‹⟨ Episódio 9 ⟩›
POV BRUCE
—ele poderia ser qualquer um, Alfred. Ele nunca tira o capacete na frente deles, nenhum deles conhece sua identidade. Isso eu tenho certeza.
Na minha caverna, me prendo no teto de ferro, em frente ao meu computador, nele, há a foto do líder da Gangue do Capuz Vermelho. Uso uma bota eletro-adesiva, que estou testando. Ela é uma nova tecnologia, preta com alguns pequenos pontos de luz na sola.
—pesos, senhor?
—cinquenta, por favor—Alfred me entrega pesos de ferros e os seguro, com os braços esticados para baixo—ele não só é sem rosto para a Gangue, mas eles geralmente são sem rosto uns para os outros. Pelo que sei, a maioria dos membros nem mesmo tem antecedentes criminais. Eles são de classes média e alta de Gotham. Homens e mulheres que este homem tem armado fortemente ou chantageado. Ele os ameaça, dá a eles uma máscara e agora eles são membros do Capuz Vermelho. Ele tem um núcleo de atuais seguidores. Mas no geral, a Gangue é como uma coleção de agentes dormentes que ele pode atirar a qualquer hora, uma esposa, um marido... Qualquer um pode secretamente estar na Gangue.
—mais, senhor?
—mais cinquenta, por favor—Alfred me entrega mais pesos—vamos dar à bota eletro-adesiva um estressor. Mas é um novo tipo de crime que esta Gangue pratica. Nada parecido com os crimes de rua comuns da cidade. É como um crime em baixo da pele, algo viral, escondido até ser tarde demais.
—sim, senhor, esta Gangue é diferente e perigosa. Receio que... Seja um desafio grande demais para o senhor—Alfred apoia as mãos no computador. Me desprendo do teto, caindo de pé sem deixar os pesos caírem.
Os deixo sobre um uma mesa e pego uma garrafa da água, estou com sede. Coloco uma camisa de manga comprida preta.
—não se preocupe, Alfred, estou nisso há dois anos. Fique tranquilo, eu sei me cuidar—digo me sentando na cadeira, observando a foto do Capuz em minha tela.
—eu sei senhor... Quando você voltou depois de anos desaparecido e me pediu para ajudá-lo nessa empreitada, eu apenas aceitei para poder colocar sentido em sua cabeça, e ficar ao seu lado—se coloca atrás de mim.
—eu sei, Alfred, agradeço por isso. Agora...—pressiono as teclas do meu teclado, mostrando fotos das vítimas que salvei mais cedo—os homens que a Gangue do Capuz Vermelho ia executar, eram todos executivos de baixo nível. Empresários que se negaram a se unir a eles. E eu...
Ouvimos a campainha da porta da frente tocar. Aciono a câmera da frente com a imagem na minha segunda tela.
—seu tio veio te ver.
—eu não veria ele somente na festa à noite?—pergunto virando minha cadeira para Alfred.
—era o previsto—olho a imagem na tela—mas parece que seu tio veio fazer uma visita inusitada antes—solto um longo suspiro—se quiser, eu mando ele ir embora.
—não... Não precisa. Eu vou lá falar com ele—me levanto indo para a mansão, ver o que Philip quer.
Passo pelo corredor principal da mansão que dá para a porta da frente, nesse corredor, vejo uma foto dos meus pais comigo. Lembro de quanto fiquei na lareira, paralisado depois da morte deles...
É difícil até hoje, eu sentia o monstro comigo, já naquele momento...
Abro a porta vendo tio Philip parado com um sorriso. Me encosto na entrada, o olhando.
—posso te ajudar?—pergunto.
—ah, eu não posso querer vir ver meu sobrinho?
—é que, é meio incomum você vir aqui—respondo.
—bom, você foi até a indústrias Wayne, e eu agora, queria te mostrar algo—com a palma da mão, indica seu carro. Solto um suspiro.
—se não for me tomar muito tempo—caminho até o veículo, e o adentro. Tio Philip entra e começa a dirigir, nos lavando até a frente das empresas Wayne.
—chegamos. É isso que queria te mostrar—ele desliga o motor. Na frente da empresa, há uma grande moeda de bronze ao lado da entrada.
—uma moeda?
