você não acordava de jeito nenhum e ficava repetindo o nome do Erick. — arregalei os olhos, envergonhado. — E sem falar que você gemia.
— Tá bom, chega! — falei. — Eu só... Só estava sonhando. Só foi um sonho.
— sonhos são espelhos do que queremos, nosso subconsciente envia sonhos de acordo com nossas vontades. — Hugo disse. Revirei os olhos.
— Onde viu isso? — perguntei.
— Vi no Manual do Sonho. — ele disse. — olha, eu sei que você quer muito beijar aquele peitoral e aquela boquinha...
— Hugo?! Cai fora! — eu falei, indo até ele e o empurrando para fora do quarto. — Você não sabe de nada.
— Fica pron...
Fechei a porta na cara dele, e finalmente fiquei sozinho. Pensando no meu sonho, e de como ele tinha sido tão real. O cheiro dele, o toque de suas mãos, a sensação de estar em seus braços...
Vi novamente que meu pênis estava acordando.
— Droga. Eu definitivamente não esqueci o Erick.
***
O grande dia do Juízo final havia chegado: AS PROVAS DE FINAL DE ANO!
Eu estudei pra caramba, mas eu ainda estava nervoso de como seria as provas e de como eu me sairia nelas. E se eu esquecesse tudo? Droga, eu ia reprovar.
Todos nós estávamos na mesa, tomando café, o clima parecia pesado e ninguém falava nada. Talvez pelo fato dos pais do Hugo estarem brigados. Como eu sabia? Talvez porque eu nunca vi eles tão distantes e calados. Pigarreei, tentando chamar a atenção, ou simplesmente começar um assunto agradável. Passei tanto tempo na casa deles que eu praticamente já era da família.
Isso fez com que eu esquecesse a minha? Não. Todos os dias eu lembrava de como ela deixou de existir. Desde meu encontro com meu pai no hospital, eu não conseguia parar de pensar no que ele disse, sobre minha mãe estar passando passando por mal bocados. E se ela piorou por minha causa? Antes de eu simplesmente sair de lá, ela estava bem. Não queria me sentir culpado caso acontecesse alguma coisa de ruim.
Sim, morte era uma possibilidade.
— Tá tudo bem com vocês? — perguntou Hugo, fazendo o trabalho por mim, quebrando o silêncio constrangedor.
— Pergunta para esse homem que está sentado conosco. Ele que deve saber de tudo já que é o expert. — Amanda disse, comendo um pedaço do seu queijo.
— Ah, é? Mulher, você é cabeça dura, não consegue simplesmente relavar as coisas! — ele disse, fazendo ela largar o garfo no prato. Ela bebeu um gole do suco que uva que tomava, pronta para soltar uma de suas frases icônicas.
Eu e o Hugo nos olhamos, eu dei de ombros, pois eu não sabia o que fazer. Eles não eram meus pais e eu não podia simplesmente me meter no meio da briga deles.
— Eles são seus pais, façam alguma coisa. — sussurrei. Hugo deu de ombros. — Olha, Hugo, acho melhor irmos. Assim sobra tempo pra estudar mais um pouco. — falei, tentando fugir daquele clima hostil.
— Tem razão, amigo. — disse Hugo. —
— Eu vou deixar vocês... — disse o pai de Hugo, provavelmente tentando fugir da discussão.
— Pai, não precisa. Fica aqui... — Hugo olhou para sua mãe — E se resolvam.
Hugo disse, antes de se levantar e ir pegar sua mochila. Fiz o mesmo e então saímos.
Me senti aliviado ao sentir o ar nas minhas narinas e por ter saído daquele clima péssimo. Nunca tinha visto os pais dele daquele jeito.
— Você já tinha visto seus pais daquele jeito?
— Você se acostuma. E também... Só basta eles ficarem a sós para restaurar a paz, se é que me entende.
Gostaria de não ter entendido.
— É, imagino. — disse, vendo aquela imagem na minha cabeça.
Ficamos em silêncio, apenas ouvindo o barulho na rua. Hugo estava inquieto, parecia querer perguntar alguma coisa.
