Capítulo 17: Razão para viver

O mercado negro em Nirrat era algo tão absurdamente comum, que quase era tratado como uma prática legal.
No meio da confusão em que isso se transformava, algumas famílias ricas se aproveitavam de tal corrupção para ocultar seus sombrios negócios, uma delas, a mais fomosa de Nirrat, era a família Valenka.
Praticavam atividades extremamente ilegais, como capturar pessoas de dentro do próprio Reino para serem usados como escravos, além de contrabandear itens mágicos e alguns tipos de drogas, sendo as soníferas as mais famosas, usadas para capturar escravos, e também em grande parcela dos estupros ocorridos no Reino.

A vastidão dessas atividades não podem ser  mensuradas apenas no mercado negro de Nirrat, pelo fato dessa família praticamente dominar o Reino através de subornos às outras famílias reais, e o exército. Deplorável.

Nos becos da cidade, um homem correndo desesperadamente abriu a porta de um lugar com brutalidade.
Se postou frente a porta aberta, observando os outros homens que estavam dentro da estrutura.

—Conseguimos...

Começou, com dificuldades para respirar.

—Nós conseguimos...

Falou, o que fez um sorriso enorme se abrir na boca de outro homem que estava sentado com os pés em cima de uma mesa.

—Ela realmente é a mesma meio humana que eles procuram... e existe uma recompensa por sua cabeça, e se a levarmos viva, será melhor ainda...

——Ah, isso é ótimo de ouvir... e então, como vai ser?

—Eles disseram que o senhor deveria comparecer para discutir sobre o assunto.

—Ótimo, ótimo... muito bem, estamos de saída agora mesmo então.

—O que, mas já?

Alguns homens ficaram impressionados com a frente que seu chefe estava tomando.

—Pelo menos alguns de vocês devem ficar... Borg, Igmand e Artur, vocês ficam.

Não questionaram a decisão do homem, apenas assentiram com a cabeça.

—Ótimo, vamos indo...

Disse com a mão no cabo da espada na cintura.

—Mas não levaremos a meio humana?

Perguntou um dos homens.

—Idiota... não sabe como essas famílias malditas gostam de tirar proveito da situação?
Se levarmos ela agora, provavelmente seremos forçados a entregá-la de graça ou eles tentarão nos matar, não teríamos nenhuma chance.

Respondeu a dúvida do subordinado olhando em direção a porta, imaginando como seria se fizessem daquela maneira.

Após terminar de dizer isso, um sorriso débil surgiu na boca do homem chamado Borg.

—Bem, estamos indo.

Saíram do lugar com um barulho de passos ecoando entre os becos.
Logo não foi mais possível ouvir seus passos devido à distância.

—Bem, parece que somos só nós.

Disse um dos homens que ficaram para guardar a estalagem.

—Sim, acho que vou dormir um pouco...

—Imbecíl, e se algo acontecer enquanto você está de bobeira?

—Está tudo bem, seus paspalhos.
Vão fazer o que vocês quiserem, eu cuido daqui.

Disse Borg, interrompendo os companheiros em um tom rígido.

—Hm... você já tá bem Borg?
Seu irmão morreu ontem...

O companheiro aproximou-se dele subitamente, chegou a sentir o hálito quente do outro homem no rosto.

—Claro que não seu idiota... é exatamente por isso que quero ficar sozinho, aliás, você andou bebendo de novo, Igmand?

—Ah, vamos, foi só uma garrafa.

Disse ele, soluçando.

—Você não tem jeito mesmo, seu velho estúpido.
Você também pode ir vadiar por ai, Artur.

Rosnou olhando na direção do outro companheiro, que o encarou por um momento.

—M-mesmo? Você não vai contar para o chefe depois não é?

—Você é uma criança, porra? Tá com medo de levar broca? Que patético.

Berrou para Artur, que deu um salto com as mãos erguidas, como se tivesse desistido de uma luta.

—Calma, calma Borg....

Borg soltou um suspiro longo.

—É óbvio que eu não vou falar para o Marben, seus estúpidos. Agora sumam da minha frente.

—Bem, se você insiste, eu tenho assuntos pendentes pra resolver, estou de saída.

—Ha, eu também preciso cuidar de algumas coisas importantes, até mais, Borg.

Os dois homens foram em direção à porta, sem nem hesitar.

"Coisas importantes? Que merda estão dizendo? Vocês vão é para um prostíbulo qualquer, seus malditos..."

