CAPÍTULO 1



Lá estava Jimin mais um dia entrando naquele maldito jatinho e indo para Tóquio. Não que ele não gostasse de lá, ele não gosta é de ficar longe de Jungkook. Isso lhe dá nos nervos. Ele coloca seus fones de ouvido via bluetooth e uma música aleatória começa a tocar. Jimin se surpreende quando sua mãe vira um copo de whiskey as sete horas da manhã.

Eles não tinham uma relação muito boa, então não se meteu. Cresceu sem seu pai, o que o fez ficar com medo de perder sua mãe também. Ou seja, ele fazia de tudo para agradá-la. Seu maior medo é de que sua mãe o odeie ou ele vire uma decepção para ela. Cresceu assim. Pelo menos ele tinha Jungkook e os meninos ao seu lado.

Era engraçado, durante sete anos foi somente Jimin e ele. De repente, os outros cinco entraram como um furacão em suas vidas. Jeon é filho da sua antiga empregada, o que o fez crescer lá em sua casa, ao seu lado. Ele o amava, mas Jeon nunca ia saber disso.

- Park Jimin. – ouve sua mãe o chamando. – Me dê um de seus chicletes. – ela estende a mão para Jimin.

- Dona Sulli, ele tem 67 calorias, eu já vi. A senhora não vai querer. – nem se deu o trabalho de virar seu rosto para ela.

- Não me chame de senhora! E se tem tantas calorias assim, por que está mascando? – ela o olhou com desaprovação, o que fez seu coração doer.

- Porque eu estou com fome, oras. Não como faz quinze horas, como a senhora pediu. – ela sorri, surpresa.

- Você sabe que só estou fazendo isso pelo seu bem. A nossa aparência é o mais importante nessa carreira.

- Na sua carreira. – enfatizou.

- Um dia ela será sua, meu filho.

Nem se deu o trabalho de refutar, sabia que não valia a pena. Se era aquilo que ela queria, então tudo bem. Mas não negaria, esse nunca foi seu sonho. Era o sonho dela. Jimin sente o helicóptero pousar no chão e solta seu cinto, querendo sair logo dali de dentro.

Quando pisou no chão do seu terraço, pôde sentir o vento dançar com seus cabelos tingidos de preto. Cada mês sua mãe pintava seu cabelo de uma cor diferente. Ela dizia que ele deveria chamar mais a atenção das pessoas assim. Mês passado, seu cabelo estava loiro.

Foi andando rápido até o elevador e, sem esperar ninguém, desce até o seu apartamento. Ele era todo branco e passava a sensação de paz, coisa que não havia nessa família. Largando sua mochila no sofá, tira seu tablet lá de dentro e liga para Jeon. Ele não o atendeu, então, ao invés de ligar uma segunda vez, Jimin foi dormir. Se havia uma coisa que ele gostava de fazer nesse mundo, era dormir.

Horas depois, ele acordou com uma dor de cabeça desgraçada e um enjoo pior ainda. Sabia que era pela fome, então apenas saiu andando até a cozinha para fazer uma salada com frango desfiado. Era a sua preferida.

Lavou as alfaces enquanto o frango estava sendo cozido. Lavou também um prato, colocando as alfaces primeiro; depois, desfiou o frango e colocou por cima. Logo, coloca uns pedaços de tomatinho para substituir o biscoito salgado que vai em cima e um pouco de limão para substituir o molho.

Foi aprendendo ao longo do anos como substituir algumas comidas calóricas por comidas mais saudáveis. Se bem que a sua definição de saudável não era lá grande coisa. Ele senta na mesa para comer e sente seu celular vibrando no bolso da calça.

Ele olha para a tela desbloqueada e vê o nome de Jungkook ali. Logo, responde.

"Oi, modelinho
Que tá fazendo?"

"Oi, Jeon
Estou bem e você?
Obrigada por perguntar!
Estou jantando"

"Desculpaaa
Estou bem também
Fico feliz que esteja se alimentando
Já estou com saudades."

