Capítulo 33: Por algo que valha a pena lutar/cortar
-Que saco...
Um homem encapuzado caminhava em uma rua durante a noite, estava sendo seguido faziam alguns minutos e sabia disso. Continuou andando sem qualquer preocupação. Até que finalmente eles o cercaram, cinco deles. Todos armados. Mas isso não tinha muita importância.
-Ei, amigo, será que poderia nos emprestar um pouco do seu tempo?
Falou um dos homens que vinham pela frente, haviam três deles na frente, e dois atrás. Os de trás estavam o seguindo faziam uns cinco minutos, um de cada lado da rua escura.
-Claro, por que não? Do que precisam?
Respondeu de maneira amigável, parecendo estranhamente seguro com a situação.
-Nada demais, não se preocupe, com certeza você pode nos ajudar.
O homem se aproximou um pouco, era careca, com uma cicatriz enorme no rosto, além de ter o queixo torto. O maldito deveria ser mais feio que o próprio diabo.
-É bom ser útil.
O sujeito encapuzado não parecia nada intimidado com a emboscada, pelo contrário, seu tom era agradável, mas não era possível confirmar isso em sua expressão, já que uma máscara negra cobria seu rosto, além disso, a rua estava extremamente mal iluminada. As tochas que deveriam prover um pouco de luz estavam praticamente apagadas.
-Ah se é... dinheiro, que tal? Quanto tem ai?
-Vai me desculpar amigo, mas eu estou quebrado, cheguei à cidade faz dois dias, estou procurando trabalho ainda.
-Bem, Golarit é uma cidade cheia de trabalho, não deveria haver nenhuma dificuldade. Que tipo de trabalho está procurando?
Perguntou o homem com um grande sorriso no rosto.
-Coisas sabe, nada demais...
-Anda logo, porra! Tira o que você tem ai!
Rosnou um dos homens sacando uma faca de repente, o careca segurou sua mão.
-Opa, calma amigo, não precisamos usar violência, certo?
-Sim... sem violência amigo, alguém pode acabar morrendo desse jeito.
Falou o mascarado num tom irônico, sorrindo por baixo da máscara. Os ladrões o encararam com raiva e apreensivos. Ficaram extremamente tensos de uma hora para outra.
-É, e quem seria?
Perguntou o careca dando uns passos pra frente, e ficando cara a cara com o homem de capuz. Ele pôde ouvir alguns chiados metálicos, todos tinham sacado as armas.
-Eu, é claro.
Os ladrões relaxaram os músculos. A tensão se foi em um momento.
-Você, é?
-Sim. Estou desarmado, e não quero confusão.
-Está desarmado? Hum, é bom ouvir isso.
O ladrão deu um sorriso de orelha a orelha. E então, ouviu passos atrás de sí. Ia ser esfaqueado. Mas essa era só uma possibilidade, uma com chance remota.
-Ha, as coisas sempre acabam dessa maneira. Não sei porque insisto. Devo ser insano...
Antes que algo pudesse acontecer, "ele" se virou com um movimento aberto, fazendo um arco com um braço. O ladrão que quase o apunhalou despencou no chão. E então, saltou para se afastar do grupo.
-Mas que merda, peguem ele. E você, levanta!
O homem careca tentou puxar um braço do companheiro caído, o mesmo que deveria ter esfaqueado o homem, porém, apenas seu membro venho, decepado.
-Mas que porra...
Foi então que ele notou que a cabeça do sujeito havia sido fatiada em três partes. Sangue e miolos estavam espalhados no chão em uma massa vermelha e negra.
-Quem caralhos é você?
Gritou o careca, caindo e se arrastando para trás após ver a cena. O nervosismo exposto no rosto.
-Eu? Ah, eu sou só um pássaro desgarrado. Não se preocupe.
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-Olha Kiere, não sei se quero participar disso...
-E por que não? Você não morre, certo? Além do mais, quando as pessoas virem você segurando essa coisa, elas vão correr como ratos se escondendo na toca!
Ela apontou para o machado distorcido de Zelgle.
-E são quinhentas moedas de ouro, quinhentas! O que não dá pra fazer com isso?
