Capítulo 53: O mesmo de sempre
Após os enfadonhos acontecimentos da recente campanha, Crust e Deodor agora caminhavam pelo lustroso chão de mármore do castelo. Deodor imaginou que jamais pisaria ali de novo, por um momento, agradeceu por ainda estar vivo, mas quase de imediato desejou ter acabado morto, assim que um rosto familiar, de forma desagradável, cruzou seu caminho.
—Eu estava me perguntando onde estavam os dois. Achei que pudessem ter morrido finalmente... infeliz engano o meu.
Disse Priscilla ao passar pelos dois em um corredor. A mulher torceu o nariz para os outros dois generais. Logo atrás dela vinham duas mulheres de roupas idênticas as de Kserthy. As três olharam para Deodor com o mesmo apreço de quem olha para a merda no vaso, depois de terminar o serviço.
"Desprezo. Ah, o desprezo. De todas as coisas, é a única que eu recebo mais do que o suficiente. E muito mais."
—Nunca imaginei, que de todas as pessoas, você seria a primeira a sentir minha falta.
—Confesso que senti um pouco sim, o suficiente para desejar não o ver de novo.
—É reciproco. A última coisa que eu gostaria de ter que fazer é voltar aqui para receber seus comprimentos com excesso de afeto, Priscilla.
"Mas é como dizem, a vida é feita de coisas que preferiríamos não fazer."
—Agora se me dá licença, tenho certeza que ambos vamos achar algo mais útil pra se fazer da vida ao invés de ficar trocando ódio mútuo aqui.
Deodor passou ao lado da mulher, que virou os olhos castanhos em sua direção enquanto ele passava. No fim, os dois seguiram em direções opostas.
—Não é muito difícil perceber que há alguma animosidade entre vocês.
Falou Kserthy, as costas de Deodor. Crust que ia ao lado dos dois fez menção de rir da constatação mais do que óbvia, mas desistiu ao sentir uma pontada de dor no local do recente ferimento.
—Alguma? Deve ser a única coisa que temos. E olha que estamos do mesmo lado.
"Eu acho..."
Os três oficiais deixaram o castelo, passando pela ponte e indo em direção a cidade. Não se apresentariam a Rarth no estado atual, claro.
"Até mesmo o rei tem que esperar de vez em quando. Antes de ser enforcado, ao menos mereço uma noite de descanso, não é?"
Passaram pelo arco no fim da ponte, chegando então a cidade, e se encararam por um momento.
—Foi uma honra estar na companhia dos senhores, eu espero ter a oportunidade de trabalhar com os dois de novo.
Falou Kserthy, enquanto fazia uma reverência moderadamente respeitosa.
"Não precisa mentir, Tenente. Eu consigo sentir daqui o quanto você queria se livrar disso, e estou feliz por estar prestes a conseguir."
—Digo o mesmo.
Respondeu Crust, com um sorriso no rosto. Deodor encarou a mulher por um momento, passou a língua entre a arcada dentária afiada, franziu cenho e só então disse:
—Deveríamos beber juntos mais vezes, Tenente. Fazia tempo que eu não me divertia tanto.
"Sério mesmo, posso dizer que quase consegui me sentir alegre ao menos uma vez."
—Claro, com toda certeza iremos, senhor.
"Certeza é uma palavra muito forte. Não tenho certeza nem de que vou passar as próximas vinte e quatro horas com a cabeça no lugar."
A mulher então se despediu dos dois, adentrando a cidade logo a frente. Deodor a encarou por alguns segundos.
—Estou começando a achar que você realmente encontrou sua primeira pretendente...
Brincou Crust sorrindo. Deodor redirecionou a carranca na direção do amigo, que como sempre, não se importava com seu mau humor extremo.
—Não começa. Eu diria que no mínimo ela me odeia tanto quanto os outros, mas consegue esconder muito bem.
Crust deu uma risadinha, tentando ignorar a dor.
