Capítulo 3 - Preparativos, felicidades e gran finale

A imperatriz entrou na mansão sem esperar que abrissem à porta para ela. Fechou a mesma e pela sua visão periférica constatou que todos estavam na sala com exceção de Ísis. Seus filhos, sobrinha, noras se encontravam acomodados nos sofás e seu futuro ex-marido se encontrava de pé no canto da sala. Sua presença foi imediatamente notada por todos os presentes e ela logo ouviu o que já esperava.

- Até que enfim. Whats a hell, Marta! Achei que ia ter que mandar o Josué te rastrear. - falou o comendador colocando as mãos na cintura.

- Não precisa fingir que não gostou de me ter por perto Zé Alfredo. - ela disse se aproximando deles. - Mas para a alegria de alguns, não de todos... - olhou de soslaio para ele e Danielle. - Já me faço presente novamente nesse hospício. - falou já soltando suas tradicionais farpas.

- Mãe, a senhora sumiu. Não atendia telefone, nada! Claraíde disse que você dispensou o Brigel e não deu mais sinal de vida... - Zé Pedro foi interrompido pela mãe que queria acabar logo com o assunto e subir para seu quarto.

- Bom, por infelicidade da vida, adivinhem? A bateria do telefone acabou e não estava com o carregador. - tratou de explicar rápido. Precisava das respostas na ponta da língua, se demorasse a responder, sem dúvidas desconfiariam dela.

- Onde passou o dia? - Maria Clara quis logo saber, desconfiando da atitude da mãe.

- Cuidando da minha vida. - a resposta foi automática, infelizmente a imperatriz sabia que ia precisar de mais do que aquela resposta vaga para fazer com largassem do seu pé.

- O dia todo? - nem mesmo Amanda, que sempre saia para interceder pela tia havia acreditado. Marta olhou para sobrinha de atravessado, infelizmente sabia que precisava inventar uma história melhor do que a que estava contando.

- É mãe, a senhora não apareceu na empresa e nem deu notícia o dia todo. Ficamos preocupados. - disse o caçula sentado ao lado da namorada.

- Que que se tá aprontando hein, Marta? - o comendador questionou sem paciência. Alguma ela estava aprontando, matutava ele. - Que lugar pode ser mais importante pra você do que a Império? Estamos quase em lançamento, já tinha dito que não era pra ninguém arredar o pé de lá antes que estivesse tudo pronto. - pontuou ele, achando que ganharia a discussão.

- Olha, se você se acha no direito de convocar seus fiéis discípulos para uma reunião em casa antes do horário comercial e julga apropriado não me chamar para participar da mesma... - olhou pra ele sorrindo irônica. - É porque a minha presença não é de suma importância, não é mesmo? - finalizou ela com uma expressão vencedora. Zé Alfredo estranhou mais ainda. Tudo que dizia respeito ao Império dos dois Marta exigia ser a primeira a saber. O que ela estava aprontando?

- Cê pode parar de drama e não muda de assunto! - ele levantou a mão apontando o dedo pra ela sem paciência. - O que é que você tá aprontando? - falou pausadamente.

- Por que eu estaria aprontando alguma coisa? Por que tudo eu? - ela disse e ele revirou os olhos. - Não faz essa cara não, porque tudo que acontecesse agora é culpa minha, não é isso? Ah por favor, me deixem em paz. - se encaminhou para escada e ao pisar no primeiro degrau parou, para responder a provocação feita por Clara.

- Por que será, hein Marta? Que a culpa é sempre sua? Talvez porque no fundo seja mesmo você a culpada por nós estarmos nessa situação. - a filha do meio fala rindo sarcasticamente enquanto alisa o cabelo sentada no sofá ao lado de Danielle e Pedro.

- Ô Clara, também não é assim que...

- Deixa ela falar José Pedro. Deixa ela descontar em cima de mim a mágoa e tudo que acontesse de errado na vida dela, afinal, a culpa é minha não é?

- Se você não tivesse não tivesse se envolvido com o Maurílio nada disso teria acontecido. - a moça rebate, agora irritada.

- Alto lá, Maria Clara Medeiros! Não jogue pra cima de mim a culpa por toda essa guerra! - a mais velha falou apontando para o próprio peito sem sair do lugar em que estava. Marta sabia que se não desse logo um basta naquilo tudo aquela discussão se estenderia por horas. Ela endireitou a postura e deixou a voz mais grave. Colocaria um fim naquilo sem se exaltar. - Se não são capazes de imaginar, eu posso desenhar pra simplificar a situação pro tico e teco de vocês. Eu tenho uma vida que se extende além da Império, dessa casa e de vocês. Uma vida fora dessa zona toda. Minha própria vida. Tentem entender, mesmo que pareça difícil, que a minha existência não se resume a vocês ou ao seu pai. E eu já estou absolutamente cheia desse tratamento de vocês comigo! Não admito mais essa falta de respeito! - antes que Clara falasse algo novamente a imperatriz cortou qualquer argumento que fosse. - Não tente desviar pra cima de mim a raiva que o seu pai vem causando pra essa família, colocando mais pessoas dentro da Império, substituindo favoritos! - ela viu a filha tremer o queixo, sabia que tinha tocado na ferida aberta. Não só da própria Clara, mas de quase todos ali presentes. - Ele agora coloca a Cristina responsável pelo trabalho que antes era do Pedro e coloca a Amanda no seu lugar, sem consultar qualquer um de nós. Ditando as ordens como se fosse um rei. E ao invés de vocês resolverem isso como adultos que são, resolvem transformar a minha casa em uma trincheira. Tenha a santa paciência! Como se já não bastasse em casa, tenho que ficar ouvindo dentro da minha própria empresa desaforos dos meus filhos. Mas eu encerro esse ciclo aqui e agora porque não tenho mais condições de viver assim. - disse tudo em um fôlego só. Ninguém tinha coragem para interrompê-la. - Sim. Minha empresa, que eu construi junto com o você e nem ouse dizer que não, porque sem mim, a mulher por trás do grande José Alfredo Medeiros, você não tinha chegado nem a metade do que é hoje. - falou agora direcionada ao marido. - Você coloca a sua filha bastarda dentro da nossa empresa, sua amante dentro da nossa casa e eu quem levo a culpa por você ter sido burro o suficiente pra revelar a localização do seu amuleto pra um vigarista de carteirinha? E antes que alguém possa abrir a boca pra falar alguma coisa, sim, eu o coloquei dentro da nossa casa, como vocês mesmos dizem. Eu já sei e já não aguento mais ouvir. E agora chega. - ela apontou novamente para Clara, que, como os demais não dava uma palavra. - Se você sente saudades da família perfeita que você faz questão de dizer que eu arruinei, pois então cresça e entenda, você já não é mais a queridinha do papai. Esse posto agora é da Cristina. Lide com isso! - ela deu as costas e começou a subir a escada. - Bom jantar pra todos vocês, espero que consigam dormir essa noite, e não percam o sono tentando saber onde eu fui hoje e só pra constar. - quase no fim da escada ela virou os olhos para eles de novo e disse: - Eu fui cuidar da minha vida. Espero que alguns de vocês passem a cuidar das próprias e cresçam de uma vez por todas. E saibam, não tolero mais nenhuma discussão debaixo desse teto. Estão avisados. Bom jantar, porque acreditem ou não, o meu foi ótimo. - sorriu para eles e virou, seguindo até a penúltima porta no fim do corredor. Entrou em seu quarto e deu duas voltas na chave para garantir que não seria mais perturbarda naquela noite.

Colocou a bolsa em um espaço livre na estante de livros perto de si e deixou seus sapatos aos pés da mesma. Encostou-se na porta e respirou fundo. Ligaria logo pra Fernando antes de começar seus rituais de beleza noturnos. Seu dia havia sido inigualável. Agora sentia vontade de se cuidar não só para si mesma, mas para Fernando. Agora que tinha um homem em sua vida, não deixaria de ser a imperatriz que sempre foi. Só que agora, com mais vontade de cuidar de si para seu futuro marido. Futuro marido. Sorriu de novo. Pegou o celular na bolsa e foi até o banheiro onde ligou o chuveiro, uma garantia que ninguém lhe escutaria no telefone. Ele realmente esperava pela ligação dela, afinal ela foi atendida no primeiro toque.

- Oi. - disse ela tímida dando um lindo sorriso.

- Oi. Achei que tinha esquecido de ligar. - falava ele da sacada de sua suíte no hotel com um copo de whisky na mão.

- Não. Apenas os diários embates travados nessa casa. Eu sabia que não iam me deixar por esse sumisso repentino.

