Capítulo 57: Efemeridades
Wilni e Zelgle saíram do quarto, a garota permanecia chorando. Os outros olharam para Zelgle com certa pena no olhar, até mesmo Hylia, que sentia uma repulsa imensa quanto a ele parecia comovida com a situação. A única coisa esquisita naquilo tudo é que ele mesmo não conseguia se importar. Wilni foi até a porta, e apesar das lágrimas, ela se virou sorrindo para Zelgle:
—Eu irei avisar a todos na vila que você e seus... — deu uma pausa, procurando a palavra correta. — amigos não são ameaças. — falou, e então saiu.
Zelgle olhou a ação indiferente. Após a garota sair, todo o grupo redirecionou os olhares em sua direção. Não era necessário uma sequer palavra para todos entenderem o que estava acontecendo.
—Quem era ela? — inquiriu Kiere, apenas curiosa com a relação entre os dois.
—Uma amiga. Ela cuidava de mim e da minha mãe, quando ela ainda era viva. — respondeu Zelgle sem demonstrar qualquer tristeza.
—Sei... — falou a meio humana baixinho, normalmente ela não simpatizaria com a dor alheia, mas depois de ter sido salva pelo sujeito duas vezes, era normal, mesmo que não gostasse disso, ficar minimamente abalada com sua situação.
Já outras pessoas não se importavam tanto assim com o luto alheio. Hylia encarou Zelgle sem qualquer pena no olhar, após lembrar o que estavam fazendo, e que toda aquela jornada foi inútil.
—E então, o que faremos agora? — perguntou a princesa séria.
Zelgle a encarou inexpressivo.
—Hylia... — murmurou Lauren na direção da princesa tentando acalmá-la.
—Nada mudou. — falou Zelgle. —Vocês vão passar a noite aqui e quietos. Amanhã, e apenas amanhã, vou pensar no que fazer com o cristal. — Zelgle passou por todos, indo em direção à porta. — Tenham uma boa noite.
—Espera, só tem uma cama aqui... — constatou Tolfret.
—Há mais uma no andar de cima.
—Mas somos em seis! — trovejou Hylia.
—Não dou a mínima. — respondeu Zelgle friamente, e então bateu a porta com força, fazendo poeira cair do teto.
Hylia inspirou, expirou, suspirou e bufou. Não conseguia entender o que se passava na cabeça daquele maldito, não sabia se estava apenas os enganando, mas não poderia fazer nada contra ele, não enquanto ele tivesse aquele cristal em mãos. Zelgle deixou a casa e olhou na direção do vilarejo. Simplesmente não conseguia acreditar que já vivera ali, era quase como ter um déjà vu, porém, sem a sensação de se relembrar de algo. Ele olhou um pouco mais ao longe e viu Wilni falando com um homem alto e de barba grisalha. Deveria estar entre os cinquenta anos de idade, tinha um grande machado em mãos, provavelmente sua ferramenta de trabalho. Encarava Zelgle de relance, por cima do ombro de Wilni, que falava tranquilamente, tentando esclarecer as coisas. Após um minuto, Wilni caminhava na direção de Zelgle, e o homem ia em outra, mas olhando para trás, como se estivesse o avisando Zelgle com o olhar.
—Chrisson. Eu lembro dele. — falou Zelgle para Wilni, que se aproximava. — Continua a mesma ótima pessoa desde que eu sai?
—Sim. — sorriu Wilni, com o sarcasmo. — O mesmo doce de sempre. Ele é o novo chefe agora.
Zelgle ouviu a garota falar e a observou enquanto ela se sentava no primeiro degrau da escada de sua casa. Se sentou junto a ela.
—Então ele realizou seu sonho. Foi depois que minha mãe partiu? — perguntou ele.
—Sim, a senhora Markelf tentou manter a ordem até o seu último momento. — ao lembrar da mãe de Zelgle mais uma vez, os olhos de Wilni brilharam conforme lágrimas surgiam. — E eu não pude salvá-la... não pude...
