Capítulo Cinquenta
Marlon Shipka:
Ainda sentia o calor dos braços de Otto ao meu redor, segurando-me como se temesse me perder novamente. Depois de tudo o que enfrentamos, a única coisa que eu desejava era descansar, deixar para trás o peso de todas as batalhas e finalmente encontrar algum tipo de paz. Mesmo assim, havia uma inquietação em meu peito, uma sensação de que algo mais estava por vir.
— Podemos ir para casa — sussurrei, minha voz suave enquanto me afastava de Otto, embora relutante em romper aquele abraço reconfortante. Mas no instante em que dei um passo para trás, tudo ao nosso redor parou. O vento que antes balançava suavemente as folhas cessou, os sons da batalha e os murmúrios de alívio de nossos aliados congelaram no ar. Era como se o tempo tivesse sido suspenso, exceto para mim.
Confuso, olhei ao redor até que uma presença familiar se manifestou no alto. Lunerio, com sua aura etérea e olhar enigmático, apareceu em cima de uma das colunas quebradas, observando-me com um semblante sério. Sua figura quase translúcida contrastava com o ambiente ao redor, como se ele estivesse entre dois mundos.
— Olá, Marlon — Lunerio saudou, sua voz ecoando de forma estranha no silêncio absoluto que agora reinava. Ele desceu graciosamente de onde estava e pousou diante de mim, seus movimentos suaves e controlados.
Franzi o cenho, ainda tentando entender o que estava acontecendo.
— O que aconteceu? Por que o tempo parou?
Lunerio suspirou, coçando a nuca com um ar de leve desconforto, como se não gostasse do que estava prestes a dizer.
— Meus irmãos e eu interferimos. Paramos o tempo para o mundo, mas deixamos você fora dessa suspensão. Eles querem conversar com você... sobre o que aconteceu com Marlun e, principalmente, sobre o fato de você ter absorvido o poder dele, permitindo que as almas de vocês se fundissem, mesmo que parcialmente e ainda está acontecendo. Nesse instante era como se sua aura de poder fosse um enorme farol e os outros deuses já sabem de tudo.
Um calafrio percorreu minha espinha ao ouvir aquilo. Eu sabia que absorver o poder de Marlun não seria algo simples, mas estava preparado para as consequências. Ou, ao menos, eu pensava que estava. As palavras de Lunerio traziam uma gravidade que não podia ser ignorada, uma urgência que parecia muito além de qualquer confronto físico que enfrentamos até agora.
— Eles estão preocupados? — perguntei, a voz saindo mais baixa do que eu pretendia, enquanto meu olhar se fixava nos olhos de Lunerio, tentando ler além de suas palavras. Ele, por sua vez, me estudou por um momento antes de responder.
— Preocupados seria um termo suave. Eles estão receosos com o fato de que, ao absorver o poder de Marlun, você abriu uma porta que pode se tornar impossível de fechar. Mesmo que sua intenção tenha sido boa, a fusão das suas almas criou algo... único. E perigoso. — Lunerio deu um passo à frente, seus olhos agora mais sérios, como se pesasse cada palavra. — Eles querem saber se você ainda consegue manter o controle ou se, em algum momento, pode se tornar uma nova ameaça, assim como Marlun foi.
As palavras dele pairaram no ar, carregadas de um peso que me fez apertar os punhos. Eu sabia que, ao tomar essa decisão, estava assumindo um risco, mas ouvir isso de alguém como Lunerio só reforçava a complexidade da situação. Uma parte de mim entendia o receio deles, mas outra parte sentia uma certa indignação. Eu havia feito aquilo para salvar não só a mim mesmo, mas todos aqueles que amo. Nunca me passaria pela cabeça usar esse poder para o mal.
— Eu não sou Marlun — respondi, firme. — Fiz o que era necessário, mesmo que isso significasse carregar um peso que ninguém mais queria. Se as almas estão ligadas agora, é porque eu escolhi assim, para evitar que a escuridão de Marlun causasse mais destruição.
Lunerio me observou em silêncio, como se estivesse avaliando a verdade por trás das minhas palavras. Seus olhos brilharam com um misto de compreensão e cautela, antes de ele finalmente assentir.