- Meu amor, o fato é que você não pode se exaltar em hipótese nenhuma. - lembrou ele.

- Eu não me exaltei. Não mesmo. Encerrei com antecipação o diálogo antes que virasse uma discussão. Tenho certeza que pelo menos hoje eles vão me deixar em paz. Pisar em alguns calos ajuda muito a desviar o assunto. - riu no telefone.

- Ai ai Maria Marta, achei que seu plano fosse ganhar terreno com seus filhos.

- E é meu querido, mas não as custas da minha dignidade. Fora o fato de que se eu começar a bancar a boazinha de uma hora pra outra eles definitivamente vai desconfiar de algo. E não é esse o plano, não mesmo.

- Você tem razão meu amor. Eu que já estou ansioso demais. Amanhã vou começar a procurar por um apartamento maior para nós. Você pode cuidar de entrevistar os empregados?

- Com toda certeza, ter bons criados em casa sem dúvidas ajuda a manter o castelo em pé.

- Definitivamente. Ainda vamos almoçar amanhã?

- Se você não me der um bolo, e aí do você que faça isso, vamos sim. Eu te ligo assim que estiver pronta e nós encontramos lá. Infelizmente vamos precisar continuar mantendo o decoro antes dos papéis do divórcio saírem. E por falar nisso, vou ligar pro seu amigo bem cedo e marcar um horário ainda de manhã pra iniciar esse processo.

- Perfeito. Não se preocupe com valores, eu e ele já acertamos tudo. Na verdade, ele não pretende cobrar nada. Disse que só o fato de representar você nesse caso contra o Medeiros já é pagamento suficiente. Eu não ficaria surpreso em saber que ele e seu futuro ex-marido já se desentenderam antes.

- Nem eu. José Alfredo sempre foi um nordestino sem educação que se acha o rei do mundo. De qualquer modo, vai ser ótimo trabalhar com alguém assim. Ele saber lutar pelas minhas exigências.

- Sem dúvidas. Deixe sua tarde livre amanhã. Quero que esteja pronta pra irmos juntos a primeira consulta do nosso filho.

- Vou estar, te garanto. - sorria com a preocupação dele com ela e o filho. - É só me informar o horário e local.

- Amanhã eu te informo com mais precisão. Tudo será feito com a devida descrição, não se preocupe.

- Com você? Nunca. Sei que posso confiar.

- É bom mesmo, viu?

- Uhum. Então, assim que eu falar com o advogado amanhã eu te ligo, acho que ele vai me dar uma data da finalização do processo.

- Creio que sim. Joaquin sempre é rápido e objetivo.

- Que bom que temos alguém de confiança assim por perto, não? Boa noite querido. Falo com você amanhã.

- Boa noite meu amor, descanse por favor. E lembre de se alimentar bem.

- Pode deixar. Tchau. - ela se despediu.

- Um beijo. Tchau. - ele falou e a ligação foi encerrada.

Marta sorria como uma boba. Se livrou das roupas e tomou um bom banho. Cuidou de si mesma com atenção. Momentos depois saiu do banheiro com um grosso roupão sob o corpo e iniciou seu ritual de cuidados noturnos. Massageou todo seu corpo com os mais perfumados cremes. Como era bom se cuidar. Mas melhor do que se cuidar para si mesma, era se cuidar para alguém lhe admirar. Sorria pensando em Fernando. Ah, como ela sorria. Ao término de sua sessão de relaxamento, foi ao closet atrás de uma camisola de ceda com um hobby combiando. Terminando de se vestir olhou para sua caixa de jóias. A maioria ali eram jóias da Império. Não as usaria mais. Foi até a estamte em que tinha deixado sua bolsa e voltou ao cômodo guardando as jóias que usava antes dos presentes que Fernando lhe dera. Pegou a caixa e a deixou no alto de uma das prateleiras do closet. Não teria mais acesso à elas, não tinha por que ocuparem um lugar na parte de baixo. Ela retornou ao banheiro pegando seus presentes dados por seu amado mais cedo. Tirou uma caixa vazia com uma tranca de dentro de uma das gavetas e guardou lá seus novos presentes. Trancou a caixa e colocou o porta jóias dentro da última gaveta do criado mudo e a chave da pequena tranca dentro de sua bolsa. Leve e feliz, como a muito ela não era, deitou-se na cama, e dormiu como a muito tempo não dormia. Muito, muito bem.

****

No dia seguinte, Marta levantou cedo novamente. Tinha pressa em consultar o advogado. Arrumada e sentada sobre a cama ao lado da bolsa ela olhava em seu tablet um site de uma empresa divulgando currículos de empregados experientes. Lia com atenção. Não precisaria de tantos por enquanto, mas era melhor começar logo. Vendo a hora, achou melhor ligar de uma vez para o advogado antes mesmo de tomar café. Procurou na bolsa o cartão que Fernando lhe dera no dia anterior encontrando-o rapidamente. Discou e aguardou.

- Bom dia. Quem fala? - a voz masculina atendia do outro lado da linha.

- Bom dia, Joaquim Pinheiros?

- Ele mesmo. Quem deseja?

- Maria Marta Medeiros de Mendonça e Albuquerque. Imagino que meu nome dispense apresentações. - dizia soberba.

- Definitivamente senhora Albuquerque. Já tenho conhecimento sobre sua situação. Gostaria que pudéssemos conversar pessoalmente.

- O mais rápido possível de preferência. Estarei aí as dez horas com meus documentos e meus termos para meu processo de divórcio. Me falaram que o senhor vai cuidar de tudo, estou correta?

- E com muito prazer senhora Albuquerque, lhe esperarei no horário marcado. Tudo será feito com a máxima descrição a situação exige, não se preocupe. - ele garantiu.

- Ótimo. Estarei aí mais tarde então. Até mais. - ela finalizou a ligação. Pegou a bolsa de desceu para sala. Sentou no sofá da sala, sabendo que todos estariam na cozinha esse horário resolveu passar uma mensagem de texto para Fernando. Avisou que se encontraria com o advogado antes do almoço e que ao sair do prédio eles se encontrariam para almoçar. Ele respondeu à ela confirmando e avisando que às quatro da tarde eles tinham uma consulta com a melhor ginecologista obstétrica do país. Eles passariam a tarde juntos e então iriam juntos a consulta. Após confirmar ela viu Claraíde descer de um dos quartos, provavelmente arrumando as camas. A imperatriz pediu a mulher que seu café lhe fosse servido ali mesmo, na sala. A empregada se retirou rapidamente após dizer que todoa já estavam na mesa tomando o desjejum. Marta se acomodou melhor no sofá e voltou a olhar o site.

Na mesa do café, todos sabiam que a imperatriz era a última a chegar, por isso não era nenhuma surpresa ninguém esperar por ela. A refeição se mantinha normal até eles verem Claraíde passar por eles com uma bandeja.

- Claraíde, pra quem é isso aí? - o comendador descofiava. Marta não perdia as refeições na mesa para não deixar que Ísis ficasse confortável. Ver a empregada com aquela bandeja era no mínimo estranho.

- É pra dona Marta, seu Zé.

- A madame resolveu tomar café na cama, foi? - riu sozinho da própria piada.

- Não Comendador, ela pediu pra eu levar pra sala. - explicou.

- A mãe vai tomar café na sala? Sozinha? - Lucas estranhou.

- Ela disse que sim. - respondeu a empregada com base no que tinha sido mandada fazer.

- Estranho, a tia nunca deixa de comer na mesa. - disse Amanda, também estranhando atitude da tia.

- Deve ser cena dela. - Clara dizia, era só isso que ela sabia dizer das atitudes da mãe.

- Tudo pra você é cena dela, Clara. Isso tá perdenda o crédito. - briga José Pedro, enquanto Claraíde se retirava para levar o café da patroa.

- Ah Pedro, não começa. Vive defendendo a Marta. - a irmã retruca.

- E você só fica jogando pedra Clara, que coisa! - reafirmava o primogênito.

- Vamo parar de cena logo cedo, vocês aí oh. - o comendador os cortou grosso.

- Ah pai, cê tem que admitir que é mô estranho. A mãe não nunca fez isso. - falou o caçula.

- Sua mãe faz muito pior meu filho. Desde ontem ela tirando a gente do sério. - disse mechendo no bigode.

- Você é que tá tirando a gente do sério, comendador, não tenta jogar toda culpa nela. - José Pedro falava não só para defender a mãe, mas principalmente pra afrontar o pai.

- Cê você tá incomodado pode se juntar ela. - Zé Alfredo apontou pra sala.