—Vamos Deodor, vamos. Dê uma chance pelo menos uma vez na vida para algo que não seja a raiva e a desconfiança.
Deodor revirou os olhos, como se já tivesse ouvido o mesmo conselho inúmeras vezes na vida.
—Eu já tentei, e os resultados não foram nada agradáveis. No mais, é melhor que eu apenas continue como estou. As chances de eu ser assassinado são menores assim.
"É o que eu gosto de pensar, pelo menos."
—Hm... então irei deixa-lo com sua solidão, se é isso que deseja. Tenho que cuidar disso logo, e você também devia.
Falou Crust, apontando com os olhos o local onde fora ferido. Deodor pousou a mão sobre o próprio ferimento. Soltou um grunhido e tremeu.
—Eu estou bem.
"Tirando o fato que eu poderia ter sido divido em dois pedaços."
—Bom, eu tenho que ir. Quero ver meus filhos. Tenho que vê-los.
"Pois pensou que nunca os veria de novo, certo?"
—Muito bem. Até depois.
Deodor encarou as costas de Crust enquanto ele descia rua abaixo.
"Um bom marido, um bom pai, um bom homem... com uma vida que vale a pena ser vivida. Nem consigo acreditar que ele é a única pessoa que não me odeia. "
Os olhos de Deodor então passaram para a cidade cinzenta ao fundo. Ele soltou um suspiro enquanto relembrava das coisas que o esperavam agora que havia retornado.
"Ah, de volta ao lar. De volta aos olhares tortos, de volta aos rumores sem fundamento nenhum, de volta ao circo de tramas, conluios e traições. Enfim, de volta ao mesmo de sempre."
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—Ah, é você...
Falou Hylia ao abrir a porta e vislumbrar Zelgle, ergueu a cabeça vagarosamente para o fitar nos olhos, o encarou por alguns segundos, deixando bem claro que ainda o desprezava apenas usando o olhar.
—Me perdoe por desaponta-la, com toda certeza não sou o príncipe que estava esperando, embora eu acredite que não exista um nesse lugar, a menos que ele também seja um mendigo...
Respondeu o gigante enquanto atravessava o portal, obrigando com que Hylia saísse do caminho. A princesa bateu a porta com o máximo de força que pôde, na tentativa de demonstrar sua raiva. Tolfret, que já havia acordado, estava sentado sobre a cama e tomando algum tipo de líquido em uma tigela, deu um salto por conta do susto, fazendo-o derrubar o conteúdo que estava sendo levado à boca por uma colher.
—Acho que ambos estamos fartos dessa merda. Por que você simplesmente não me entrega essa coisa e cada um vai para um lado?
Rosnou Hylia enquanto ia atrás de Zelgle, o gigante se imobilizou e torceu o pescoço para trás, encarou a princesa de soslaio, esboçando tanta indiferença quanto ela esboçava raiva.
—Você já conseguiu o que queria, não é? Eu já te disse o que é, já falei o porque estamos aqui, e também já disse o que temos que fazer. Se você não vai ajudar, não atrapalhe, desgraçado.
—Fizemos um trato. Enquanto você não curar ele, você não vai tocar no cristal.
Respondeu Zelgle enquanto meneava a cabeça na direção de Holsung. O assassino permitiu que os olhos antemão fixados no teto se movessem para encarar os dois.
—Eu só estou tentando apagar essa coisa do meu braço, não me envolvam em seus problemas.
Replicou em vão, nenhum dos dois parecia ter prestado atenção no que ele dissera.
—Se você não vai entregar, pelo menos cumpra a sua parte do trato. Me responda o que diabos é você.
Zelgle não respondeu, apenas deixou os olhos fixados no rosto de Hylia enquanto imaginava como explicar o que havia acontecido consigo, mas não via nenhuma necessidade em contar isso. Não agora, e talvez nunca. Ele deu de ombros enquanto se afastava.
