Capítulo 27: Lições

Logo de manhã cedo, Zelgle estava plantando de pé no meio do prédio da guilda, atrapalhando a passagem de todos por conta de seu novo machado, que como o anterior, era exageradamente grande. Sentiu alguém tocar suas costas de repente, virou-se para checar.

-Ah, é você...

Disse quando vizualizou Denerin, o garoto estava com sua mesma armadura de couro, porém, desarmado. Aparentemente a espada velha que havia pego do mercenário não lhe servira de muita coisa.

-Sim. Você venho para o treino dos recrutas?

-Isso, assim como foi pedido por Rozaria.

-Entendo... sabe, eu gostaria de te agradecer.

-Pelo que?

-Pelo que fez por mim... eu estava desesperado. Não sabia o que fazer, mas você me deu uma ótima oportunidade... então por isso, obrigado.

-Não se preocupe muito com isso. Eu havia dito que te recompensaria de alguma maneira.

Terminou Zelgle, encarando o olhar esperançoso do garoto, porém, por algum motivo ele não parecia estar muito confiante.

-Então vocês dois estavam aqui.

Disse uma voz feminina atrás dos dois: Rozaria.

-Venham, o treino já vai começar.

Eles seguiram a mulher até aquele mesmo lugar atrás do prédio da guilda, onde foi realizado o teste de admissão anteriormente. Ao chegarem no local, puderam ver várias pessoas diferentes. Todas do clã de Linel. Ele próprio estava no centro de todos, discursando e rindo.

-Por favor, não sejam tolos de cair na lábia daquele infeliz. Ele é bem simpático, mas é mais infantil que uma criança.

Lançou Rozaria, com seu tom sério de sempre.

-Você não é a esposa dele?

Perguntou Zelgle, confuso.

-Sim, e exatamente por isso lhes digo, ele é bem complicado de se lidar.

Eles foram até onde todos estavam se juntando. Olhares se acumularam na direção de Denerin e Zelgle, olhares ruins e desconfiados.

-O que aqueles dois estão fazendo aqui?

-Aquele não é o cara que vive coberto de sangue?

-Um inútil e um brutamontes... eles são novos recrutas ou algo assim?

-Não cara, sem chance desses idiotas terem sido admitidos pela senhorita Rozaria.

Pouco importava os comentários rudes para Zelgle, mas para Denerin, eles eram como agulhas atravessando sua espinha.

"O que eu fiz para ter que escutar essas merdas desse bando de idiotas?"

A feição de Denerin se contorceu, dando lugar a uma expressão raivosa.

-Ho, ai estão os dois...

Disse Linel, enquanto os três se aproximavam. Rozaria se juntou ao marido, ficando ao seu lado.

-Antes de começarmos o treino de hoje, gostaria de lhes apresentar o nosso novo recruta. Seu nome é Denerin, tratem ele bem.

-E quanto aquela aberração ali?

Gritou alguém mais ao fundo, fazendo todo o resto da turma rir de maneira quase orquestrada.

-Aquela "aberração" ali está aqui para ser treinada por mim.

-Ele vai ser treinado pela senhora? Mas você não disse que não tinha habilidades de combate corpo a corpo? O que um cara como esse vai aprender sendo ensinado por você?

-Sim, está correto. Eu não sei lutar corpo a corpo, ele vai aprender magia.

-Magia? Com a senhora? Mas tem muitas pessoas melhores para serem treinadas por você!

Várias reclamações vinheram simultaneamente. Quase todas, feitas por jovens que seguravam cajados nas mãos, magos. Porém, isso não durou muito. O ar começou a ficar pesado, uma onda de calor percorreu o lugar. Uma sensação quente tomou conta do corpo de todos.

-Melhor? Sei... muito bem então, me digam, quantos de vocês conseguiriam matar um Damacrix sozinho?

Nesse momento, todos ficaram calados. Não bastasse a pergunta completamente ilógica, parecia que eles conseguiram fazer Rozaria perder a paciência.

-Assim como eu imaginei. Nenhum de vocês. Então parem de falar besteira sobre alguém que vocês não conhecem. Esse homem é um aventureiro de rank prata que conseguiu alcançar duas vezes dez pontos no teste se admissão, além de ter salvado Arlen da morte iminente.

-O que? Isso é mentira né?

