Capítulo 49: O demônio sabe que é um demônio?

Muitas coisas atormentavam a cabeça de Deodor, muitas. Desde de todas as mortes que causou, as pessoas que matou ou torturou em nome do "dever", essas coisas simplesmente não o deixavam dormir a noite, mas entre elas, a que o fazia se sentir mais culpado era ver seus companheiros morrerem sem poder fazer nada. Agora, o general caminhava a passos largos em direção a Zelgle, os olhos negros vazios e fundos, parecendo duas enormes cavernas no rosto ossudo. Não estava mais se importando com a lama, afundou o pé em uma ou duas poças, mas apenas continuou descendo inabalavelmente. 

-Se afastem!

Bradou, e no mesmo momento os soldados seguiram a ordem, dando espaço para ele passar com os rostos cobertos de terror enquanto Deodor caminhava entre a planície na direção da batalha. Tolfret, Lauren e Hylia pareciam completamente desesperados enquanto o homem se aproximava. O outro general, vendo que não teria como impedir o amigo, estava descendo logo atrás. A mão de ambos brilhava de forma estranha, o que acabou lembrando Zelgle do anel que Arlen tinha dado a ele. Mas de alguma forma aquilo era diferente, e no momento seguinte, uma imensa espada surgiu na mão do homem de preto. A arma tinha a lamina curva e não tinha guarda, como se fosse um facão gigante, era imensamente gasta, com dentes e ranhuras pela extensão do fio, e algumas partes cobertas por camadas de ferrugem, além de manchas de sangue seco. Deodor caminhou em direção a Zelgle sem desviar o olhar, a boca estava aberta, com os dentes afiados a mostra. O gigante encarou o homem de volta, enquanto retirava a haste de lança atravessada em seu corpo, sendo curado por uma labareda negra logo em seguida.

-Você vai pagar por isso...

Rosnou Deodor, num tom de ameaça tão assustador que fez as pernas de Tolfret e dos soldados tremerem. Já Zelgle, para quem a ameaça foi destinada, apenas encarava o general indiferentemente, como se o homem tivesse perguntado onde ficava o banheiro mais próximo. Deodor ficou a menos de cinco metros de Zelgle, e então a ordem de Rarth lhe venho a cabeça: "não matem ninguém". Agora, essa ideia lhe parecia no mínimo impossível, nunca conseguiria deixar por isso mesmo, teria que fazer alguma coisa, embora soubesse que essa atitude estava longe de ser a redenção de que precisava, mas agora, não era sua razão que estava no controle. 

Deodor então se posicionou pouco mais de três metros de Zelgle, com a imensa espada curva em punho. Zelgle viu seus olhos brilharem, mas em seguida ele já estava à sua frente e sem que o gigante pudesse reagir, o general executou um movimento com a grande espada curva, Zelgle se sentiu ser cortado, mas ignorou, foi então que ele tentou atingir o general com o machado, mas nada aconteceu. Olhou na direção da arma e viu que seu braço direito estava faltando, apenas um cotoco sobrara no lugar, o braço, assim como a arma, jaziam no chão, jogados longe e engolidos pelo lamaçal. Zelgle cambaleou para trás, mas antes que se afastasse demais o homem girou e fez um corte diagonal no seu peito.

Zelgle titubeou, com os pés enterrados na lama. Deodor parou, se virou para encara-lo. Por algum motivo, Deodor não parecia mais com raiva. Sua expressão havia voltado a carranca habitual, era sempre assim quando ele lutava, como se as emoções deixassem de aflorar, e mesmo que ele não se orgulhasse nem um pouco disso, foi umas das principais variáveis que o levaram a ocupar o cargo que ocupava agora, mesmo que o caminho fosse totalmente imerso em sangue. Zelgle se afastou do homem aos tropeços, não conseguiu sequer entender o que havia acontecido. Com toda certeza, aquele homem era diferente de todas as coisas com qual Zelgle já lutara. Sua experiência de combate era limitada, já que em sua vida anterior, ele era debilitado e fraco, mas agora, que já havia enfrentado os desafios mais bizarros que poderia esperar, sabia que não estava na frente de alguém comum. Ivan, Holsung, Hylia... todos pareciam crianças perto daquele homem, e embora Zelgle tenha sido destroçado pelos três, a figura de preto à sua frente fazia parecer que eles eram menos do que bonecos de treino.