—o que tem atrás dela. As indústrias Wayne, o prédio mais alto da cidade. Achei que tivesse notado quando veio aqui.
—não reparei muito—apoio meu braço na janela.
—bom, pois devia. Fizemos um excelente trabalho com a empresa, unindo as famílias. As Química Kane fazem agora parte das indústrias Wayne. As pesquisas que estamos fazendo desde o crescimento de tecidos até dissuadores sônicos... Estamos nos tornando uma líder na tecnologia de proteção—continuo com o olhar para o horizonte fora da janela, sinto o olhar de Philip sobre mim.
—"proteção"? Você quer dizer armas—digo rápido.
—a maioria não letal, mas sim, algumas...—termina a frase com uma voz um pouco baixa—então, vamos entrar para te mostrar o lugar verdadeiramente dessa vez?
—desculpe, mas não. Eu vim aqui antes para ver se criava interesse, mas tive certeza que não, isso não é pra mim—digo observando o grande arranha céu.
—você não aprova o que eu fiz com a companhia?—viro o olhar para Philip, o fitando.
—tio Philip, sem ofensa, mas não nos conhecemos. O senhor me levou ao museu natural uma vez na semana da morte dos meus pais, olhamos para os dinossauros. Foi um bom dia, a companhia? É negócio seu—termino firme.
—ah, Bruce... Mas eu não quero que seja. Minha irmã, sua mãe, ela me conhecia bem o suficiente para entender que eu seria um pai horrível. Mas gosto de pensar, que é assim que ligo pra ela, e pra você, do meu próprio jeito. Quando achei que você tinha morrido anos atrás, Bruce, eu pude construir algo novo fora desta companhia que viveria. Mas esta cidade sempre teve dificuldade em confiar nos Kanes, tivemos mais do que nossa cota de escândalos e controvérsias. Vocês, Wayne, foram sempre populares. É por isso que todos ficamos tão entusiasmados quando seu pai se casou com minha irmã. Uma completando a outra. Materiais Kane. Indústrias Wayne. Mas seja lá qual o motivo, seus pais tinham diferentes, digamos, ambições. Não se pode subestimar o quão poderoso e simbólico seria ver um Wayne de volta ao topo desta companhia—fico com o olhar para o piso do carro, olhando sem objetivo.
—não é para isto que estou aqui há dois anos.
—... Você não quer entrar mesmo, né? Aposto que vou ter que mostrar uma moeda, então—ele saí do carro e vai para frente do grande metal—eu mesmo supervisionei sua forja—saio do veículo ficando atrás de Philip, na calçada enquanto ele passa a mão na moeda—você deve não saber isso sobre mim, mas eu estudei para ser um geólogo. Fiz várias expedições pelo mundo... Sabe, Bruce, alguns de nós tem uma responsabilidade. Desistimos de coisas para fazer o que deve ser feito.
—eu tenho minhas próprias responsabilidades... Esse não é quem eu sou.
—então, quem é você?—direciono o olhar baixo para ele.
—um menino com problemas... Muitos problemas que tenho que lidar.
Deixo minha mão sobre o caixão, enquanto levamos eles. Alfred fica ao meu lado com a mão no meu ombro. Levamos seus caixões para a cripta, não aguentando a dor, querendo fugir, começo a correr na direção das árvores, para a floresta.
—patrão! Bruce! Bruce por favor!—não dou ouvidos e sigo correndo.
Passo pelas lápides e adentro a floresta, o céu nublado e escuro, cinza, nos cobre por completo.
Movo minhas pernas correndo, secando as lágrimas que descem dos meus olhos. Tudo volta, como flashes. Meu pai tentando nos defender, minha mãe tentando ajudar... Suas vidas, foram tiradas. As pérolas de seu colar, despencam indo para o chão, o meu grito não era ouvido enquanto o homem fugia. Tudo me causa dor, o meu grito de socorro não foi ouvido enquanto eles morreram...
—Martha...—ainda escuto a última coisa que meu pai disse, o nome da minha mãe, antes das sua vidas terminarem.
Correndo pela floresta vazia, sou pego de surpresa, acabo caindo num buraco fundo... Que parece não ter fim.
Quando caiu no chão, com dificuldade, fico de joelho e olho para cima, vendo a pouca luz que caí sobre mim... Levanto a mão no meu rosto, para ver a profundidade do lugar.
