The Nutcracker and the Snow
Agradeço a nywphadora por betar esse capítulo
Boa leitura!
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O pouso é difícil e eu acabo de bunda no chão. Está tão escuro que não consigo ver minha mão na frente do rosto. O ar está abafado e cheira a madeira podre. Não consigo imaginar onde estou.
Ocorre-me que minha vida pode terminar em minutos, que Potter me levou para a morte. Então, a luz de algumas velas pisca nos quatro cantos do cômodo e sou capaz de discernir as formas. Levo a mão ao rosto enquanto fica mais claro na sala para lidar com minha sensibilidade à luz. Logo, meus olhos se ajustam inteiramente e vejo que estou sentado no centro de uma sala do tamanho de um campo. Eu fico de pé quando Potter se aproxima de mim. Um som como o de um coelho rebelde pulando sob tábuas irregulares perturba o silêncio, e rezo para que não seja meu anel quicando no chão. Também estou fingindo que não toquei em merda de rato. O que quer que Potter esteja falando sobre o feitiço duplo, é melhor que valha minha dor e sofrimento.
- Onde estamos? - pergunto, explorando o chão por uma faixa de luz. Eu lanço o feitiço Accio em meu anel quando não consigo encontrá-lo sozinho. Este vai direto para meu bolso.
- Orkney. Uma casa abandonada de um auror que sobrou da primeira guerra. É ampla o suficiente para nossas necessidades.
- Se estivéssemos encenando uma orgia em grande escala, talvez.
Lá fora, os ventos uivam ferozmente. A madeira da casa range com esforço.
- Confie em mim, vamos precisar de todo o espaço. Eu ainda tenho que conjurar amortecedores ao redor. A menos que você goste de uma boa madeira batendo.
Sim, mas acho que Potter e eu estamos falando de assuntos diferentes. Devo parecer ridículo parado aqui com um sorriso estúpido no rosto. Assim que Potter termina de conjurar suas almofadas, ele puxa um dos meus bonecos do bolso e o coloca a cerca de quinze metros de distância. Nosso parceiro de treino, ao que parece, é Gideon Crumb. Eu tenho que me perguntar se a seleção de Potter é aleatória, ou se ele odeia as Weird Sisters como eu. Uma vez em tamanho natural, Gideon começa a soprar sua gaita de foles. Os gemidos e gritos fazem minha cabeça latejar.
- O truque é pensar nos dois feitiços separados e convocá-los juntos. Funciona melhor com um verbal e um não-verbal. Aqui, deixe-me demonstrar.
Potter faz um gesto para que eu me afaste e não consigo me mover rápido o suficiente. Eu poderia sentir simpatia pelo boneco Gideon, se ele não estivesse se exibindo. Os feitiços atingiram o boneco com força bruta. O Estupefaça nocauteia Gideon, e o Reducto cuidadosamente mirado explode a gaita para fora das mãos de Gideon. Alguns de seus dedos ainda estão presos a ela. Potter prepara Gideon mais meia dúzia de vezes antes de me encorajar a tentar. Em dez tentativas, não tive nenhum sucesso. Então é assim que Longbottom se sentiu na aula de Poções? Se houvesse uma maneira de trapacear nisso, eu consideraria.
Agora mesmo, eu meio que me odeio. Apesar de minhas falhas, Potter não pestanejou. Ele não critica, mas também não oferece reforços positivos. Só quando encontro um quase sucesso é que ele pronuncia uma palavra.
- Cristo, Malfoy. Já era hora.
- Foda-se muito - eu digo, enxugando o suor da minha testa - Não sou tão hábil com a mão esquerda.
- Então faça algo para mudar isso. Se sua mão direita é dominante, use a mão esquerda duas vezes mais. Coma com a mão. Vista com a mão. Bata uma com a mão.