Seu coração apertou de felicidade, e ele sorri. Provavelmente com o dente sujo de alface, mas sorri. Era engraçado como Jeon colocava ponto final quando queria falar "sério".

"Também estou com saudades
Voltarei logo"

Jimin desliga o celular e termina a janta. Ele ouve a porta abrindo então vai correndo para o seu quarto pois não queria falar com a sua progenitora, mas acaba dando de cara com ela no caminho.

- Está me evitando.

- Não estou. – tenta desviar do caminho.

- Park Jimin, eu te conheço, o que houve, meu filho? – sem olhá-la, sente suas mãos fazendo carinho em seus cabelos pretos.

- Eu...

Antes que eu pudesse terminar, o motorista chega com as sacolas do mercado. Haviam apenas frutas, legumes, água e chiclete zero açúcar. Jimin o ajuda a guardar as coisas enquanto sua mãe fica sentada com a bunda magra dela no sofá.

Ele vai para o seu quarto e, finalmente, pode tomar banho em paz. Entrando na banheira quentinha ele tira um cochilo de dez minutos. Poderia ser mais se Namjoon não tivesse ligado.

"Alô?"

"Jimin, Taehyung fugiu de novo."

Isso foi o suficiente para o fazer levantar da banheira e se secar rapidamente. Ele coloca o celular na pia e liga o viva voz para ouvi-lo. Enquanto o mais velho falava, Jimin põe uma roupa confortável e saí do banheiro correndo.

"Namjoon, me diga o que aconteceu."

Era normal de Taehyung fugir, mas isso não quer dizer que era bom. O mais alto tinha problemas com o seu pai homofóbico, esse que o batia quando via-o com outro homem. Então, Taehyung fugia.

"O senhor Kim viu ele e o Hoseok se beijando."

Puta merda. Foi tudo que eu conseguiu dizer.

Saiu correndo do quarto, pegando sua mochila na sala. Ele se resolveria com a sua mãe depois. Jimin liga para o piloto e pede para que fosse o buscar o mais rápido possível. Ele sobe até o terraço pelo elevador e espero o helicóptero chegar. Quando chegou, teve que por seus braços no rosto pois era muita poeira.

Subiu correndo as escadas do automóvel e informou o seu destino. Ele avisou Namjoon que estava indo, seriam algumas horas até lá então ele teria que segurar as pontas. Seria uma noite longa.

_

Quando chegou na Coreia, ele pegou seu carro e foi direto até a casa de Namjoon. Chegando lá, bateu na porta e quando entrou deu de cara com Yoongi, Jin, Namjoon, um Hoseok chorando e ele.

Seus olhos se encontraram e seu coração bateu mais forte, Jeon veio correndo até Jimin e o abraçou.

Ele sentiu todo o seu medo ir embora com o seu abraço, quando sentiu seu braços fortes em volta do pescoço. Suspirou com seu perfume e agradeceu mentalmente por tê-lo na sua vida. Saindo do abraço, foi correndo até Hoseok, esse que estava chorando muito enquanto Yoongi fazia carinho nas suas costas com uma cara de bunda. Jimin era o único naquela sala além dele a saber seus sentimentos pelo mais novo.

Eles eram assim, não havia um hetero naquela merda.

- Jay... – esse era seu modo de chamar Hoseok. – Ele vai ficar bem. – ele começou a negar com a cabeça.

- Não, não vai... – e chorava cada vez mais. – Eu vi o senhor Kim espancando-o e é tudo culpa minha.

- Não Jayzinho, não é. A culpa é inteiramente do preconceito do senhor Kim.

- Ele bateu, chutou e cuspiu em Taehyung. Antes de sair correndo, ele disse que me amava na frente de seu pai e foi embora. Eu tentei ir atrás mas era tarde demais.

- Você desconfia de onde ele pode estar? Alguma pista? – Namjoon perguntou e Hoseok negou com a cabeça, então bufei. – Ok... vamos todos dormir aqui e amanhã de manhã, assim que clarear, vamos procurar por Taehyung.