- Quem vai sou eu, isso aqui já deu. Bora leke? - Lucas levantou com o prato e a xícara na mão e chamou a namorada ao seu lado, deixando todos surpresos, principalmente o pai, que direcionou ao filho um olhar incrédulo.

- Bora. - a ruiva saiu com o namorado em direção à sala. Desde que o namoro dos dois começara eram notáveis as mudanças de João Lucas. Mais paciente, mais calmo e tentava aos poucos chegar mais perto da mãe, já que o pai se isolava em uma redoma de vidro junto a Ísis sem deixar ninguém chegar perto. Eduarda percebia o tratamento mais suave de Marta com ela, a imperatriz nunca admitiu, mas ela sabia que apesar das implicâncias, ela apoiava seu namoro com João Lucas. Os dois jovens chegaram na sala e viram a imperatriz com uma xícara de café em uma mão e a outra com o tablet, enquanto a bandeja do café estava a sua frente.

- Ô mãe, cê não foi pra mesa porquê? - Lucas perguntava sentando no sofá ao lado do dela junto a Eduarda.

- Prefiro evitar as irritações tão cedo nessa casa. - respondeu sem tirar os olhos do tablet. Mas ao ouvir o som das xícaras e dos pratos dos dois sobre a mesa ela rapidamente jogou o tablet ao seu lado. - O que fazem aqui? - disse surepresa.

- Preferimos evitar as irritações tão cedo nessa casa. - o caçula respondeu rindo ao imitar a mãe. - A gente pode ficar aqui?

- Claro, mas tira o olho da minha geléia! - ela repreendeu vendo o filho quase enfiar a mãe dentro do pote em sua bandeja.

- Ô mãe, é só um pouquinho vai. O seu tá cheio. - ele começou a rir.

- Negativo, volta pra mesa e pega o seu! - ela tirou o pote da bandeja deixando longe do filho.

- Ah mãe, qual é. A cozinha tá muito longe, deixa eu pegar do seu vai. - se levantou se aproximando dela.

- Sai daqui. João Lucas Medeiros! - falou mais alto levantando o pote com um dos braços levando o mesmo para longe. O filho se ajoelhou no sofá dela ao seu lado tentando pegar o pote de sua mão mas sem alcançar. - Eduarda, faz alguma coisa! - pediu ajuda a ruiva que só ria vendo a interação da sogra e do namorado. - NÃO!

- Mãe, só uma colherzinha, por favor. - ajoelhado diante dela, ele colocou as mãos sobre o peito em sinal de súplica, igual fazia quando era pequeno. Viu a mãe amolecer, mesmo com a braço ainda longe.

- Uma colherada, pra cada um seu preguiçoso! Dá próxima trás o seu! - o filho beijou sua bochecha rindo. Ela também sorriu. Ele voltou pra seu lugar ao lado de Eduarda e fez questão de pegar mais que o combinado quando a mãe lhe entregou o potinho, só para provocar. - Epa! Isso é mais do que foi explícito no acordo! João Lucas! Me devolve esse potinho! - Lucas e Du riam de Marta e da guerra que fazia pelo pote de geléia.

- Negando comida ao seu próprio filho, mãe!

- Negando comida a um relaxado, isso sim! Agora devolve minha geléia que você já pegou demais. - aquela briga besta por algo tão simples eram memórias que Lucas guardaria pra sempre. Há tempos sentia a mãe triste, mas agora ela estava mais alegre. Não sabia o que estava acontecendo. Mas gostava daquela Marta, sem dúvidas. Ele devolveu à ela o pote e eles tomaram café juntos. Uma manhã realmente atípica naquele lugar.

Deram mais risadas, mãe e filho recuperavam as lembranças que eram raras. Mas que sem sombra de dúvidas, eram mais que bem-vindas, mesmo a aquela altura da vida. Os que ficaram na mesa e passaram a tomar café calados, ouviam as risadas dos que estavam na sala, mas ninguém levantava para ver o que acontecia. Os que estavam na mesa terminaram a refeição rapidamente por conta do clima pesado que lá permaneceu. Aos poucos levantaram e ficaram de pé na porta que separava a cozinha da sala, lá viam a interação harmoniosa de Marta, Lucas e Du. Um raro momento de fato, era isso que fazia ser tudo mais inacreditável. Até que a imperatriz percebeu que não estava mais somente com o filho e a nora. Até mesmo José Alfredo estava olhando a cena.

- E vocês aí? Vão ficar parados olhando? Não tem espetáculo nenhum até onde eu saiba.

- Nunca pensei que você, Maria Marta iria baixar a crista. - provocou o comendador dando um meio sorriso, Ísis estava ao lado dele com a mesma cara de aflita de sempre.

- Eu tô entregando o jogo? Ah é? - riu dele. - Não meu caro, apesar de eu saber que você torce muito para que isso aconteça. Eu tenho o direito de manter a minha saúde mental estável pela manhã. E se houver necessidade de me afastar daquele campo minado que se transforma a mesa das refeições para que isso aconteça, que assim seja. E se isso de alguma forma machuca a sua franguinha, o problema é seu e dela. - Marta fazia suas caras de deboche provocando a risada dos mais novos, que adoravam a língua afiada da imperatriz. - Foi ela que resolveu entrar nos meus domínios, então ela que aguente o tranco. - falava indiferente.

- Olha aqui eu só vim porque o Zé me convidou. - a menina tentava se impor. Marta a intimidava, era fato. As vezes tentava bater de frente com esposa de Zé Alfredo, mas as cenas sempre terminavam com a mesma saindo por cima. Não se sentia a vontade naquela casa, tinha aprendido a ficar lá só no horário em que Zé também estava.

- Sim. E desde o momento em que ele nos comunicou isso, desde o seu primeiro passo dentro dessa casa, eu te falei como as coisas seriam. Se você não se sente à vontade querida, quero que saiba, que a minha intenção é exatamente essa. Até mais. - ela acenou dando tchau para Lucas e Du indiferente à cara de Maria Ísis e encerrando a conversa. Tinha que se poupar! E aquela era a melhor solução que havia encontrado, falar o que ela dizia e sair imediatamente. Não gostava de fingir que estava correndo das brigas, mas era exatamente isso que ela estava fazendo. Saiu da mansão direto para seu carro onde Briguel a esperava conforme as ordens que recebera da madame no dia anterior. Eles seguiram para empresa. Marta tinha alguns contratos para revisar, tinha que ver os preparativos para festa de lançamento e dar uma olhada mas jóias já finalizadas. Tinha muito o que fazer fora da Império ainda aquele dia.

Chegou no local pedindo a Valquíria os contratos que precisava para analisar e uma papelada mais específica sobre a empresa alegando que algumas mudanças seriam feitas em pequenos números. Ela entrou na sala de reuniões da empresa e esperou a mulher trazer o que ela tinha pedido. Normalmente ela só dava ordens sem dar explicações sobre o que faria, infelizmente não podia contar com a sorte. Tinha que ser muito cuidadosa. Era improvável que descobrissem que ela tinha solicitado aquela papelada específica, mas uma desculpa tinha que ser dada caso isso acontecesse. A secretária andava tão aflita com os Medeiros em pé de guerra por causa daquela coleção que nem estranhou o comportamento de Maria Marta. Apenas cumpriu a ordem que recebeu e esperou pelo resto da família que em breve estariam chegando com mais ordens para a mesma.

Maria Marta separou a papelada da empresa em uma pasta a escondendo dentro da bolsa e ficou na sala de reuniões fazendo algumas modificações nos contratos com vendedores. Foi até Patrício ver as jóias já finalizadas que seriam apresentadas a todos os Medeiros mais tarde, mas a mulher adiantou a visita e deu seu parecer, havia adorado o resultado final. Aquela coleção encheria os cofres da família e da empresa novamente, assim ninguém poderia dizer que havia abandonado uma empresa falida. Entregou os contratos para Valquíria e ligou para Cláudio para ver o andamento dos preparativos da festa para daqui alguns poucos dias. Exigindo dele a perfeição que sempre era vista nas festas da Império, ela desligou o telefone. Suspirou cansada. Tinha muitas coisas pra fazer. Era com a Império, com a gravidez, seu relacionamento com os filhos... era muita coisa. Mas tinha certeza que se fizesse tudo direito, o que lhe aguardava era uma vida ao lado de Fernando e do filho dos dois.

Encerrando seus afazeres saiu do prédio sem falar com ninguém e foi até a firma de advocacia de Joaquim Pinheiros. Ao chegar no local, pegou o elevador se dirigindo até o último andar onde ficava a sala dele, avisando a secretária que tinha horário marcado. A pobre moça, que era uma novata, não pode conter a mulher chique que entrava na sala de seu chefe sem ser anunciada.