Escuto alguns barulhos... Quando olho para frente, vejo uma pequena entrada para um caverna, e lá eu vejo... Morcegos. Parados, com olhos brancos em meio a escuridão, me fitando, fitando a minha alma... O mais profundo da minha alma. Todos eles começam a voar na minha direção, me cercando. Tento me proteger... Eles me causam medo, muito medo.
—aahh!
Todos eles me cercam. Recuperando o fôlego, vejo que eles não me fazem mal, não, eles, apenas estão comigo, junto comigo. Me vejo sendo levantado por eles, todos ao meu redor... Parecia um sonho, e nesse sonho, eles me levam para a luz... Que mentira linda...
—patrão, Bruce?—sou tirado dos meus pensamentos com a voz de Alfred. Viro minha cadeira para vê-lo.
—ah, Alfred. O que foi?
—está tudo bem?
—sim, sim, está tudo bem—me viro de volta para o computador, analisando os arquivos da Gangue que possuo.
—como foi com o seu tio, senhor?
POV PHILIP
—ele não aceitou—digo presente em sua sala, nas indústrias Wayne—... Ele tem um peso em suas costas—digo de costas para ele.
—odeio lhe dizer que eu avisei, Philip.
Observo sua sala curioso, com uma bengala presa na parede, ao lado de uma pilha de livros. A sala dele é, digamos, peculiar, com vários fios de diferentes cores como uma ligação entre as paredes, com papéizinhos coloridos presos com suas anotações. Tão malucas que nem eu mesmo entendo.
—oh, sim, você avisou—digo com sarcasmo.
—não entendo por que está sendo tão irônico, Philip.
—é chamado de sarcasmo—viro o rosto o olhando por cima do ombro.
—precisamente, do grego, "Sarkarmos," significa, arrancar, partir a carne, morder—viro meu corpo totalmente para ele.
—muito bem, talvez eu esteja mordido porque eu o contratei como meu estrategista apesar do seu passado questionável. E sim, você me ajudou a levar essa empresa as alturas, mas estamos estagnados. E você fica aqui nesta... Cama de gato...—observo as linhas na sala, mais precisamente uma vermelha em minha frente—quer dizer, me diz a verdade, isso tem algum significado, ou você está só...?—levanto a mão e o dedo indicador, para tocar a linha vermelha.
—por favor, não toque, Philip. O algoritmo é territorial. Seu toque, vai perturbar as coisas.
—sabe o que é perturbador?—o encaro, ainda com a mão levantada—um problema de imagem pública, esta maldita cidade nos odeia pelo prédio que construimos aqui. A Gangue do Capuz Vermelho anda nos roubando, mesmo com a segurança que temos. Então, o que faremos, oh sábio? Qual é a resposta para o mistério?—pergunto mas ele ignora e não responde. Pego a bengala dourada da parede e falo—droga, me responda quando eu falar com você. Está ouvindo, Nygma? Edward!—dou passos para frente e o encaro. Está em frente aos seus três computadores na grande mesa retangular, com uma estante de livros ao lado esquerdo com uma cadeira verde, em forma de interrogação para se sentar.
—estou, ouvindo, Philip. Mas veja bem, isso, não é um mistério que você está lidando. É uma charada—serro o olhar—afinal, charadas sempre parecem complicadas, mas elas são bem simples. Respostas escondidas—dá passos em minha direção, agarrando minha mão no objeto, em frente ao nossos rostos—e há uma resposta simples para todos o seus problemas, sabe... Você tem que matar seu sobrinho, Bruce Wayne.
POV NARRADOR
Nos céus, um dos dirigíveis que sobrevoa a cidade é invadido pela gangue do Capuz Vermelho, atirando contra os de dentro, deixando apenas alguns vivos.
—podemos subir abordo, senhores?—o líder diz ao entrar.
No veículo, encaram os únicos sobreviventes, dois bruta montes ao lado de um homem de aparentemente 50 anos, parecendo seus guarda costas.
—Capuz Vermelho 241, diga ao Capuz Vermelho 39 para cortar a corda—diz o líder. A corda do helicóptero que os trouxe, é cortada.
—quem é você?—o homem de 50 anos pergunta, corajoso, mas burro.