Zelgle queria muito poder se sentir daquela maneira, triste, pela perda que sofrera, mas não significava nada para ele. Fitou a garota chorando de soslaio, estendeu a mão para toca-la, mas recuou. Não aquela mão.
—Tenho certeza de que ele se foi sorrindo. — falou Zelgle.
—Sim, ele estava sempre sorrindo. Não importava quanta dor estivesse aguentando, o sorriso nunca saia de seu rosto. — respondeu Wilni, com um sorriso rico em aflição. — Ela era uma luz para todos nós desde que o antigo chefe da vila se foi, e quando você, que ia ser o próximo, pareceu estar morto também, todos entraram em pânico. Mas ela sempre continuava forte. Nunca demonstrando tristeza ou medo diante de nada. Uma pessoa realmente incrível.
Zelgle encarou a garota enquanto ela falava, nem parecia que o assunto era sua mãe, devido à tamanha indiferença de sua parte. Os dois ficaram um tempo sem falar nada, apenas olhando o pôr do sol.
—Eu estou feliz que você voltou Zelgle. — falou ela de repente. Zelgle virou o rosto em sua direção, sem entender.
—Mesmo que eu não seja mais o mesmo?
—Como? — ela o encarou confusa. — Você é você, Zelgle. Não importa o que aconteça, você continuará sendo o mesmo.
Zelgle não respondeu. Ela claramente não entendia o que ele queria dizer com aquilo. Zelgle havia passado por todo o tipo de coisa desde que "desapareceu", e agora, tinha certeza que não era mais o mesmo. Sabia que o "Zegle real" fora deixado para trás, esquecido naquele campo de guerra maldito. Agora ele era só uma casca. A representação da decadência em pessoa, a própria definição de "caído". Mesmo que os sentimentos de WIlni o enxergassem da mesma forma, era só uma ilusão, feita para negar a realidade, e mais do que ninguém, Zelgle sabia que isso era mentira.
—Então... você acha que eu seria o mesmo, ainda que eu me tornasse um monstro? — indagou, a expressão vazia, os olhos sem vida.
Wilni o encarou, sem entender de primeiro momento, ela pensou no que falar por algum tempo. Era difícil decifrar o que Zelgle queria dizer com aquilo. "Monstro". Existem inúmeras definições para isso. Um monstro pode ser desde uma criatura sobrenatural, algo que pode colocar medo apenas por existir ou também pode ser o que uma pessoa esconde. O que há dentro dela. Coisas que podem impor muito mais medo do que qualquer criatura grotesca. A garota abriu a boca para responder, mas antes que qualquer coisa pudesse ser dita, a porta foi aberta com uma truculência digna de um verdadeiro brutamontes, mas para a surpresa dos dois, não era sequer um homem quem apareceu à porta, mas sim Hylia, olhando para os dois de cima, com ar de superioridade.
—Desculpem atrapalhar o reencontro romântico dos dois, mas não comemos nada o dia todo. E eu esperava, sinceramente, uma recepção um pouco melhor nesse quesito. Sem querer ofender, claro. — disse a princesa naquele tom sério dela.
Wilni olhou para Zelgle como se perguntasse de onde diabos aquela mulher havia saído, mas o gigante apenas continuou olhando para a princesa com uma cara de quem viu algo que preferiria não ter visto. Ele se levantou, sem tirar os olhos de Hylia.
—Eu disse para ficarem quietos ai. Será que você é burra o bastante para não entender algo tão simples? — sibilou Zelgle, Wilni pareceu surpresa, nunca havia visto ele falar com alguém daquela maneira, sem nem saber o que havia entre os dois, ela pôde definir que a relação entre eles era no mínimo complicada.
—Ache o que quiser, maldito. Já não me basta sua conversa mole sobre acordo isso e acordo aquilo, não sou obrigada a permanecer com fome por sua causa. — rosnou ela irritada.
—Eu posso cozinhar algo para eles! — falou Wilni sorridente.