- Doutor Pinheiros, me desculpe, ela não esper.... - a menina foi cortada pelo homem mais velho que já esperava por Marta.

- Não se preocupe Pâmela, eu esperava por ela. Volte ao seu trabalho. - a menina acanhada, não esperou o chefe dizer duas vezes e saiu da sala.

- Doutor Joaquim Pinheiros. - Maria Marta levantou a mão em um cumprimento educado.

- Senhora Maria Marta Medeiros de Mendonça e Albuquerque. - apertou a mão dela e logo se curvou para beijar-lhe a mão como um verdadeiro cavalheiro. - Ou futura senhora Marsala. Como preferir. - ele arrumou a postura sorrindo mostrando à ela que estava ciente do envolvimento dela com Fernando.

- Acho que já sabe o motivo do meu divórcio.

- Na verdade já. Mas não foi por mero acaso. Conheço cada tom de voz daquele sujeito. Fico realmente feliz pelos dois. Somos amigos a muitos anos e sei dos sentimentos dele por você. Sempre o achei um romântico incorrigível. Mas ele é a prova de que a perseverança aliada à esperança podem virar qualquer jogo.

- É, pode mesmo. - disse com um sorriso vago. - Bom, aqui estão os documentos do necessários para dar entrada de uma vez por todas nesse processo. - ela tirava de dentro da bolsa duas pastas de couro pretas. As entregou ao advogado que se sentou assim como ela. - O meu casamento com José Alfredo foi feito em comunhão universal de bens, assim sendo nós temos direitos iguais sobre todo o nosso patrimônio. - dizia bem instruída.

- Está correta. - concluia o advogado lendo a documentação.

- Eu e ele começamos nosso casamento como iguais. Construímos juntos tudo o que temos e todo nosso patrimônio, ou o que sobrou dele pelo menos. Bom, ele ainda não sabe que estou dando entrada no divórcio. - exclareceu.

- Entendo. - o advogado tinha em mãos os papéis, mas olhava atentamente que estava mulher à sua frente.

- Ele já me pediu o divórcio algumas vezes, mas eu sempre negava. Tem alguns anos que vivemos em separação de corpos e estamos casados somente no papel. Eu tenho algumas exigências a fazer, e em troca, vou abdicar de alguns dos meus direitos nesse matrimônio.

- Que exigências seriam essas?

- A primeira que eu quero é que ele retire o meu sobrenome. Quando nós nos casamos ambos adicionamos os nomes de solteiro do cônjuge. Quero retirar o Medeiros e quero que ele retire o meu sobrenome também. - pontuou ela.

- Isso pode ser facilmente arranjado. - afirmou o homem com a mão no queixo ouvindo atentamente o que a futura esposa do melhor amigo dizia.

- E a segunda se trata da nossa mansão em Petrópolis, um de alguns dos nossos imóveis. Quero ficar com a casa.

- Pode ser negociado. O que estaria disposta a seder para ele em troca?

- Uma coisa que ele não vai ter como recusar. Algo que ele quer já faz um bom tempo. A Império.

- Explique-me por favor.

- Vou abrir mão da empresa. - ela disse simplesmente. - Quero passar as minhas ações igualmente para os meus três filhos, minha sobrinha e para Cristina, uma filha bastarda de Zé com uma namorada antes do nosso casamento. A nossa nova coleção será lançada em breve, pretendo abrir mão dos meus lucros também e doa-lós para os cofres da Império. Abro não de todos os meus direitos como dona e sócia fundadora da empresa. - finalizou olhando para o advogado que parecia surpreso.

- Tem certeza, dona Marta? É muito a se perder. Seus direitos, nome, patrimônio, prestígio. Tem certeza de quer abrir mão de um trabalho de anos e anos?

- Vou repetir pra você o que eu disse pro Fernando quando ele falou a mesma coisa que você me disse agora. Quando uma coisa te faz mais mal do que bem, é necessário ponderar. Mas eu já ponderei o suficiente e esses são os meus termos. Quero me ver livre dessas coisas o mais rápido possível. Por isso o sigilo é algo tão importante. Nada pode ofuscar o novo lançamento da Império, ou o meu plano vai por água abaixo. Quero esse processo pronto antes da estreia da empresa, o lançamento vai manter os ânimos calmos até lá. E assim que os lucros começarem a aparecer, nenhum deles vai questionar a minha decisão porque a empresa só vai sair ganhando. E nenhum deles vai poder dizer que eu abandonei uma empresa à beira da falência.

- Entendo. Muito sagaz da sua parte.

- É mesmo. Mas então? Quando esse processo fica pronto?

- Hoje mesmo. - ele falou a espantando. - Amanhã a senhora pode retornar no mesmo horário apenas para discutirmos os pequenos detalhes. Mas amanhã mesmo posso enviá-lo ao seu marido e ao advogado dele.

- Adorei a eficiência. - eles riram. - Nesse caso, me dê uma copia para que eu mesma entregue ao Zé Alfredo e a outra pode mandar para o Merival. De todos os modos, eu super agradeço pela rapidez. - ela se levantou e ele também, Marta novamente apertava a mão dele em sinal de gratidão e sorria lindamente. - Amanhã eu volto no mesmo horário.

- Estarei lhe aguardando. Obrigada pela confiança.

- Acredite, vou ficar devendo essa o resto da vida.

- Não mais que eu. O prazer de apresentá-la nesse caso é meu.

- Vai ser um prazer, dr. Pinheiros.

Dito isso ela se retirou da sala dele e saiu do prédio. Deu a Briguel a ordem de irem até um restaurante afastado da cidade. Enquanto o motorista dirigia ela passava o endereço a Fernando dizendo que esperaria por ele no estabelecimento para almoçarem juntos.

Fernando estava em um condomínio residencial em Ipanema acertando negócio sobre o aluguel de uma das casas mais afastadas do local, ponto esse que exigiu alegando que ele e sua noiva procuravam ter privacidade. Com um excelente adiantamento o corretor estava pronto a atender todos os pedidos do novo inquilino. Saia do local quando viu a mensagem de Marta e mais que depressa se encaminhou para o restaurante que ela havia passado para ele.

Momentos depois Marta já estava no restaurante em uma das mesas mais discretas do local. Aguardava seu par pacientemente olhando o cardápio. Havia dito a recepcionista que estava a espera de alguém e que ela deveria ficar de olho. Pensava no quanto sua vida tinha mudado em rápidas 72 horas. Tinha descoberto uma gravidez, tinha sido pedida em compromisso por um amor do passado que nunca deixou de amar, mesmo quando estava com Zé Alfredo e agora pedia o divórcio de marido. Tudo para começar outra vida ao lado do pai do seu mais novo filho que chegaria em poucos meses e os dois lutavam para que a criança chegasse em um lar estável e descente. Marta sabia que isso estava longe de acontecer visto que a guerra que travaria com Zé Alfredo e os filhos seria complicada, mas ela sabia que estava no caminho certo. Cuidando de sua saúde, para o bem dela mesma e do bebê, ajudando Fernando com os preparativos para moradia temporaria deles e supervisionando os últimos detalhes da nova coleção da Império que faria a fortuna da família reaparecer e nada poderia dar errado, se tudo corresse bem, ela estaria fora de casa em dois dias e morando com Fernando em algum lugar. Bem a tempo para a estreia da Império, assim isso obrigaria a família a manter as aparências. Depois que a coleção fosse lançada, o dinheiro que entraria aliada a proposta dela para sua saída da empresa e coloboraria para sair daquela situação em bons lençóis. Infelizmente se algo saísse de seu controle, tudo iria por água abaixo e seria mais complicado do que previa. Visto que as emoções de todos não poderiam ser contidas.

Viu Fernando chegando ao local, a recepcionista apontou a direção da mesa em que uma mulher esperava por ele e o mesmo seguiu pelo caminho indicado. Sempre que o via ela sentia em seu íntimo uma paz e tinha a certeza de que estava fazendo o que era certo. Já havia desistido de lutar pela reconstrução da família. Bom, não lutaria mais por Zé Alfredo, mas pelos filhos sim. O processo demoraria, ela sabia, mas eram seus filhos, e ela ainda era uma mãe. Uma mãe que tentaria fazer diferente dessa vez. O casal se cumprimentou com um abraço apertado e íntimo, corpos colados e bocas próximas. Mas ainda sim, manteriam o decoro, era preciso. Pelo menos por enquanto. Sentaram-se e pediram ao garçom um salmão grelhado com uma salada fresca e purê de batatas acompanhados por um vinho branco. Marta recusou o vinho, pedindo um suco de maracujá. A única coisa que podia dizer que sentia desejo naquela gravidez era por frutas agridoces, em especial o maracujá.

