21| Não Chore, Meu Amor!
Demorei?
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E
sperei alguns minutos para que dona Rúbia respirasse fundo e se desse conta de que não tinha que mentir para mim, eu tinha ouvido, com todas as letras, que um cara partiu o coração do meu namorado. Tá legal. Ela não disse exatamente que um cara partiu seu coração, mas concerteza deu a impressão que sim.
Alguém feriu o Erick.
- Não vai falar? Quem é esse cafajeste e o que ele fez para meu namorado? - perguntei calmo, até demais. Ela continuou calada, e minha paciência estava indo embora a cada segundo.
- Não é nada! Nem era para você ter escutado! - ela ia sair, mas peguei levemente no seu braço.
- Dona Rúbia, eu te peço, me conta tudo agora ou... eu vou enlouquecer! - falei, quase suplicando. Solteiro seu braço e esperei sua resposta.
Ela respirou fundo, limpando ambas as mãos - que nem estavam sujas, talvez estivessem suadas - no seu avental florido. Ela apontou para uma das cadeiras e então me sentei novamente.
- Bom, por onde eu começo? - disse ela, mas por ser uma pergunta retórica, não respondi. - O Erick entrou para essa vida muito cedo. Não teve escolhas, seu pai ( meu irmão) queria isso, mesmo não se importando muito com Erick. Ele queria que seus descendentes seguisse os mesmos passos, eu acho isso muito injusto. Fico muito triste por o meu pequeno não ter conseguido ser o que tanto queria, ator... Mas como disse, ele não teve escolha.
- Seja mais direta, por favor! - pedi, e mesmo que eu quisesse saber de toda a história do meu namorado, eu estava sedento para saber de fato, o porque do Erick não poder mais amar.
- Tá bom. Com a vida totalmente dedicada ao morro, a vida do crime: o Erick acabou se descobrindo gay, ele se desesperou, veio me pedir ajuda, porque segundo ele: Ele não queria ter aquela doença. Eu o ajudei sobre isso, disse que não tinha nenhum problema em amar uma pessoa do mesmo sexo. E... Foi quando ele se apaixonou pela primeira vez! Ele se chamava Carlos - Então o cara da festa tinha mesmo alguma briga com o Erick, mas por que eu não não pensei nisso antes? - Eles faziam um casal perfeito, se amavam de uma forma tão linda, todos os moradores daqui apoiavam o namoro, mas... Algo mudou. Carlos não o amava tanto assim, na primeira oportunidade, ele traiu o Erick. Meu pequeno ficou arrasado. Erick teve uma oportunidade de mata-lo, literalmente, mas ele o amava tanto que não conseguiu. Hoje o Carlos vive no morro como se nada tivesse acontecido, ninguém questionou o motivo do término, por isso eles não sabiam o real motivo.
Eu estava surpreso, muito triste com tudo que Rúbia dissera para mim, eu nunca sequer, em todos os momentos que passamos, imaginei que ele teve uma dura e horrenda, desilusão amorosa.
- E você apareceu - disse ela, chamando novamente minha atenção, e tirando-me um sorriso. - Fez algo que nunca imaginei, conseguiu fazer com que meu pequeno voltasse a amar. Ele te ama, Jason. Por isso não cometa o mesmo erro do maldito.
Eu nunca ia magoar o Erick, eu o amava, e sempre ia valoriza-lo como ele merece.
- Isso nunca vai acontecer, eu amo o Erick, e quero fazer com que ele saía dessa vida, volte a ser uma pessoa normal, ter uma vida normal, nem que seja a única coisa que eu faça. - disse, convicto. Ia ser uma tarefa difícil, mas eu ia tentar e lutar com todas as minhas forças.
...
As coisas que ouvi de Rúbia, ficaram remoendo a minha cabeça por horas, tudo que eu pensava me levava Ao Erick e a sua desilusão amorosa com o Carlos. Eu devia deixar aquele assunto de lado e seguir minha vidinha como se nada tivesse acontecido, mas algo em mim dizia: "Jason, vai tirar suas próprias conclusões " e eu me amaldiçoava por querer ouvi-la.
O caminho até a casa do Erick foi bastante exaustivo, eu não estava acostumado a subir aquela ladeira, e sem meu celular para ouvir minhas músicas, a tarefa só ficava mais difícil.
Ao avistar o Rômulo ao longe, abri um sorriso, o mesmo retribuiu e abriu passagem, mas eu tinha que falar algo para ele.
- Ah, olá Rômulo! Tudo bem?
- Sim. Muito bem. - disse ele, sorrindo e ajeitando sua arma que estava sendo segura envolta do seu corpo por uma espécie de cordão. Eu podia confiar nele, mas eu não gostava de armas. - E você?
- Sim, estou! - disse, me preparando para contar o grande fato para ele - Rômulo, eu preciso te dizer uma coisa...
- Conta.