Deodor se virou na direção de Zelgle mais uma vez, a lamina curva agora pingava gotas de sangue no lamaçal ao redor. Foi então que algo brilhou ao seu lado, olhou na direção do que era, e viu aquele mesmo fogo negro de antes cobrindo um pedaço do chão. Era exatamente no mesmo ponto onde o braço decepado de Zelgle havia caído. As chamas se extinguiram aos poucos, e então, o braço do gigante havia sido realocado no corpo, enquanto o membro caído no chão havia sumido.

"Parece que o inferno finalmente abriu as portas para os demônios saírem..."

-O que é você, afinal?

Perguntou o general em minandrense, num tom ainda menos amigável de quando ele ameaçou Zelgle. O gigante o encarou enquanto levava a mão que fora reconstruída para o cabo da espada nas costas, desamarrou a arma e empunhou, a ponta agora retangular ficou apontada para baixo, encostando de leve no barro.

-Quem sabe? Um demônio talvez?

"Bingo! Pelo menos eu sou um ótimo adivinho, não concorda?"

-Vendo isso eu não duvido de nada...

Falou o general apontando para o braço de Zelgle, que agora estava de volta no lugar, como se a poucos segundos não estivesse jogado na lama junto a arma. O único traço que poderia deixar alguma suspeita desse acontecimento era a manga de seu sobre tudo, que agora estava bem mais curta devido ao corte. 

-Pra ser honesto, eu não sei o que sou, nem se gosto de ser... mas demônio é um termo quase apropriado.

"Quase? Pensei que tinha acertado em cheio..."

-Que seja então...

Dizendo isso, Deodor se lançou na direção de Zelgle mais uma vez, com os olhos brilhando de forma neutra. Se aproximou de Zelgle e executou um corte diagonal, abriu um ferimento imenso próximo a clavícula do gigante. O sangue jorrou do corte como uma torneira aberta ao contrário. Zelgle segurou sua espada pelo ricasso e a empurrou para frente, tentando afastar o homem, mas para sua surpresa, ele nem estava mais lá. Deodor pulou por cima de Zelgle, usando sua espada para se apoiar, como um trampolim. Girou em pleno ar, e na queda executou um movimento em formato de circulo, abrindo uma ravina nas costas de Zelgle. O gigante tropeçou para frente depois do golpe, e antes mesmo de recuperar a postura, ele despencou no chão. Deodor havia cortado suas pernas, em mais um movimento circular, assim que aterrissou. Zegle foi de encontro com a lama, e causou um jorro enorme ao cair de cara.

Hylia ficou pasma ao ver o gigante ser derrubado com tanta facilidade. Ela o derrotou antes, mas até mesmo ela teve dificuldade de subjuga-lo, e teve que recorrer à sua arma mais poderosa para faze-lo, por isso, vê-lo ser derrotado daquela maneira era quase um insulto. Foi então que ela olhou para o lado, e viu o outro general vindo em sua direção. Ela o encarou aflita, com os olhos arregalados e a boca aberta, sem palavras.

-Você já deve ter percebido a essa altura Princesa... não há nenhuma vantagem pra nenhum de nós em ficar lutando. Por isso, eu lhe peço uma última vez ... venha conosco, por favor.

A princesa congelou perante a súplica. De fato ela entendia sua importância para Rikiat se a notícia sobre seu pai fosse verdade, mas ainda assim, ela apenas teria que dar continuidade na guerra, e vencê-la se possível, e agora, ela estava tentando construir paz para os dois lados. Não poderia ceder de forma alguma. Ela balançou a cabeça para os lados, negando o pedido. Crust arfou vendo que não teria como convence-la a mudar de ideia.

-Não diga que não tentamos. 

Crust caminhou na direção dela, mas Tolfret se colocou a sua frente antes que ele pudesse dar mais um passo. Embora se considerasse o guarda costas de Hylia, Tolfret sabia que não teria chances contra o homem que estava à sua frente.