Namjoon sempre teve esse espirito de líder, de pai. E eles todos obedecem.

- Amanhã pode ser tarde demais. – Yoongi se manifestou pela primeira vez desde que Park chegou.

- Nós vamos achá-lo, não se preocupem. – Jin, o irmão mais velho de Taehyung se manifestou. Ele fugiu de casa quando tinha dezoito anos e, alguns anos depois, se casou com Namjoon. Era a história de amor mais linda que Jimin conhecia.

Foram todos dormir, já estava tarde então não ia demorar muito para amanhecer. Colocaram vários colchões na sala. Yoongi dormiu no sofá, Hoseok no colchão de solteiro. O Kim dormiram juntos e Jimin e Jungkook também. Não era a primeira vez que isso acontecia. E pode-se dizer que as suas melhores noites são ao lado dele.

Jungkook enlaçou seus braços na cintura alheia e deixou o nariz no seu pescoço, sendo a conchinha de fora. Jimin sorri genuinamente e o dá boa noite. Ele gosta de Jeon desde os sete anos de idade, mas ele nunca desconfiou. Park sabe que Jungkook gosta de homens também mas morre de medo de estragar a amizade se declarando para ele.

Algumas horas depois, acordou com a sua barriga roncando. Tirou os braços de Jungkook de volta de si com cuidado e foi até a cozinha pegar uma maça verde. Comendo em silêncio, no escuro e encarando a parede. De repente, a luz se acende e ele vê um Jeon na porta coçando os olhos.

- Que susto, assombração! – fala brincando e ele mostra seus dentes de coelho.

- O que estava afazendo sozinho aqui no escuro? – Jimin levanta sua maçã verde para ele que apenas o encara. – Essa é sua primeira refeição em quantas horas, Jimin? – ele rola os olhos.

- Já falei, Jungkook, você não precisa se preocupar. Estou fazendo uma dieta balanceada e...

- Quantos quilos, Jimin? – ele o encara triste. – Quantos quilos você perdeu desde o mês passado?

O mais velho suspira. Sabia que ele iria ficar chateado.

- Sete e meio. Mas olha, não se preocupa, eu tô bem! – dá uns pulinhos para Jeon ver que ele estava inteiro. – Viu?

Jungkook chega perto, muito perto. Por um segundo Jimin achou que iriam se beijar, mas ele apenas pegou a maçã da sua mão e colocou no lixo.

- Ei!

- Vou fazer um sanduiche reforçado para você, e cê vai comer tudo.

Ele engole seco quando ouve. Apesar de Jeon ser mais novo, quando ele falava com essa voz, Jimin se arrepiava e apenas obedecia. Observou ele fazendo seu sanduiche. Primeiro o pão, depois a maionese... espera!

- Ei! Maionese não... – ele apenas o encara e Jimin se cala.

Viu ele colocar frango, tomate, alface e queijo. Seu estomago revirou de fome quando eu viu tudo aquilo. "Toma", ouve-o dizer. Park pega o sanduiche e dá uma bocada generosa, estava realmente com muita fome.

- Você sabia que maçã dá mais fome ainda? Não é bom para a sua "dieta balanceada". – ele diz, encarando com os braços cruzados.

Jimin apenas continua comendo, devagar, pedaço por pedaço. Não demorou muito para a culpa o consumisse. Começando a tremer, ele corre ao banheiro dizendo que estava com dor de barriga. Ele se senta na tampa do vaso e começa a procurar no google quantas calorias um sanduiche de frango tinha.

283 calorias.

Ele queria morrer assim que leu aquilo. Um simples sanduiche. Tão gostoso e feito com amor, o deu quase trezentas calorias. Ele não podia acreditar. Começou a tremer mais ainda e a chorar feito um bebê. A culpa lhe consumiu por inteiro mais uma vez. Ele começa a contar seus dedos, para ver se aquilo o acalmava.

Essa foi a primeira vez que aquilo aconteceu. A primeira vez que colocou o dedo na boca, vomitando todo o sanduiche. Depois de perceber o que fez, chorou mais ainda. Prometeu a si mesmo que aquilo era apenas o nervosismo de não saber onde seu melhor amigo estava, mas a verdade é que ele havia gostado.