Servidos e satisfeitos, Marta resolve contar a Fernando as novidades.

- Meu divórcio sai amanhã mesmo. Disse ao dr. Pinheiros que eu mesma vou entregar ao Zé os papéis, e que ele pode se encarregar de manda uma cópia ao Merival, advogado da empresa e do Zé Alfredo. - ela dizia sorrindo bebendo de seu suco.

- Perfeito. Aluguei pra nós um casa em um condomínio de luxo em Ipanema. Local afastado, reservado, longe dos olhos curiosos da mídia enquanto temos que manter o sigilo. - informou animado. - Liguei mais cedo para uma obstetra de uma clínica em que eu sou investidor. A melhor médica e todos os exames necessários que ela pedir pra você serão feitos imediatamente pelos profissionais mais competentes do Rio de Janeiro. Quero você e o nosso filho sendo muito bem tratados.

- Nós já estamos meu querido, por você. - segurou a mão dele sobre a mesa dando a ele um lindo sorriso.

Aqueles momentos eram sem dúvidas os mais lindos e sublimes entre eles. O cuidado, a preocupação. Algo que Marta achava tão delicado, tão dela. Com o fim da refeição eles foram em direção ao condomínio residencial em Ipanema. Marta havia dispensado Briguel quando chegaram ao restaurante e mandou que ele não voltasse para casa, que levasse o carro para algum lugar discreto e que ficasse atento ao telefone, e que ele não deveria dizer nem um "a" a ninguém. Com o motorista dela longe e acima de qualquer suapeita ela e Fernando poderiam aproveitar aquele tempinho juntos com muito prazer. Chegaram ao condomínio, deixaram a identificação na portaria e se encaminharam para a casa.

A mesma possuía dois pisos e era muito luxuosa. Elegante por fora e confortável por dentro. Serviria enquanto não achavam uma mansão para eles. A residência era espaçosa o suficiente para eles e algumas visitas, com lugar suficiente para que os empregados se adaptassem ás exigências dos patrões. E por falar em empregados, Marta havia selecionado três currículos de senhoras muito bem recomendadas por outros trabalhos. Era o necessário por enquanto. No caminho para o condomínio já sabendo de seu futuro endereço, Marta solicitou a agência que enviasse as três senhoras para lhe fazerem uma visita se candidatando às vagas. Foi respondida minutos depois pela empresa que confirmou as entrevistas com as candidatas a empregadas.

Ela e Fernando entraram na moradia temporária e Marta aprovou o local. Já mobiliado e com os armários abastecidos, ela teve certeza que Fernando estava roendo as unhas de tanta ansiedade. O que lhe alegrava bastante em saber que ele não mentia ou se equivocava quando dizia querer a vida toda com ela. Ainda conversariam melhor, mas por hora tudo estava perfeito. O milionário informou que assim que eles tivessem empregados ele se mudaria para o local. Marta assentiu e o interfone com contato direto da portaria do condomínio tocou. O porteiro avisou sobre três senhoras que se encontravam lá para uma entrevista de emprego. Marta confirmou as identidades de cada uma delas permitindo o acesso e pediu que elas fossem encaminhadas para a residência deles. As três senhoras, Jurema, Adelaide e Leonela já tinham experiências trabalhando em casas de famílias ricas e tinham muito conhecimento sobre como trabalharem corretamente naquele ambiente mais refinado, o que logo agradou Marta. As três foram contratadas e a situação sobre seus futuros patrões logo foi explicada. Foram colocadas a par da situação e lhes foi informado que o sigilo era absolutamente imprescindível, mas as três adoraram os termos e benefícios de seus novos empregos com altos salários, planos de saúde incluídos e um plano de aposentadoria anexado ao mesmo. Começariam no dia seguinte. Marta passou à elas suas recomendações e ordens.

Maria Marta e Fernando agora já tinham andado meio caminho para morarem juntos. Faltava o mais difícil, em parte, que era ela sair de casa. Felizes e completos, eles se abraçaram no meio daquela enorme sala de estar da casa que morariam e se beijaram. Ele olhou no relógio e constatou agoniado que ela precisava se alimentar antes de irem para consulta marcada para mais tarde. Saíram do condomínio e lancharam em um bistrô praiano próximo a praia de Ipanema. Satisfeitos eles se encaminharam para o consultório da doutora em uma clínica de referência no país. Na recepção, após eles se identificarem, foram encaminhados para o corredor próximo ao consultório da doutora que já sabia da chegada deles, apenas pediu alguns instantes para recebe-lós. Sentados em cadeiras de espera em frente ao consultório, Marta via com um sorriso travesso Fernando bater o pé no chão em sinal de ansiedade.

- Calma querido, eu tenho certeza que não vão fazer nada com você. - ela brincou sorrindo. Ele a olhou com um sorriso de canto meio apreensivo.

- É, eu sei. - ele passa a mão na cabeça rindo bobamente. - Você não fica nervosa?

- Fico. Mas já estou acostumada com a sensação, então consigo me controlar.

- Espero poder ser um bom pai. - confidenciou. Sentiu ela pegar sua mão que estava sobre a perna dela e apertar, olhou em seua olhos e a ouviu dizer com firmeza.

- Você já é meu querido. Já é. - disse sincera.

O momento foi interrompido pela doutora que abriu a porta do consultório e chamou pelo casal.

- Senhor Marsala, senhora Maria Marta. Podem entrar. - uma senhora de aproximados sessenta anos com cabelos curtos e um jaleco branco abriu a porta e segurou a mesma para que os dois entrassem. Já dentro do consultório com os três sentados, a médica iniciou o diálogo. - Em que posso ajudá-los?

- Bom, - começou Marta. - eu descobri uma gravidez inesperada tem alguns dias. Dois na verdade. - riu entregando à médica o papel do exame que tinha feito dias antes. - Foi uma completa surpresa, pela minha idade eu não achava que ainda poderia acontecer. Até que depois de algum tempo com muita fadiga, sono, cansaço excessivos e um apetite insconstante, que eu achava serem consequências da minha rotina agitada, em uma manhã eu acordei, tomei café e minutos depois eu vomitei tudo. Olha, por não ser nenhuma adolescente, começei a desconfiar dos sintomas e pedi o exame. E bom, a surpresa. - finalizou o relato enquanto a médica ouvia tudo atenta.

- Bom, sua percepção quanto aos sintomas foram certeiros dona Marta. Mas na verdade a gravidez mesmo em idade avançada é cada vez mais comum. Se uma mulher é saudável, tem vida sexual ativa e por algum motivo não usou nenhum método contraceptivo, então a gravidez é uma consequência dos fatos.

- Eu não tinha uma vida sexual ativa há algum tempo. - contou meio envergonhada e olhou para Fernando que achava graça da situação. - Foi um acidente de uma noite.

- Bom, se a senhora acredita em destino, quem sabe, não é? - a médica riu. - O fato é, que intencional ou não a sua gravidez é legítima e vai completar três meses em quatro dias, pelo que consta nesse exame. O período de maior incidência de abortos espontâneos é o primeiro trimestre. As chances agora são menores, mas ainda podem ocorrer. É por isso que eu recomendo que deixe de lado sua rotina agitada e não tenha mais contato com as coisas que lhe deixam nervosa. Toda gravidez necessita de descanso e repouso. As gestações em mulheres mais velhas precisam de dobro disso. Mas não se preocupe, a medicina está aqui para melhorar as nossas vidas. - a mulher deu ao casal um sorriso afetuoso. - Preciso que você faça alguns exames mais específicos para averiguar melhor o seu estado de saúde. Vou encaminhá-los para recepção e na saída você já pode marcar. Gostaria que fossem feitos o quanto antes. Vou agendar uma consulta para daqui a quatro dias. Você estará completando três meses e com os resultados laboratoriais vou saber o que fazer com mais exatidão. Mas por hora, me responda, a senhora bebé ou fuma?

- Nunca fumei, e quanto a bebida, não costumo tomar mais do que uma taça por dia. - respondeu prontamente.

- Perfeito. Prática exercícios físicos?

- Não. - disse tímida. - Nunca tive esse hábito.

- Eu recomendo que a senhora procure um personal trainer para auxilia-la a em uma rotina de pequenos exercícios diários que farão muito bem ao feto.