—Bem, isso não importa agora.

Um sorriso enorme se abriu na boca do homem, enquanto ele se virava para encarar a porta que levava para o corredor onde ficavam as celas.

"Finalmente..."

Pensou indo em direção à porta.
 
                               ***

Zelgle já estava quase chegando na cidade junto as pessoas na carruagem, demoraram um pouco menos na volta
Desceram no mesmo lugar de onde haviam partido.

—Hm... finalmente estamos em casa...

Disse o mercador enquanto bocejava e se espreguiçava.
Zelgle pegou seu machado e desceu da carruagem.

—Aqui está...

Disse Louis, entregando um saco de couro para Zelgle, o pagamento pela missão.

—Fez um ótimo trabalho, até mesmo o que não lhe cabia...

O homem deu uma risadinha ao dizer isso, acompanhado de um tapa no ombro de Zelgle.

—Mas então, e quanto ao favor que havia me pedido?

Zelgle se curvou para fitar o homem,de maneira que seus olhos se encontrassem.

—Você tem certeza quanto a isso?
Foram apenas uma caixinhas...

—Sim, certeza absoluta. Não permito que as pessoas trabalhem de graça, não pra mim. Eu nunca o fiz, por que outro deveria?

—Bem, então, posso passar aqui mais tarde? Tenho coisas a fazer.

—Como quiser.

Acenou para Zelgle com um sorriso no rosto enquanto o observava caminhar rua abaixo, com seu jeito desajeitado e rígido.

"Ele é um bom rapaz..."

Voltando à guilda dos aventureiro, Zelgle se deparou com quatro pessoas a frente da porta, uma delas, estava caída no chão, havia acabado de ser empurrado ao chão por uma das outras pessoas de pé.
O que foi ao chão, em questão, era um garoto jovem, deveria ter entre dezesseis e dezoito anos de idade, com cabelos marrons e vestindo uma armadura de couro leve, de aspecto muito envelhecido.

Conforme ia se aproximando, Zelgle finalmente pôde ouvir o que eles estavam dizendo:

—Vamos Denerin, participe de apenas mais uma missão com a gente...

Disse uma garota alta de cabelo preto, tão magra que chegava a ser fantasmagórica, tinha um sorriso cravado no rosto.

—Eu não...

—Ah vamos, nós precisamos de pelo menos quatro pessoas para esse trabalho, se não a guilda não aceita. Você sabe bem como funciona, agora, pare de ser um chorão e venha de uma vez.

A garota mantinha um ar de superioridade sobre a pessoa esparramada no chão, ao seu lado, dois rapazes altos, armados e parecendo ter quase a mesma idade da garota, também esboçavam um grande sorriso no rosto.

—Eu não quero mais trabalhar com vocês!

Bradou Denerin, tentando se levantar.

—Vocês não pagaram a minha parte da primeira vez, e quando eu disse que não iria mais, vocês me ameaçaram! Até parece que eu vou continhar com essa dr-

Antes que pudesse terminar, um dos rapazes chutou sua perna direita, fazendo-o ir novamente de encontro ao chão.

—Você não ouviu o que ela disse, seu merdinha? Você vai fazer o que nós estamos mandando, querendo ou não.

Enquanto proferia essas palavras, ele encarou Denerin com um olhar venenoso no rosto, como se fosse matá-lo a qualquer momento.

Antes que pudessem continuar, perceberam um  estardalhaço metálico vindo em sua direção.
Olharam para a direção do barulho, sua origem era um homem enorme, de mais de dois metros, carregado um machado de proporção bizarra, apoiando-se no cabo como uma bengala.

Ficou frente à frente ao grupo, e então disse:

—Vocês estão na minha frente.

—O que? Tem bastante espaço pra você passar.

Respondeu o mesmo jovem que havia chutado Denerin.

—Não gosto de desviar minha rota.
Gosto de seguir em frente, e normalmente eu passo por cima do que está no caminho.

Disse, num tom extremamente passivo para aquelas palavras, com uma expressão vazia.

—Ha, então passe por cima, velho. Quero ver, anda.

Provocou o garoto, virando-se para encarar o enorme homem.

"Velho? Não devo ser tão mais velho que ele..."

O rapaz estava pronto para avançar sobre o gigante, mas não o fez, de repente, ruborizou-se até o último fio de cabelo.

"Espera... esse cara não é..."