-Não vou deixa-lo avançar mais!

-Boa sorte com isso então.

De repente Tolfret tremeu, uma sensação nauseante subiu para sua cabeça. Enquanto isso, o ar envolta de Crust ficava turvo, enquanto os olhos do homem brilhavam em dourado. Tolfret titubeou para trás, tonto como se estivesse bêbado. Tentou ignorar os enjoos repentinos e executou uma estocada com sua lança, mas acertou em algo tão sólido que pareceu ter batido numa parede de aço. Abriu os olhos e enxergou um enorme escudo sendo segurado pelo general. A placa de metal venho em sua direção e o cavaleiro nem conseguiu reagir ao ser arremessado pelo golpe, caiu sobre a lama mais uma vez, tossindo e mal conseguindo respirar. Viu o homem ir em direção a Hylia, mas antes que pudesse chegar alguém pulou sobre ele, mirando seu pescoço. Crust brandiu sua maça gigantesca na direção de quem quer que fosse, e acertou o nada. Viu uma sombra escorregar pela lateral de seu corpo, pronto para apunhala-lo, mas antes que pudesse, uma armadura pesada cobriu seu corpo, e não era apenas um peitoral. Dessa vez, ele estava coberto completamente, sentiu um baque acertar suas costas e escutou um grunhido logo após. Kiere se afastou do homem, o pulso doendo por conta do ataque mal sucedido. A meio humana se agachou ao lado de Tolfret, tentando levanta-lo, mas o cavaleiro parecia estar quase inconsciente.

Crust voltou a caminhar na direção de Hylia, mas então uma flecha voou em sua direção, bateu contra sua armadura e ricocheteou em uma direção aleatória. O general sequer se moveu ao ser acertado.

-Tsc...

Fez Lauren ao ver a flecha cair no chão sem sequer arranhar a armadura do general. Foi então que ela escutou passos vindo em sua direção. Uma arma sibilou próximo ao seu pescoço, e ela só conseguiu fugir a tempo por conta de ter usado o reforço com mana, agora, seus olhos brilhavam em vermelho. 

-Espero que não tenha esquecido de mim...

Falou a mulher loira de óculos num tom ríspido.

-Dá um tempo sua desgraça!

Gritou a ruiva floreando seu sabre mais uma vez. Holsung continuava lutando com um conjunto de soldados ao mesmo e embora tivesse capacidade sobre humanas, ele ainda era um assassino, não fora feito para lutar, e sim para matar, e no momento ele não conseguia fazer nenhum dos dois direito por conta do braço.

Kiere continuava tentando trazer Tolfret de volta a consciência, mas alguém segurou sua cabeça e empurrou contra a lama, juntou seus dois braços com força para que ela não pudesse fugir e a prendeu com o joelho.

-Quieta porra, não se mexa!

Rosnou um dos soldados que executou a ação em rikiatiano, o outro estava segurando Tolfret, para que o cavaleiro não tivesse nem chance de fugir caso despertasse. Hylia encarava as lutas com os olhos vazios, não podia fazer nada para ajudar nenhum deles, nunca pensou que seria um fardo tão grande.

-Você vê agora? Se recusando a vir conosco, você só vai trazer dor para todos, e pra si mesma também! Não nos faça passar por isso Hylia, desista e volte conosco! Ainda dá tempo!

-Eu não posso, não posso! Não posso continuar com a guerra de vocês, não posso e não vou! Mesmo que tenha que morrer por isso!

-E vai matar todos nós no caminho!

-É o que estou tentando evitar, e se eu voltar com vocês, só estarei tornando isso realidade.