—Isso não era parte do acordo.
Hylia bufou, estava tentando com todas as forças ser razoável, mas a maneira com que Zelgle agia simplesmente não deixava aberturas para isso. A princesa deu um passo à frente, sem o controle de si mesma, mas antes que pudesse fazer qualquer coisa, Lauren segurou seu braço, fazendo que ela parasse no meio do movimento.
—Será que os dois podem ficar dois minutos sem parecer que vão cortar a garganta um do outro?
Mais uma vez Zelgle deu de ombros e continuou andando, Hylia permaneceu encarando suas costas.
—Isso não me parece com tentar fazer alguém ajudar...
Sussurrou Lauren, Hylia tremeu ao ouvir a voz da ruiva, como uma criança ao levar uma bronca da mãe. Lauren largou a mão de Hylia e foi em outra direção. Zelgle passou perto de uma mesa, flanqueada por duas cadeiras, em que Kiere e Holsung estavam sentados. O gigante jogou um saco sobre a mesa, e estranhos pedaços de alguma coisa rolaram pelo tampo da mesa, quase caindo da plataforma e indo em direção ao chão.
—Vocês deveriam comer enquanto podem. Não tenho certeza de quanto tempo iremos ficar aqui.
Grunhiu Zelgle, demonstrando um valor total de zero em preocupação. Kiere olhou para a sacola de comida sem qualquer empolgação, viu um dos biscoitos rolar em sua direção, parar perto do fim da mesa, girar algumas vezes e parar sobre a beirada da madeira.
—Então você realmente está indo ver sua mãe?
Perguntou a meio humana, observando Zelgle enquanto ele caminhava em direção a janela no fim do cômodo.
—Sim.
Respondeu ele encarando o próprio reflexo no vidro. O restante do grupo olhou para ele com expressões de surpresa coletiva nos rostos.
—Quem diria que uma coisa tão esquisita como você tem mãe. Que tipo de bizarrice ela é?
Zombou a princesa, sem aprovação do restante. Zelgle pensou em não responder, mas deixou algumas palavras escaparem:
—Posso dizer que ela é uma mulher comum, mais comum do que a maioria. Pelo menos ela não tenta fatiar outras pessoas com uma espada brilhante.
Hylia ia replicar, mas antes que pudesse, Lauren se adiantou:
—Você deveria ter nos dito antes o que iria fazer.
—Não mudaria o fato de que eu não entregaria o cristal. É por isso, que até nós chegarmos lá você não o terá em mãos.
Respondeu ele enquanto se virava para encara Hylia.
—Quando chegarmos lá, você terá suas respostas, Princesa. Eu te direi se irei ajudá-la ou não. Mantenha isso em mente.
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—Você tem certeza que já deveria estar andando?
—Sim, não fui ferido nas pernas.
Tolfret, Zelgle e Holsung caminhavam entre a cidade. Desarmados dessa vez. O cavaleiro deixou o que sobrou da armadura para trás, não havia muita utilidade nela agora que estava em frangalhos. Tolfret estava usando uma camisa branca, mas ainda sim, era possível ver várias faixas brancas enroladas em seu corpo, cobrindo o ferimento que havia sofrido durante a luta. Os três agora procuravam por uma taberna, o motivo disso era a imensa vontade de beber de Tolfret. Holsung também achou uma boa ideia beber antes que acabasse morrendo, e Zelgle simplesmente achou que seria interessante ver como álcool afetaria seu corpo naquele estado, pois nunca tinha pensado nisso antes. Haviam atravessado a parte mais vazia da cidade, e se aproximavam do centro comercial. Mesmo sendo um dos centros de Minandre, Ardium não deixava de ser apinhada de pessoas sem esperança. O lugar parecia tão decrépito quanto as demais cidades. Vários olhares foram redirecionados aos três enquanto passavam, de pessoas que tentavam levantar a cabeça, mas não conseguiam, devido a falta de força provocada pela fome, já outras, os olhavam como possíveis alvos a serem roubados.