Isso, é claro, evoca uma imagem fantástica de Potter se masturbando. Bem, não é como se ele não tivesse que fazer esses mesmos exercícios quando estava aprendendo. Eu simplesmente acho engraçado que ele provavelmente teve que se mudar para outra sala para não perturbar a Weasley fêmea. Potter questiona meu sorriso.
- O que há com esse grande sorriso de comedor de merda?
- Nada.
Meu sorriso se aprofunda e ele franze a testa. Ele gira as duas varinhas como se fossem baquetas e se posiciona. Estou prestes a ser estrangulado, enquanto nos preparamos para a luta. Eu fico bem onde Crumb estava, e me pergunto se vou pegar meus dedos do chão em algum momento. Minha varinha parece familiar em minha mão, mas essa outra varinha parece completamente estranha. Se eu quiser dominar essa arte, terei que fazer outra varinha de Shostakovitch, já que Olivaras agora se aposentou.
- Pronto?
Potter chama do outro lado da sala. Para morrer? Eu me pergunto em particular. Não dificilmente.
- Pronto.
Potter oferece um combo duplo de Rictusempra. A força do golpe é tão avassaladora que sinto cócegas em lugares que não deveria. Mesmo com os amortecedores mágicos, meu acidente ainda é chocante. O único Expelliarmus que consigo lançar é desviado com facilidade. Eu me levanto, sentindo-me bastante inadequado como bruxo.
- Isso foi patético, Malfoy - Potter me diz. Já mencionei que ainda me simpatizo com a porra do Longbottom? Eu sorrio em protesto.
- Estou apenas me aquecendo.
Nós vamos de novo, e Potter manda uma maldição na minha direção. Eu posso apenas olhar quando primeiro uma varinha vai e depois a outra. Se esta fosse uma batalha real, eu estaria em um mundo de dor agora. Não posso explicar o porquê estou permitindo que Potter me bata tanto. Eu sou melhor que isso. Potter vem até mim e se livra da maldição. Meus ossos rangem quando eu estico meus membros para me livrar do formigamento. Ele me devolve as duas varinhas.
- Você por acaso está tentando?
O garotinho mimado em mim existe, quer sentar e ficar de mau humor, como eu costumava fazer com minha mãe. Pelo menos eu sairia com um abraço e um saco de doces.
- Não seja ridículo.
Eu agarro as duas varinhas com força e alguma raiva.
- Tudo bem então, Malfoy. Um pouco de esforço ajuda muito.
Eu fico olhando para Potter por bons trinta segundos. Eu me pergunto o quão bom ele será se não puder andar. E de repente eu sei a maneira perfeita de aleijá-lo. Tomamos nossas posições de duelo. Estou com uma expressão tão faminta no rosto que até salivo de ansiedade. Eu vou bater forte em Potter e onde for preciso.
Ao sinal de Potter, eu lanço Accio em seus óculos. O idiota não pode ver sem eles. Ele dispara um Diffindo e um Expelliarmus. Eu mantenho minhas duas varinhas em mãos, mas minhas calças rasgam. Eu o desarmo antes que ele possa lançar outros feitiços. Perco minhas calças, mas mantenho minha dignidade. Não é exatamente um comércio justo, mas vou aceitá-lo. Devolvo seus óculos a Potter, mas não sem sujar as lentes primeiro.
- Bela execução, Malfoy, mas você perdeu o objetivo do exercício.
Eu pareço mais presunçoso do que deveria em calças esfarrapadas e roupas íntimas verdes.
- Eu perdi?
- Sim. - Potter abaixa o olhar. - O que... você está vestindo?
- Cueca com monograma? E daí?
Potter coloca suas duas varinhas no cós da calça.
- Nada. Absolutamente nada, acho que terminamos por hoje.
Eu tenho que perguntar. Afinal, ele começou isso.
- Minha semi-nudez ofende seus sentidos delicados, Potter?
Ele empurra a ponte dos óculos com dois dedos. Os braços ficam mais soltos. Posso ou não ter tido algo a ver com isso.