Crust fechou os olhos, se forçando a tentar entender o lado de Hylia, mas isso era impossível. E ele tinha uma missão a cumprir. Estendeu a mão para agarrar Hylia, mas foi então que uma explosão na cor púrpura ocorreu. O general olhou na direção do brilho roxo, e viu Deodor, também encarando aquele fogo de coloração estranha. No momento seguinte, uma sombra surgiu do meio das chamas, e tentou acertar Deodor com uma linha de fogo. O general se esquivou dando uma cambalhota surpreendentemente ágil. A linha flamejante acertou o chão fez a lama voar para várias direções. Zelgle então ergueu a espada mais uma vez, ela estava imbuída nas chamas negras, brilhando conforme a torrente de fogo queimava até sua ponta retangular, tendo sua origem através do braço direito de Zelgle. O gigante havia se colocado de pé novamente, as pernas cortadas de antemão estavam novamente no lugar, como se nada tivesse acontecido.

-Agora eu entendo, demônio realmente é um termo raso pra você.

Agora todos observavam Zelgle em chamas no meio da planície, parecendo uma fogueira no meio de um deserto durante a noite. O gigante então deu um passo a frente, a espada gigantesca fazendo um arco no ar. Deodor ergueu sua arma de lamina curva, aparou o golpe vertical, que lançou faíscas no atrito entre as duas espadas. Então o general girou, desprendendo a própria arma e deixando com que a de Zelgle deslizasse até o chão. Deodor escorregou pelo campo, a lama voando conforme seus pés planavam pelo terreno. O general então flexionou as pernas e saltou na direção de Zelgle, num avanço tão absurdamente rápido que fez até mesmo Holsung parecer lento. O general venho na direção do gigante com a espada erguida, ao se aproximar, ele performou um arco na direção de Zelgle. Na trajetória do corte, a lama se levantou, formando uma espécie de barragem, com quase seis metros de altura. Apesar da velocidade absurda com que Deodor se aproximou, Zelgle conseguiu bloquear seu ataque, fazendo as armas ficarem cruzadas.

-É intrigante como sua raiva sumiu de repente...

Falou o gigante no rosto de Deodor enquanto ambos forçavam suas armas um contra o outro. Deodor franziu o cenho ao ouvir isso.

"Não está errado... a raiva e a coragem sempre fogem rapidamente conforme nos lembramos que uma luta não é algo tão bonito quanto pensamos que é..."

-Não se preocupe, você ainda terá uma lição apropriada.

-Hum... você acha que seu senso de justiça pode mudar algo? Pense direito, você realmente se importa se soldados morrerem?

O expressão de fúria de Deodor se aprofundou com essas palavras, no fim das contas, talvez fosse como Zelgle disse, talvez ele não se importasse de verdade com a morte, pois ele mesmo havia causado mais mortes do que poderia contar se tivesse o resto de sua vida para isso, mas ainda assim, não queria acreditar que Zelgle estava certo. Não queria sequer pensar nessa possibilidade.

-Se eu me importo? É claro que sim, cada homem desses tem família e eles servem sua nação da melhor forma que podem. Não são simples formigas que você pode esmagar!

-Que sorte a deles ter um superior que se importa tanto ou que ao menos consegue fingir tão bem.

"Eu quase sinto inveja deles, duvido muito que algum dos meus superiores sequer tenha se incomodado em assinar minha ficha no obituário."

-Agora que parei para pensar, nós não somos tão diferentes. Ambos fingimos se importar, e ambos agimos como se tentássemos mudar alguma coisa, mas é só fingimento. Acertei, não é?

Deodor rugiu ao ouvir essas palavras, um trovão ecoou pelo campo vazio. O general se lançou para o lado, desvencilhando-se de Zelgle e fez um corte na lateral do abdômen do gigante, em seguida ele deu um salto, levitando no ar como se pudesse voar, executando dois giros rápidos, parecendo uma roda. No primeiro movimento, ele abriu uma fissura no ombro esquerdo de Zelgle que desceu até a lateral do tórax, no segundo corte, ele cortou fora essa parte do corpo do gigante. Zelgle cambaleou com a parte do corpo faltando, o sangue jorrava de maneira assustadora agora. Deodor pousou no chão, fazendo com que a terra abaixo de seus pés voassem, girou mais uma vez, pronto para decapitar Zelgle.

"Demônio ou imortal, o que quer que seja, ninguém vive sem cabeça."