— Vamos ver o que meus irmãos dizem. Eles querem falar com você diretamente. — Ele fez um gesto com a mão, e o ambiente ao nosso redor começou a distorcer, como se o tempo e o espaço fossem apenas uma ilusão frágil. — Mas lembre-se, Marlon, que o poder que você carrega agora é uma lâmina de dois gumes. Pode tanto salvar quanto destruir. A decisão final está nas suas mãos, e você precisa estar preparado para assumir o controle completo... ou aceitar as consequências.
Enquanto o mundo ao meu redor se transformava, eu me preparava mentalmente para enfrentar o julgamento que estava por vir. Mas, no fundo, uma coisa permanecia inabalável: minha decisão de proteger aqueles que amo, não importa o que aconteça.
O destino agora dependia da minha força para equilibrar a luz e a sombra dentro de mim. E, por mais que fosse um fardo, eu estava disposto a carregar esse peso, pois sabia que, no final, minha escolha ainda seria pelo lado certo, pela esperança e pela vida.
*******************^^
De repente, o mundo ao meu redor mudou. A familiaridade da batalha desapareceu, e eu me vi em um vasto salão iluminado por uma luz etérea que parecia emanar de todos os lados. O espaço era imenso, com colunas de mármore branco que se erguiam até o teto, desaparecendo em uma altura impossível de medir. As paredes, adornadas com intricados desenhos dourados, pulsavam com uma energia viva, quase como se o salão em si estivesse respirando.
Ao meu redor, senti a presença de seres poderosos, cada um emanando uma aura distinta. Os deuses, figuras imponentes e majestosas, estavam reunidos, observando-me com olhos penetrantes. Alguns mantinham expressões serenas, enquanto outros me analisavam com uma curiosidade cautelosa, quase como se estivessem tentando decifrar cada aspecto da minha alma. Sussurros e murmúrios preenchiam o ar, suas vozes reverberando de forma quase musical, como uma melodia antiga que eu não conseguia compreender totalmente.
Eu me sentia pequeno diante deles, uma simples mortalidade confrontando entidades imortais. Seus murmúrios eram baixos, mas carregavam um peso indescritível, como se cada palavra tivesse o poder de moldar o destino. Era impossível entender o que diziam, mas o tom variava entre curiosidade, preocupação e até uma leve desconfiança. Eles sabiam o que eu havia feito, e estavam decidindo se eu era digno de manter o poder que agora carregava em meu interior.
Respirei fundo, tentando não me deixar intimidar, mesmo que a pressão fosse quase sufocante. Podia sentir o olhar de cada um deles queimando sobre mim, como se fossem raios de luz atravessando minha essência. No centro de tudo, uma presença mais forte se destacou. Lunerio estava lá, mantendo-se ao lado de um trono resplandecente, seu olhar ainda carregado de mistério, mas também de um certo companheirismo. Ele fez um leve aceno com a cabeça, encorajando-me a manter a calma.
Os murmúrios cessaram de repente, e um silêncio absoluto tomou conta do salão. A sensação de ser julgado se intensificou, como se o ar ao meu redor tivesse ficado mais pesado. Finalmente, uma figura alta e luminosa, com olhos como estrelas, deu um passo à frente. Sua voz, profunda e cheia de uma autoridade incalculável, preencheu o espaço:
— Marlon, você se encontra diante de nós não como um herói, mas como alguém que se arriscou a transcender o equilíbrio natural. Você tomou para si a essência de Marlun, aquele que trouxe o caos. Agora, você carrega tanto a luz quanto a escuridão em seu coração. — A figura me estudou com olhos perspicazes antes de continuar. — A questão diante de nós é se você pode, verdadeiramente, controlar esse poder sem ser corrompido por ele.
O salão ficou ainda mais silencioso, se é que isso era possível. Todos aguardavam minha resposta, os deuses observando atentamente cada movimento, cada respiração minha.
Senti o peso de suas expectativas e dúvidas, mas também senti a chama dentro de mim, a mesma que me manteve firme mesmo nos momentos mais sombrios. Eu sabia que não era um ser perfeito, sabia dos riscos, mas também sabia que a escolha que fizera era por amor e proteção, não por poder ou glória.