—Eu gostaria que um desses idiotas tentasse alguma coisa...
Sussurrou Holsung, com um sorriso através da máscara. Zelgle jogou o olhar vazio por cima dele, percebeu que ele tremia. Não conseguia entender o motivo do mascarado gostar tanto de lutar, ainda mais naquelas condições.
"Maluco."
—É melhor ficar na sua. Não queremos chamar atenção desnecessária.
Falou Tolfret sério. Holsung deu uma risadinha ao ouvir isso.
—O que há grandão? Não me diga que está com medo...
—Digo, estou morrendo de medo. Não sou um idiota suicida sabe?
—Não tem problema. Eu cuido de todos se for necessário. Não consigo ver uma maneira melhor de morrer.
Tolfret fez uma careta ao ouvir isso.
—Lutar com um bando mendigos e ladrões, essa é sua forma honrada de morrer?
—Bom, se for pra morrer, quero morrer lutando. Não importa com o que for.
Terminou o mascarado, deixando Tolfret completamente impressionado com o quão insano o assassino poderia ser. Os três continuaram andando por mais um tempo, até que adentraram em um beco escuro. Tolfret sentiu uma pontada de preocupação subir seu peito. Sempre assim. Não importa o quão grande e forte um homem é, um beco escuro sempre vai assusta-lo, isso, se ele for esperto. Caminharam entre o escuro. Tolfret olhava para todos os cantos, com medo de uma faca surgir e acertar sua garganta a qualquer momento. Já viu isso acontecer antes, inúmeras vezes, portanto, ele poderia ser só mais um. Se encolheu enquanto pensava nessa possibilidade. Foi quando ele escutou passos e algo segurou seu braço. O cavaleiro tremeu e se colocou na ponta dos pés, pensou em puxar o braço com força e se livrar da constrição, porém, deixou que o pescoço se virasse na direção do braço. Era alguém, uma mulher mais especificamente. Um longo e negro cabelo cobria seu rosto. De imediato, a mente de Tolfret ficou em branco. Puxou um pouco o braço mas ela não queria soltar. Ela virou o rosto na direção dele, fitando com um sorriso enquanto encarava-o intensamente com os olhos castanhos.
—O que três cavaleiros como vocês fazem aqui?
Falou outra mulher, segurando o pulso de Zelgle de maneira gentil. O gigante jogou os olhos púrpuros sobre ela, fazendo com que a mulher quase desistisse da ação.
—Por que não nos divertimos um pouco, senhores?
Grunhiu a mulher loira que estava segurando o braço de Zelgle. Ela avançou um pouco mais, abraçando Zelgle. O gigante nem se moveu com a ação, sua reação demonstrava um total de zero em surpresa.
"Prostitutas, é? Parando pra pensar, será que eu sentiria algo se fizesse sexo? Pensando bem, eu nunca fiz isso antes, nem quando ainda era vivo."
Pensou Zelgle enquanto encarava a mulher. Normalmente seria vergonhoso admitir algo assim, mas para ele, não era nada. Tolfret que havia recuperado a postura afastou a mulher de maneira séria, fazendo-a ficar surpresa com a ação.
—Me desculpe, mas não gosto de mulheres baratas.
Disse ele sério, até que Holsung puxou a mulher pela cintura, fazendo o mesmo com a que se segurava em Zelgle logo após.
—Ora, nós realmente não somos nada iguais hein! Eu amo mulheres baratas!
Falou o assassino enquanto dava risada. Tudo que Tolfret pôde fazer foi encara-lo incrédulo, e Zelgle fez o mesmo, exceto que toda a surpresa fora substituída por indiferença.
—Vejo vocês mais tarde. Antes de morrer, temos que nos divertir um pouco, não concordam?
Holsung então adentrou a escuridão junto as duas mulheres. Tolfret e Zelgle permaneceram o observando por um tempo.
