Capítulo 13: Acredite se quiser
-Ei, nós estamos quase chegando!
Kiere e Arlen já estavam próximas da entrada da caverna.
Chegaram em menos de um minuto após o aviso de Kiere.
A meio humana entrou apressada, mas a elfa não o fez, não conseguia enxergar no escuro como Kiere.
-O que está esperando?
Vem logo!
-Espere...
A elfa juntou as mãos, onde partículas luminosas começaram a se agrupar, criando uma esfera luminosa na cor branca quando ela separou as mãos.
-Isso é... magia?
-Quase.
É apenas o acúmulo de energia mágica, com a propriedade de luminosidade adicionada.
-Entendo...
Não entendia, no final das contas.
Mas não importava.
Elas entraram na caverna lada a lado, mas logo tiveram que andar uma atrás da outra, devido ao espaço apertado.
Kiere passava com facilidade entre os pequenos espaços, mas Arlen tinha um pouco de dificuldade, sendo tão alta, tanto que acabou batendo a cabeça uma vez, mas ao contrário do que Kiere faria, não xingou, apenas colocou a mão sobre a testa e continuou andando.
Chegaram no mesmo ponto onde Kiere foi obrigada a cobrir a boca e o nariz, e fez o mesmo dessa vez, o cheiro era insuportável para ela.
Mais alguns passos, e puderam ouvir um barulho estrondoso adiante na caverna.
Pararam abruptamente de caminhar, pois vultos apareceram à frente.
-Ai estão vocês, seus merdas!
Kiere rapidamente sacou as adagas, eram as mesmas criaturas de antes.
-Lobos do norte?
O quê monstros como essses fazem aqui?
Indagou a elfa.
-Eu não sei... mas eles fizeram as pessoas de um vilarejo inteiro sumir, por isso temos que matá-los!
-Não... esse tipo de criatura não ataca civilizações só por comida, e monstros como esses não deveriam estar por aqui!
-O que quer dizer?
Não tem o que contestar, foram eles!
-Mas não por vontade própria...
Kiere ficou confusa ao ouvir isso.
-Saia da frente, vou matá-los.
-Calma, eu vou ajudar!
-Não será necessário.
A elfa então esticou a mão, e a esfera branca que estava flutuando sobre a palma da sua mão, transformou-se em uma bola de fogo, mas era várias vezes maior que as que o mago do teste conseguia usar.
Lancou na direção dos monstros, que desviaram do ataque, mas para sua infelicidade, o alvo não era diretamente eles, e sim o chão.
Explodiu ao contato com o solo, matando os monstros e carbonizando os corpos.
"Forte... essa mulher é forte!"
Kiere estava segurando o capuz para não voar com o vento produzido pela explosão.
Olhou no braço da elfa, e viu um bracelete de ouro.
-Você é do rank ouro também?
-Sim, mas acredito que entenda a diferença entre nossas habilidades.
Kiere revirou os olhos.
-Tudo bem, vamos nos apressar!
Disse a meio humana, enquanto saia em disparada, já Arlen, antes de fazer mesmo, produziu outra esfera luminosa, e só então prosseguiu.
***
Zelgle já estava sentado ao lado do corpo da criatura à mais de dois minutos.
"Ele realmente morreu.
Não foi tão difícil assim afinal...
Ser "imortal" tem suas vantagens... embora teria sido melhor se ele tivesse conseguido me matar.
Não importa."
Levantou-se vagarosamente, apoiado no longo cabo do machado, que sempre tinha o pomo junto ao chão.
Continuou olhando para o corpo da criatura por mais alguns segundos.
-Será que vamos ganhar alguma coisa por isso?
Não tinha tal esperança, mas a pergunta ficou atrelada a sua cabeça.
Andou pelo salão cheio de ossos, sem nenhum cuidado para não pisar nos mesmos, procurando uma saída, andando no meio daquela montanha de ossos e corpos.
Mas antes que encontrasse uma saída, uma luz poderosa emergiu acima, da abertura que Zelgle havia criado quando foi atirado pela criatura.
-Ei, seu merda, você ainda tá vivo?
Pouco tempo de convívio, mas já conhecia de longe aquela voz e o vocabulário torpe, era Kiere, que colocou a cabeça através do buraco na parede, junto à meio humana, uma mulher alta.
-Estou aqui Kiere.
