Capítulo Cinquenta e Quatro

Marlon Shipka:

Ficamos dois dias explorando o mundo humano, imersos em uma lua de mel que mesclava o ordinário com o extraordinário, enquanto Otto absorvia cada detalhe com um entusiasmo quase infantil. Ele parecia encantado com cada esquina, com a história que transbordava das ruas e com a forma como cada pedacinho de cultura se revelava diante de nós.

Em um dos momentos mais memoráveis, estávamos no deque de observação da Torre Eiffel, e a cidade de Paris se estendia como um tapete vibrante aos nossos pés. As luzes da cidade brilhavam como joias dispersas na escuridão da noite. Otto observava a vista com um fascínio silencioso, e então, com um estalar de dedos, fiz uma pequena magia que transformou a cena diante de nós. As ruas de paralelepípedos abaixo ficaram ainda mais douradas, como se estivessem banhadas pelo brilho de um pôr do sol eterno, e o rio Sena cintilava como uma fita prateada, serpenteando ao redor da cidade como uma joia delicada adornando um presente.

— Paris... — comecei, com a voz imersa em uma mistura de nostalgia e encantamento. — A cidade da boemia e dos bulevares, dos amantes e do Louvre. Um lugar onde cada esquina guarda uma história e cada ponte, um suspiro de amor.

Otto, com os olhos ainda atentos a cada detalhe, parecia absorver a essência do lugar. Caminhamos pelas ruas estreitas e cheias de charme, passando por cafés movimentados e vitrines que refletiam o brilho suave das luzes noturnas.

— O que é aquilo? — Otto perguntou de repente, parando ao ver uma pequena loja, com a fachada adornada em tons pastéis e uma placa antiga de madeira.

Segui o olhar dele e me deparei com uma vitrine repleta de miniaturas e itens peculiares. A loja exalava uma aura de mistério e nostalgia, como se tivesse se mantido parada no tempo. Dentro, pilhas de livros antigos se misturavam a globos de neve, brinquedos de madeira meticulosamente esculpidos e pequenos relógios de bolso que pareciam saídos de um conto de fadas.

— Parece uma loja de curiosidades — respondi, sentindo a excitação de Otto ao meu lado crescer. — Do tipo que só se encontra em cidades como essa, onde o passado e o presente se entrelaçam em perfeita harmonia.

Otto me olhou com um brilho nos olhos, claramente intrigado. Eu conhecia aquele olhar; ele estava prestes a sugerir que entrássemos e explorássemos o lugar. E eu, claro, não resistiria a essa pequena aventura.

— Vamos dar uma olhada? — sugeri, já sabendo que a resposta dele seria positiva.

Ele assentiu, e cruzamos a rua em direção à loja. Ao abrir a porta, um sino suave tilintou, e o cheiro de livros velhos e madeira polida nos envolveu imediatamente. Dentro, era como se o tempo tivesse parado — prateleiras abarrotadas de objetos estranhos e encantadores se erguiam até o teto, enquanto luzes amareladas lançavam sombras suaves em cada canto.

Otto se aproximou de uma mesa onde havia um conjunto de relógios antigos, cada um com um design único, como se tivessem sido criados por mãos de artesãos há séculos. Ele pegou um, observando os delicados detalhes, e eu pude ver a curiosidade em seus olhos. Era incrível como mesmo nos momentos mais simples, ele se permitia ser fascinado.

— Lugares como esse são raros — disse ele, quase num sussurro, ainda focado no pequeno relógio em sua mão. — Há uma autenticidade aqui que é difícil de encontrar em outros lugares.

Eu sorri, observando-o com carinho. Ver Otto assim, tão envolvido em uma experiência simples, fazia minha decisão de trazê-lo ao mundo humano valer a pena. Paris, com toda a sua magia e encanto, parecia o lugar perfeito para continuarmos escrevendo nossa história, criando memórias que levaríamos conosco para onde quer que fôssemos.

— Essa é só mais uma das surpresas — respondi, me aproximando e encostando minha mão na dele, onde o relógio repousava. — E prometo que ainda há muitas mais por vir.

Ele olhou para mim com aquele sorriso cúmplice e, naquele momento, soube que essa viagem seria algo que ambos recordaríamos para sempre — um tempo em que o amor, a aventura e o mistério se entrelaçaram de forma perfeita, assim como as ruas e os segredos de Paris.

**************^*******

Enquanto explorávamos a cidade, Otto estava fascinado com cada detalhe, absorvendo as nuances do mundo humano como se estivesse desvendando um novo mistério a cada passo. Mas foi quando passamos por uma loja de celulares que ele realmente parou, o olhar fixo na vitrine como se tivesse encontrado algo que o intrigasse profundamente.