- Bom, eu posso tá louco, eu sei que gosta do Hugo e tal... Mas tenta não se apaixonar por ele, ele namora meu pai e... Tampouco vai poder gostar de você. - ele pareceu triste por um momento, eu achei que tinha pegado um pouco pesado.
- Ele não me me achar interessante pore sou um bandido, é isso?
- Claro que não! Eu não disse isso! É só que...
- Não fala mais nada, cara! Vaza daqui! - me assustei um pouco, pois eu nunca tinha o visto daquele jeito.
Eu, com certeza, era um bocó metido a besta que acabou com o autoestima de um cara lindo e muito bacana.
Parabéns, Jason! O troféu de idiota vai para você.
- Tá bom. Eu vou sair. Mas me desculpa. De verdade. - falei, mas não fiquei para ouvir sua resposta.
Agora eu tinha vários fardos nas minhas costas: O segredo do Erick, que me abalou; O fato do meu pai namorar meu melhor amigo e tecnicamente o Hugo ter se tornado meu padastro; E agora eu tinha deixado uma pessoa triste por apenas ter tentado evitar que ela ficasse triste.
Cheguei na casa do Erick e toquei a campainha, em segundos ele atendeu e abriu um sorriso ao me ver, me dando um beijo caloroso e apaixonado, ele abriu passagem para mim.
- Cara, desculpa por ter te esquecido na casa da minha tia... É que com o rolo que tive, acabei vindo pra cá para pensar. - explicou ele, voltando a sentar no sofá, estava passando "Sex Education", e daquela vez era a Netflix.
O Erick estava usando apenas um shortinho fofo de unicórnio - aquilo com certeza era algo estranho - e estava sem camisa, seu corpo estava tão lindo, como sempre, e seu cabelo bagunçado lhe deu um charme único.
Meu namorado era simplesmente lindo.
- Não tem problema, eu ia embora para casa, mas passei aqui antes para falar com você... - dei uma pausa, pensando nas minhas últimas palavras - Sobre o Carlos. - ele se levantou rapidamente e pareceu estar nervoso.
- Como você soube sobre... Sobre o C-Carlos? Quem te contou?
- Sua tia. Mas não fica bravo com ela...
- DROGA! ELA NÃO ESSE DIREITO DE SE METER NA PORRA DA MINHA VIDA! - Ele andava de um lado para outro, passando as mãos nos cabelos e visivelmente impaciente. - Quando ela te contou?
- Agora pouco. Na verdade foi há algumas horas. Quando você saiu, ele falou sobre ele... Mas sem saber que eu estava ali. Erick - me aproximei dele e o acalmei, pegando nas suas mãos e as beijando. Sorri gentilmente -, não tem problema se não quiser me contar, eu... Eu fui um intrometido por saber o que não divia, desculpa. - me afastei dele - Você tem o direito de nunca mais olhar na minha cara.
- Não é pra tanto! Eu só... - ele coçou a nuca e então se aproximou - Só não esperava que fosse descobrir sobre o maldito. Foi há muitos anos, depois da traição dele eu quase tirei minha própria vida. A culpa foi minha; por ter o amado demais, por ter despejado todo meu amor por ele. Eu quase tirei a vida dele. Mas, eu... Eu não consegui, não consegui por ser um cara fraco e sentimental! EU O AMAVA COM TODAS AS MINHAS FORÇAS! E me arrependo por não ter arrancado a cabeça dele.
O Erick agora chorava feito uma criança, eu nunca tinha um visto assim, e meu coração apertou. Eu não aguentei vê-lo chorando e eu comecei a chorar também, o abraçando fortemente contra meu peito.
- Não chore, meu amor! Eu sei que... Que foi difícil, mas não se culpe ter o amado, você fez sua parte. Ele. - peguei no seu rosto e o fiz olhar para meus olhos - Ele foi um babaca. Não você. Você é cara mais lindo, carinhoso e incrível, que eu conheço! Não tem ninguém que possa negar isso. Ninguém pode dizer o contrário! - então eu o beijei, o beijei calorosamente apaixonado, em toda nossa relação, esse foi nosso beijo mais romântico e especial.
- Você não vai me machucar, não é? - a forma como ele perguntou, foi tão fofa que esqueci do real problema.
Eu nunca vou te deixar Erick.
- Nunca. - disse, e então aproximamos nossas testas.
- Eu te amo tanto, Jason - disse ele, num som quase inaudível.
- Eu também te amo, Erick. Meu Kiron.
Eu nunca tinha entendido o real motivo de o chamarem assim, mas eu quis chamar, e não era um bom momento para perguntar.
- Eu queria que dormisse comigo hoje.
Tinha como recusar um pedido daqueles?
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NÃO ME MATEM POR DEMORAR TANTO! TENHO MEUS MOTIVOS E JÁ AVISEI! É SÓ IREM VER NO MEU MURAL.
Então É Isso... Com Esse Capítulo Super Sad E Revelador, Vou Deixando Vocês Com Esse Casal Fofu.
E Cada Vez mais vamos saber da história do Erick.
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