— Ei, quer perguntar alguma coisa?
— Quero. — sorri do seu jeito previsível. — Você tem certeza que quer ir visitar sua mãe? — Hugo perguntou. — Não sei o que pode acontecer, uma briga... E você sabe o que acontece quando se estar de cabeça quente.
— Tenho. Ela tá muito mal. Não quero me sentir culpado por ficar longe dela nesse momento, caso ela... você sabe.
— Não pensa assim, amigo. Pensamentos ruins atraem coisas ruins.
— Eu tô sendo realista. Sabe quantas pessoas venceram o câncer? Poucas. E se minha mãe não for uma dessas pessoas? — falei, arfando e sentindo um aperto no coração. — Não quero que nada aconteça com ela, Hugo.
— E não vai acontecer. — ele disse, pondo a a sua mão no meu ombro, junto a um sorriso. — E sua mãe é forte o suficiente para fazer parte dessas poucas pessoas. — Hugo disse, me abraçando. — Vamos pensar positivo!
— Vamos pensar positivo. — falei.
Meu celular vibrou, era o Rodrigo. Pensei em não atender.
— É o cara da festa? — assenti. — Amigo, atende.
— Eu não sei não, Hugo..
— Olha, só atende essa merda e diz que aceita sair com ele.
Assim o fiz: atendi.
— Olá — falei, meio apreensivo.
— Olá, você gostaria de assinar nosso plano anual de televisão? — ele começou a rir, estragando seu personagem
— Estragou seu personagem — falei, rindo junto.
— É, eu sou péssimo. — ele disse. — Desculpa não ter mandado mensagem ou ter ligado antes, você sabe... Muito trabalho.
— Relaxa. Sei como é. — falei.
— Olha, não passo demorar muito no telefone, meu chefe fica puto. Só liguei pra dar um Oi. — ele disse. Ficamos em silêncio.
Olhei para Hugo, que sussurrou “Diz logo, viado”
— Rodrigo... Ahn... Eu pensei no que me disse ontem na livraria e... Eu quero sair contigo. — disse. Ele ficou calado por uns segundos.
Droga. Ele vai me dispensar.
— Te pego amanhã, às 7:00 horas.
— Okay.
Desliguei. Hugo me olhou e então deu pulinhos, animado.
— Ele tá muito na sua.
— Mas tem um probleminha... — falei. — Ele é policial.
— Não fode. Que merda.
— Eu não sei o que eu quero realmente Hugo. Eu amo o Erick, ele ainda está nos meus pensamentos mais profundos. Não quero magoar o Rodrigo. — falei.
— Quem falou em namorar? — Hugo disse. — E que porra de fetiche é esse seu? Primeiro um bandido, agora quer experimentar o cacete de um policial?
— Hugo, pelo amor de Deus — falei, empurrando ele. Ele começou a rir. — Você é a grande de uma vadia, sabia?
— Aprendi com você, amor. — ele disse, desfilando pela rua.
Estávamos perto do ponto de ônibus e então corri atrás dele.
* * *
Todas a provas já tinham sido aplicadas e estava muito ansioso. Elas não estavam muito difíceis, mas também não estavam tão fáceis. E como minhas últimas horas foram de estudo e nada mais que isso, eu acreditava que tinha ido bem em todas. Agora era esperar o resultado.
Alguns alunos estavam no pátio, alguns comendo, outros mexendo no celular. Tentei avistar Hugo, mas não o via em lugar algum.
Ouvi algumas risadas e então olhei para um lugar afastado. Alguns garotos atormentavam um menino de cabelo raspado, ele parecia bem desconfortável.
— Que babacas. — falei. Caminhei rumo a eles. — Ei, babacas!
Eles me olharam.
— Por que não vão procurar o que fazer e deixem ele em paz?
O garoto olhou para mim. Não era um simples garoto, era o Luiz. Mas por que sua cabeça estava raspada?
— Luiz?
— Conhece esse drogado? — um deles perguntou.