—Sr. Luca Falcone, é um prazer te conhecer. Eu sou o Capuz Vermelho 1—diz o líder com educação, mas com um toque de ironia e deboche.
—"Capuz Vermelho 1"? Você tem noção de quem eu sou? Eu sou primo...
—do mafioso que foi derrubado. Hah, acho que vai ter que aprender a voar sozinho agora, passarinho—o líder finge pensar um pouco—falando em voar.
O primo de Falcone é atirado para fora do dirigível, despencando no ar enquanto grita.
—AAAAHHH!!!
—passarinho! Espere! Esqueceu seu paraquedas!—debocha o líder, em seguida, ele volta sua atenção para dentro do veículo—oh bem, ele nem esperou—dá de ombros debochando.
—não precisava fazer isso—diz um dos homens bruta montes.
—não, não precisava. Sabe, eu sempre adorei dirigíveis. Parecem ovos prateados voando pelo céu. É engraçado, hah!—uma mala é trazida por um Capuz Vermelho, deixada em frente ao líder—eu diria, ovos de ouro, sabe? Porque o que são transportados nesses ovos, são desde drogas, informações até armamento High-Tech. Tem tudo quanto é coisas maravilhosas—a mala é aberta, revelando um armamento pesado. Capuz Vermelho 1 coloca a arma em suas mãos—como o rifle sônico Wayne. Não letal, tsc, mas eu soube que se você mexer nos controles assim—ele começa a mexer na arma altamente tecnológica—você pode liquifazer uma pessoa por dentro. Claro, eu tive que aprender como mexer nisso, foi um saco, mas valeu apena—as luzes do dirigível são apagadas, um sorriso surge nos lábios do líder—ora, ora, ora, até que demorou pra chegar. Sabe, fiquei muito impressionado quando você salvou os homens naquela vez, se arriscar durante o dia, ohhh, corajoso... Não é atoa que você é uma lenda viva que corre por essa cidade—diz alto e em bom tom, para ser ouvido—sabe, Batman, você poderia se unir a mim, fazer parte da minha Gangue, quanta coisa não poderíamos fazer.
—chefe, você perdeu AAAHH!—com o rifle, o líder dispara matando um dos seus homens.
—uma vaga acabou de abrir—diz em um sorriso de mostrar os dentes.
—não estou interessado!
O Batman surge rapidamente pela janela, acertando um chute giratório no Capuz Vermelho 1, o líder da Gangue é apoiado pelos seus homens. Outros membros da Gangue ficam na defensiva enquanto encaram o morcego, o Batman fica de punhos firmes e atento a qualquer movimentação. O líder se levanta e ajeita seu paletó.
—belo golpe—ri—o que você acha desse?—ele dispara um tiro de energia com o rifle.
Batman desvia e o tiro acerta um Capuz Vermelho, que morre na hora com um grande buraco aberto no peito. O vigilante corre indo na direção do líder, desviando dos tiros e nocauteia os capangas. Logo, levanta a arma do criminoso para cima em um disparo.
—arrgh!
—o que eu preciso, é somente uma amostra do seu sangue!
Ele corta a barriga do Capuz Vermelho com as três laminas de seu antebraço, obtendo grande parcela de sangue.
—não!—Batman gira seu corpo e arremessa o inimigo com um chute—matem ele!!
Os capangas retiram metralhadoras e começam os disparos. O vigilante pula para fora do dirigível. Na visão da Gangue, o Batman apenas saltou e sumiu, mas na verdade, ele usa sua bota eletro-adesiva para se prender embaixo do grande veículo.
—Alfred!—chama pelo comunicador—mande o jato pra cá!—diz enquanto o vento forte tenta arranca-lo dali.
—sim, patrão. O plano não saiu como o planejado?
—teve resultados.
Seu jato é avistado com a cabine aberta, passando por baixo, o Batman se solta pulando dentro do veículo. Ele pilota com destino para sua caverna, passando por Luca Falcone que foi salvo e está pendurado em um prédio.