Gostado da sensação de vomitar toda a culpa dentro de si.

Saiu do banheiro tentando esquecer o que havia acabado de acontecer e se deita ao lado de Jungkook. Ele já havia caído no sono então tentou ser cuidadoso ao se deitar. Sua mente não parou um segundo e ele não conseguiu dormir nada naquela noite.

De manhã, assim que o sol raiou, Namjoon acordou todo mundo. Ele se desvencilha do abraço de Jungkook e vai pegar seu celular. Assim que o obteve em mãos, viu mensagens da sua mãe.

"PARK JIMIN

MEU JATINHO

ONDE ELE ESTÁ"

É com isso que você está preocupada, mãe? Responde rapidamente e coloca o celular no bolso. Enquanto todos tomavam café ele vai correndo tomar um banho. Após estar todo cheiroso Jimin sai do banheiro de hospedes e dá de cara com Yoongi.

- E aí, cara. – ele disse.

- Bom dia, você está bem? – pergunta.

- Por que eu não estaria? – se encaram e ele entende que Park estava falando de Hoseok. – Ah... estou indo. Não tem muito o que fazer quando a pessoa que você gosta, gosta de outra.

Aquilo doeu no seu coração. Doeu por Yoongi e doeu pensar que Jungkook poderia gostar de outra pessoa. Foram interrompidos pelos gritos de Jin, correndo até a sala.

- Você não vai tomar café, Jimin? – droga, pensou. Jungkook o encara com os braços cruzados.

- Eu vou tomar no caminho! – sorri amarelo e coloca sua mochila nas costas.

Todos saíram a procura de Taehyung. Como eles todos dirigem, menos Jungkook, foram em carros separados para serem mais rápidos. Jimin foi com Jeon, os Kim foram juntos e Yoongi foi com o Hoseok de moto. Passou-se horas e horas e nada do Kim mais novo. Eles estavam começando a ficar cada vez mais preocupados.

Amanhã ele teria que voltar a Tóquio, mas se sentiria muito mal em voltar sem saber onde Taehyung está. Quando ele já estava perdendo as esperanças, se lembrou. Seu esconderijo secreto de quando eram crianças. Começou a correr com o carro e Jungkook se assustou.

- Onde está indo? – ele falou alto pelo barulho dos pneus.

- Para o nosso lugar.

Continuou dirigindo até o seu esconderijo. Ficava em um terreno atrás da antiga casa de Jimin. Ele estaciona seu carro em frente ao terreno e sobe na casa da arvore que tinha lá. Quando o viu, seu coração apertou. Ele estava encolhido no chão puro, dormindo. Seu corpo roxo tremia e sangrava. Ele chorava mesmo desacordado.

Park chega mais perto e começa a chorar quando vê os hematomas em seus braços e pernas. Suas roupas estavam rasgadas. Encostou nele, esse que se assustou e se encolheu achando que era o pai.

- Calma Tae, sou eu. – sorriu para ele em meio as lágrimas. – Eu vim te buscar.

_

Jungkook o ajudou a descer Tae da casa da arvore enquanto os outros os esperavam na casa de Namjoon. Passaram na farmácia para comprar um kit de primeiros socorros e o levaram para casa. Quando chegaram lá, todos abraçaram Taehyung com cuidado para não machuca-lo mais ainda.

Hoseok mais chorava do que ajudava a dar banho no mais novo, então Jimin e Namjoon o colocaram na banheira e os outros preparam roupas quentinhas para ele. Quando saiu do banho, o Kim mais novo foi cuidado, colocaram remédios e curativos em seu corpo todo. Ele tomou medicamentos para dor e foi dormir enquanto faziam uma sopa para ele.

Enquanto Jin fazia a sopa, estavam reconfortando Hoseok que não parava de chorar por nem um segundo. Yoongi fazia carinho em seus cabelos mesmo estando mais machucado que o próprio Jung.