Ele olhou para a mão do homem, o mesma que segurava o machado, com sua mão levemente inclinada, para segurar a arma, a manga do sobre tudo estava caida, possibilitando o vislumbre de um brilho prateado na região de seus pulsos.

"Esse não é aquele cara que atingiu a pontuação máxima em duas das provas do teste de admissão? Ele é um monstro..."

—Andem logo, eu quero passar.

Zelgle pensou em avançar sobre o garoto, mas não o fez, pelo simples motivo de não ter aprendido controlar sua força ainda, obviamente não seria bom matar alguém sem um motivo aparente.

—Se não vai fazer nada, saia do caminho.

Deu dois passos a frente, e empurrou de leve o moleque, mas foi o suficiente para o arremessar ao chão, caiu entoando um guincho esquisito.

—Você tá legal?

Estendeu a mão para o outro garoto caído no chão.
Ele não respondeu, nem segurou a mão de Zelgle, apenas o encarou.

—Mas que merda!

Gritou, e no fim, levantou-se e foi embora correndo.

—Mas que merda?

Repetiu a fala de maneira quase instintiva, mas o motivo real foi não ter entendido o significado daquela ação. Tudo que tentou fazer era ajudar alguém que estava sendo intimidado, aconteceu muitas vezes com ele na sua outra vida, mas ninguém lhe ajudou uma única vez. Estava sendo solidário? Indagou a si mesmo.

Voltou o olhar para o grupelho ao seu lado, todos eram aventureiros, e todos estavam abaixo do bronze.

—Creio que vocês não são novatos, estou certo, não?

—Não é da sua conta, velho.

Rosnou a garota, ajoelhada junto ao companheiro, tentando colocar ele de pé novamente

"Encantadora hein..."

—Realmente, não deveria ser... mas têm pessoas por ai querendo subir no rank, se vocês não querem, não fiquem afundando os outros por ai.

Terminou, e então, foi em direção à porta dupla do prédio da guilda, sem sequer olhar novamente no rosto dos jovens.
Entrou sem nenhuma cerimônia, sendo encarado por todos no local, olhares supresos, confusos e desconfiados.

"Ah, como eu amo isso..."

Não amava, afinal de contas, nem conseguia amar.
Varreu o local com os olhos, procurando por Kiere, ela não estava lá, para sua infelicidade, mas dessa vez tivera sorte, Arlen estava sentada junto ao seu grupo em uma das mesas de espera.
Ao perceber sua presença, ele foi caminhando desajeitadamente na direção da mesa.

Arlen estava novamente com seu capuz, mas era possível ver que havia trocado suas roupas.

—Você de novo, grandão?

Disse o aventureiro Zeck, quase gritando, mas não muito sério que nem das outras vezes, parecia alterado, bem alterado. Em sua mão, havia uma caneca de madeira, balançando pra lá e pra cá quando ele movia os braços de maneira brusca, esparramando um líquido amarelo sobre o tampo da mesa, o desgraçado estava bêbado.

—Arlen...

Chamou Zelgle, tentando encontrar os olhos da garota, mas era inútil, o capuz não lhe deixava ver seu rosto daquele ângulo.
Ela inclinou o pescoço na direção de Zelgle.

—Sim?

Respondeu como se nem o conhecesse, mas sabia que não havia outro motivo para ele ir até a frente da mesa onde ela se encontrava a não ser falar com ela.

—Podemos conversar?

—Claro.

Ela se levantou, seus companheiros pareceram nem ligar muito, estavam distraídos comendo e bebendo.

Eles foram para fora do prédio da guilda, andando como se estivessem em uma caminhada qualquer pela cidade.

—Você viu a Kiere em algum canto? Ela desapareceu, não a encontro em lugar nenhum, e ela não voltou desde ontem...

A meio elfa estreitou os olhos, numa feição séria, aliás, qualquer feição que ela fizesse parecia extremamente séria.

—A felina? Bem, eu não a vejo desde ontem também, quando estava com você...

Zelgle parecia preocupado, mas não era possível afirmar com certeza, ele não expressava nada.

—Já lhe ocorreu que ela pode ter te abandonado por você ser tão sem graça?

Disse ela, em um tom tão sério que faria qualquer um se desanimar num instante, mas Zelgle apenas refletiu sobre sua fala.

—Você acha?

Arlen bufou enquanto revirava os olhos.

—Era uma brincadeira, seu idiota, uma brincadeira... venha, vou te ajudar a procurá-la.