"O que você não iria fazer com isso? Suponho que não tenha minha parte ai."
-Olha, eu não morro, mas você sim.
-Ah, eu não vou participar.
-Como?
-Um de nós já é o bastante, além do mais, eu ainda estou me recuperando, sabe?
Ela levantou a barra da calça para mostrar as cicatrizes causadas pelas estacas de gelo de antes.
"Você parece muito bem para mim."
-E também, podemos acabar tendo que nos enfrentar na final, o que faríamos se isso acontecesse?
"Sei lá, poderíamos fingir lutar ou um dos dois simplesmente poderia desistir. Mas acho que você realmente pensou bastante a respeito e concluiu que não tem saída..."
-Vou ficar te dando apóio moral das arquibancadas.
Sorriu a meio humana.
-Hum...
Zelgle e Kiere estavam indo até a construção circular no meio da cidade. Um coliseu basicamente, onde uma enorme fila estava se formando, era a fila da inscrição. Mas antes que pudessem chegar, viram vários guardas e pessoas amontoadas em um único lugar.
"Mas que cheiro é esse?"
Kiere quase desmaiou instantaneamente. Um fedor insuportável pairava no ar. Eles se aproximaram do amontoado de gente, e foram abrindo caminho entre as pessoas. Os guardas estavam tentando conter a aproximação inutilmente.
No centro da aglomeração, a cena não era nada bonita. Várias partes de corpos espalhadas por todo lado, sendo devoradas por abutres, corvos e larvas. Haviam sido mortos a pelo menos doze horas, e o calor espalhou o cheiro de maneira que a natureza começasse rápido com o serviço. Sangue e terra se combinavam, fazendo uma mistura enegrecida e fétida. O chão em volta era uma poça vermelha. Os corpos em questão, estavam dilacerados até onde era possível, cabeças, braços, pernas, olhos, fígados, pulmões, e um monte de outras coisas. Furados, partidos, picados, fatiados. Não havia um padrão certo. Contando as cabeças, ou o que sobrou delas, Zelgle calculou cinco pessoas. Mas poderia ser um exército inteiro, não dava pra dizer com certeza. Ele também notou um certo tipo específico de corte em algumas partes, um corte perpendicular triplo. Um animal talvez. Ou um demônio, difícil dizer, concluiu.
-O que aconteceu aqui?
Ele perguntou para um dos guardas que estava se esforçando para conter a aproximação das pessoas.
-Não faço idéia. Talves eles tenham irritado o próprio diabo, só isso explicaria. Me disseram que eram bandidos ativos da região, e que foram assassinados durante a noite. Bom, parece que não vamos ter que nos preocupar mais com eles.
-É, aposto que não.
-Ei, o que é aquilo?
Kiere apontou com a mão livre para uma das cabeças, a outra mão estava segurando um lenço sobre sua boca e nariz. A cabeça em questão, era praticamente a única parte intacta, quanto ao resto do corpo, era bem... improvável. Era a cabeça de um homem careca, e com o queixo torto. Os olhos brancos estavam virados pra cima, mas o que ela queria dizer com a pergunta era sobre o que ocorreu na testa. Havia algo escrito na pele queimada. Aparentemente quem quer tenha escrito, fez com a pessoa viva, e então cauterizou o ferimento em uma das piras ao redor, e só então a transformou em uma peça artística do inferno.
"Não seja um babaca."
Não importando quem fosse que fez aquilo, com certeza não gostava de ser tratado mal.
-Vamos andando, Kiere.
Os dois se afastaram da multidão e daquela atrocidade.
-Ah, aquilo foi horrível.
Disse a meio humana, respirando fundo ao se afastarem.
-É, com certeza foi.
Respondeu Zelgle chegando na fila finalmente. Haviam uma quantidade imensa de pessoas por lá, mais do que ele lembrava no ano em que assistiu. Deviam ser pelo menos umas cento e cinquenta pessoas, muitas mesmo. A fila andava aos poucos, a taxa de inscrição era de uma moeda de ouro, que poderia ser multiplicada em quinhentas vezes se você vencesse o torneio. Uma oferta tentadora, pelo menos o suficiente para fazer algumas pessoas arriscarem a vida por isso.