Os dois encararam a garota por algum tempo, Hylia com aquele olhar de desprezo e Zelgle com sua face inexpressiva.
—Você poderia me ajudar Zelgle? Faz tempo que não cozinhamos juntos. Muito tempo.
—É. Faz mesmo. — respondeu ele.
—Será divertido. Como nos velhos tempos, se lembra?
Zelgle se sentiu tentado a responder sim, mas seria uma mentira clara, para sua sorte, Hylia se intrometeu antes que pudesse responder:
—É melhor irem logo, ao invés de ficarem perdendo tempo ai. — falou séria.
Zelgle iria responder de novo, mas antes que pudesse Wilni segurou sua mão e o arrastou para longe.
—Vamos Zelgle, eles realmente devem estar famintos. Não é justo deixar as visitas com fome, é? — falou ela rindo enquanto fazia força para mover Zelgle do lugar, que dava passos pequenos vendo o esforço dela.
Hylia sorriu na direção dos dois, como se dissesse a si mesma "ganhei". Se virou e entrou novamente na casa. Já Zelgle e Wilni se encaminharam para outra casa, um pouco mais ao lado da casa de Zelgle. O gigante observou a casa antes de chegarem, era bem parecida com a sua, a diferença é que não aparentava estar abandonada por séculos. A garota abriu a porta com uma delicadeza magistral, Zelgle a adentrou, tendo que novamente se abaixar para passar pela porta. O interior iluminado era perfeitamente arrumado. Do pouco que se lembrava de WIlni, sabia que a garota tinha uma paciência quase infinita.
—Deve ser difícil para você ter que viver sozinha aqui. — constatou Zegle.
—Sim, desde que meus pais se foram tudo ficou quieto demais. Mas não há o que fazer... — ela olhou para o nada, com um sorriso triste no rosto. — Por isso estou feliz por ter descoberto que não te perdi também.
Zelgle olhou para cima de uma mesa de madeira no canto da parede ao fundo da casa, havia um vaso sobre a mesa, que era a morada de uma magnífica rosa, que parecia muito vivida.
—É a mesma rosa que você me deu antes de partir. Está lembrado? — perguntou a garota, sorridente.
Zelgle olhou em sua direção. Por mais incrível que parecesse, ele realmente se lembrava dela. Antes de ter entrado para o exército, ele a deu como presente de despedida e como uma promessa, de que voltaria logo e a salvo. Não cumpriu nenhuma dessas promessas. Apenas retornou, fragmentado, quebrado, despedaçado, sem ser a mesma coisa.
—Como conseguiu mantê-la viva por tanto tempo? — indagou Zelgle, curioso.
—Não foi tão difícil, pra ser sincera. Eu não podia deixa-la morrer, de qualquer jeito. Era a única lembrança que eu tinha de você. — respondeu ela enquanto se aproximava da mesa e olhava para a flor com uma imensa felicidade no rosto.
Zelgle não a respondeu, apenas a observou enquanto executava a ação, não tinha o que dizer para ser sincero. Wilni então se virou para ele e sorriu, indo em seguida na direção de um forno a lenha que ficava mais ao canto da casa.
—É melhor começarmos. — disse ela. — Não queremos deixá-los esperando muito, não é?
Enquanto ela acendia o forno, Zelgle cortava todo tipo de legumes. Estava cortando cebolas, não teve problema com lágrimas ou qualquer coisa do tipo, afinal, se não chorou ao descobrir que sua mãe havia morrido, não era uma mera planta que o faria chorar. Picou em cubos, o formato perfeito para qualquer coisa, estava quase acabando, só mais um pouco e... foi quando sangue pingou pela mesa. Cortou o próprio dedo com aquela porcaria de faca exageradamente grande. Não se importou com a dor, mas outra coisa venho a sua mente em um momento. Largou a faca sobre a mesa, que fez um tilintar metálico com o baque. Segurou o dedo indicador, cujo era o que havia sido cortado. Wilni o encarou assustada, se levantou e foi em sua direção.