POV BRUCE
—nada, Alfred, não deu em nada. O DNA que coletei do Capuz Vermelho líder não está registrado em nenhum lugar, sem registo, sem antecedentes, sem qualquer pista de quem ele seja. Ele é como um fantasma. E agora ele está tomando as Gangues rivais enquanto antes, ele reunia apenas não criminosos. É como se ele expandisse a Gangue só para provar que pode—treino meus reflexos, enquanto Alfred me escuta e observa. Faço esses treinos em frente à uma parede de tijolos fortes e grossos—uma bomba explodiu numa escola para surdos, alguém foi baleado enquanto andava pelo parque... Não há padrão, além de fazer a cidade ter medo de si mesma. Estou me sentindo de mãos atadas—paro meus reflexos encarando Alfred—tem alguma coisa a dizer?
—eu?—aceno—bom, patrão Bruce, a única coisa que sei é que você dará um jeito. Quando iniciamos essa jornada, eu achei o senhor um louco, ainda acho—sorrio de canto—mas você faz muito por essa cidade. Sem você, estaria perdido. Mas ainda assim, toda noite que você sai, me preocupo, por que tenho o aperto no coração de que um dia, eu estarei enterrando mais um Wayne, e a minha cota já foi batida. Vou sempre estar aqui com o senhor, patrão, sempre. E eu sei, que vai dar um jeito de vencer essa guerra. Lembre-se: a batalha pode ser perdida, mas a guerra continua—relaxo meus músculos e um sorriso brota em meus lábios.
—obrigado, Alfred.
—não há de que, patrão Wayne—acena. Olho para o relógio e vejo que está quase na hora da festa no museu.
—bom, daqui a pouco tenho um compromisso, como Bruce Wayne, dessa vez.
—certamente, senhor. Vou preparar seu traje para a ocasião—ele parte de volta para a mansão.
Firmo o olhar e olho para a parede de tijolos. Com precisão e força, faço um chute cortante que destrói a parede, em pedaços. Suspiro comigo mesmo...
Eu sinto ele aqui, sempre, principalmente quando estou sozinho, uma sombra que me acompanha e sempre sussurra em meu ouvido.
—deixe-me assumir o comando.
Luto sempre contra isso, sempre...
Chegamos com o carro em frente ao museu. Um grande tapete vermelho com detalhes dourados foi estendido pelo chão até a porta. Há vários jornalistas e fotógrafos, paparazzis, tem de tudo.
—eu irei ficar esperando pelo senhor.
—não precisa. Tira o momento pra se divertir também. Eu volto sozinho para casa. Vou pedir um táxi—digo saindo do carro.
—ah, claro, se o senhor insiste. Irei me distrair.
Fecho a porta do veículo e ajeito minha vestimenta, um smoking com gravata borboleta. Sigo pelo tapete sorridente enquanto fotos são tiradas de mim e meu nome é chamado.
—senhor Wayne!
—senhor Wayne!
—Bruce!
—quando irá assumir a empresa da sua família?
—você está dentro de algum relacionamento?—ignoro todos e adentro o museu natural de Gotham.
Quando entro, já na entrada, ajeito meu relógio no pulso direito. Observo a decoração. Fina, elegante...
Observo também as propriedades do museu, gosto da pré-história.
—Bruce!—me viro para onde fui chamado.
—tio Philip.
Ele vem de braços abertos para me abraçar, concluo nosso contato o abraçando também.
—vejo que investiu bastante na festa—falo vagando o olhar pelo lugar.
—sim, queria que fosse digno da sua presença! Veja, lhe trás lembranças, não?—ele me leva até a frente de um enorme esqueleto de dinossauro Rex—sabe quando eu disse que viajei pelo mundo inteiro?—aceno—então, uma vez, eu caí em uma caverna cheia de cristais precisos. Nessa vez, eu acabei sofrendo um trauma na cabeça, abriu minha cabeça. Tenho a placa de metal até hoje Hahah—diz batendo com o dedo em sua cabeça—depois de um tempo, eu fui salvo da caverna. E agora, eu estou aqui tentando salva-lo da sua—deixa sua mão sobre o meu ombro. Quando abro a boca para falar algo, uma mulher elegante com aparência de 50 anos o chama.
—Philip!
—ah, Dórite! Me de licença, Bruce, tenho que cumprimentar uma velha amiga.
—claro—ele se junta com a mulher e se distância.