- Não seja estúpido. Só prefiro você de calças, e cuecas mais práticas. Só isso.
- Entediantes, você quer dizer. Brancas de algodão. As calças de um homem dizem muito sobre seus hábitos de dormir.
Potter tem o bom senso de corar.
- Certo, então, estarei lá mais tarde amanhã. Você pode encontrar o caminho de volta, presumo. Bom show, a propósito.
- Obrigado.
Potter não consegue me olhar nos olhos. Ele desaparata de lá antes que seja aparente. Potter pode ter vencido a guerra, mas tenho várias batalhas em meu currículo. Junto com um pau duro.
Quando eu tenho tudo o que preciso de trilhos de trem antigravidade, peças de xadrez Potter‐Weasley e frascos de poções à prova de estilhaços, vou para o Steam. Sempre adorei a natureza ambígua do lugar. E embora o nome provavelmente evoque a imagem de uma boate gay, é na verdade minha cafeteria favorita. Meu expresso sempre vem morno, e minhas porções de sobremesa são sempre finas. Normalmente, espero mais tempo do que o necessário pelo serviço. Eu recomendo este lugar para todos os meus amigos de má reputação.
Eles me odeiam, o que eu costumava e, francamente, não dou a mínima. Eu sorrio de volta com uma frequência irritante. Sou excessivamente alegre e dou boas gorjetas. Eu me recuso a ser expulso. Hoje não me deram garfo, então como meu tiramisu com os dedos. Minhas mãos estão uma bagunça quando termino. Como era de se esperar, também estou sem guardanapo.
Acho que poderia transfigurar o que preciso, mas só estaria dando a eles o que eles querem. Eles vão precisar de um graveto maior para cutucar meu ego. Potter chega em um momento para mudar tudo isso, no entanto. Ele teve um expresso quente e tiramisu o suficiente. Eu devo ter deixado escapar um pequeno beicinho. Impróprio, eu sei, mas foda-se meu otimismo ensolarado. Eu me levanto para sair, esperando que ele não tenha me visto. Mas não tive essa sorte.
- Malfoy?
Ele grita, fingindo surpresa. Eu abafo um rosnado. Nada deve ser fingido, muito menos felicidade, surpresa e orgasmos. Não necessariamente nessa ordem.
Eu coloco meu casaco. Ele dá uma mordida maior do que toda a fatia de tiramisu que recebi.
- Não vai embora, vai?
- Essa é a ideia geral quando alguém veste um casaco, Potter.
Ele dá um gole no café.
- Fique para conversar um pouco.
Não estou com humor para Potter esta noite, quase da mesma maneira que uma pessoa se cansa de comer carne e batatas no jantar cinco noites por semana. Eu desabotoo meu casaco, e me sento como se tivesse recebido um Imperius para fazer isso. Todos os olhos do local estão sobre nós, e me sinto nu e em exibição. Há apenas um lugar em que não me importo de ser explorado para entretenimento, mas isso envolve outro líquido quente.
- Sobre o que você precisa conversar?
- Nada em particular.
Potter deve saber que eu acho que ele está mentindo, então o bastardo me acalma me dando mais tiramisu. Eu gostaria de não ser tão fácil às vezes.
- Você tem mais pistas, suponho?
Antes de Potter responder, ele pede uma xícara de café expresso fresco para mim e outro garfo para dividir sua sobremesa. Eu não deveria estar surpreso com a atenção que os plebeus dedicam a ele, mas é repugnante. O café está bem quente e o garfo não parece ter sido puxado para fora do cu de alguém.
- Sobre isso - ele responde com uma mordida no tiramisu - Eu não tive a chance de avaliar sua primeira noite de treinamento.
Os cantos da minha boca se curvam em um sorriso preguiçoso. Ambos sabemos o porqué sua partida foi acelerada.
- Você saiu com muita pressa, Potter. Algo o incomodando?