—Você nunca foi bom em cortar cebolas mesmo, são quase suas inimigas. — ela deu um risinho.— Deixe-me ver isso.
Zelgle se virou, com a mão esquerda coberta pela direita, um brilho purpuro saiu do meio de seus dedos, Wilni ficou confusa com aquilo. Se aproximou de Zelgle vagarosamente, tentando contorna-lo.
—Está tudo bem. Não se preocupe.
—Vamos Zelgle, não somos mais crianças, certo? Não tenha vergonha! — disse ela, puxando a mão dele. Olhou atentamente entre os dedos e viu que não havia nenhum ferimento. Olhou em cima da mesa, onde sangue posteriormente havia pingado, mas não havia nada lá.
—Está tudo bem, não se preocupe. — falou ele novamente. Wilni o encarou entristecida.
Terminaram a comida em silêncio. Em cima ao forno, havia um caldeirão cheio, borbulhante de água marrom. Inúmeros pedaço flutuavam na superfície, verdes, marrons, amarelos, vermelhos.
—Irei avisá-los. — falou Zelgle, saindo.
—Zelgle... — murmurou Wilni antes dele sair. Ele se virou, olhando para ela. — Você ainda é o mesmo, não é?
Zelgle relutou antes de responder. Até porque essa pergunta só tinha uma resposta. Zelgle não era o mesmo que ela conheceu, em nenhuma vertente. Ele estava mudado, em tudo.
—Não. E eu estaria mentindo pra você se dissesse que sou. Não peço que me aceite como sou agora, mas não tente mentir para si mesma sobre mim. — então ele se virou e foi embora, deixando WIlni para trás, encarando o vazio com os olhos que se enchiam de lágrimas.
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O grupo se reuniu na casa de WIlni. Organizados em volta da mesa como uma família. A família mais estranhamente sem sentido e horrivelmente desconexa que existia. A grande mesa retangular estava organizada com três cadeiras em cada lateral, e duas avulsas nas extremidades. Kiere, Tolfret e Hylia se sentavam, respectivamente, na parte esquerda. Do outro lado, estavam Lauren, Kette e Holsung. E nas outras duas cadeiras, estavam Zelgle e Wilni.
—Você pode comer o quanto quiser, Kette. Não tenha vergonha. — falou Lauren colocando a segunda porção de sopa para o garoto, que tinha uma expressão de "por favor, me tirem daqui" no rosto.
O restante do grupo comia calmamente. Holsung fora obrigado a tirar a máscara que sempre estava usando. O queixo era bem definido e os dentes extremamente brancos. Mas nada dessa beleza tirava sua presença maligna. Com toda certeza, ele seria o tipo de pessoa que faria você desviar de rota caso o encontrasse na rua. O que fazia Zelgle pensar no porque estava o ajudando. Não tinha empatia nenhuma pelo sujeito, na verdade, era quase o contrário, então por que Zelgle simplesmente não o deixou para trás? Por mais que quisesse saber, perguntar alguma coisa para a caixa de pesadelos que era sua mente agora, era apenas idiotice.
—Eu sei que é um pouco tarde para perguntar, mas... o que exatamente vocês fazem aqui? — perguntou Wilni com sua voz delicada.
Todos olharam na direção dela em sintonia. Zelgle levantou um pouco o olhar para a garota do outro lado da mesa, tirando os olhos do prato de sopa à sua frente. Todos pigarrearam, sem saber o que dizer, e olharam para Zelgle logo após, esperando-o dizer algo.
—Eles são andarilhos. — começou Zelgle, mentindo sem nenhum escrúpulo. — Apenas me trouxeram como um favor.
A alegação de Zelgle era minimamente questionável tendo em vista como ele e Hylia se trataram antes, mas Wilni pareceu ter ignorado esse fato.