—Dá pra acreditar nessa cara?
Disse Tolfret. Zelgle apenas continuou encarando o nada.
—Não consigo imaginar fazer isso com qualquer pessoa, é tão... tão...
—Nunca pensei que você fosse romântico.
Falou Zelgle, tão sério que sequer pareceu uma piada.
—Nem de longe. Só me parece esquisito... aliás, por acaso você tem algo com a meio humana?
"Então ele sabe..."
—Não. Sequer sei ao certo o que ela representa para mim.
"Nada, para ser honesto."
—Ela apenas me seguiu porque disse que queria fazê-lo.
—Sei... bem, ela me parece uma pessoa interessante.
Falou o cavaleiro sorrindo. Zelgle o fitou sem esboçar qualquer reação.
—Que bom que estão se dando bem.
Respondeu o gigante por fim, e os dois continuaram andando. Finalmente encontraram uma taberna, o que procuravam a princípio. Tolfret abriu a porta do lugar, que produziu um ruído ao se arrastar pelo chão de pedras. De imediato, o lugar pareceu vazio. A escuridão se perpetuava no estabelecimento, um passo para dentro e isso mudou, conforme inúmeras fontes de luzes advindas de velas e candelabros derramavam claridade entre os vãos das mesas e cadeiras, se arrastando até a porta onde estavam os dois. Tolfret passou primeiro, Zelgle logo após, tendo que se abaixar um pouco para conseguir passar pela porta. O mar de cadeiras e mesas que se expandia no lugar era ocupado em sua maioria, e todas as pessoas crivaram seus olhares no cavaleiro e no gigante assim que eles abriram a porta.
"Eu desisto de procurar por uma porta silenciosa nesse mundo."
Os dois procuraram assentos vazios enquanto andavam entre o amontado de cadeiras e pessoas. Inúmeras mesas estavam entulhadas de garrafas vazias, canecas cheias, pratos com coisas comidas pela metade, talheres sujos a ponto de nem parecerem mais talheres e até mesmo pessoas, desacordadas de tão embriagadas. Os dois passaram por um minúsculo espaço entre duas mesas, Tolfret foi primeiro e quase caiu ao tropeçar no pé de um sujeito. Ele se virou para encarar o dono daquele pé, que com toda certeza teria sido decepado caso ao invés de Tolfret, fosse Holsung naquele momento. Encarou o sujeito com as pernas estendidas de maneira grosseira, o homem estava sorrindo. Ele usava uma armadura leve, rebuscada e velha, e era careca. Um soldado minandrense. Tolfret deixou seu olhar voltar-se para frente, tentando não se importar com aquela provocação mais que óbvia. Caminhou até uma mesa grande, para quatro pessoas, mais ao fundo que estava livre, ambos sentaram-se nas cadeiras, de frente um para o outro.
—Você sabe que não precisava ter me acompanhado, não é?
Falou Tolfret olhando na direção do mesmo homem de antes, com uma leve irritação no olhar.
—Deixar você e aquele esquisito andarem por ai sozinhos enquanto estão feridos não é uma boa ideia.
—Hum... e por que não foi junto com ele, então?
—Acredito que os negócios dele serão menos perigosos. A não ser que aquelas mulheres descubram que por acaso ele não tem dinheiro...
Respondeu Zelgle enquanto olhava de soslaio para uma sombra serpenteando na direção deles. Escutava um leve tilintar de metal. Alguém parou ao lado da mesa, e suas vestimentas deixavam claro que não era um garçom.
—Eu não consigo acreditar nisso...
Falou quem quer que fosse. Tolfret olhou na direção do homem, ele sorria de maneira sádica enquanto olhava para os dois. Principalmente para Zelgle, como se já o conhecesse.
—Você morreu naquele dia, eu tenho certeza... vejo que está diferente, mas com toda certeza ainda é o mesmo de sempre, não é, Zelgle?
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