Pensou o general, até que sua espada se enterrou no braço de Zegle mais uma vez. As chamas recobriam seu corpo novamente, e seu braço já havia sido totalmente reconstruído. A espada de Deodor abriu o braço de Zelgle ao meio, mas antes que o general pudesse fazer mais algo, o gigante já estava pronto para acertar-lo com sua espada encoberta com chamas. Deodor saltou para trás antes que a arma batesse contra seu corpo. A lamina de metal pesada acertou o solo e afundou, causando uma explosão de água e lama no impacto. Zelgle se levantou e desenterrou a arma.

-Me diga sinceramente, você realmente acha que se importa com os seus soldados?

Perguntou Zelgle inexpressivo, uma mascara assustadora cobria o rosto de Deodor, mas ainda assim, Zelgle estava disposto a ir mais longe, muito mais.

-Se você quer enganar a si mesmo, tudo bem, mas que tal tirar a prova?

Zelgle então estendeu a mão esquerda em direção aos soldados que agora só observavam a luta sem entender. Uma expressão de confusão se formou no rosto de Deodor, se transformando em espanto e no momento seguinte terror.

-Não!

Gritou ele, mas já era tarde. Da palma da mão de Zelgle, emergiu um pilar de chamas, indo na direção dos soldados, que sem entender, foram atingidos pelo fogo negro. Logo, guinchos de dor ecoaram pela planície, conforme os corpos dos soldados se tornavam estátuas negras carbonizadas. Todos observavam a cena com um espanto incompreensível estampado no rosto, desde os dois generais, o resto dos soldados, a tenente Kserthy e o grupo de Zelgle, até mesmo Holsung parecia estar surpreso com a visão, tanto que dessa vez sua gargalhada não saiu, talvez ele não achasse graça por já ter experimentado uma pitada daquela sensação. Zelgle deixou que sua mão se abaixasse e em momento nenhum ele tirou os olhos de Deodor.

-E então, os laços de dever com esses homens e sua nação estão mais frouxos agora?

Os olhos de Deodor ficaram vazios. O brilho havia sumido, agora ele era apenas uma estátua encarando Zelgle.

-Eu vou matar você.

Murmurou o general.

"Eu agradeceria muito se você conseguisse."

Foi então que Deodor avançou mais uma vez, Zelgle estendeu a mão em sua direção e lançou uma onda de fogo negro, mas Deodor era rápido demais para cair nesse truque, o general saltou por cima do pilar de chamas. O reforço de mana o possibilitava fazer inúmeras acrobacias que um humano normal nunca sonharia em performar. No mesmo momento em que ele planava no ar, seu anel brilhou e uma besta surgiu em sua outra mão. Zelgle já tinha visto uma daquelas, eram potentes, e mesmo sendo extremamente difíceis de manejar, eram armas eficazes à longa distância, mas naquela situação, ele não conseguia imaginar como aquilo poderia ser de alguma utilidade. Foi então que ele viu várias setas vindo em sua direção, enquanto o tranco da arma lançava faíscas no ar, desferindo um arco por causa do movimento de Deodor. As setas se cravaram no corpo de Zelgle como alfinetes num novelo de lã. O gigante tremeu conforme os inúmeros projeteis se enterravam em seu corpo, até que viu um brilho prateado reluzir em sua direção, era a lamina curva da espada de Deodor, que atingiu com precisão seus olhos. Nem entendeu como o homem conseguiu executar uma ataque daqueles enquanto caia, mas aparentemente nada que ele fazia podia ser chamado de normal. 

Zelgle balançou a cabeça sem enxergar, o fogo negro já estava reconstruindo seus olhos, mas essa já era uma abertura grande o suficiente para que Deodor o cortasse no meio, mas isso não aconteceu, já que Zelgle emergiu em um pilar de fogo negro antes do homem se reaproximar. Por algum motivo, ele tinha muito mais controle daquilo agora, não conseguia fazer parar de surgir quando ele tinha um ferimento, mas podia usar quando quisesse. Ele olhou para Deodor com seus olhos púrpuros reluzindo no meio das chamas de mesma coloração.

-Consegue enxergar agora? Nós somos demônios e nem percebemos.




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