Dizendo isso, Arlen tomou a frente e começou a andar mais rápido, Zelgle, que ficou para trás se apressou para alcançá-la.

                              ***

Após alguns minutos do chefe dos mercenários e seus homens terem saído, Borg dispensou seus dois companheiros que junto a ele deveriam vigiar o local.
Ele se dirigiu até a porta de metal que levava para um corredor, onde haviam mais portas de metal, celas.

Kiere ouviu um ranger horrível vindo do lado se fora da cela, alguém estava vindo.
Normalmente quando se tem um prisioneiro, se é precavido para que ele não escape, mas aqueles mercenários deveriam ser inexperientes, ou simplesmente idiotas, mais especificamente o homem que havia lhe trago comida mais cedo, ela estava solta, esquecera de amarrá-la, e aquilo, era uma grande oportunidade para Kiere.

Escutou passos, cada vez mais proximos, pesados, apressados.
De repente, uma sombra começou a arranhar o chão de pedra por de baixo da porta. Ele iria abri-la a qualquer momento. Então a porta se moveu, sendo arrastada pelo chão, com uma rajada sonora estridente.

O mesmo homem que havia lhe trazido comida entrou na cela, encarando a com os olhos duros e um sorriso sádico no rosto. Ela gostaria muito de pular sobre ele e arrancar sua cabeça, mas percebeu que ele tinha uma espada curta embaiada na cintura, por tanto, achou melhor não tentar nada naquele momento, além disso, estava muito ferida.

—Ai está você, garotinha...

Ele lentamente se ajoelhou na frente de Kiere. Ela estava com as mãos juntas nas costas, encenando que estava amarrada.

—Nós iremos ter um tempinho muito bom juntos agora...

Ele deu uma pausa e se levantou dando risada.

—Aqueles idiotas finalmente me deram um tempo só, e agora, você vai pagar.

Dizendo isso, ele avançou contra Kiere, agarrando a garota pelos braços.
Para sua sorte, ela estava desarmada.

—Você pode gritar bastante viu, niguém vai nos ouvir aqui, e eu adoro quando vocês gritam.

Então, ele começou a tentar abrir as pernas de Kiere a força, mas a garota resistiu, esforçando-se para que elas permanecessem juntas.
O homem então, deu um tapa no rosto de Kiere, fazendo a garota tombar de lado.

—Para de resistir vadia, não tem escapatória, isso, é pelo que você fez com meu irmão!

Então, ele deu repetidos golpes no rosto de Kiere, enquanto ela ainda estava caída no chão.
Depois, voltou a tentar separar suas pernas, mas foi interrompido por ela:

—Você não pode fazer isso! Eu sou virgem! Eu so-

Lágrimas se formavam em seus olhos, escorrendo lhe do rosto e pingando no chão.

—Cala boca!

Gritou ele, enquanto acertava o rosto da meio humana mais uma vez.

—Até parece que eu vou acreditar em uma besteira idiota como essa. Uma garota de rua como você, virgem? Ha, me poupe dessa piada de mal gosto.

Ele comecou a rasgar as partes de cima da roupa de Kiere.

—E também, isso não importa mais, você será entregue para a família Valenka.

Nesse momento, os olhos de Kiere ficaram sem brilho, um desespero imediato tomou conta de seu corpo, impedindo que continuasse a resistir a agressão do homem.

—Eu não sei e nem quero saber o que diabo você fez contra a familia Valenka, mas eu sei que quando eles se vingam de alguém, a pessoa com certeza não fica mais bonita... então eu vou me aproveitar de você enquanto você ainda é usável.

Ele soltou uma risadinha ao dizer tal atrocidade.

Os olhos de Kiere estavam encarando o vazio, a garota estava imóvel.
Não podia ser entregue a eles, não podia. A família Valenka ia fazer o pior que pudesse imaginar, dizer que seria torturada e violada seria eufemismo.
Kiere ficou mais alguns instantes imóvel, enquanto o homem destruia suas roupas. Sua parte superior estava quase exposta.

"Mas... o que eu vou perder com isso?"

A morte não lhe parecia ruim, visto que não tinha nada a proteger, porém, não queria morrer, não queria deixar de sonhar e de talvez realizar algum sonho, algum dia, quem sabe...

Talvez não houvesse uma razão para ela viver, talvez não necessitasse disso, mas... também não havia nenhuma para morrer em vão.
Se não se tem algo, se consegue, se constrói. Uma súbita vontade de permanecer viva correu em suas véias.