Ergui o olhar e, com a voz firme, respondi:
— Eu sei que o poder que tomei é perigoso, e que ele tenta se enraizar nas minhas fraquezas. Mas o fiz não por desejo de poder, mas para garantir que a escuridão de Marlun não se espalhasse ainda mais. Eu assumo a responsabilidade pelo que fiz, e escolho continuar lutando para manter o equilíbrio dentro de mim. Sei que a tentação sempre estará presente, mas enquanto eu tiver algo pelo qual vale a pena lutar, algo que me mantenha ancorado na luz, não serei corrompido.
A figura diante de mim permaneceu em silêncio por um longo momento, como se estivesse pesando cada palavra minha. O silêncio parecia eterno, até que, finalmente, ele falou:
— Suas palavras carregam verdade, Marlon, mas não será fácil. Manter esse equilíbrio exigirá sacrifícios constantes, e estaremos observando. — Ele fez uma pausa, seus olhos brilhando com uma intensidade maior. — A decisão não é só nossa. Parte dela pertence a você, e às escolhas que fará daqui em diante. Você sabe o risco que correu ao absorver esse poder; chegará o momento em que poderá tomar o lugar de um imortal.
— Eu aceito o fardo — respondi, com a voz firme. — Mas posso fazer uma pergunta?
A figura assentiu, um gesto quase paternal. — Deseja saber se poderá transitar entre os mundos quando quiser?
Confirmei com um aceno, e a resposta veio com um sorriso sutil.
— Sim, minha criança. Esse poder estará ao seu alcance.
Com isso, a tensão no ar diminuiu ligeiramente. Os murmúrios recomeçaram, mas dessa vez com um tom mais leve, como se os deuses estivessem aceitando, mesmo que relutantes, minha posição. Eu sabia que a batalha interna estava longe de acabar, mas ao menos agora, sentia que tinha uma chance de seguir em frente, com ambos os lados da minha alma coexistindo.
Lunerio se aproximou, com um leve sorriso, e falou com um toque de humor em sua voz:
— Acho que você passou no julgamento deles. Agora vamos ver se consegue manter essa determinação quando o mundo real bater à porta novamente.
Eu soltei um suspiro aliviado, permitindo que um pequeno sorriso surgisse. Mas mesmo com o alívio, no fundo do meu coração, eu sabia que a verdadeira prova ainda estava por vir.
Então, o mundo à minha volta se dissolveu, e de repente, me vi de volta ao campo de batalha. Estava novamente diante dos outros, e o tempo, que havia sido congelado, começou a se mover lentamente, retornando ao fluxo normal.
— Claro que podemos — disse Otto, com um sorriso suave, respondendo ao que eu havia dito antes de tudo isso acontecer.
Seu olhar estava cheio de carinho e determinação, e ao vê-lo, senti o calor familiar da segurança retornar. Apesar dos desafios à frente, por aquele breve momento, eu soube que, enquanto estivéssemos juntos, poderíamos enfrentar qualquer escuridão que se aproximasse.
******************
Voltamos ao palácio, e assim que atravessamos os portões, fui imediatamente cercado por aqueles que esperavam ansiosos por notícias. Antes que eu pudesse dar um passo, todos correram na minha direção, suas expressões misturando alívio, alegria e uma emoção intensa que só se vê quando alguém querido retorna do abismo.
Os primeiros braços a me envolver foram dos amigos e aliados mais próximos, seus abraços quentes e apertados, como se quisessem se certificar de que eu estava realmente ali, de que era real e não apenas uma visão passageira. As palavras se perdiam em meio às lágrimas, sussurros emocionados ecoavam, enquanto eu sentia o carinho e a preocupação deles me envolvendo como um cobertor que afastava o frio das trevas que enfrentei.
— Você voltou... está aqui! — ouvi alguém dizer, a voz embargada. O alívio nas palavras era palpável, como se eles tivessem prendido a respiração durante todo o tempo em que estive ausente.
Mas o momento que realmente tocou meu coração foi quando as crianças vieram correndo, seus rostos molhados de lágrimas, os olhos grandes e brilhantes de emoção. Elas se jogaram em meus braços, soluçando sem conter a emoção. Suas pequenas mãos agarraram minhas roupas com força, como se temessem que eu pudesse desaparecer novamente.
— Marlon! — elas choravam, suas vozes tremendo. — Achamos que nunca mais íamos te ver!