—Bem, se ajudaram você, são bem-vindos aqui. — disse Wilni sorrindo perante as mentiras de Zelgle. O mais incrível era que, apesar do nível de frieza com Zelgle as contara, elas eram totalmente decifráveis, mas se WIlni percebeu, não demonstrou.
Não demorou muito até que todos terminassem suas refeições e se retirassem. Sobrando apenas Zelgle e Wilni, deixados para limpar a bagunça. Colocaram as tigelas recém limpas sobre prateleiras de madeira instaladas nas paredes. Wilni não tirara o sorriso do rosto enquanto faziam as tarefas. Zelgle a fitava de esguelha, tentando entender sua felicidade. Era por ele ter voltado? Não fazia sentido. Ele mesmo dissera, não era o mesmo de antes, e nem que Wilni tentasse esconder a verdade de si mesma isso poderia ser ocultado. Assim que terminaram de organizar tudo, sentaram-se sobre a varanda da casa de Wilni, que era idêntica a da casa de Zelgle. Ficaram quietos por um tempo. Assim como antes, Zelgle percebera que a garota continuava sorrindo. Um sorriso igual ao de sua falecida mãe, de quem está feliz, mesmo na pior das condições. Zelgle voltou o olhar para a escuridão adiante. Conseguia ver inúmeros pontos luminosos no entorno, tochas. Adorava aquela visão quando era criança, as pequenas chamas dançando na escuridão. Haviam vezes em que ele passava a noite toda sentando sobre a escada de sua casa, esperando amanhecer apenas para ver o sol brilhar sobre todo o lugar, dissipando as sombras, como uma chama soberana, maior e muito mais poderosa, como se fosse uma recompensa pelas chamas menores terem perdurado sobre a escuridão aterradora da noite.
—Sabe Zelgle... — começou Wilni olhando na mesma direção que ele. — Eu pensei no que você disse antes. Eu sei que seria ingenuidade minha acreditar que você é o mesmo, afinal, nesse tempo onde você esteve distante, servindo ao exército, é provável que você tenha visto e feito coisas que preferiria não ter feito... mas, não consigo acreditar que você mudou totalmente. — ela olhou para ele sorrindo. Zelgle a encarou pela lateral dos olhos, inexpressivo. — Por isso, mesmo que seja difícil, eu irei aceitar você como você é agora. — finalizou ela.
—Eu... — murmurou Zelgle, sem saber o que dizer. — Wilni, eu não sei... — ele tentou continuar, mas a garota pousou a cabeça sobre seu colo.
Aquilo era definitivamente estranho para ele. Era apaixonado por Wilni quando ainda era vivo de verdade, e sabia que o sentimento era reciproco, ainda assim, nunca teve coragem de se declarar para a garota, e apesar de todos os concorrentes, que seriam escolhas melhores sem dúvidas, a garota decidiu esperar por Zelgle. Jamais entendeu o porque. Zelgle era doente, fraco, debilitado. Um imprestável. Como era considerado por muitos, apesar ser o filho do chefe da vila, que teria como dever ser o próximo encarregado pelo futuro do vilarejo. Então... por que ela manteve durante todo esse tempo essa paixão por Zelgle? Era... amor? Se fosse, seria ainda mais injusto. O gigante não tinha a capacidade de sentir, não mais. Uma casca vazia, é o que ele era.
—Wilni, eu sinto muito mas... não posso continuar aqui. — falou ele — Não há nada que eu possa fazer por você. Não sou o mesmo, sou algo que nem eu mesmo posso compreender. Sou perigoso para todos, não posso... — ia continuar, mas percebeu que a garota dormia.
Afastou uma das mechas de cabelo que cobriam seu rosto enquanto dormia. Tudo o que Zelgle mais queria era poder ama-la de novo, poder sentir-se feliz pelo reencontro, depois de toda a infame jornada pela qual havia passado, nada seria mais justo do que a recompensa de voltar ao próprio lar. Só havia uma coisa na qual ele ansiava mais do que todas as anteriores, poder odiar com todas as forças a forma na qual estava agora.
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