Os olhos de Potter brilham quando ele coloca um feitiço de privacidade sobre nós. Seria muito mais fácil falar em outro lugar, mas então Potter não faria os imbecis apaixonados o bajularem. Eu sei que ele citou várias vezes no Profeta Diário que não gosta de ser iconizado, mas você não pode me dizer que uma pequena parte dele não ama o aspecto divino que colocam nele. Estou totalmente convencido de que um de seus seguidores formará uma religião e uma igreja para louvar Potter.
- Eu tinha um lugar que precisava estar. E não leia mais nada sobre isso.
Sento-me na minha cadeira de forma casual, segurando a xícara e o pires nas mãos.
- E o que eu estava lendo sobre isso?
Potter está tão zangado que parece que está chupando algo azedo.
- Olha, eu vim aqui de boa vontade, mas se você vai ser um idiota, vou me poupar do trabalho e mandar uma coruja.
- Não há necessidade - eu digo, colocando meu café na mesa. Pego meu garfo novamente e cutuco o que sobrou da sobremesa. Eu comi muito disso. Eu vou ter uma dor de barriga mais tarde - O que você estava dizendo antes?
- Analisamos o pergaminho. É um papiro egípcio raro. Não tão raro que aponta automaticamente para os assassinos, mas raro o suficiente. Caro também. Não é vendido na Floreios e Borrões. Na verdade, tenho uma teoria.
Afasto o prato com resignação.
- Vamos ouvir.
Potter se inclina muito perto, como se tivesse esquecido de seu feitiço de privacidade.
- Acho que nossos assassinos estão sendo controlados por alguém.
Eu paro um momento antes de falar.
- Isso é um grande salto, Potter.
- Eu dei saltos maiores do que isso e estava certo.
Não consigo decidir se ele está afirmando o fato ou sendo um fanfarrão pomposo. Tenho certeza que é um pouco dos dois.
- Esse pedaço de pergaminho também desempenha um papel importante em tudo isso, e estou disposto a apostar - diz Potter, mais para si mesmo do que para mim.
Em seguida, ele especula ainda mais e, em seguida, dá tapinhas nas próprias costas por causa de suas suposições. Não estou com humor para as idiotices intelectuais de Potter, então mudo de assunto.
- Então, eu realmente me dei bem no duelo ontem?
Potter pisca várias vezes antes que eu perceba que é apenas seu cérebro tentado se inteirar no assunto novamente.
- Como duelista você tem um bom desempenho. Você é rápido e executa movimentos ousados. Deixar seu oponente incapaz fisicamente é muito eficaz. Você me atingiu onde mais doeu, e eu o elogio por isso, mas você é muito lento e suas habilidades de sincronização são lamentáveis. Temos muito trabalho.
Estou prestes a protestar e defender minhas habilidades, quando o patrono de Kingsley aparece na vitrine da cafeteria.
- Você está sendo convocado - digo, agradecido por não poder ouvir as exclamações de admiração da plebe.
É ruim o suficiente eu poder ver seus lábios se movendo. Potter escorrega de sua cadeira, todo desordenado. Ele desativa o feitiço de privacidade e começa a sair. Com a mão na porta, ele se vira com um estalar de dedos estridente.
- Quase esqueci. Pego você às seis amanhã.
Eu esqueci. Potter é meu par para o Quebra Nozes.
- Vista algo bonito. De preferência, limpo e passado. Elegante também não faria mal.
- Vou vestir tudo o que for malditamente arrumado.
A campainha acima da porta soa com sua partida. Sua natureza autoritária é totalmente irritante e sexy ao mesmo tempo. Vou bater uma antes de dormir, lembrando do som de sua voz.
Eu contemplo as migalhas de bolo no meu prato e os resíduos de chá no fundo da minha xícara enquanto procuro algo em meu guarda-roupa. Eu pondero entre ternos sob medida, capas com botões de latão e outras coisas chiques. Mas o que eu realmente quero usar é a bunda de Potter como chapéu.