- Gente, - chama Jin – a sopa está pronta. Alguém pode acordá-lo?

Park apenas acena que sim e vai até o quarto de hospedes acordar seu pequeno grande homem. Sobe as escadas com cuidado e quando entrou no quarto, ele não estava dormindo e sim chorando. O mais velho chegou mais perto e o abraçou com todo o carinho que havia no seu pequeno corpo.

- Tá tudo bem Tae, você está seguro agora. Estamos todos cuidando de você. A sopa está pronta e Jungkook vai dormir com você hoje, não sei se Hoseok está bem pra isso.

- Ele se culpa, não é? – Park apenas o encara em silencio. – Foi horrível, Ji. Ele tinha sangue nos olhos, parecia que eu ia morrer. Eu sentia que minha hora havia chegado. E minha mãe não fez nada, eu sei que ela também tem medo dele e jamais me julgaria por gostar de homens, mas por que ela continua com ele? Meu pai já quase destruiu a vida de Seokjin aquela noite...

- Eu não sei muito o que dizer, Tae. Mas sei de uma coisa: vai ficar tudo bem. Nós estamos aqui do seu lado, te amamos infinitamente e vamos te proteger.

- Você não vai ficar aqui comigo, Ji? – suspira.

- Me desculpa amor, eu preciso voltar para Tóquio amanhã. – viu que ele ficou chateado então apenas deu um beijo em sua testa. – Vou te ligar todos os dias até eu voltar, okay? – ele deu a Jimin aquele sorriso quadrado que ele amava tanto e seu coração se sentiu aliviado.

- Como você está com Jungkook?

- O que quer dizer? – o olha de canto.

- Você sabe, Ji. Você ainda gosta dele?

- Gosta de quem? – o coração de Park parou quando ouviu aquela voz. Apontou para Taehyung.

- Ele gosta do Hoseok! – falou desesperado. Taehyung o olhou com os olhos arregalados e Jungkook sorriu.

- Não se preocupa Hyung, não vou contar pra ele.

- Mas eu não – o interrompe.

- O que veio fazer aqui Jungkook? – ele o olha.

- Vim chamar vocês em nome do Jin, ele disse que vocês estavam demorando demais.

Os dois levantaram da cama e seguiram Jungkook. Todos estavam sentados na mesa da cozinha comendo sopa, essa que estava com uma cara muito boa pois Jin cozinhava muito bem.

- Irmão, senta aqui. – Jin bateu em uma cadeira ao lado da sua. – Como Você está? Descansou?

- Sim, Hermano! – todos riram. O humor de Tae continua o mesmo.

- Então coma sua sopa, tenho algo a dizer. – todos encararam Seokjin. – Amanhã irei lá na sua casa pegar suas coisas.

- Eu vou... me mudar? – ele estava confuso.

- Si, Hermano. Você vai morar comigo e com Namjoon. Nós já conversamos sobre e é o melhor pra você. – Taehyung olha para Namjoon para ter certeza que seu irmão mais velho estava falando a verdade.

- Vocês tem certeza? Tipo, eu não quero atrapalhar e...

- Você não atrapalha. – Nam tomou a frente e falou. – Fico feliz que você fique aqui, são e salvo.

_

Já estava dentro do jatinho quando sua mãe o ligou e disse que não precisava mais dele em Tóquio. Jimin aproveita e vai pra casa tomar um banho e retocar o cabelo.

Já marcou uma tatuagem pra si, a primeira que faria. Confessava que estava com medo então acabou ligando para Jungkook ir junto. Já que era de dia, os meninos ficariam com Taehyung enquanto eles iriam ao estúdio.

Ligou para Jeon e de primeira o mais novo lhe atendeu. Jimin o buscou na casa dos Kim e foram direto ao estúdio. Não comentou qual tatuagem faria, nem onde. Queria surpreendê-lo.

Chegando lá, bateram na porta e foram atendidos por uma velha amiga do mais velho, Jennie. Ela colocava piercings e seu namorado, Kai, era tatuador.

