08| inventando desculpas

Paralisado.

Era como eu estava naquele momento, fitei meu pai com sua expressão serena e incógnita, sorri de nervoso. Olhei para minha mãe, e ela comia seu sanduíche tranquila, ela olhou para mim e sussurrou: "Não conta para ele, antes de mim!" Meu pai nem sabia sobre minha homossexualidade, então com certeza eu não ia contar antes dela, e era isso que me assustava, estava sem saída, o que eu ia contar?

Revirei os olhos, e então voltei à olhar para meu pai, que continuava calado. Oh, céus... O que dizer à ele? Que eu estava apaixonado por um traficante? Não. Eu não podia dizer e enfiar o Erick em algo meu, ele não tinha culpa, quer dizer... Ele era um gostoso do caralho, mas independente desse fato, ele não tinha absolutamente nada aver.

- É... Eu disse apaixonado? - indaguei, ele assentiu, me deixando inóspito. - Ah, lembrei! Eu estava falando do Connor, sabe, daquele seriado de advogados... Não era mãe?

A mesma, que até então estava devorando seu sanduíche de mortadela - que eu possivelmente nunca comia, vai que era couro de porco? - ela olhou para mim e sorriu

- Claro! Até hoje não sei o que o Connor viu no Oliver, ele só é nerd-hacker - ela retrucou, me impressionando, ela também assistia? Que coincidência!

- Quem vai saber, não é? - eu sorri, até demais eu diria, pois meu pai arqueou suas sobrancelhas e revirou os olhos, ajeitando depois, seu terno.

- Ok. Mas, agora - ele me deu um beijo na testa - Eu tenho um compromisso - pela primeira vez no dia ele sorriu, eu adorava o seu sorriso, que assim como ele, era lindo. O meu pai era lindo! Não sei se o descrevi, mas ele era muito atraente, ele tinha cabelos negros, com alguns tons grisalhos, rosto totalmente estupendo, olhos azuis, e sua pele é como a minha. Não diria que seu corpo é feio, nunca vi, e nem quero ver. Mas, pela forma que ficava seu físico nos ternos e nas camisas, parece bem definido. Até porque nunca o vi fazendo academia, se exercitando...

- É, eu percebi! Tá gato, hein! - minha mãe elogiou, mas meu pai apenas forçou um sorriso e revirou os olhos - Ai, Mario... Para de ser carrancudo!

Meu pai novamente revirou os olhos, eu queria rir daquela cena deles. Meu pai um dia vai voltar para a mamãe.

- Okay, Luíza, okay! Tchau para você também! - ele sorriu, e rapidamente, deu-me um beijo na testa, e saiu.

Voltei à olhar para minha mãe, que me olhava um pouco pensativa, ou estava chateada?

- Não entendo porque seu pai aje assim comigo, o que fiz pra ele? - senti dó dela, meu pai estava realmente rude e carrancudo com ela. Por quê?

- Ei... Não fica assim - sento ao seu lado, pegando na sua mão em seguida -Deve ter um motivo, ou ele está muito amargurado com a separação ou, de forma nada sútil, goste de você. - tento conforta-la, mas ela não estava mais com sua expressão de Tristeza.

- Talvez seja. - ela disse, e de uma forma muito rápida, mudou de assunto - Mas, me conta... Quem o garoto que roubou seu coração? É da sua escola?

Aquela pergunta me pegou em cheio, o medo que eu sentia em contar para minha e de forma preconceituosa, ser julgado, era deveras grande. Mas eu já havia iniciado a conversa, seria antiquado não terminar, mesmo que eu fosse me arrepender.

- Não me diga que ele é hétero?

- Não! Ele é gay também. Só que... - tento procurar as palavras certas - É complicado... Só promete pra mim que não vai me julgar.

- De forma alguma eu vou te julgar, Jason. - ponderou ela, abrindo seu sorriso e pegando na minha mão

- Eu conheci ele no morro do alemão, quando eu e Hugo fomos fazer um trabalho de sociologia - dei uma pausa, sabia que minhas próximas palavras iam faze-la surta. - Quando ele me salvou de um tiroteio...

- Mas como assim, Tiroteio? Meu Deus, seu pai não sabe disso?

- Não! E por favor, não conta nada pra ele! - implorei

Sabendo que ela não ia falar nada, continuei:

- E, depois que nossos olhares se cruzaram, eu acabei me apaixonando...

- Uau, isso é estranho, de tal forma... Mas, você já agradeceu esse moço? Digo, ele merece um agradecimento, pelo menos no meu ponto de vista...

E eu tinha chegado na parte mais difícil, como contar para minha mãe que eu estava apaixonado por um traficante e dono do complexo do alemão?

- Bom, eu e o Hugo meio que fomos procura-lo... Aí achamos, eu soube que ele era gay e... - fiz uma expressão de dor - dono do morro.

Ela ficou calada, como se tivesse digerindo tudo o que eu acabara de falar, e aquele silêncio estava me matando.

- Mãe... Por obséquio, fala alguma coisa.

- É que, Jason... É um assunto muito delicado, e perigoso. Mas, se você o ama, eu vou te apoiar em tudo. - suas palavras me aliviaram de uma forma avassaladora, me Fazendo respirar fundo e abraçá-la

- Obrigado, mãe... Eu te amo - disse, dando um beijo em sua bochecha - Mas, não conta nada para o pai, ele é muito preconceituso com esse tipo de coisa, e... com certeza vai me proibir de vê-lo.

- Não, meu amor... Nunca, eu sei como seu pai é. Não se preocupe, pode continuar visitando esse moço, seu pai não vai saber de nada - ela assegura, abrindo um sorriso.

Por outro lado eu me sentia mal, mal por está escondendo coisas do meu pai, mas era necessário, no tempo certo eu ia contar.

Que situação!

Você é assumido(a), ou está esperando o momento certo para revelar aos seus pais?

Se você não é, peço que quando se sentirem prontos, contem. Vai haver possibilidades de eles não te aceitarem? Vai. Mas tenta pelo menos ser forte!

Até próximo capítulo! E vamos ter mais momentos Jarick💕

Bjssss💕

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