Com essa oportunidade, procuro o bar da festa e consigo encontrar. Me apoio no balcão enquanto o garçom limpa um copo. A festa está movimentada, com muita gente, de classe média até a mais alta. Ricos mimados e filhinhos de papai, a maioria. A elite da elite. Mas ainda tem pessoas que se salvam, poucas, mas há.
—um copo da água, pro favor—peço. O garçom levanta a sombrancelha estranhando mas atende o pedido.
Logo minha bebida é trazida em um copo, começo a bebe-la enquanto estou na minha. Sinto uma presença se aproximar e se por ao meu lado, logo vejo que se trata de uma mulher. Elegante, cabelos bem curtos, maquiagem marcante, vestido preto elegante com luvas que cobrem bastante o braço, da mesma cor que o vestido.
—o playboy Bruce Wayne tomando água? Achei que ele era o homem das farras e bebedeiras—se apoia no balcão com um braço.
—bom, hoje eu quero me prevenir da ressaca—sorrio me virando para ela—e você, quer entrar na farra?
—pura social, huh. O que lhe trás aqui? Não achei que festas como essa fossem do seu feitio.
—tem muitas coisas que as pessoas não acham que seja do meu feitio—solto um sorriso—você sabe sobre mim, mas eu posso saber um pouco sobre você?
—o que quer saber?
—primeiramente seu nome. Você pode me falar ele—digo.
—huh, apesar de eu gostar de um mistério, acho que você merece saber, senhor Wayne. Eu sou Selina Kyle. É um prazer—estende sua mão.
—um prazer, senhorita Kyle—pego sua mão e deposito um beijo.
—oh, um cavalheiro... É tão raro hoje em dia.
—sou um dos poucos—digo levantando minha coluna.
—não é o que as notícias dizem. Dizem que o senhor não gosta de se prender.
—as notícias dizem muita coisa. Talvez... Eu acho, que somente não encontrei a pessoa certa—sorrio e a vejo retribuir no mesmo ato, entendendo o que quero dizer.
—não estou julgando. Eu mesma, não me prendo a ninguém, apenas uso—diz se aproximando calmamente—para meus próprios objetivos—a sinto muito perto de mim... Muito.
—e que objetivos seriam esses?
Pergunto a olhando nos olhos, olhos tão penetrantes e encantadores, parece que se ficar encarando por muito tempo, você ficará hipnotizado... Rapidamente ela agarra meu copo e bebe todo o líquido.
—subir na vida—ri e se afasta.
—gananciosa—mexo a sombrancelha.
—sim. Eu uso deixando eles acharem que estão no comando, mas na verdade, eu estou.
Essa conversa puxou nós dois para um mundo próprio, esquecendo os outros ao redor. Essa mulher, eu não sei explicar... Parece ser única, em tudo... Uma música com melodia lenta começa a tocar, elegante.
—aceita me acompanhar em uma dança?—estende sua mão.
—claro.
Pego sua mão e nos encaminhamos para a pista de dança, onde outras pessoas dançam seguindo a melodia lenta. Ponho minha mão esquerda em sua cintura e entrelaço nossos dedos. Começamos a dançar, com os olhos vidrados um no outro. Ela continua com o seu sorriso encantador e hipnótico.
—você dança bem, senhor Wayne.
—igualmente—continuamos a dança, concentrados—sabe, admito que foi muito esperta. Tentando tirar minha atenção com essas palavras e olhares, enquanto roubava meu relógio de milhões de dólares—a olho com um sorriso.
—ah, estraga prazeres...—com a mão, ele mostra meu relógio. O pego de volta de seu domínio.
—você é mesmo muito ardilosa. Mas não se engane, já conheci mulheres como você—sussurro em seu ouvido.
—hu, você nunca conheceu uma mulher como eu—responde rindo
Continuamos a dança, está sendo divertido, para nós dois. Essa mulher, é única realmente. Paramos quando a melodia para. Nos olhamos por um breve momento, com sorrisos e olhares. Me viro para o palco, vendo a apresentação do tio Philip. É um discurso de agradecimentos e apresentação.
—bom, senhores, está festa além do patrocínio da empresas Wayne, também quero apresentar uma mulher que se aventura na história do nosso mundo por muito tempo e está ajudando a realizar essa grande noite. Quero chamar Diana Prince!—a mulher elegante adentra o palco e começa a dizer suas falas.
—já estou indo—volto minha atenção para Selina.