-É surpreendente que essa coisa vai acontecer mesmo com a cena lá fora.
Disse Zelgle se aproximando da fila.
-Pois é, e se o cara que fez aquilo estiver participando?
"Eu não quero encontrar alguém assim."
Na fila, todos os tipos de pessoas estavam presentes, desde aventureiros à mercenários, e isso era perceptível pelos equipamentos. Alguns aventureiros de rank mais alto ficavam com os braceletes à mostra para intimidar os oponentes, a maioria que fazia isso era do rank bronze. Zelgle nem se importou, mas o bracelete prateado reluzia na manga negra, e ao verem isso, algumas pessoas rapidamente reconsideraram participar do torneio.
Após uns vinte minutos na fila, um grupo de pessoas desmoronou no chão de repente. Todos em volta ficaram confusos e chocados, sem saber o que havia ocorrido.
-Mas que porra é essa?
Os olhos de Kiere quase saltaram para fora com a cena, ela ficou tão surpresa que não sabia se continuava andando ou parava para ajudar. Zelgle sequer se importou com o ocorrido.
Logo, um dos guardas disse para a fila continuar, enquanto outros arrastavam as pessoas desmaiadas do caminho. Eles continuaram andando, agora eram os primeiros daquela parcela da fila. Eles continuaram caminhando, tomando cuidando para não pisar sobre nenhuma das pessoas caídas. Mais alguns passos e eles conseguiram ver com clareza as primeiras pessoas no final da outra parte da fila. Um homem alto, com uma armadura prateada, o metal opaco brilhando contra o sol, demonstrado um pingo da glória do passado, mas em seu estado atual não parecia grande coisa. As grevas de aço estavam riscadas e sujas de lama, mesma coisa para o colete, a cota de malha que aparecia na barra estava rasgada, se é que isso era possível, alguns anéis de ferro pareciam abertos por conta do desgaste. Um manto vermelho, preso a ombreira tentava inutilmente cobrir as costas do conjunto, mas estava rasgado demais para isso. As armas do homem não pareciam em um estado melhor também, um escudo pesado em formato de torre, as bordas da placa de metal eram revestidas de ouro, com um símbolo tão apagado no centro que era praticamente impossível dizer o que significava, e também tinha a lança grande, com cerca de dois metros de comprimento, um pano vermelho enrolado na aste tremulava com o vento. O homem os encarou enquanto se aproximavam, alguns fios do cabelo marrom cobriam o rosto, os olhos castanhos brilhando mais que a armadura. Já a participante seguinte não parecia tão grandiosa, era possível ver sua expressão de desconforto com alguma coisa. Conforme Zelgle e Kiere se aproximavam, ela parecia mais horrorizada, até que quando eles ficaram a menos de três metros, a garota ficou de joelhos. O homem de armadura rapidamente segurou seu braço e ela não caiu por pouco.
Deu para perceber que os dois sussurraram algo, mas não pra ouvir. Foi então que uma onda de poeira venho na direção deles, mais pessoas que estavam atrás desmaiaram, Kiere cambaleou alguns passos e se ajoelhou.
-Kiere, o que houve?
-Não sei, me deu um enjôo do nada...
Pareceu mais do que um enjôo para as pessoas de trás, que caíram no chão como sacos de batatas, sem conciência. Seja lá o que tivesse acontecido.
-Você ai...
Zelgle olhou para frente e percebeu que a garota que estava ajoelhada antes tinha se levantado. Ela estava encarando ele de maneira séria, seus olhos azuis estavam brilhando através do escuro de dentro do capuz.
-É comigo?
Respondeu ele sem sequer se abalar com a pergunta.
-Sim, é. Quem é você?
-Eu sou Zel-
Começou ele, mas a garota não teve a paciência de esperar ele falar e o interrompeu.
-Melhor... o que é você?