- Se é assim, procuraremos um hoje mesmo. - disse Fernando afobado.

- Não precis... - Marta foi cortada pela médica.

- Precisa sim. Quanto antes você passar a seu cuidar melhor, mais rápido os resultados vão aparecer e refletir em uma gravidez saudável. Sofre de pressão alta, colesterol elevado ou diabete?

- Não. Apesar de não ser chegada a exercícios físicos, sempre cuidei muito bem da minha alimentação.

- O que é com certeza um fator bastante positivo. Mesmo assim eu insisto que consulte uma nutricionista para que ela lhe passe uma dieta ainda mais rica em minerais, fibras e vitaminas para fortalecer o seu bebê e você. Fique atenta quanto às vacinas necessarias durante a gestação e evite emoções muito fortes. - receitou.

- Doutora, eu tenho três filhos já adultos, fui mãe bem jovem. Minhas duas primeiras gestações foram tranquilas e tive todos os meus filhos de parto normal. Mas na última, eu tive pré-eclâmpsia. Eu e o meu caçula quase morremos. Por isso nem eu e nem meu ex-marido quisemos mais filhos. Ele fez vasectomia, por isso eu não lembrei de me prevenir. - explicou a especialista com certo receio. As coisas vinham acontecendo tão rápido em sua vida, que ela nem teve tempo para temer uma possível pré-eclâmpsia durante aquela gravidez.

- Ainda é cedo para diagnosticar uma pré-eclâmpsia. Mas tudo vai depender de como você vai se cuidar daqui pra frente dona Marta. Mas não se preocupe. - a médica pegou a mão da paciente sobre a mesa e lhe deu um olhar sincero. - Estou aqui pra lhe ajudar. Vamos ver como está o seu bebê?

- Já podemos? - Fernando pergunta emocionado.

- Claro que sim. Vou preparar tudo. A senhora vai encontrar a bata ali. - a senhora apontou para a lateral da sala e se retirou para o outro cômodo do consultório onde os equipamentos de última geração estavam esperando por eles. Marta trocou sua roupa pela bata hospitalar e junto a Fernando se encaminhou para fazer o exame, ele a ajudou a se deitar na maca própria para aquele tipo de exame. A médica abriu os botões que ficavam na parte da barriga da paciente e aplicou o gel sobre a mesma. Aquela sensação era bem conhecida por Marta, que lembrou de seus outros filhos e se entristeceu por alguns instantes. Uniria seus filhos e teria sua família! Prometeu isso a si mesma. A médica começou a passar o aparelho sobre a barriga de Marta e ela apertou a mão de Fernando que estava ao lado dela em pé atento a tudo que acontecia.

- Aqui está ele. - disse a médica apontando para uma imagem distorcida na tela. - Ele tem 59 milímetros e 11 gramas. Muito ideal e completamente saudável para a gestação. - informou aos pais que sorriram um para o outro com lágrimas nos olhos. - Ele está bem fixado a parede do útero e completamente saudável. Quanto a pré-eclâmpsia Marta, só é diagnosticada a partir 20° semana de gestação. Mas se você seguir todos os cuidados necessários, o seu parto será tranquilo assim como sua gestação. Não se preocupe. - tranquilizou os pais e ambos sorriram. A médica deu licença ao casal e após Marta terminar de limpar sua barriga e se sentar na maca, ela e Fernando se abraçaram extasiados. Aquele serzinho que haviam gerado juntos era agora o centro de suas vidas. Para Marta um recomeço, outra chance que lhe era dada pela vida para fazer as coisas certas. E para Fernando, que tinha um enorme sorriso em seu rosto era seu começo, seu início de uma vida junto a mulher que amava.

O casal adorou a médica que seria responsável pelos cuidados do herdeiro Marsala. Sem mais nenhuma recomendação a fazer e com o exame finalizado eles saíram do consultório felizes e com muitos planos para com aquele bebezinho. Foram na recepção e agendaram para o dia seguinte os exames pedidos pela médica assim como o retorno para a consulta em quatro dias. Saíram do hospital e agora com a vida seguindo um rumo certeiro, eles se despediram porque ainda havia muito para ambos resolverem até estarem juntos completamente.

Fernando retornou para o hotel onde fez às malas, encerrou sua estadia e deu uma bonificação para que Jorge continuasse com a boca fechada, mas com o valor dado ao empregado, séria o bastante para calar muitas bocas. O homem se encaminhou para o condomínio residencial onde esperaria por Marta no dia seguinte. Deitado na cama da suíte que logo seria ocupada por ele e Marta, ele falava ao telefone com um empregado de confiança que o representou em um leilão de anéis de diamante em Genebra que estava arecadando fundos para limpar o lixo nos oceanos. Em seu nome, seu fiel servidor deu o maior lance no leilão para o item mais precioso e caro daquela coleção. O item foi enviado assim que o leilão acabou para o Brasil, mais especificamente no Rio de Janeiro. O milionário sorria com o presente da amada. Nada superaria o presente que ela lhe dava, o filho dos dois, mas como o homem apaixonado que era, jamais deixaria passar a chance de dar presentes à sua amada Marta.

Marta por outro lado, chegava em uma casa vazia. Seus filhos passavam outra noite fora, enquanto Zé Alfredo saia de novo com Maria Ísis. Mas pela primeira vez em muito tempo, não se sentia sozinha ou abandonada. Agora ela tinha exatamente o que precisa: o amor de alguém. Mais que isso, o amor sincero e recíproco de alguém por ela. Ela jantou com Claraíde naquele noite, tomou um banho e deu boa noite para Fernando através de uma ligação e novamente dormiu plena e muito bem.

No dia seguinte ninguém apareceu para o café da manhã, Marta desconfiava que ninguém tinha chegado em casa ainda, fato que logo foi confirmado pelos empregados. Ela tomou café tranquila e logo seguiu para a clínica fazer os exames laboratoriais pedidos pela médica. Saiu de lá meio tonta por causa da quantidade de sangue retirado para fazer seus exames e foi para Império sem encontrar ninguém para lhe questionar sobre nada. Se trancou na sala de reuniões e em uma rápida ligação falou com Fernando. Ele gostara do serviço das novas empregadas e esperava por ela no fim daquele dia, conforme o combinado. Ele sairia para resolver alguns problemas com sócios e falaria com o corretor novamente, mas estaria em casa esperando por ela no fim daquele dia. Com sorrisos brilhantes e exultantes de felicidade eles se despediram. Aquele dia séria marcado em suas vidas. Marta trabalhou como sempre e sem levantar suspeitas do grande acontecimento que estava por vir.

Sem dar satisfações a ninguém saiu no mesmo horário que o dia anterior direto para o consultório de advocacia de Joaquim. Onde constatou que de fato o sucesso do empresário se devia à sua competência. O processo estava perfeito, sem necessidade de mudar nenhuma cláusula. Com uma cópia da na bolsa ela agradeceu ao homem já pedindo que ele enviasse uma cópia ao advogado de Zé Alfredo. Ela saiu do prédio extasiada de alegria, aquele era outro passo que dava para sair daquela vida. No almoço da família onde o único assunto abordado era sobre a festa de lançamento da nova coleção, a imperatriz pediu que todos comparecessem à mesa de jantar naquela noite, pois tinha uma declaração a fazer que não poderia ser adiada. Mesmo curiosos, desprezaram a ideia de participar da tal reunião pois queriam evitar mais discussões.

A noite chegou, assim como o fim do trabalho de todos naquele dia. Marta saiu da empresa e foi direto para casa, disse a Briguel ficar atento às ordens dela pois ainda precisaria dos serviços dele naquela noite. Falou com Claraíde para deixar a mesa pronta para o jantar e subiu para seu quarto, onde deixou a porta enconstada e logo foi se preparar. Com um vestido preto, colado ao seu corpo e um lindo sorriso ela se arrumou para o jantar, onde logo descobriria que ninguém apareceria. Nenhum dos seus filhos deu as caras e apenas João Lucas ligou para avisar que não poderia ir porque Du havia tido um problema e precisava dele. Zé Alfredo apareceu somente para buscar Ísis e eles saíram para outro jantar.

Marta jantou sozinha, sem Claraíde na mesa dessa vez. Refletiu sobre suas últimas escolhas, tendo a mais plena e absoluta convicção de que sua escolha de abandonar aquele lugar e se dar uma chance com Fernando definitivamente era a certa.