—já? Estávamos num ótimo assunto—digo sorrindo divertido.
—hah, com certeza. Mas, tenho compromissos durante essa noite—se inclina, chegando bem perto do meu ouvido—espero vê-lo mais vezes—se afasta com um sorriso sedutor—senhor Wayne—se despede indo embora.
Me viro novamente para o palco, e quando coloco minha mão nos bolsos e percebo que meu relógio não está aqui. Rio comigo mesmo já sabendo que fim levou o objeto. Avanço entre as pessoas indo até a porta por onde Selina atravessou. Caminho pelos corredores escuros, toda a iluminação ficou no salão principal da festa. Chego até uma grande sala onde está a sessão do Egito, no centro, esta uma grande esfinge do Egito antigo. Atravesso o local chegando até uma saída de duas portas e ela está trancada com cadeado e correntes grossas. Ela não saiu por aqui...
—ai é sem saída, Sr. Wayne—me viro para trás e vejo um homem com com um traje normal, com camisa verde de cívil e calça marrom, além de sapatos pretos.
—eu te conheço?—pergunto me virando para ele.
—eu sou Edward Nygma, concelheiro do seu tio—espreito os olhos, ele mantém uma olhar tranquilo e sorriso, um sorriso que posso falar que é estranho—você viu a verdadeira?
—verdadeira o que?—pergunto não entendendo.
—a esfinge, claro.
—uma vez. Muito tempo atrás—respondo colocando as mãos nos bolsos da calça—então, você aconselhou meu tio a tentar me convencer sempre à assumir a empresa?
—não, na verdade não. Eu sugeri... Outra coisa, mas seu tio discordou.
—hm.
—se está procurando pela saída, ela fica lá em cima através do aviário.
—isso por acaso é alguma charada?
—por quê diz isto?
—o museu não tem um aviário. E eu não tenho tempo para isto.
—lamento, Sr. Wayne. Me deixei levar pelo espírito desta sala—diz levando o olhar por toda a sala—sabe, os antigos egípcios eram responsáveis por alguns dos primeiros jogos de tabuleiro. Eles às vezes pediam para serem enterrados com seus jogos sobre suas riquezas. O meu favorito tem um desenho que quase parece com o Oroboros, a fera circular que se recria devorando suas próprias partes. Não é diferente do que seu tio está tentando fazer, embora, se ele fosse fazer isso, ele não teria braço para empunhar armas.
—sem armas. Isso devia significar algo, Nygma?
—tudo significa algo. Ou melhor, devia, eu acho... Você não?
—esta dizendo que meu tio entregou as armas para o Capuz Vermelho?—firmo o cenho com os dentes rangendo. Ele solto um sorriso irônico e debochado.
—você é esperto, Sr. Wayne! Tem certeza que não quer mandar nesta companhia?
—por que as daria para ele? São assassinos. Terroristas.
—eu suponho que ele pensa, contra o meu julgamento, que ele pode desistir de algumas peças pequenas... Para impedir que venham atrás das grandes.
—ele os deixou então. Eles não vão parar. O que mais ele deu a eles?!—exijo saber—diga-me, merda!
—receio que não tem mais sala, Sr Wayne... Ou pelo menos mais sala para nós, viu?—ao longe escutamos vozes, de pessoas me procurando. Com certeza ricos que não merecem minha atenção no momento.
—acho que ele foi por aqui. Bruce! Bruce!—ouço meu nome.
—pode dizer a Philip que vou atrás dele, Nygma—digo já próximo do homem em minha frente, ele mantém um olhar debochado e despreocupado.
—eu já disse. Ele não me ouve mais—me dirijo até a esfinge, e começo a subir por ela, na direção da janela do teto—aonde vai, Sr. Wayne?
—para a saída, você disse antes que era através de um aviário. Mas não tem um aviário. Esfinges egípcias são as únicas esfinges sem asas. A maioria, uhh, tem asas nas costas como pássaros—consigo subir ficando no topo da cabeça da esfinge—"lá em cima..."—abro a janela do teto e saio para fora—na próxima vez, tente uma mais difícil, Nygma—quando começo a correr, ele diz algo que não consigo escutar, mas também não dou atenção, estou com a mente ocupada.
—tsc, se ao menos tivesse uma próxima vez.
[...]
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