Zelgle não entendeu o que ela quis dizer. Ou gostaria de não ter entendido. Certamente ela sentiu algo estranho quando ele se aproximou, e ele sabia disso. Rozaria havia dito que Zelgle era como uma torneira de mana aberta, andando por ai. Além do mais, ele era um morto vivo. Não deveria ser difícil as pessoas encontrarem motivos para se sentirem desconfortáveis perto dele, mas mesmo assim, ele decidiu se passar por desentendido.
-Como?
-Você sabe muito bem o que e-
A garota deu um passo à frente e empurrou a capa para o lado, monstrando o punho de uma espada, ela colocou a mão sobre ele, e estava prestes a desembainha-la, até que uma mão se pôs sobre seu ombro. O homem de armadura rapidamente começou a sussurrar alguma para ela.
-Deixa pra lá.
Disse ela parecendo sã novamente. Ela se virou sem tirar os olhos de Zelgle.
-Vadia maluca...
Grasnou Kiere enquanto andava ao lado de Zelgle. A fila já estava quase no final. Mais alguns minutos e finalmente era a vez de Zelgle. Era muito parecido com o processo de inscrição do teste da guilda. Ele pagou a taxa de uma moeda de ouro e saiu.
Ele teve um pequeno vislumbre do homem de armadura e da garota de capuz ao sair da fila, havia mais uma pessoa com eles dessa vez.
-O que você tem que fazer agora?
Perguntou Kiere animada, surgindo ao seu lado com um sorriso no rosto de repente.
-Esperar.
-Pra que?
-A fase eliminatória. Ela ocorre antes do verdadeiro torneio começar. Como são muitas pessoas, eles vão colocar todos na arena juntos, e os últimos oito que sobrarem são classificados para o torneio de verdade.
-Isso parece selvagem...
-E é. Colocando tantas pessoas em uma arena assim, mortes acidentais e propositais ocorrem sem qualquer punição. Algumas pessoas entram nesse torneio pelo dinheiro, alguns por que gostam de lutar, e outros, só para matar. São motivos estranhos.
-Estou quase me arrependendo de fazer você participar disso.
Sussurou Kiere, olhando para o chão.
-Então...
-Eu disse quase!
Ela deu sorriu debilmente e de passos largos à frente, debochando dele. Não fazia muito tempo, mas Zelgle havia notado que a atitude de Kiere sobre ele havia mudado um pouco. Parecia que ela não se importava de falar a verdade para ele, e nem se importar tanto sobre ele se ferir ou coisas assim. Talvez seja por ter o visto sendo dilacerado tantas vezes, é, devia ser isso. Mas não é como se Zelgle fosse participar do torneio apenas pela vontade da companheira, ele também estava com os olhos na recompensa.
Os dois se sentaram em cima de uma pedra. Na espera do anúncio para entrarem. Kiere contou algumas moedas. Era o pagamento para assistir ao torneio das arquibancadas, logo, as pessoas começaram a entrar no coliseu por duas enormes escadas acopladas ao portão de entrada.
-Parece que vai começar, boa sorte!
Ela foi na direção, das escadas, e logo subiu para as arquibancadas.
Os participantes do torneio ainda não haviam entrado no arena.
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-Hylia, o que foi aquilo?
Tolfret e Hylia haviam acabado de fazer a inscrição no torneio, e finalmente estavam prontos.
-Não sei, eu só senti algo estranho quando aquele cara se aproximou. Algo ruim. Só isso.
-Olha, se for pra você partir pra cima de todas as pessoas que você julgar estranhas, vamos ter que matar metade do país!
-Não é isso que quero dizer, Tol! Aquele cara passava uma sensação negra, escura, maligna.
-Como um monstro?
-Não sei... a mana envolta dele parecia estável, mas ainda assim, eu não conseguia sentir a presença dele. Era como se ele fosse um objeto qualquer...
-Sobre o que estão conversando?
Disse Lauren se aproximando vagarosamente, ela havia tirado o capuz. Deixando as mechas do cabelo ruivo voarem com o vento.
-Há um cara estranho no torneio.
-Está cheio de gente estranha.
-Mas esse é diferente. Ele estava com uma garota encapuzada, fique de olho nela.