— Aqui tem uma loja dos aparelhos que o Max usa — ele comentou, ainda admirado, observando os celulares em exposição. Havia algo quase infantil em sua expressão, um misto de curiosidade e fascínio que raramente se via.

Olhei para ele, sorrindo ao perceber que, mesmo em meio a tantas maravilhas e magias, era um simples aparelho tecnológico que tinha capturado a atenção dele. A combinação entre o mundo moderno e o antigo sempre despertava algo em Otto — e a ideia de ter algo tão cotidiano, mas adaptado à nossa realidade mágica, claramente o intrigava.

— Quer comprar um? — perguntei, com um sorriso malicioso. — Posso encantá-lo para que se conecte ao nosso mundo sem problemas. Imagine só as possibilidades.

Os olhos de Otto brilharam em expectativa, um brilho que eu raramente via, exceto quando ele estava prestes a descobrir algo novo e emocionante. Ele olhou para mim, um sorriso surgindo em seus lábios, e não havia como negar a animação crescente.

— Você realmente poderia fazer isso? — Ele perguntou, quase sem acreditar, mas com aquela curiosidade latente que o definia. — Conectar um dispositivo humano ao nosso mundo... isso abriria tantas portas para comunicação, estudo, até mesmo estratégia.

Eu ri, balançando a cabeça com afeto. Mesmo em uma lua de mel, Otto nunca deixava de pensar em como cada novidade poderia ser usada para algo maior. Mas, dessa vez, eu queria que ele também se permitisse apenas se divertir.

— Claro que posso — respondi com um toque de orgulho na voz. — E não apenas para fins estratégicos, mas também para você se conectar de forma simples e rápida com quem ama, em qualquer dimensão. Imagine compartilhar fotos, mensagens, ou até uma chamada rápida, não importa onde você esteja.

Otto me olhou com um brilho de excitação que era quase contagiante. Era como se estivesse redescobrindo o que algo tão simples, como um celular, poderia representar: uma ponte entre mundos, algo que unisse o mágico ao tecnológico.

— Nesse caso... vamos entrar e escolher o melhor, não é? — ele sugeriu, com uma determinação que não deixava dúvidas de que já havia se decidido.

Entramos na loja, e enquanto ele explorava as opções, trocando perguntas com o atendente com a seriedade de quem estava tomando uma decisão crucial, eu não pude deixar de sentir uma pontada de carinho. Ver Otto tão imerso em algo tão simples me lembrava que, mesmo com todo o poder e responsabilidades que carregávamos, ainda éramos capazes de nos maravilhar com as pequenas coisas.

Quando ele finalmente escolheu um modelo, um sorriso satisfeito iluminava seu rosto. Eu me aproximei, pegando o aparelho em minhas mãos e fechando os olhos por um momento, sentindo a magia fluir através de mim. Em instantes, o celular brilhou com uma luz suave e sutil, se conectando ao nosso mundo como se fosse a coisa mais natural do mundo.

— Pronto — disse, entregando o celular a Otto. — Agora ele funciona tanto aqui quanto no nosso mundo. Pode até acessar informações e mapas de ambas as dimensões.

Otto segurou o aparelho como se estivesse lidando com algo precioso, o sorriso ainda nos lábios. Ele se virou para mim, os olhos brilhando com gratidão e afeto.

— Você sempre consegue tornar as coisas mais simples em algo especial — disse ele, a voz carregada de ternura.

— Só estou tentando deixar nossa viagem inesquecível — respondi, tocando de leve a mão dele.

E assim continuamos, prontos para explorar mais, agora com Otto carregando uma pequena parte do mundo humano com ele — uma lembrança prática e mágica ao mesmo tempo, simbolizando a união de nossas duas realidades.

Enquanto Otto admirava o novo celular em suas mãos, havia algo no brilho dos seus olhos que era simplesmente irresistível. Ele estava encantado, como uma criança com um novo brinquedo, mas ao mesmo tempo, havia ali um toque de admiração genuína, não só pelo aparelho em si, mas pelo fato de eu ter conseguido conectá-lo ao nosso mundo com um simples toque de magia. Ver Otto assim, tão espontâneo e feliz, era uma visão rara que eu queria prolongar.

— Você sabe que agora não vai querer largar isso, né? — brinquei, me aproximando dele com um sorriso provocador. — Quem diria que o imperador todo poderoso ficaria tão fascinado com algo tão mundano?