-Aquele cara? Isso está realmente correto?

-Ah, e mais uma coisa: não usem o termo "senhora" para se referir a mim. Nunca mais.

Terminou a mulher, e então se virou para Linel.

-Vamos começar!

Bradou o homem. O treino era algo bem simples: nada mais que esgrima e prática com magia. Os recrutas lutavam um contra o outro sobre a supervisão de Linel.

-Olhe a postura! Você esta segurando uma espada, não uma vara de pesca.

-Ah, sim, perdão!

E assim ele ia andando de um lado para o outro, analisando os duelos um a um.

Denerin estava pacientemente esperando ser chamado. Ele observava os duelos atentamente. Não havia nada de incomum ali, todos os movimentos eram simples e fáceis de executar. Ele praticara esgrima antes em sua vida, então tinha considerável experiência, mesmo não sendo um grande espadachim ou algo do gênero.
Nem todos os recrutas eram impressionantes como ele havia imaginado, apenas uma garota se mostrava realmente promissora. Ela derrotava todos com movimentos ágeis e precisos, sendo impressionante a velocidade com que os duelos acabavam.

Os treinos eram executados com armas de madeira fornecidas pela guilda ao clã de Linel. Haviam escudos e espadas de madeira.

A vez de Denerin finalmente havia chegado. Todos pararam para assistir o que o novo recruta podia fazer. Ele nem reparou nisso por conta da raiva que estava sentindo.

"Um inútil é? Eu vou mostrar pra vocês..."

Sua feição estava completamente distorcida, mas ele não se importaria com isso agora. Seu oponente era um rapaz alto, com o cabelo preto, longo e liso, um rosto bonito, de olhos verdes. Tinha uma aparência decente se comparado a os outros homens dali. Ele estava usando duas espadas ao invés de uma. Denerin sacou uma espada de treino de um barril de madeira que estava um pouco atrás dele.

-Posição!

Linel deu o comando, e os dois se posicionaram. Denerin segurando a espada a frente do corpo e seu oponente com uma espada na altura do quadril e outa na altura do peito.

"Esse garoto poderia envenenar alguém com esse olhar..."

Pensou Linel ao olhar para o rosto de Denerin.

-Começem!

Gritou Linel. O oponente de Denerin correu em sua direção com um sorriso assim que a luta teve início, mas ficou paralisado quando seus olhos cruzaram os de Denerin. O garoto desviou de uma estocada dupla e desequilibrou o oponente com um chute baixo, fazendo-o cair de cara no chão.

"É só... isso?"

Ele encarou o oponente caído como se fosse um tapete estendido no chão. Toda a raiva que estava sentindo a um segundo atrás desapareceu, deixando uma sensação de vergonha alheia.

-Ei, ei! Mas que porra é essa?

Linel parecia confuso com o que acabara de acontecer.

-É um treino de esgrima, não de chutes. O que está fazendo garoto?

-Isso mesmo seu trapaceiro!

-Presta atenção! Não é uma briga de rua!

"O que?"

-Desculpe senhor, não entendi.

-Eu que não entendi o que você fez ai. É uma luta de espadas, espadas! Nada de chutes, socos, cabeçadas, ou qualquer outro movimento que não use a porra das espadas!

-Mas em uma luta você usa tudo que pode, sua arma é só um dos seus meios...

Ao ouvir isso, Linel se aproximou de Denerin vagarosamente e sussurrou em seu ouvido.

-Eu sei o que quer dizer garoto, vejo que já aprendeu essa lição. Mas nem todos aqui sabem disso ou pensam assim, então por favor, lute apenas com a espada.

-T-tudo bem.

E então Linel voltou a sua posição anterior. Denerin se posicionou novamente. Seu oponente já estava de pé, e parecia enfurecido com o tombo que havia levado.

-Mais uma vez, começem!

Mais uma vez o rapaz com os cabelos longos correu na direção de Denerin, dessa vez com um corte em formato de X usando as duas espadas. Denerin se abaixou, e logo em seguida usou um golpe ascendente que acertou a barriga e o queixo do adversário. Ele caíu a quase dois metros de distância de Denerin.

"Oh, ele é melhor do que eu pensei."

-Ele lançou Quai ao chão duas vezes?

-É talvez ele não seja tão ruim assim...