Sem ter mais o que pensar ou esperar, se encaminhou para o escritório de Zé Alfredo e deixou sobre a mesa o pedido de divórcio. Subiu as escadas e colocou sobre a cama todas as suas malas abrindo-as e começando sua mudança. Suas roupas, sapatos, bolsas, acessórios, livros, produtos de beleza e outros itens que ajudavam com a mesma, fotos e seus documentos, tudo que lhe pertencia foi colocado nas malas. Enquanto terminava de arrumar as roupas, viu Claraíde pedindo licença e entrando no quarto. A empregada já havia limpado a mesa do jantar e já devia ter se recolhido, mas preferiu subir para ver o estado da patroa. Mas ao invés de encontrá-la chorando ou algo do tipo, levou um susto ao ver as malas sobre a cama. Estranhou. Não era uma mala só para uma viagem, mas sim todas as malas da patroa que explicavam o lugar que se encontrava vazio.

- Dona Marta, o que tá acontecendo? A senhora vai viajar? - a mulher sabia que não, mesmo assim lhe custava acreditar.

- Não Claraíde, não. - disse olhando pra empregada sem deixar de arrumar a mala. - Estou indo embora. - disse por fim.

- Embora!?

- Sim. Eu marquei o jantar de hoje, que foi totalmente ignorado pelos moradores dessa casa pra explicar que eu estou indo embora, mas já que nenhum deles quis aparecer, eles que fiquem sem minhas explicações. - disse a mulher fechando a mala.

- Mas dona Marta, pra onde a senhora vai? Não é muito tarde pra ir pra Petrópolis? - preucupou-se.

- O meu destino não é esse Claraíde. Estou indo embora não dessa casa, mas dessa vida. Olha, você tá de prova que eu tentei. Quis fazer tudo direito, mas fui jogada pra escanteio. Eu ia educadamente pedir o divórcio ao Zé Alfredo e comunicar aos meus filhos a minha situação essa noite. Mas agora, eles que esperem até que eu queira dar satisfações. - empinou o nariz. Começou a colocar as malas no chão. - Olha, foi bom você aparecer. Nenhuma palavra sobre isso com o restante dos moradores dessa casa. Se amanhã eles perguntarem, diga apenas que eu fui embora. Se eles quiserem mais informações, é só procurarem no escritório. Vão encontrar tudo que precisarem lá. Agora, eu não sou mais sua patroa, estou abidicando desse posto. - chegou perto de Claraíde e tocou suas mãos. - Não vou dizer a onde eu vou, mas saiba que estou indo por vontade própria e estou indo muito, mas muito feliz. Diga que não vou aparecer na empresa amanhã e que vou ligar quando eu sentir vontade. - as duas riram, mas a empregada tinha lágrimas nos olhos . - Eu logo entro em contato com eles, não se preocupe.

- Ô dona Marta. Não era pra senhora ir embora, e sim a Ísis.

- É, mais não é só por ela que eu estou indo embora não, sabe? - deu um longo suspiro. - A vida me deu uma chance de ser feliz Claraíde, e eu não vou largar isso por nada desse mundo. Vem, me dá um abraço. - ela abriu os braços e a empregada a abraçou. - Obrigada por me fazer rir e me fazer companhia nos meus momentos de solidão, Claraíde. Obrigada por tudo.

A empregada via o sofrimento e a solidão da patroa mais intensificada desde que Ísis havia ido morar lá. Não achava que a imperatriz fosse jogar a toalha, tão pouco que ela sairia de casa. Mas ouvia a voz mais tranquila da patroa, e mesmo que não soubesse para onde ela estava indo, sabia que lá ela estaria melhor do que estava naquela casa. Briguel foi chamado e enquanto levava as malas para o carro com a ajuda de Claraíde, Marta ia ao escritório. Deixava sobre a mesa e ao lado dos papéis do divórcio uma caixa que tinha todas as suas jóias. Todas as jóias que havia ganhado durante todos aqueles anos. A única que levava consigo era o relicário que ganhara de aniversário dos filhos muitos anos antes.

Ela saiu da sala do marido sem olhar para trás, mas antes de sair de dentro da casa, deu na mesma uma boa olhada. Eram sentimentos conflituosos, mas ela sabia que estava fazendo a escolha certa. Suspirou e fechou a porta da mansão. Fechava aquela porta na sua vida, com boa parte de seus problemas. Abraçava Claraíde novamente e se despedia. Entrou no carro e deu a Briguel o endereço. Saíram da garagem e foram rumo ao seu novo endereço. Em nenhum momento Marta olhou para trás, não queria e nem iria. Pegou o telefone e discou um número.

- As coisas não saíram como eu imaginava, não falei com eles, mas eu estou indo. Definitivamente. - assegurou a seu amado.

- Então vamos deixar as explicações para depois meu amor, estou te esperando na nossa casa. Tenho uma surpresa. - ele falava olhando o conteúdo dentro de uma caixa de veludo que havia chegado para ele mais cedo.

- Só você e seus presentes pra me animar, sabe? Chego em alguns minutos. - desligou. Enconstou a cabeça no banco do carro respirando fundo. Não sabia explicar como se sentia. Era uma verdadeira confusão! Mas se sentia bem. Muito bem. Ao chegar mais perto do condomínio, disse a Briguel. - Entre por aqui. - apontou a entrada do condomínio. Na recepção, identificou seu motorista para o porteiro, que colocou o carro na lista de veículos autorizados que tinham livre acesso ao condomínio. Briguel seguiu até o imóvel mais afastado do local e incrivelmente luxuoso, estacionando o carro ao lado de um modelo Rolls-Royce de última geração na cor preta. Marta saiu antes dele do carro e caminhou até a porta de entrada enquanto ele a seguia com parte das malas. Quando ele depositou todas as malas na porta duas empregada saiam de dentro da casa cumprimentando Marta e pegando as malas para levá-las ao quarto do casal conforme Fernando as havia instruido mais cedo.

Marta explicou a situação de maneira curta e grossa para seu motorista. Seu novo local de trabalho era ali, como ele era servidor pessoal da imperatriz e era ela que pagava seu salário, nada mais justo do que ela permanecer com ele mesmo mudando de ambiente. Era ali que ele ficaria a serviço dela a partir daquele momento. Não deveria dar uma palavra aos seus filhos ou seu ex - marido, como ele não tinha feito até o momento. Ela agora estava em processo de divórcio com o comendador e ele deveria continuar seguindo à risca todas as ordens dela. Ela o dispensou e disse que só precisaria que ele voltasse daqui a dois dias. O homem, meio petrificado seguiu mais uma vez as ordens da madame, mas teve certeza de uma coisa, a mulher não perdia tempo. Se bem que com a vida que ela andava levando por causa do marido e dos filhos, eu não a condenava por sair da família Medeiros. Família essa, que por causa das escolhas mal pensadas e cheias de orgulho do comendador estava caindo aos pedaços. De qualquer modo, ele ainda tinha seu emprego. Por isso saia dali aliviado e com toda a certeza, ficaria de bico fechado.

Marta entrou em sua nova e temporária casa, olhou ao redor e o viu todo decorado com flores coloridas por todo lugar. Ela tomou um susto ao ouvir uma garrafa de champanhe sendo aberta, olhou para trás e viu Fernando em um terno fino e caro usando uma linda gravata borboleta com a garrafa de champanhe nas mãos sorrindo com todos os dentes que tinha para ela. Ele a fazia se sentir em casa.

- Seja bem-vinda meu amor. Ao nosso ninho de alegria. - deixou a garrafa em uma mesa e foi até ela a abraçando forte sentindo ser retribuido da mesma maneira. - Eu sei que você não queria sair de casa assim, sem falar com seus filhos. Mas eu te garanto meu amor, absolutamente tudo que você está fazendo por nós vai valer a pena. Pelo nosso amor, pelo nosso filho.

- Já está valendo. Sair daquele lugar me trouxe uma paz. É como se o mundo não pesasse mais sobre os meus ombros. Acho que eu nunca te falei mas, obrigada meu amor. Por me esperar. Não só esses quase três meses, mas todos esses anos. Eu nunca vou te agradecer o suficiente. Se eu não tivesse você comigo agora, eu não sei o que ia ser de mim. - ela dizia querendo chorar.