Otto riu, o som leve e genuíno, que reverberou no ar como uma melodia. Ele levantou o olhar para mim, aquele brilho ainda presente em seus olhos, mas agora havia também algo mais ali — um calor que só surgia nos momentos mais íntimos entre nós. Ele deu um passo em minha direção, e sem dizer nada, envolveu minha cintura com uma das mãos, me puxando para mais perto.

— Você tem essa habilidade de transformar o ordinário em algo extraordinário — ele sussurrou, a voz baixa e suave. — Seja com magia, ou simplesmente com sua presença.

Seu olhar intenso encontrou o meu, e por um instante, tudo ao nosso redor pareceu desaparecer. Era só nós dois ali, em meio a uma cidade que mal notávamos, completamente imersos um no outro. O calor do toque dele contra minha pele, a proximidade de nossos corpos, tudo contribuía para criar uma bolha de intimidade que parecia intocável.

— E você tem essa habilidade de me surpreender a cada momento — respondi, com a voz quase rouca pela emoção que me envolvia. — Até mesmo nas coisas mais simples, você encontra um jeito de me cativar.

Antes que qualquer outra palavra pudesse ser dita, inclinei-me ligeiramente e o beijei. Foi um beijo suave no início, quase como uma carícia, mas rapidamente ganhou profundidade, à medida que o desejo e a conexão entre nós se intensificavam. Os lábios dele se moviam contra os meus com uma precisão que só vinha com a intimidade de quem se conhece tão bem. Sentir sua mão pressionando a base das minhas costas, me puxando ainda mais para ele, enquanto sua outra mão deslizava até o meu rosto, fez um calor delicioso se espalhar por todo o meu corpo.

O mundo ao redor se tornou um borrão — a movimentação das pessoas nas ruas, o som distante do trânsito, as luzes da cidade — tudo se fundiu em um pano de fundo indistinto. O que importava naquele momento era o toque dele, o gosto familiar dos seus lábios e a forma como nossos corações pareciam bater em sincronia.

Quando nos afastamos, ainda sem soltar um ao outro, nossos rostos ficaram próximos, as testas quase se tocando. Ambos estávamos respirando mais rápido, com sorrisos preguiçosos dançando em nossos lábios. Otto manteve o olhar fixo no meu, e havia uma doçura incomum em seus olhos, algo que ele raramente deixava transparecer.

— Você sempre encontra uma maneira de me deixar sem palavras — ele murmurou, sua voz carregada de carinho.

— Apenas retribuindo o favor — respondi com um sorriso, passando os dedos pela nuca dele, sentindo a maciez de seus cabelos sob minha mão.

Ficamos ali por mais alguns instantes, imersos na tranquilidade daquele momento, como se o tempo tivesse parado para nos permitir aproveitar cada segundo. Eu sabia que essa lua de mel era mais do que uma simples viagem; era um capítulo importante na nossa história, onde cada detalhe, cada sorriso e cada beijo construíam memórias que levaríamos para sempre.

Otto se afastou um pouco, mas sem soltar minha mão. Ele olhou para o horizonte da cidade com um misto de serenidade e satisfação.

— Sabe, acho que você estava certo — ele disse, com um sorriso suave. — Essa viagem está sendo muito mais do que eu poderia ter imaginado.

— E ainda temos muitos lugares para explorar — provoquei, com um brilho nos olhos. — Afinal, isso é só o começo.

Ele assentiu, entrelaçando nossos dedos novamente, e juntos, seguimos pelas ruas iluminadas de Paris, prontos para descobrir o que mais esse mundo — e o nosso amor — ainda tinham a oferecer.

— Acho que está na hora de vermos meus pais e de você finalmente conhecê-los — falei, apertando a mão de Otto enquanto pegava nossas malas e as sacolas com presentes que havíamos comprado.

— Melhor irmos mesmo — ele concordou, com um sorriso contido. — Tenho certeza de que eles devem estar ansiosos para te ver.

— E você ansioso para conhecê-los? — brinquei, notando o leve nervosismo em seu olhar.

Otto deu uma risadinha, mas havia uma determinação nos seus olhos. Sabia que, por mais preparado que ele fosse em tantas situações, conhecer os sogros ainda era um território desconhecido que o deixava um pouco fora de sua zona de conforto.

Fechei os olhos por um momento, concentrando-me na energia mágica ao meu redor. Senti a familiar pulsação vibrante tomar forma, como se o próprio tecido da realidade estivesse esperando minha ordem para se moldar. Com uma voz firme e segura, pronunciei a palavra mágica:

— Aparatar.