"Ham, então ele já conseguiu a atenção de todos... mais impressionante do que eu imaginei que pudesse ser."

-Assim está bom... vamos considerar uma vitória para o Denerin.

Quai foi levantado por alguns dos colegas, mas ele se soltou de suas mãos, dizendo que não precisava de ajuda, e então, antes de voltar para a multidão ele olhou para Denerin com ódio no rosto.

"Mais um inimigo mortal? No primeiro dia? Isso é sério...?"

Denerin se lamentou por ter exagerado na dose. Não imaginou que aquele cara fosse tão inexperiente assim, mas por outro lado, se sentiu ótimo por provar para todos que não era tão inútil assim...

-Ei Denerin, o que acha de mais um duelo?

-Oi?

-Você ainda consegue lutar, não é?

-Sim, consigo...

-Ótimo, como seu duelo foi bem curto, que tal ir contra a...

Linel olhou sorrindo para uma garota que estava sentada sozinha na grama mais ao fundo. Seu cabelo ondulado estava cobrindo seu rosto.

-Mihia, que tal ir contra ele? Já que seus duelos acabaram tão rápido hoje também.

Todos encaram a garota com uma expressão de nervosismo. Ela tirou as mechas de cabelo da frente da face, revelando seu rosto de pele morena e seus olhos vermelhos. Ela se levantou, e foi em direção a Denerin. Enquanto ela passava no meio de todos, calmamente, os outros recrutas sussuravam entre si.

-Contra a Mihia? Sério?

-Ele teve sorte contra o Quai, mas contra ela...

Ela se posicionou a uns cinco metros de Denerin, sem dizer uma única palavra. Ela pegou uma espada idêntica a dele.

-Posição!

Denerin se colocou da mesma forma de antes, já sua oponente colocou os dois pés alinhados um atrás do outro, direito e esquerdo, respectivamente. A espada na altura do ombro, com a parte da lâmina virada para cima.

-Comecem!

Mesmo o sinal tendo sido dado, nenhum dos dois se moveu. Ambos esperaram o oponente tomar a iniciativa e nenhum o fez.

-Vamos, o que estão esperando ai?

Provocou Linel, apesar de saber que os dois estavam esperando pela vantagem do contra ataque.

"Ficar parado aqui não vai levar a nada..."

Pensou Denerin, partindo para cima da garota correndo. Ao se aproximar o suficiente tentou acerta-la com um golpe horizontal, mas ela se abaixou para desviar. E então saltou para trás. Ele avançou mais uma vez para cima da garota, com uma estocada, mas ela defletiu o ataque com a arma de madeira. Em seguida, ela tentou acertar Denerin com um giro, mas ele bloqueou o ataque, que venho com mais força do que ele cogitou, fazendo-o se desequilibrar. Não perdendo a oportunidade, ela tentou acertar sua cabeça com a ponta da espada, mas ele desviou por alguns centímetros e se afastou.

"Eu quase fui lançado ao chão com aquele ataque... ela é mais forte do que parece, e rápida ainda por cima!"

Denerin tentou avançar com um golpe vertical, ela deu um passou para trás e a espada de Denerin ficou a alguns milímetros de acertar o chão. Se aproveitando da posição, o garoto jogou o corpo para cima, junto com a espada, no mesmo movimento que ele usou antes para vencer de Quai. A garota não estava preparada para aquilo, mas mesmo tendo sido pega de surpresa, conseguiu reagir a tempo, dando uma cambalhota para trás, e desviando do ataque completamente.

"Mas que...?"

Denerin encarou a garota enquanto ela girava no ar, tão graciosamente que ele quase esqueceu que ela era sua oponente.

Ela caiu de pé. Com equilíbrio perfeito, e então, tomou a mesma postura de antes. Seu olhar afiado deixou Denerin apreensivo. E foi então, que ela arrancou em sua direção com um movimento tão rápido que Denerin sequer teve chance de reagir. Mais uma vez com a ponta da espada de treino, mas antes que acertasse o rosto de Denerin, ela parou. Uma voz gritou mais ao fundo.

-Já chega!

Antes que a luta pudesse terminar por completo, Linel a interrompeu. O pedaço de madeira esculpido em forma de espada parou a cerca de de três centímetros do nariz de Denerin, e ficou suspenso no ar por alguns segundos.