Ajoelhei-me para ficar à altura delas, envolvendo-as em um abraço caloroso, deixando que se aconchegassem em mim. Aquele simples gesto, sentir a pureza e a sinceridade da emoção delas, foi como um bálsamo para as feridas invisíveis que eu carregava.
— Eu estou aqui — sussurrei, tentando acalmá-las. — E não vou a lugar nenhum. Prometo que estou de volta para ficar.
As crianças se apertaram mais contra mim, soluçando, enquanto eu passava a mão gentilmente pelos cabelos delas. Ao meu redor, os outros também compartilhavam lágrimas, alguns rindo baixinho entre os soluços, como se o peso de um grande pesadelo tivesse finalmente sido retirado.
Otto se aproximou, seu olhar suave e cheio de orgulho. Ele não disse nada, apenas colocou uma mão firme em meu ombro, e naquele simples toque, senti a conexão profunda entre nós, como se ele estivesse me dizendo que tudo ficaria bem, que havíamos superado o pior juntos.
De pé ali, cercado por aqueles que amava, senti que, apesar de todo o sacrifício e da escuridão enfrentada, aquilo fazia tudo valer a pena. A batalha interna ainda existia, mas naquele momento, envolto pelo amor e pelo apoio deles, eu soube que não estava sozinho. Eu tinha um lar, pessoas que se importavam comigo, e, acima de tudo, a esperança de que dias melhores estavam por vir.
Enquanto o abraço coletivo apertava um pouco mais, eu permiti que uma lágrima solitária escorresse, mas desta vez, era uma lágrima de alívio, de gratidão e de renovação. Eu havia retornado, e o que quer que viesse a seguir, enfrentaríamos juntos, como uma verdadeira família.
Com o tempo passando, dediquei-me a ajudar na reconstrução dos lugares que foram destruídos durante o ataque. Junto com Otto e os demais, trabalhamos incansavelmente para restaurar o que foi perdido, e também para honrar aqueles que não sobreviveram. Organizar os funerais das pessoas que foram mortas foi um processo doloroso, mas necessário. Enquanto víamos os dias se transformarem em semanas e o tempo voar como um segundo, o palácio e a cidade começaram a se reerguer, carregando cicatrizes, mas também uma nova esperança.
Um dia, quando entrei no escritório de Otto, ele me recebeu com um sorriso suave, embora seus olhos demonstrassem um cansaço que só alguém com tantas responsabilidades poderia carregar.
— Com tudo sendo reconstruído, finalmente podemos começar os preparativos do nosso casamento — Otto disse, com um brilho renovado no olhar.
Meu coração acelerou ao ouvir essas palavras. Eu sorri, aproximando-me dele. — Isso seria fantástico — respondi, antes de selar a frase com um beijo terno em seus lábios. Aquele momento, apesar de simples, estava carregado de significados. Tínhamos enfrentado tanto juntos, e agora, finalmente podíamos pensar em algo que era nosso.
Após terminarmos de conversar, Otto chamou Drake para o escritório. O secretário entrou, visivelmente tenso. Ele parecia perceber que Otto estava de mau humor, e não se atreveu a falar sem ser convidado.
— Preciso que entre em contato com o organizador do casamento — Otto disse, direto e sério. Notei a confusão nos olhos de Drake.
Ele hesitou, ainda lembrando de quando sugeri adiar o casamento para focarmos na reconstrução. A ideia de que agora estávamos retomando os planos pegou Drake de surpresa.
— Vossa Majestade, deseja ver o design do casamento? — Drake perguntou, tentando disfarçar a tensão.
— O design já está pronto? — Otto franziu a testa, parecendo ligeiramente insatisfeito. — Que tipo de design de casamento um organizador pode fazer tão rapidamente?
Drake limpou a garganta antes de responder. — Foi uma conhecida de Marlon que se ofereceu para fazer o design. Ela mesma entrou em contato. Uma senhora de cabelos brancos e com um olho roxo.
Eu sorri ao ouvir a descrição. — Essa é a Graça! Pensei que ela não fazia mais designs. — Otto e Drake me olharam curiosos, então continuei. — Ela me ensinou a costurar quando eu era criança, antes de meus pais falecerem. Depois, ela se aposentou e foi morar em uma pequena vila no sul do império de Summer.