Eu fecho a tampa do meu relógio de bolso. Potter está vinte minutos atrasado. Honestamente, não sei como uma bruxa ou bruxo pode atrasar-se quando nossos meios de transporte são instantâneos. Eu poderia garantir uma chave de portal internacional no tempo que Potter leva para me encontrar. É melhor ele estar apresentável, apesar de tudo o que está me fazendo esperar. O pedido de desculpas chega antes de Potter, na verdade. Ouço sua voz antes do pop da aparatação. Quando ele se materializa, ele está bagunçado e ofegante. O idiota está até carregando seu outro sapato.
- Você está atrasado.
- Eu sei, desculpe.
Quando consigo ver além da minha raiva, dou uma boa olhada em Potter. Ele ficou até bem, fico feliz em informar para mim mesmo. Quero dizer, ele não sou eu e nem nada perto disso, mas poucas pessoas são. Eu poderia dar a ele uma segunda olhada. Ok, talvez.
Um pouco mais sim do que não. Porra. Tudo bem, sim. Meus lábios devem estar se movendo, porque Potter me dá uma bela olhada.
- Pensei em jantar antes do balé.
- Certo.
Um pensamento me ocorre para punir seu atraso, sugerindo...
- Sushi?
Eu o olho inexpressivo. Ele não poderia ler meus pensamentos... Ou poderia?
- Nobu Sushi?
Potter acena para mim com seu sapato enquanto desaparata. Não tenho palavras para sua tolice. Beliscando a ponte do meu nariz, sigo diretamente atrás dele. O Nobu Sushi está lotado a esta hora da noite de uma sexta-feira. O balcão está cheio, então Potter e eu nos sentamos a uma mesa.
Estamos vestidos bem demais para estar aqui. Espero que o Profeta tire fotos antes mesmo de pedirmos bebidas, mas Skeeter e companhia estão tristemente ausentes. Eu me sinto sem importância. Eu me sinto realmente sem importância quando nem mesmo justifico olhares sujos. Felizmente para mim, o saquê de ameixa faz maravilhas para um ego ferido.
Os gostos de Potter beiram a conservador. Ele escolhe variedades de nigirizushi. A quantidade de wasabi que ele usa me deixa sem palavras. Se eu usasse tanto quanto ele, teria que me proclamar uma tocha ambulante. Se ele não vai pegar água, eu vou. Eu engulo metade do seu copo antes que ele o arranque de mim.
Quando estou farto de ovas de salmão e sashimi, me divirto assistindo Potter. Seu uso de pauzinhos é doloroso. Para um homem que domina os feitiços duplos, não consigo entender o porquê ele é tão desajeitado com talheres de madeira. Isso me proporciona mais diversão do que deveria em uma noite.
- O que é tão engraçado? - ele me pergunta, sorrindo em derrota. Ele tem uma mancha de wasabi no dente da frente.
- Para começar, como você é tão inábil com pauzinhos? E em segundo lugar, quando você desenvolveu o gosto por qualquer coisa que não seja carne vermelha e batatas?
Potter medita sobre minhas perguntas com um ou dois goles de saquê de ameixa antes de responder.
- Bem, Nobu-san não poderia se importar menos se eu dominasse ou não os hashis. Ele é mais sobre o prazer de sua comida.
Harry se vira e acena para um homem com cabelos grisalhos. O homem sorri de volta para Potter e então volta suas atenções para mim. Nobu brandia um cutelo e demonstra com um golpe. Eu me viro para Potter com um sobressalto.
- Mas é rude, e desrespeitoso.
Potter meramente desconsidera minha lógica e responde à minha próxima pergunta.
- Quanto à sua avaliação dos meus gostos e desgostos, passei três semanas no Japão em um caso. Desenvolvi todos os tipos de gostos.
Ele me corta e eu quero estrangulá-lo.
- E?
Potter é muito visual, então tento atraí-lo com movimentos de mão sugestivos. O simples idiota morde a isca.