- Você nunca mais vai precisar pensar em algo assim, porque só morto eu vou sair do seu lado. Assim sou eu que nunca vou poder agradecer o suficiente por você estar aqui agora e escolhendo viver ao meu lado. Eu te amo meu amor, te amo. - a beijou. O beijo deles era voraz, fervoroso e muito quente. A saudade era o combustível que fazia incendiar aquela relação. A saudade de uma vida toda. - Espera, eu quero te dar uma coisa. - interrompeu o beijo arfando, assim como ela. Ele se ajoelhou na frente dela e tirou de dentro do terno uma caixa retangular média de camursa azul royal. - Eu quero que nós dois possamos viver agora o que não conseguimos viver na nossa juventude. Maria Marta de Mendonça e Albuquerque, você aceita esse compromisso comigo hoje? Para que depois eu te peça em namoro e depois em casamento? Aceita ser minha pra sempre? - ele tinha os olhos brilhantes e pidões, como duas grandes safiras de cor mais pura que o próprio mar. Aos pés dela, ajoelhado, ele tinha em mãos o anel de diamante Oppenheimer.

O Oppenheimer é conhecido como "a jóia entre as jóias". É um dos mais extraordinários diamantes do mundo, sendo arrematado pelo valor se US$ 57,6 milhões (R$ 305,2 milhões) no leilão em anonimato por um homem de confiança de Fernando, era um quantidade mínima da fortuna Marsalla. Fernando era colecionador. Adorava ser dono de itens raros. E agora que finalmente tinha Marta ao seu lado pretendia cobri-lá com as mais finas e caras jóias. Diamantes azuis são muitos raros, 1 de cada 200.000 diamantes é azul. O Oppenheimer foi encontrado a 600 km de profundida da terra, sendo que a maioria é encontrada a cada 150 ou 200 quilômetros. A cor azul única da peça deve-se a junção dos átomos de boro e de sua composição química. O boro, normalmente encontrado na superfície da Terra, faz o diamante absorver parte da luz vermelha fazendo a pedra ganhar o tom azul. Uma peça única de fato. Única, como sua Marta.

A mulher colocou as mãos sobre a boca, sabia exatamente que diamante era aquele. Como uma adolescente ela tremia, mas sorriu e finalmente respondeu.

- Para sempre sim. - ela dizia olhando nos olhos dele. Fernando colocou o anel em seu dedo e a beijou apaixonado. Ele a agarrou pelo quadril e riram alto quando ele começou a girá-la. Era como a cena de um lindo filme. Ou de uma longa novela, onde o casal que a gente mais gosta demora meses para dar um único beijo. Mas essa é a vida.

[...]
Oh, darling, all of the city lights

Never shine as bright as your eyes

[...]
Oh querida, todas as luzes da cidade

Nunca brilharam tanto quanto seus olhos

Não houve necessidade de mais palavras, nem de outros gestos que não fosse aquele beijo. Ele a colocou no chão apenas para pega-la no colo e subir com ela escada acima em direção ao quarto doa dois. Os risos, os beijos daquele casal apaixonado eram como uma melodia. A música do amor deles. Chegaram no quarto e com cuidado Fernando a colocou em cima da cama, tirou os sapatos de salto alto dela e parou para admira-la bem, seu corpo naquele lindo vestido colado evidenciando as curvas que ganhou na gravidez faziam ela mais desejável.

Eles colaram seus corpos beijando, acariciando, tocando onde podiam com desejo mútuo. Ela puxou o terno dele e se desfez da gravata, enquanto trabalhava nos botões da camisa social dele sentiam os beijos dele no seu pescoço e as mãos que acariciavam seu quadril e apertava sua bunda. Ele agora sem camisa levantou da cama tirando de uma vez a calça e a cueca, enquanto via ela se levantar também e ficar de costas pra ele, indicando o zíper do vestido. O vestido foi parar no chão, ele a virou de frente e tirou o sutiã preto de ceda tomara que caia. Ele a deitou no meio da cama e passou a acariciar seus seios sensíveis e depois fez uma trilha de beijos até chegar no pé da barriga onde retirou a calcinha dela jogando-a para o mesmo lugar que suas roupas. Sem paciência para preliminares ele colocou seu corpo grande por cima do pequeno dela a penetrando. Os amantes gemeram com o encontro dos corpos e depois de alguns segundos se adaptando ele passou a se movimentar. Os corpos se encaixavam com dívida perfeição. Logo se entrelaçaram um no outro até quase se fundirem. Ele beijava a boca dela, seu rosto, ombros e aonde quer que ele alcançasse. Ela retribuia quando era beijada, mordia o ombro dele, arranhava suas costas, colocava a mão em sua bunda para incentiva-lo a ir mais fundo e ambos gemiam. Alto. Selvagem. Instintivo. Necessitados. Minutos a fio em busca de prazer com aquele ato tão natural entre um homem e mulher. Mas quando as almas que se amam se encontram, a conexão torna o prazer inebriante.

O orgarmos logo os atingiu, eles tremeram. Ele caiu sobre ela suado, enquanto Marta acariciava as costas dele adorando sentir o peso dele sobre ela. Adorava sentir ele louco, desesperado por ela. Minutos depois ele estava com ela sobre seu peito. Era muito melhor do que a três meses atrás, porque dessa vez ela ficaria com ele, não só no dia seguinte, mas para o resto da vida. Ambos se encararam até pegarem no sono. Azul no azul. Não previsavam de palavras ou juramentos para que ambos soubessem que fariam de tudo para ficarem juntos, e que nunca mais se largariam. Quando o sono os atingiu, a noite já era quase dia.

Horas depois quando ele acordou, a viu ali, ao seu lado. Ele tinha tudo o que sonhava ter na vida, e lutaria com unhas e dentes para preservar o que já era dele. Assim como faria de tudo para vê-la feliz. A viu se mexendo, os olhos dela se abriram ainda sonolentos, mas ela sorriu pra ele. Ele lhe deu um selinho de bom dia e passou a mão sobre a barriga dela tirando o lençol que a cobria vendo a mão com o anel dela sobre a barriguinha pontuda.

- Bom dia bebê. - dizia olhando acarinhando o ventre dela. Quando ele voltou seu olhar para ela, colocou a mão em seu rosto e disse após outro selinho. - Bom dia, mãe do meu bebê e amor da minha vida.

A resposta dela foi o mais lindo sorriso que ele já viu na vida em uma carinha ainda amassada de sono. Eles se abraçaram, colando os corpos nus em um momento de afeto e intimidade.

******

Na mansão Medeiros, o pai e os filhos só foram aparecer perto do amanhecer. Claraíde prometeu a si mesma que só abriria a boca para falar de Maria Marta se alguém perguntasse dela, não diria que a patroa, ou ex patroa tinha saído de casa. Nem que isso custasse seu emprego, mesmo sabendo que isso não chegaria a acontecer, não abriria a boca. Séria cômico ver as expressões dos moradores daquela casa quando soubessem que a imperatriz tinha abandonado a casa.

O café foi servido lá pelas 9 horas quando um por um eles foram descendo. Cada um comia quieto sem desconfiar que um vulcão logo entraria em erupção. O vulcão de Pompeia, restava saber agora quem sobreviveria ao rio lava que inundaria aquela casa. A pauta mais recorrente nos últimos dias era o lançamento das jóias da Império foi logo colocada em questão. A empresa era a única coisa sobre a qual eles ainda conversavam. Depois do café, sem darem pela falta de Marta, Zé Alfredo pediu que todos esperassem na sala de estar enquanto ele foi ao escritório pegar um contrato que eles tinham urgentemente que rever. Ao entrar no cômodo, sozinho, logo ele parou. Estranhando o fato de ter uma pasta preta de couro grossa sobre a mesa e uma caixa rosa clara quadrada alta ao lado da mesma. Abriu primeiro a caixa, não reconhecendo de primeira as jóias dentro dela, mas logo lembrou pertencerem a Marta. A caixa estava cheia de joias, provavelmete todas as jóias da esposa se encontravam ali. O que significava aquilo? Jogou as peças preciosas dentro da caixa sem nenhum cuidado e tirou de dentro do bolso do paletó seu óculos de grau para ler o conteúdo da pasta. Teve que sentar na cadeira quando viu que se tratava de um pedido de divórcio feito por Marta que estava até assinado por ela. Sua cara era o retrato pintado da surpresa e da aflição.

- MAS QUE PALHAÇADA É ESSA AQUI!!!!!????

Todos ouviram a voz do comendador do escritório da casa e tomaram um susto, mas antes que alguém tivesse tempo de reagir viram o homem que tinha dado o grito segundos atrás caminhar apressadamente para sala segurando uma pasta preta e uma caixa. Ninguém sabia do que se tratava.

Claraíde lavava a louça do café quando ouviu o grito do patrão. Com certeza ele havia descoberto sobre os itens no escritório que já esperavam por ele. A empregada secou as mãos despreocupadamente e esperou ser chamada. Ela sabia que uma guerra estava prestes a começar, e só os que sobrivivessem para contar a história veriam o final dela.

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