Drake assentiu, continuando: — Ela entrou em contato assim que ouviu sobre o casamento de vocês. Disse que se lembrou que Marlon gosta de casamentos com temas florestais. Ela fez um rascunho e gostaria de mostrá-lo, mas ainda há muito o que ajustar. Ela enviou o rascunho por correio via portal, mas não mencionei antes porque ambos estavam ocupados com as responsabilidades recentes.
Ao ouvir isso, o semblante de Otto suavizou, e ele assentiu. — Ok, vamos ver o que ela preparou.
Drake, aliviado, recuou sob o sinal de Otto, deixando-nos a sós novamente. Quando a porta se fechou, Otto se levantou e me abraçou com força.
— Mesmo que não seja como imaginei, ainda vamos nos casar — ele disse, e suas palavras carregavam uma emoção tão profunda que senti meu coração aquecer.
— Conte-me como você imaginou tudo isso desde o início — pedi suavemente, curiosa para saber o que ele tinha em mente.
Otto, com uma expressão quase sonhadora, começou a descrever suas ideias. Ele falava com tanto entusiasmo e atenção aos detalhes que me fez perceber como ele pensava em cada pequeno aspecto para que nosso casamento fosse perfeito. Era evidente que ele queria que fosse um dia especial, algo que capturasse tudo o que significamos um para o outro.
O tempo passou enquanto conversávamos, e percebi que Otto, além de ser um excelente estrategista, também poderia ser um designer de casamento incrível. Ele conhecia meus gostos e sabia como torná-los realidade de uma maneira que me tocou profundamente. À medida que ele descrevia os detalhes — as flores, a decoração, os pequenos momentos que queria criar —, eu me senti ainda mais apaixonado por ele. Ele havia pensado em tudo, de uma forma que me fez perceber o quanto sou sortudo por tê-lo ao meu lado.
Ao final de nossa conversa, dei-lhe um beijo demorado, enquanto ele me segurava pela cintura, nossos corações sincronizados em harmonia.
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No dia seguinte, os rumores sobre os preparativos do casamento começaram a circular. Otto, determinado a tornar esse dia especial, insistiu em cuidar de muitos detalhes por conta própria para me surpreender. Eu o observava correr para o local do casamento diariamente, e até os convites foram escritos à mão por ele. Isso me deixou um pouco chateado por não poder ajudar, mas entendi que ele queria que fosse algo único.
Para me distrair, passei o tempo lendo um livro sobre como enviar espíritos para longe, enquanto brincava com as crianças. Em uma tarde tranquila, Denis, um dos pequenos, se aproximou após terminar uma lição com Milena.
— Papai Marlon, por que o pai Otto está correndo de um lado para o outro? Ele parece um louco! — Denis perguntou, com a curiosidade inocente nos olhos.
Ri da observação e acariciei seus cabelos. — Ele está preparando nosso casamento, Denis. As pessoas ficam eufóricas em momentos assim.
Milena, que penteava o cabelo de Alice, parou por um instante e sorriu para mim. — Todos ficam assim no dia do casamento, especialmente quando há amor verdadeiro — disse ela suavemente, com um olhar carinhoso para Denis. — Um dia, você também ficará assim.
Lídia, que estava ao meu lado, franziu a testa levemente ao ouvir o comentário, mas logo se voltou para mim, apontando para o livro em meu colo.
— Marlon, você sabia que ele preparou um presente generoso de noivado para você? Deve ser algo fantástico! — Lídia comentou, os olhos brilhando de curiosidade.
Sua empolgação me fez lembrar de uma conversa recente em que ela perguntou sobre seu futuro, quando seu tio foi capturado e suas terras foram confiscadas. Mais uma vez, prometi cuidar dela, como sempre disse que faria. O brilho em seu rosto ao ouvir isso me deixou ainda mais feliz.
Com o tempo, enquanto Otto continuava a correr de um lado para o outro, me senti grato por tudo o que estávamos construindo juntos. Sabia que esse casamento não seria apenas uma cerimônia, mas um símbolo de tudo o que superamos, e do amor inabalável que nos une.
E, apesar dos desafios e do caos, o que mais importava era que, no final de tudo, estaríamos lado a lado, prontos para o próximo capítulo de nossas vidas juntos.
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Gostaram?
Até a próxima 😘
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