-É o suficiente. Mihia venceu. Tudo bem pra você garoto?

-C-claro.

"Como diabos essa garota se move assim?"

Denerin desabou no chão, suas pernas ficaram sem forças de repente. Apesar do sentimento de raiva ter sido suprimido pela vitória de antes, agora ele se sentia um idiota, por ter sido jogado novamente na realidade.

-Caramba! Essa foi de tirar o fôlego!

-Ele aguentou pelo menos uns quinze segundos contra ela, deve ser o recorde até agora né?

-É...

Os outros recrutas pareciam bem impressionados pelo resultado da luta. A garota se virou, de maneira fria, e voltou para onde estava sentada.

-Ei, preste atenção!

Gritou Rozaria para com Zelgle. Os dois estavam sentados em uma mesa redonda mais ao fundo, com lugar para quatro pessoas, mas só com as duas cadeiras que eles estavam usando. Haviam duas xícaras de café postas em pequenos e elegantes pires.

-Hm?

Ele não havia ouvido sequer uma palavra do que a mulher tinha dito até o momento, estava completamente distraído com o duelo de Denerin.

-Não posso te culpar, eles realmente são bem impressionantes... porém, foi você quem me pediu isso. Então não desperdice o meu tempo, por favor.

-Ah, sim, me desculpe.

-Mas vou te contar hein... colocando aqueles dois para lutar assim, ele realmente gosta de fazer o circo pegar fogo...

Disse a mulher enquanto bebia um pouco do café, com os olhos levemente cerrados, dando a entender que estava irritada.

-Sim, verdade...

-Muito bem então... trate de prestar atenção a partir de agora. Há alguma parte que você não entendeu?

-Tudo.

-O que?

Grasnou Rozaria, perdendo o controle da linda voz e se colocando de pé como se tivesse se assustado com algo. Fez a mesa balançar por conta da truculência, fazendo um pouco do café acabar transbordando pelas bordas das xícaras.

"Respingou nas minhas roupas novas..."

Pensou Zelgle, indignado.

-T-tudo bem, não é tão simples quanto parece mesmo. Eu vou começar do início.

A mulher respirou fundo, e então soltou um longo suspiro. Deu mais um gole na bebida quente, e então começou:

-Bom, você deve saber pelo menos o que é o termo magia, não é mesmo?

-É o que os magos fazem, não?

-Ahm, tá bom... para ser exata, a magia é a conversão de energia mágica em uma mudança nas características das leis do mundo.

"Mas que... diabos?"

-De forma simples e prática a se entender, é basicamente isso.

Ela estendeu a mão e uma pequena chama se ascendeu. Zelgle encarou o fogo por alguns segundos, e então a mulher recomeçou:

-Enquanto este fogo está aceso, eu estou consumindo minha energia. Isso é magia basicamente, trocar sua energia mágica para fazer algo que não pode ser feito naturalmente. Toda magia tem um custo, e quanto mais poderosa for, mais energia mágica ela irá usar.

Terminou, e então fechou a mão, apagando a chama. Zelgle acompanhou com os olhos os resquícios de fumaça sumirem no ambiente.

-A energia mágica, ou mana, como é dita comumente, reside no nosso recipiente espiritual. Todos temos uma quantidade de mana que pode ser armazenada nesse recipiente. Claro, ela existe no ambiente também, e até alguns animais e monstros podem usá-la.

-Recipiente espiritual?

-Sim, isso mesmo. De modo grosseiro, podemos dizer que é nossa alma. A mana que é guardada nesse recipiente tem a característica das nossas emoções, como ódio, tristeza, felicidade...

A mulher deu uma pausa repentina, e encarou a xícara de café que estava a sobre a mesa.

-Vontade de matar... entre outras coisas... mas tem algo me incomodando sobre isso em você.

-E o que é?

-Você... você não tem um recipiente. Você é como uma torneira aberta derramando mana por ai, mas o que eu não consigo entender é... por que ela não se esgota? E por que eu não consigo sentir suas emoções nela? É quase como se ela fosse a mana do ambiente... por isso quase ninguém mais deve ter sentido.

"Do que ela está falando?"

-Eu presumo que esta é a primeira vez que ouve isso, certo?

-Bem, sim.