- E nada. Eu tive um breve caso com um dos Toyohashi Tengu.
- Qual deles?
- Não posso dizer. E isso realmente não é da sua conta. E para que fique registrado, as pessoas com quem eu durmo nunca foram um assunto.
Eu levo tudo isso em consideração. No final da noite, terei o nome da pessoa com quem Potter dormiu. Estou inclinado para Nakamura.
- Decifre o quanto quiser. Você nunca vai adivinhar.
Potter tenta esconder um sorrisinho, e posso dizer que ele pensa nessas experiências com carinho. Está me matando não saber, então mudo de assunto.
- O que aconteceu com a Weasley fêmea? - eu pergunto, terminando o que resta do saquê. Os olhos de Potter se estreitam e eu sei que toquei em um ponto fraco. Estranhamente, não me faz sentir bem.
- Não, Malfoy. Ginny e eu não demos certo, mas isso não lhe dá carta branca para zombar dela ou de nosso relacionamento. Eu ainda a amo profundamente e desejo a ela todas as felicidades. E tenho certeza de que você não gostaria que eu falasse mal de Astoria assim.
Potter está certo, é claro. Eu enfeitiçaria suas bolas. Então eu me levanto e peço desculpas.
- Sinto muito, Potter, eu não deveria ter dito isso.
- Obrigado, Malfoy. Agradeço isso. Ginny está com Dean agora, e não posso fingir que não dói nem um pouco, mas essas coisas sempre doem.
Potter também está certo sobre isso. Ainda estou magoado por causa de Astoria, mas ela está melhor. Para minha surpresa, Potter paga o jantar. Dou a ele a impressão de que estou balançando a cabeça em agradecimento, mas o que estou realmente fazendo é avaliando sua generosa gorjeta. É bom saber que estou errado sobre Potter em alguns aspectos.
Nós nos levantamos para ir embora e Potter recebe sua saudação de costume. Os japoneses chamam Potter de eiyuu ou herói. Eu o chamo de enlouquecedor. Eu preciso de uma estatística.
Potter insiste que sejamos acompanhados ao teatro. Algo sobre saquê de ameixa. Ele está sendo superprotetor. Posso atribuir esse traço à exposição prolongada a Granger. Eu me pergunto o que ela teria a dizer sobre ele fumar os meus cigarros. Assim que chegamos, os paparazzi estão focados em nós, isso me deixa de mau humor. Quero dizer, onde estavam esses idiotas uma hora atrás, quando eu parecia fresco e não estava me sentindo inchado de tanto comer sushi? E eu me ressinto da acusação de Skeeter de que estou com Potter, quando ele está tão obviamente comigo.
Eu vejo sua expressão murchar enquanto Potter sussurra algo em seu ouvido. Ela faz um movimento de corte em sua garganta, e sua pena de repetição rápida paira no ar, aguardando mais instruções. Ela encara Potter por um momento antes de sair com sua equipe. É pedir muito para que ela seja atropelada por um ônibus? Eu pisco para Potter.
Com um movimento de seu polegar e indicador, Potter manda meu chapéu coco para o mar. E com um estalar de dedos subsequente, meu chapéu voa para sua mão estendida.
- Você vai se comportar?
Ele me pergunta. Temos cerca de trinta minutos até a cortina subir, então pego duas taças de vinho em uma bandeja que está passando.
- Da única maneira que sei.
Potter acena com a mão sobre meu chapéu e ele é restaurado à sua condição original. Ele o coloca de volta na minha cabeça e eu ofereço a ele uma das taças. Ele bebe pensativamente até que um alarme dispara. Aparentemente, qualquer coisa que contenha álcool foi agraciada com um Feitiço de Especificação de Idade para desencorajar qualquer diversão pré-adolescente. Isso deixa Potter de bom humor.
- Então, Astoria se casou com você sabendo sobre você?