Num piscar de olhos, uma aura mágica nos envolveu. A sensação era sempre peculiar — como se o espaço se dobrasse ao nosso redor e o tempo se dissolvesse. O mundo girava e tremeluzia, mas mantive o foco, sabendo exatamente onde queria nos levar. Quando o movimento finalmente cessou, nossos pés tocaram o chão sólido e, à nossa frente, ergueu-se a majestosa mansão vitoriana.

O edifício era como uma obra de arte, com sua arquitetura imponente, cheia de detalhes esculpidos e vitrais que refletiam a luz do sol em tons caleidoscópicos. O vasto jardim ao redor estava impecável, como se tivesse sido tirado diretamente de um conto de fadas, com árvores altas e flores desabrochando em cores vivas.

A atmosfera, da última vez que estive ali, já era acolhedora, mas agora havia algo diferente no ar — uma energia festiva e vibrante. Meu olhar foi atraído pelos funcionários no jardim, que se moviam com expressões animadas, cuidando dos preparativos e ajustando uma faixa que balançava ao vento. Um sentimento quente de antecipação começou a crescer em meu peito.

No meio de toda a movimentação, avistei Julian, o fiel mordomo, ao lado da minha mãe, que estava supervisionando tudo com aquele brilho maternal nos olhos. E então, antes que eu pudesse dar mais um passo, meu pai apareceu, surgindo da entrada da mansão. Ele foi o primeiro a nos notar e, no instante em que me viu, seu rosto se iluminou com uma alegria contagiante.

— Eles chegaram! — ele gritou, com uma empolgação que raramente demonstrava. Em questão de segundos, ele estava correndo em nossa direção, e não estava sozinho — todos os outros funcionários, minha mãe e Julian também vieram, todos com sorrisos calorosos.

Soltei as malas por um momento, apenas para receber o abraço forte e apertado do meu pai, seguido pelo calor do abraço da minha mãe. A sensação de estar de volta, cercado por tantas pessoas que se importavam genuinamente, me encheu de um conforto indescritível. Otto, ao meu lado, observava tudo com uma expressão que misturava surpresa e gratidão — era evidente que a recepção calorosa o tocou mais do que ele poderia admitir.

— Então, esse é o famoso Otto, não é? — minha mãe disse com um sorriso travesso, já se aproximando para envolvê-lo em um abraço, sem a menor hesitação.

Otto, pego de surpresa, retribuiu o abraço com um leve sorriso, claramente tentando se acostumar com o afeto espontâneo. E enquanto ele estava ali, no meio daquele turbilhão de boas-vindas, não pude evitar sentir meu coração se aquecer. Ver Otto, tão acostumado a controlar tudo, se render à simplicidade de ser acolhido por minha família era algo que eu valorizava imensamente.

Quando todos finalmente se acalmaram, minha mãe pegou as sacolas de presente com uma expressão curiosa, e meu pai não parava de perguntar sobre a viagem. Otto, por sua vez, já estava se envolvendo nas conversas, sua postura formal lentamente se suavizando enquanto ele começava a relaxar.

— Acho que ele passou no primeiro teste, hein? — sussurrei para minha mãe, brincando.

— Ele é encantador — ela respondeu, me dando um leve empurrão com o ombro. — Mas quem não seria, quando está claramente apaixonado pelo meu filho?

Otto, como se tivesse percebido o que eu estava dizendo, me lançou um olhar cúmplice e, sem pensar duas vezes, estendeu a mão para mim novamente. Entrelaçamos os dedos, e naquele gesto simples, havia mais significado do que qualquer palavra poderia expressar.

— Acho que essa será uma semana inesquecível para todos nós — disse Otto, com um sorriso que agora era totalmente relaxado.

E antes que qualquer outra coisa pudesse acontecer, me inclinei para ele e, com um toque leve e íntimo, o beijei. Foi um beijo breve, mas cheio de carinho e promessas, o tipo de beijo que dizia a ele que, não importa o que acontecesse, eu estaria ali, ao seu lado, em cada novo capítulo que viesse.

Quando nos afastamos, a animação ao nosso redor parecia ainda maior. Minha família estava claramente emocionada ao nos ver assim, e Otto... bem, ele parecia finalmente estar se sentindo parte de algo maior, algo que não envolvia só poder ou responsabilidade, mas amor, laços e pertencimento.

A semana estava apenas começando, e eu mal podia esperar para ver o que mais estava reservado para nós.

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Gostaram?

Até a próxima 😘

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