"Não importa agora..."

Uma luz emanou de seus olhos, não era esperança ou nada do tipo, uma reação instintiva talvez, mas não saberia tão cedo, agora, só precisava derrubar tudo no caminho.

Finalmente parou de encenar que estava amarrada, e então, acertou um soco com toda a força que lhe sobrara no rosto do homem, que foi para trás com o impacto.
Depois disso, levantou-se e chutou ele na cabeça, fazendo-o cair de cara no chão da cela. Ela saiu pela porta de metal, correndo em disparada em direção à saida.

—Desgraçada... como você?

"Espera... eu não a amarrei antes?"

O homem estava confuso demais para raciocinar, só sabia que não podia deixá-la fugir. Levantou-se e sacou a espada que estava na bainha e tentou segui-la.

Kiere correu, correu, sem parar, o máximo que pôde, mesmo com todos os ferimentos e espasmos correndo pelo corpo, não podia se dar ao luxo de parar para tomar fôlego, isso poderia lhe custar a vida.

Continuou correndo, até chegar em uma avenida um pouco mais aberta, fora dos becos.

—Droga... por causa daquele aventureiro desgraçado eu passei vergonha... que merda!

Gritou um homem dentro de um cômodo fechado dentro de um prédio, junto a ele, haviam várias mulheres com roupas sensuais, que mostravam boa parte do corpo.

—Ora, não se preocupe com isso, você se esforçou não foi? É isso que importa.

Disse uma mulher de cabelos negros com a cabeça sobre o peito do homem.

—Sim, sim... aposto que ele usou algum método sujo para te vencer.

Outra mulher, também jogada em cima dele.

—É claro que sim! De que outro modo eu poderia perder para um merda como aquele?

As mulheres estavam adulando o homem como se estivesse em um harém, bem, era quase isso, aquele era um dos bordéis mais famosos da cidade.

—Bem, garotas, eu vou indo.

—Ah, não... fique mais um pouco Ivan, por favor!

Disse a mulher, indo ao chão corforme ele se levantou do sofá em que estava sentado.

—Não se preocupem, eu voltarei amanhã.

Acenou para as mulheres enquanto ia em direção à porta.
Ele saiu do prédio, xingando a cada passo que dava.

"Merda... merda... merda! Eu não consigo esquecer aquela humilhação!
Como um lixo como aquele ousa me humilhar daquela forma? Se eu pelo menos pudesse usar aquilo..."

—Merda!

Berrou ele, enfim. Começou a caminhar vagarosamente, olhando para o chão. Não conseguia parar de pensar na tal humilhação que havia sofrido. Juntou as mãos na cabeça e as esfregou fortemente, como se tentasse retirar a força essa lembrança horrível da mente.

"Aquele maldito... eu vou matá-lo... sim, eu vou matá-lo! Eu vou cortar os braços dele, e depois vou destroçar aquela coleguinha arrogante dele bem na frente dos seus olhos! Sim! Eu vo-"

Antes que pudesse continuar pensando, escutou o som de passos apressados vindo em sua direção, alguém estava correndo em desespero.

Tirou os olhos do chão, e pôde ver uma garota de cabelos rosados vindo em sua direção, em sua cabeça, haviam duas orelhas parecidas com de um gato. Uma meio humana, vindo em toda velocidade.

"Eu lembro dessa merdinha... ela me encarou com um olhar de desprezo aquele dia. Acho que tive um bom começo..."

Um sorriso enorme se abriu no rosto do homem. Quando a meio humana estava se aproximando, ele colocou seu pé à frente dela, justamente quando ela ia passar.

Ela estava tão focada em correr que o mundo a sua volta parecia estar lento, não enxergava nada além de uma trilha de passos a qual devia seguir, só isso.
Até que, de repente algo a lançou ao chão.
Ela havia tropeçado no pé do homem, sendo arremessada a mais de dois metros. Todo o corpo latejava, era como ter todos os ossos quebrados ao mesmo tempo.

A pessoa que havia a derrubado se aproximou, lentamente, e então a olhou de cima, só então para ela o reconhecer.

—Como vai, meio humana de merda?

Disse o mesmo homem que havia duelado contra Linel no dia que ela e Zelgle se registraram na guilda. Uma desgraça total, pensou, por que agora?
Em um momento tão crucial? Parecia que, o destino definitivamente estava contra ela.

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