Dez segundos mais, e eu teria engasgado com vinho servido inadequadamente. O Beaujolais deve ser apreciado a cerca de doze graus Celsius. Isso tem gosto de quatorze graus.
- Calma... O quê?
Eu franzo a testa.
- Você perguntou sobre Ginny. Acho que isso me dá o mesmo direito.
Ele provavelmente está certo sobre isso, mas quero me divertir um pouco com ele primeiro.
- Você foi bastante calado sobre seu caso Potter.
- Sim, eu estava, agora falo sobre Astoria, Malfoy.
- Tudo bem.
Eu digo, abandonando minha taça.
- Astoria e eu éramos ótimos juntos. Uma combinação perfeita.
Potter arqueia uma sobrancelha.
- No papel. Mas não me entenda mal. Não me arrependo de nada. Sempre a amarei. Ela me deu Scorpius, e ele é minha maior alegria.
- Claro, mas você ainda não respondeu à minha pergunta.
- Sim, Potter, ela sabia. O mundo inteiro sabia. Eu nunca me senti desconfortável com minha orientação sexual.
Potter coloca a mão no meu ombro e aperta.
- E você não deveria estar. Eu só queria ter certeza de que você sabia disso também.
Não consigo decidir se o toque ou a aceitação é melhor. Eu me contenho quando Potter me pega pelo braço para que possamos encontrar nossos lugares. Já vi o Quebra Nozes tantas vezes que poderia reencenar o balé inteiro durante o sono. É a música que amo, não o visual. Eu fecho meus olhos por um tempo, mas eventualmente eles abrem e pousam em Potter. Eu o vejo assistindo ao balé. Ele está em paz consigo mesmo agora. Eu vejo isso na ascensão e queda de seu peito. Na maneira como suas mãos estão cruzadas no colo. Na vibração de seus cílios quando ele pisca.
Eu fico olhando para sua boca. A projeção de seu lábio inferior. A maneira como sua língua se lança para umedecer os lábios. A forma de O perfeito que eles formam quando seu prazer culmina. Ele me pega olhando, e eu coro de vergonha. Odeio que ele faça isso comigo, mas resolvo beijá-lo no beco quando formos aparatar. O pior que ele pode fazer é me mandar embora.
Está nevando quando saímos do teatro pelos fundos. Tudo está escondido sob uma manta branca, até onde a vista alcança. Grandes flocos felpudos caem de um céu de veludo pontilhado de estrelas. Estendo minha mão para pegar um floco de neve, para estudar seu design único, até que derreta. Sinto-me estranhamente purificado. Sempre aproveitei mais essa época do ano em relação às outras por um aspecto muito importante, as mudanças irrefutáveis vêm na primavera. O inverno é minha crisálida sem fim. Ninguém pode tirar isso de mim.
Potter deve sentir que estou ruminando sobre algo repulsivamente sentimental, porque ele enfia a mão no bolso do meu casaco e tira meu maço de cigarros, me assustando. Ele acende um com um aceno rudimentar de sua mão.
- Acabei de te perder em pensamentos. Aonde você foi? No que estava pensando?
Eu ignoro isso completamente.
- Isso está se tornando um mau hábito seu?
Potter sorri.
- Eu tenho permissão para um, não é?
- Discutível, Potter, isso é discutível.
Gosto de compartilhar cigarros com Potter. Ele ainda está tentado em formar qualquer coisa reconhecível, mas acho seu jack lanterna charmoso, se não um pouco fora da temporada. Pelo menos, acho que era isso antes de desaparecer. Eu inalo profundamente. A oportunidade perfeita se apresenta, e eu conjuro o visco quando ele está se ocupando em pegar um floco de neve na língua.
Quero dizer a Potter que não consigo parar de pensar nele. Que eu quero dar um soco em sua cara estúpida por causa disso. Quero perguntar a ele se ele está disposto a trocar um mau hábito por outro. Mas um patrono aparece e tudo vacila.
A neve para de cair.
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