Disse, retornando ao lado do corpo do monstro que havia derrotado.
-Só um segundo...
A elfa soltou a esfera que flutuava sobre sua mão, que lentamente desceu até Zelgle, iluminando tudo ao redor.
Agora, já era possível emxergar a pilha de ossos e corpos em decomposição.
A elfa colocou a cabeça através da abertura, imitando Kiere, e finalmente conseguindo ver o enorme homem e o corpo da criatura maior ainda caído ao seu lado.
-O qu-
A mulher engasgou de repente, após observar o cadáver no chão.
"Uma Damacrix?
Não, não pode ser!
Não há como um aventureiro novato derrotar algo assim!"
Estava tão surpresa que nem conseguia mover os lábios direito.
-Ei, esse corpo do seu lado...
-Hm... creio que essa era a criatura que estava destruindo os vilarejos por ai...
-Não é isso que eu ia perguntar!
Bradou a elfa, parecendo nervosa.
-Esse monstro, foi você que o matou?
-Bem, sim.
Zelgle estava confuso, mas sua expressão facial de peixe morto não o indicava.
"Isso não é possível...
Um Damacrix não é um monstro qualquer que pode ser vencido por um aventureiro iniciante... apesar de ser uma besta, suas habilidades como líder são impressionantes, eles conseguem controlar matilhas enormes de bestas mais fracas... e não são tão fracos individualmente, mas aquele cara sobreviveu na luta contra um deles, sozinho?"
Alen ficou tão perdida em seus pensamentos que sequer percebeu que Kiere havia pulado lá para baixo junto à Zelgle.
-Você está bem?
-Sim... mas acho que não é possível dizer o mesmo de você, não é?
Kiere parecia estar exausta, era perceptível que a garota estava fazendo um esforço tremendo apenas para se manter de pé.
Por mais que não conseguisse sentir ou expressar, Zelgle estava bem preocupado com a garota.
-Aqui, se apóie no meu ambro.
-Eu estou bem...
Não estava, mas não queria "manchar" o próprio orgulho.
De repente, uma brisa poderosa preencheu o lugar.
A elfa estava usando magia para descer, criando uma pequena circulação de ar abaixo de seus pés, como um mini furacão.
-Eu vejo que minha ajuda era desnecessária, já que você...
Pausou brevemente, após se referir a Zelgle.
-Lidou com ele sozinho.
Disse, olhando para o cadáver próximo deles.
-Mas me diga, como conseguiu matar essa criatura?
É necessário no mínimo um aventureiro de rank ouro para derrotar algo assim...
-Bem, eu...
A mulher analisou Zelgle de cima a baixo.
-Você... não está ferido?
Disse ela, incrédula, após perceber que apenas a roupa do homem estava coberta de sangue, mas sua condição física estava ótima.
-Bem... eu consegui matar ele rápido, então ele não teve muitas chances do contra atacar.
Mentira. Uma mentira descarada, visto que sua roupa estava completamente arruinada.
"Esse cara... é estranho..."
-Vamos, deixem o papinho pra depois, eu vou desmaiar se ficar nesse lugar por mais dez segundos.
Disse Kiere, cortando a conversa entre os dois, com uma voz abafada, já que cobria a boca e o nariz devido ao forte cheiro que exalava dos cadáveres e ossos no local.
Kiere saltou até a abertura na parede, e a elfa novamente usou magia para subir, já Zelgle não teve escolha a não ser escalar a íngreme parede da caverna até a abertura feita pelo seu próprio corpo.
Arlen parou na frente da entrada, olhando para o corpo da criatura, da distância que eles estavam.
"Ainda não acredito nisso..."
Continuou andando junto aos dois.
Saíram da caverna depois de uns dez minutos, sem encontrar mais nenhuma das feras.
Kiere não aguentava mais caminhar, tanto que estava ficando para trás, e com isso, podia perceber Arlen encarando Zelgle de relance, desconfiada, mas não deu a mínima para isso, não conseguia, devido ao cansaço.
-Ei, esperem um pouco...
Disse ela, praticamente se arrastando no chão.
Eles já estavam do lado do lugar onde Arlen havia amarrado o cavalo anteriormente.
Arlen ofereceu a Zelgle para que fosse no cavalo, mas ele recusou devido a arma que portava.
-Tem certeza disso?
Você deve estar cansado...
-Estou bem, fique tranquila.