— Ele é meu amigo. — Luiz olhou para mim, e então ele sorriu. Sorri de volta. — vocês são uns babacas! Acham engraçado zoar alguém só por ter tido uma overdose? Se vocês são infelizes a culpa não é de ninguém além de vocês mesmos. Por que ao invés de estarem aqui, sendo uns verdadeiros babacas, vão tentar ser felizes? Sei lá, tipo e se foder.
Eles iam falar alguma coisa, mas apenas saíram. Luiz estava quieto, ele apenas ouviu tudo calado. Não sabia o que estava se passando, mas não era coisa boa.
Leiam ouvindo: Stine Lines- Novo Amor e Anchor - Novo Amor
— Olá. — falei, sorrindo. — Posso sentar?
— Senta aí. — ele disse, passando suas mãos uma nas outras.
Me sentei, colocando minhas mãos entre minhas pernas. Naquele momento, eu havia esquecido tudo o que ele me disse alguns dias atrás, eu sentia que estava acontecendo alguma coisa de ruim.
— Por que?
Ele perguntou, fiquei confuso ao que ele se referia. Balbuciei.
— Por que me defendeu? Eu te falei coisas horríveis e mesmo assim você me defendeu. Você me viu caído nessa merda dessa escola e me ajudou. Por quê? — Luiz me olhou com um olhar pesado. Era um pedido de ajuda?
Eu não sabia o que responder.
— Eu não sei. — falei. — Talvez... Eu só me senti mal vendo você daquele jeito, naquela situação horrível...
— Eu não mereço nada na merda da minha vida. Não mereço sua amizade, não mereço meus pais, não mereço estar vivo... — Luiz disse, saindo lágrimas discretas dos seus olhos.
— Ei, para com isso. — falei, colocando minha mão em cima da dele, que tinha machucados. — Você é meu amigo. Eu não me importo mais com o que me disse, não me importo mais. E sobre seus pais... Eles te amam.
— Não, Jason. Eles não me amam. — ele disse, olhando para algum lugar da mesa. Olhei para onde ele olhava disse:
— Por que diz isso?
— Eles estão se separando. Por minha causa. — ele disse, com a voz embargada. — Eu ouvi noite passada. Meu pai traiu minha mãe com a porra da secretária e minha mãe tentou se matar. Hoje pela manhã eles discutiram na mesa e nem sequer repararam que a porra da minha cabeça estava desse jeito. Eu tô me sentindo um lixo.
— Eu sinto muito... Amigo, eu sinto muito de verdade. — falei, querendo chorar.
— Eu não sei o que fazer, Jason. — ele disse. — Eu não quero ficar sozinho.
— E não vai. Você não vai ficar sozinho, eu tô aqui. — eu falei.
— Eu tô com câncer. — ele disparou, me pegando de surpresa. Engoli um seco..
— C-como assim... C-câncer? — perguntei, atropelando as palavras.
— Uma metástase. Está se espalhando pelo meu corpo. — ele disse. — Eu sei que isso acarretou mais ainda na porra da briga deles. Eu não quero ser um fardo. A porra de um peso morto. — ele disse. — Eu só quero que tudo isso pare...
Ele começou a chorar, paguei em suas mãos e o abracei, colocando sua cabeça no meu ombro. Ele agora chorava como uma criança. Perdido. Como eu. Eu simplesmente não sabia o que fazer.
Para ajudá-lo. Para ajudar minha mãe. Eu nem mesmo sabia como me ajudar.
Eu não queria perder duas pessoas importantes na minha vida para porra de um câncer.
Eu não queria.
N.A 🌟
Alguém me abraça porque eu não tô bem 😭 Gente, que capítulo é esse?
Eu realmente estou feliz que o Jason estar evoluindo e muito triste com essa situação do Luiz, ele não merece tudo isso😔
Espero que tenham gostado! Em breve um novo capítulo que nos fará entrar de vez na reta final! Sim, o livro estar acabando!
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Uma nova etapa se inicia na minha vida e sem vocês nela não faz sentido ❤️🌟
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