-Ah, você está falando daquela pessoa! Eu quase abri a cabeça dele com uma flecha quando você ameaçou partir pra cima, mas ai o puto do Tol deu o sinal.
-Se você já sabe quem é, fica mais fácil. Agora vai, já está pra começar.
Lauren se virou e começou a andar, mas virou para trás subitamente.
-Aliás, quais são os nomes que vocês usaram?
-Kortia e Igfried.
A garota nem se segurou, simplesmente soltou uma gargalhada exagerada na direção dos dois.
-Mas que porra de nomes ridículos são esses?
-Não me pergunte. Foi ideia do Tol. Ele disse que são iguais os daqui.
Lauren deu as costas para os dois e foi na direção das pessoas subindo as escadas.
-Tol, eu não quero você colado em mim nessa primeira fase.
-Mas é o meu dever! Eu sou seu guarda-costas, quer que eu não me importe com você?
-Não é isso, idiota. Apenas durante o torneio, siga minhas ordens. Quero lutar pra valer dessa vez, e não vou conseguir se você ficar grudado em mim. Agora vamos.
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Os participantes começaram a entrar no coliseu. O interior da arena estava vazio, fora um pequeno palco de madeira feito para uma apresentação rápida O lugar era bastante amplo, suficiente para um exército se hospedar lá tranquilamente. O chão era de rocha sólida, provavelmente feito com magia. Era muito difícil encontrar buracos ou rachaduras, a maioria era de martelos e outras armas pesadas, de competições passadas. Havia um fosso com areia em volta da parte de pedra em uma altitude menor, a delimitação da arena. O maldito lugar estava fervendo. Zelgle não tinha muitos problemas com o calor em sua nova "forma", mas ele se perguntava, sendo um cadáver reanimado, ele não iria se decompor mais rápido se ficasse no sol?
Ele colocou a mão livre sobre os olhos, para conseguir enxergar. Olhou para cima, as arquibancadas já estavam cheias, fervilhando com pessoas. Era possível ouvir gritos por toda parte, ressoando no ambiente enorme, apostas, torcida, e pedidos para começarem logo. Algumas pessoas lá em cima pareciam prestes a desmaiar, se não fosse de excitação, seria de calor. Ele conseguiu localizar Kiere, ela estava sentada na primeira filareira, ao lado de outra garota, mas Zelgle não conseguia distinguir sua aparência agora. Apenas reconheceu Kiere pelo capuz. A meio humana acenou para ele, e então ele pode confirmar.
A arquibancada era formada por um conjunto de bancos circulares que rodeavam o coliseu, com aberturas à cada vinte metros, permtindo a passagem de pessoas. Haviam dez fileiras de bancos, feitos de pedra. Existia um conjunto de bancos mais altos, destinado aos nobres, tinham algumas pessoas lá, vestindo roupas estranhas, comendo e rindo.
Logo, um homem com roupas exóticas subiu no pedestal no meio da arena. A plataforma de madeira era feita especificamente para a apresentação do evento, e o homem era o encarregado aparentemente. Isso ficava claro pelas roupas bizarras, um conjunto todo em vermelho, nem nobres andavam daquela maneira. Se era pra chamar atenção, tiveram sucesso.
-Lá vamos nós de novo... bom, como todos devem saber, o torneio de Golarit ocorre uma vez no ano, e tem uma recompensa imensa para o vencedor. Porém, antes de começarmos a falar sobre as regras...
"E existem regras?"
Ponderou Zelgle, enquanto prestava atenção no homem.
-Como sabem, o torneio já era feito em gerações muito antigas, portanto, não há nenhuma regra sobre não matar ou ferir seu oponente seriamente. Todos estão sujeitos a isso. É um risco que vocês devem assumir por sí mesmos. Nós não temos nenhuma responsabilidade sobre isso.
O homem falava de maneira tediosa, como se estivesse deprimido com alguma coisa ou com sono.
-Portanto, alguém gostaria de desistir?
Não demorou muito para a pergunta tornar a atmosfera quieta e apreensiva, muitos participantes ficaram nervosos pela possibilidade de acabarem morrendo. E isso era extremamente normal, tendo em vista que tipo de pessoas poderiam estar participando.