Então a elfa subiu no animal, e Kiere logo em seguida, mas dessa vez elas foram devagar, para que Zelgle pudesse acompanhá-las.
Kiere que estava exausta, não pôde evitar de dormir sobre o cavalo, encostada em Arlen, que admiravelmente não se importou com a situação.
Percebia constantes olhares de Zelgle na sua direção, mas fingia não estar vendo nada.
Até que depois de algumas vezes, ela perguntou, sem paciência:
-O que você tanto encara?
-Ah, desculpe... só estou curioso.
Disse ele, ciente da própria grosseria.
-Sobre o que, exatamente?
-Você... é uma elfa?
-Na verdade, não.
Eu sou uma meio elfa, sou humana por parte de meu pai.
-Entendo... e o que a faz diferente de um elfo comum?
-Bom, os meio elfos podem ser muito parecidos com elfos puros ou humanos, o que torna difícil de nos distinguir de vez em quando, admito, porém, como os elfos puros, temos as orelhas pontudas como principal característica.
-Entendo... eu sempre quis conhecer uma elfa.
Disse, olhando para as nuvens.
-Você também é uma aventureira?
-Sim, estou no mesmo rank que sua amiga ai.
Fez um movimento com a cabeça, apontando para Kiere.
-Tanto que fiquei impressionada quando descobri que ela já começou no rank ouro, isso é bem raro.
E é por isso, que tenho um convite para fazer a vocês.
Zelgle virou a cabeça na direção da mulher.
-Que tal entrar para o nosso clã?
-Outro aventureiro venho nos perguntar a mesma coisa... se não me engano, seu nome era Linel...
-O senhor Linel foi pessoalmente falar com vocês?
"Senhor?"
-Sim, ele disse que nos achou promissores.
-Entendo.
Então eu não fui de nenhuma utilidade, já que você não precisou de ajuda, e o próprio senhor Linel já fez o convite a vocês.
-Vocês são do mesmo clã?
-Sim.
Tenho um grande apreço pelo senhor Linel.
Acredito que vocês estejam passando por maus bocados dentro da guilda, devido a serem iniciantes.
-Sim, os aventureiros veteranos são um pouco chatos demais.
Aquele seu amigo está incluso nisso.
-Zeck?
Ha, não se importe com aquele idiota.
Eu estava na mesma situação que vocês, mas o senhor Linel me ajudou, e assim, eu consegui subir até o ouro, e passei da posição de Zeck, e acabei me tornando líder daquele grupelho.
Mesmo o senhor Linel lutando tanto contra essa discriminação, ela ocorre dentro de seu próprio clã.
Arlen pareceu desanimada ao dizer isso.
-Entendo, então aquele cara realmente é uma boa pessoa, no fim das contas.
-Sim, ele é um homem e tanto.
Se não fosse por ele, eu provavelmente estaria sendo usada como brinquedo de algum nobre degenerado.
-Mas por que exatamente vocês querem nos recrutar?
-Pra ser sincera, meu alvo era unicamente a meio humana, mas após ver o que você fez com um Dramacrix sozinho, eu acho que seria um desperdício deixar suas habilidades passarem tão fácil.
-Você diz isso, mas eu não tenho nada de especial.
-Ouvi dizer que você fez a maior pontuação possível, no teste mágico.
Isso não acontece há mais de três anos, quando a senhorita Rozaria fez o teste.
-Rozaria?
Se não me engano, esse era aquela mulher que estava junto ao Linel...
-Sim, ela é sua esposa.
-Aquele cara tem uma esposa?
-Não só esposa dele, ela também é uma ex-arquimaga da corte imperial.
-Parece algo realmente importante.
-Com certeza é, além disso, ela também é do rank platina, e como sua amiga aqui, ela já começou no rank ouro.
-Bem, mas não sou habilidoso como essa mulher, não sei usar nenhum tipo de magia.
A elfa soltou um suspiro leve.
-Magia não é algo tão fácil quanto parece, mesmo eu demorei anos para aprender o básico, e ainda não chego aos pés da senhorita Rozaria.
-Se é assim, não há razão para nos recr-
-Mas mesmo assim, deixar tal talento de lado é uma idiotice sem igual.
Zelgle arregalou os olhos.
"Talento, é?
Acho que nunca escutei essa palavra sendo atribuída à mim... é bem legal."
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