35| Eu também queria ser forte

Desculpa a demora, Babies❤️

Meu corpo gelou e minha garganta secou. Meus olhos eram como duas bolas de futebol, de tão arregalados. Como não vimos ela antes? O desespero aos poucos foi tomando conta de mim, e pensar que ela podia contar para o Jason, me causava um estranho desespero.

- Eu ouvi direito? Você... Você vendeu nosso filho? - ela estava com uma voz embargada. Ouvir que seu filho tinha sido vendido foi um tiro certeiro nela. - RESPONDE, MÁRIO!

O velho estava nervoso, parecia procurar uma desculpa esfarrapada, como ele sempre fez. E como eu também fiz.

- Não foi bem isso que você ouviu... Você deve ter confundido. Foi isso! Você... - eu não podia deixar ele prolongar mais aquela mentira, mesmo que me ferrasse. Por isso eu interrompi:

- Ela não confundiu nada.

- O que? - ela me olhou incrédula. Eu devo ter a decepcionado de uma forma que nem mesmo eu sabia explicar. Imagina quando o Jason descobrir tudo. Ele nunca mais vai me perdoar.

- Você não confundiu. Ele vendeu o Jason. - ela pôs a mão na boca, totalmente pasma. - Pra mim.

Foi o ápice. Luíza começou a chorar, estava com raiva, com nojo. Tudo isso pelo seu olhar para nós.

- Isso só pode ser mentira. É uma pegadinha? Hein? ME DIZ QUE É MENTIRA, PORRA! DIZ QUE VOCÊ NÃO VENDEU NOSSO FILHO?! - ela partiu para cima do Mário e começou a deferir tapas em seu peito, chorando.

Fui até ela e a separei dele, ela estava fraca devido a tudo aquilo. E eu era o culpado.

Ela percebendo que eu que a estava segurando, abruptamente me empurrou. Ela me olhou com a maquiagem borrada e disse:

- Eu tenho nojo de vocês! - ela novamente começou a chorar - Monstros. Meu filho não merece isso. O Jason não merece isso, Erick.

- Não mereço o que? - o Jason apareceu de repente, e meu coração parou por alguns instantes. Merda.

- Jason... - balbuciou Luíza, e ligeiramente seus olhos reviraram e a Luíza desmaiou.

- MÃE!? - ele gritou, correndo rumo a sua mãe no chão. Ele pegou no rosto dela e deu tapinhas, mas ela simplesmente não acordava. Saía sangue do seu nariz. - Oh merda! Chamem a ambulância!

2 horas depois...

J a s o n

Erick, eu, e Petrus estávamos sentados na fila de espera do Hospital. Meu pai ora tentava falar rapidamente com a recepcionista, ora andava de um lado para o outro, preocupado, com as mãos nos bolsos.

- Que bom que ele não está preocupado com alguém que não seja seu próprio umbigo. - falei, mais para mim do que para o resto do pessoal.

- Eu tenho um coração, por mais que não pareça. Estou preocupado. - não queria discutir em um momento tão difícil. Meu pai era promíscuo às vezes, mas não ia sair do sério.

Olhei para os rostos de todos ao meu redor, Erick não falou nada desde que chegara no hospital, Petrus simplesmente chorava, como eu.

- Eu não entendo... Ela estava tão bem na festa... - falei - Por que ela desmaiou, pai? - perguntei, deixando meu pai nervoso, como sempre. Ele andava tão estranho ultimamente, não me impressionava saber que ele escondia alguma coisa por debaixo daquele smoking. - Ela estava alterada, como nunca havia visto antes.

Meu pai olhou para o Erick, depois para mim, mas não para meus olhos. Eles estavam escondendo algo de mim, eu sentia.

- Filho... Eu não sei. - ele ponderou, mas eu tinha a certeza de aquilo era mentira.

- Como não sabe, pai?

- Eu simplesmente. Não sei.

- Por que sempre tem que mentir? Eu chego lá fora e vocês dois discutiam que nem loucos, aí vem me dizer que não rolou nada. Mano, odeio a sensação de estarem mentindo pra mim. Foi como aconteceu com você e o Hugo. Vocês sempre escondem os fatos. Tô cansado.

- Jason... - falou Erick, pela primeira vez. - Eu preciso de contar uma coisa.

Fiquei calado, apenas assenti, limpando meu rosto molhado pelas lágrimas exageradas.

- Eu...

Me levantei de repente, interrompendo o Erick, ao ver o doutor se aproximar de nós.

- Como ela tá? - perguntei, preocupado. Todos nós estávamos de pé.

- Fizemos alguns exames, devido ao desmaio da sua mãe, e constatamos que... - ele parou de falar, me torturando sem dó nem piedade.

- Constataram o que? - perguntei, já sem paciência, seja lá o que minha mãe tinha, eu precisava saber. - DIZ!

- Calma, Jason, por favor. - pediu meu pai.

- Calma nada! Minha mãe está na porra de um hospital por algum motivo muito grave, que coincidentemente ninguém quer me contar, e vocês vêm me pedir calma? Preciso saber o que ela tem!

- Ele tem razão. Mil perdões, só acho que essa notícia não deve ser dita de uma forma tão de repente. Só peço que sejam fortes.

- Diz. Logo.

- A sua mãe está com câncer.

O mundo desabou bem na minha cabeça.

Senti minha respiração parar e um nó corrosivo na garganta me fazer ficar se ar, como se eu estivesse sendo asfixiado. Meus olhos marejaram novamente e minhas pernas falharam. Eu quase caí.

Erick me segurou.

Comecei a chorar, encostado no peito dele, como uma criança.

Mais uma hora havia se passado, e minha mãe não tinha acordado, meu coração estava apertado só de pensar que ela podia morrer.

Eu estava sentado com a cabeça no ombro de Erick, chorando baixinho, eu não queria abrir os olhos por nenhum motivo, não até minha mãe acordar. Mas abri, para olhar para meu pai, que estava ereto no banco duro e desconfortável, e sem reação alguma. Talvez ele só estivesse querendo parecer forte. Talvez ele tivesse um coração.

Eu também queria ser forte.



Notas ( saudade disso, sério )

VOLTEI COM TUDO, PESSOAL! QUE CAPÍTULO, AMADOS! DESCULPA A DEMORA PARA POSTAR CAPÍTULO, NÃO QUERIA TORTURAR NINGUÉM.

MAS VAI TER MARATONA, SIM! Dois capítulos atrás do outro para vocês! Que tal?

Mas na próxima, okay? Desculpe qualquer erro.



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