-Eu, eu vou!
-Eu também!
Algumas pessoas começaram a erguer as mãos após pensarem mais à respeito. Seis no total. Agora sobravam cento e trinta e sete participantes.
-Não haverá reembolso da taxa de inscrição, tudo bem?
As pessoas assentiram. Uma moeda de ouro valia muito, mas por suas próprias vidas elas não se importariam. Era uma decisão sábia, na opinião de Zelgle. Não há confiança suficiente para se encarar a morte, e isso era fato.
-Mais alguém?
Perguntou o apresentador olhando em todas as direções para conferir.
-Ótimo, muito bem vamos as regras.
Primeiro coisa, qualquer arma é permitida, magia também é, mas cuidado com os excessos, há pessoas nas arquibancadas.
Isso era bem impressionante, tendo em vista que algumas armas davam vantagem imensa, como arcos, espadas curvas e lanças, sem falar de magia, que dependendo do nível, poderia eliminar metade dos participantes facilmente, mas regulamentar o armamento e o estilo de combate provavelmente deixava as coisas mais chatas, e isso não atrairia público, e isso obviamente não era o que eles buscavam com esse torneio. Era o que se deveria esperar de um torneio onde matar é permitido.
-A primeira fase é a eliminatória, os últimos oito que sobrarem serão classificados. Contudo, vocês devem permanecer na área de pedra, caso pisem na areia, serão desqualificados. Eu recomendo que pulem na areia caso não consigam mais lutar. Matar as pessoas que já desistiram é estritamente proibido. Bem, acho que é isso, vamos começar essa droga logo.
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"O torneio de Golarit hein... Quanto tempo faz que estive aqui?"
Lá estava "ele" , no meio da arena. Envolto em um capuz negro, mascarado no meio daquela multidão. O calor ali era insano, mas para "ele" não importava, já havia suportado coisa pior, muito pior.
"Será que vou encontrar um oponente digno dessa vez?"
Olhava para todos os lados, procurando coisas que valessem a pena retalhar. Havia transformado alguns idiotas em merda mais cedo, mas não havia sido suficiente. Eles não deram uma luta apropriada. E era isso que "ele" buscava. Qual o sentido de arriscar sua vida se você não pode brincar com as dos outros em troca?
Percebeu apenas duas pessoas que poderiam valer a pena. Um cavaleiro com uma armadura pesada, um escudo e uma lança. Não conseguia nem imaginar como aquele maldito andava com tanto metal cobrindo o corpo. Mas podia apostar que era um bom adversário, o olhar sério e a postura entregavam isso. Ao seu lado havia uma mulher usando manto branco, uma maga provavelmente, não queria saber de magos, eles eram impertinentes. A outra pessoa que "ele" tinha achado interessante era um homem enorme com o machado, parecia um boneco de neve de tão pálido. Mas isso não importava desde que lutasse bem. Claro, "ele" deixaria esses para mais tarde, se contentaria em destroçar os pequenos primeiro. O prato principal sempre vem depois, não é?
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A primeira fase estava prestes a começar. Zelgle estava se afastando das pessoas. Não queria ter que lutar, se possível. Ele parou para pensar por um momento. Já havia colocado a vida em risco diversas vezes nos últimos dias, e nem se importava com isso. Na verdade, ele ainda queria morrer. Ele buscava um propósito, algo que fizesse sua vida valer a pena de volta, mas não conseguia encontrar. Então talvez, o torneio fosse a guilhotina que ele estava procurando. Mas uma pergunta sondava sua mente, quando ele acordou naquele lugar destruído, após ter sido reanimado, o lugar inteiro foi abaixo, ele se perguntou todo esse tempo se foi ele que causou aquilo, e e se a resposta fosse sim, poderia acontecer de novo? E se ele morresse? Ela pensava nisso pelas pessoas na arena, se ele explodisse daquela maneira, seria provável que todos ali morreriam, e isso não era algo que ele gostaria que acontecesse, apesar de não conseguir se importar.
Bem, era hora de deixar as perguntas de lado. O torneio estava prestes a começar.
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