IV
O dia se iniciou com seu filho acordando-a. Angeline abriu os olhos agradecendo-o com um leve sorriso.
Ele sorriu também. E sentou-se na cama: "Mãe, é... Eu queria conversar com a senhora sobre algo que pode afetá-la."
Ela encostou na cabeceira. E respondeu: "Diga."
Ele constrangeu-se. E seguiu: "O homem que veio aqui ontem... Ele me disse que viria aqui, pois..."
Ela exclamou: "Diga de uma vez, Ettore!"
Ele levantou-se. E seguiu: "Nossa situação não está boa. Pedi para ele a convencer a deixar meus filhos... seus netos, a ficarem aqui com a senhora. Ele me disse o que houve."
Foi simplista: "Pegue tudo que tenho."
Ele balançou a cabeça. E seguiu: "Mãe, não é só dinheiro. Geovanni e Tomé querem conhecê-la."
Foi realista: "Você me conhece melhor do que eu. Conte-os quem eu sou."
"Eles têm 5 anos. Confiarão rapidamente na senhora. E... contar não é o mesmo."
Pressentiu: "Eles estão aqui."
Ele estranhou: "Como sabe?"
"Pressenti."
"É... Estão lá na sala."
Ela soube: "Você está mentindo para mim, Ettore."
Ele deu outro sorriso constrangido para a mãe e afastou-se dela. Foi para sala e levou os garotos ao quarto. Quando entraram, Angeline reparou. Eram gêmeos. Tinham macacões desfiados e sapatos velhos. Eles não faziam parte de uma mentira. Ou esta era convincente.
O sorriso dele continuou. A mulher se levantou. Ettore disse: "Cumprimentem a avó de vocês".
Eles disseram em conjunto e em tons diferentes: "Oi."
Colocando as mãos nas respectivas cabeças, ele disse os nomes: "Este é Giovanni. E este é Tomé, o que veio ao mundo primeiro."
O ligeiramente mais velho sorria timidamente, mordendo o lábio inferior. Giovanni encarava-a sério.
Ela fez uma carranca. E inquiriu: "Quem são mesmo eles, Ettore?"
"Seus netos, ora!"... "Fiquem aqui. Vou pegar as malas."
Angeline analisou-os mais. A cor castanha dos cabelos era a mesma que a do filho. Os olhos eram desconhecidos. As expressões não expunham culpa, mas timidez e seriedade.
Ela queria acreditar no filho, mas não sentia confiança cega. A confiança inicial e passageira da sala do hospital. De momentos após o coma. A que registrou-o como seu filho. A que registrou seu sobrenome. A confiança cega que não deu espaço para mais registros.
Tomé continuava a forçar um sorriso. Geovanni abaixava a cabeça, olhando para as roupas velhas que os cobriam. Para a sua inexistente e supérflua estética. Via a feiura. Via o moderno. Não entendia os dois aspectos fixados em si e em seu irmão. No contraste que havia. Nas criaturas estranhas. Que eram cobertas por panos que revelavam a feiura e a pureza para o mundo. Para este sempre ignorá-las. E que revelavam o moderno e o egoísmo para as criaturas estranhas. Para estes logo entendê-los.
Ettore subiu com as malas. E chamou os garotos: "Sigam-me até o outro quarto. Deixem-na a sós."
E foram interrompidos pela mulher: "Eu ainda não concordei com isso, Ettore."
O filho caminhou até a mãe. Encarou-a. Como no quarto do hospital. Ela cedeu, balançando a cabeça. Levantou-se e começou a arrumar a cama. Não viu Ettore sorrir para ela enquanto era seguido pelos gêmeos.
Confiou no filho, mas ainda de forma parcial. Aceitou sob suspeita os garotos.
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