-Como eu imaginava. Nem vou perder tempo perguntando o porque isso acontece. Mas muito bem, existem muitas outras coisas estranhas no mundo, vou deixar isso passar.

"Ela está dizendo que eu não tenho alma? Isso tem algo haver com a minha morte? Se for assim, se eu conseguir uma alma de volta, eu poderia... voltar ao normal?"

-Ei, ei!

Zelgle se pegou divagando enquanto Rozaria tentava fazê-lo voltar a si.

-Sinceramente, qual seu problema em prestar atenção?

A mulher manteve desde o início da conversa uma expressão séria, que foi desfeita quando percebeu que o café em sua xícara havia se esgotado.

-Me desculpe.

-Me desculpe, me desculpe... você só sabe se desculpar... aliás, você não vai beber o café?

A irritação da mulher pareceu sumir quando ela fez essa pergunta.

-Ah, não, pode pegar...

"Ela estava prestando atenção na minha... xícara?"

-Mesmo?

Perguntou ela sorrindo como uma garotinha quando arrastou o pires junto a xícara, sem sequer esperar a confirmação de Zelgle.

-Ah, me desculpe por isso... eu amo café.

-Não tem problema.

-Hm... mas se soubesse que você não gostava eu teria mandando prepararem um chá ou outra coisa qualquer.

-Não se preocupe com isso...

"Até porque não faz diferença, já que eu não sinto gosto mesmo..."

-Mas me diga uma coisa... se eu sou essa "torneira aberta" de que você está falando... há alguma maneira de me fechar? Digo, parar de desperdiçar essa energia?

-Sim, há. Você tem que aprender a controlar seu espírito.

Respondeu ela, bebericando o café.

-Controlar?

-Isso mesmo. Todos tem um espírito, e para usar magia, ele precisa estar liberado, mas na maioria das vezes ele está selado, não deixando sua mana ser usada.

-Entendo, e como isso funciona?

-Não há como explicar isso, você só vai aprender fazendo.

Dito isto a mulher se levantou.

-Para liberar seu espírito você precisa ter a intenção de usar a mana. Como uma magia por exemplo, isso se chama controle mágico.

A mulher então começou a brilhar de repente, junto com uma forte onda de calor que percorreu a área, atraindo o olhar de todos. Depois de um tempo, a temperatura voltou ao normal.

-É basicamente isso. Tente você.

"Tá... e o que você fez, exatamente?"

Zelgle não conseguiu entender nada no fim das contas. Pra ele, tudo que aconteceu foi ter ficado mais quente do nada e então esfriado.

Zelgle se levantou, e tentou imitar a mulher. Sem sucesso. Não só não entendeu o que ela fez, como não sabia o que estava fazendo.

-Ham... isso vai ser difícil... como eu disse antes, você está jorrando mana por ai, então talvez seu recipiente já esteja liberado. Vamos tentar trancar ele. Primeiro, feche os olhos e imagine que o fluxo de sangue do seu corpo começou a ficar mais lento.

Zelgle tentou, mas não conseguia imaginar aquilo. Tudo que ele pôde fazer foi ficar parado como uma árvore no meio do campo.

-Ah, isso não tem futuro. Muito bem, já está bom.

Falou Rozaria, dando um passo a frente.

-Vamos ficar só com a parte teórica por hoje. Volte amanhã, começaremos com o controle mágico.

-Certo.

Após houvir isso, Zelgle parou para observar os duelos por um tempo. Sem ele perceber, Linel também estava olhando para ele, sorrindo.
O homem se aproximou.

-Ei, vejo que você está bem admirado ai...

-Hm?

-Já que você está aqui mesmo, e isso é só um treino, o que você me diz de duelar comigo?

Nesse instante, Zelgle ergueu um pouco a cabeça para encarar o homem, que tinha quase a sua altura.

"Duelar... contra ele?"

-Eu não sei sobre isso...

-Ah, vamos, o que é isso? É quase como uma brincadeira, não é nada sério.

"Ele quer me testar? Não tenho certeza disso mas... se for contra esse cara, acho que posso pelo menos descobrir o quão forte eu realmente fiquei depois daquilo, mesmo que eu ache que não tenho chance de vencê-lo."

-Tudo bem então.

-É ótimo ouvir isso, hehehe...

Linel sorriu, mas Zelgle continuava como sempre, inexpressivo.

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