- E aí, cara! - a ruiva disse e lhe abraçou. - Seu namorado? - Park engole seco quando a viu apontando para Jeon.

- Só amigos. - a corrigiu e foi entrando.

- Sei...

Ele senta e começa a conversar com Kai sobre a tatuagem. Eram todas as fases da lua nas costelas. Ele o pediu que tirasse a camisa e deitasse na maca.

Quando ele tira o pano de seu corpo, pôde perceber Jeon encarando seu peitoral. Ele parecia nervoso e mordia o lábio inferior. Apenas ignorou aquela atitude um tanto quanto estranha e se deita na maca.

Foi um grande erro.

Nesse dia Jimin percebeu o quanto a dor o excitava. Não reclamou por um segundo, mas se segurou para não gemer ali mesmo. Jungkook lhe encarava esperando que falasse algo mas, se ele abrisse a boca, Jeon iria ouvir outra coisa.

Quando a tatuagem acabou, deu um suspiro aliviado e cometeu mais um erro naquele dia: se olhou no espelho, sem camisa. Ele odiou aquela vista. Fazia tempos que não se encarava assim. Colocando a camisa rápido ele paga Kai. Dali até a casa dos Kim, Jimin foi calado, imaginando sua imagem no espelho daquele estúdio. Ele queria morrer. Poderia bater aquele carro ali mesmo se Jungkook não estivesse junto. Park jamais faria mal a ele, mas a si mesmo? Sem pensar duas vezes.

Parou o carro na frente da casa branca e foi entrando, já era de casa mesmo. Passava mais tempo ali do que na própria residência. Sentou-se no sofá ao lado de Taehyung que estava jogando GTA V com os meninos. Ele se divertia muito, o que lhe aliviou um pouco. Ele só foi perceber que estava apertando sua cintura com os dedos minutos depois de chegar. Ele sempre media a barriga com as mãos e apertava até ficar roxo.

Jeon percebeu pois ele segurou a mão de Jimin e enlaçou as duas, depois de deixar um beijo nela. Ele deitou sua cabeça no ombro de Jungkook e adormeceu.

_

Quando acordou, ainda estava escorado em Jeon, esse que assistia O Homem de Ferro na tv. Estavam somente os dois na sala e estava começando a escurecer.

- Você babou. – Jungkook disse sorrindo para zoar. Ele apenas retribui com um soco no seu braço.

- Você nem pra me acordar, né?

- Você fica bonito dormindo, hyung.

Okay, aquilo lhe pegou. O encarou sem jeito e viu seus olhinhos de jabuticaba brilharem enquanto encaravam os seus. Jungkook sorriu para Jimin e o puxou para um abraço. Sem perceber, Park começou a chorar. Quando ele havia se tornado  tão sensível assim?

Ele estava chorando por tudo. Por Taehyung, pelo seu corpo que tanto odiava e pelo amor não correspondido por Jungkook. Ele chorava feito um bebê. Se encolheu no colo do mais novo sentindo suas mãos fazendo carinho nos seus cabelos.

- Por que está chorando, hyung? – Jungkook perguntou com aquela voz mansa que só ele sabia fazer.

- Eu te amo, Jun... – ele olhou preocupado.

- Eu também te amo, hyung.

Ele continuou com os carinhos em seus cabelos pretos, mas adicionou alguns beijinhos nas bochechas. Era verdade, ele amava Jungkook. E jamais negaria isso. Amar Jeon era assim; ele secava suas lágrimas, beijava seus machucados e espantava seus medos. Jimin se sentia seguro ao lado dele.

Jungkook deitou para trás no sofá e o mais velho ficou chorando enquanto deitava em cima de si. Ele desligou a tv e continuou fazendo carinho nele até dormirem juntos. Na manhã seguinte, acordaram com os meninos entrando na sala. Eles nem falaram nada ao ver a cena dos dois dormindo abraçados, já estavam acostumados. Faziam isso desde pequenos.

- Bom dia, bonde. – Yoongi disse.

- Bom dia pra quem? – retrucou Jimin.

- Sempre um doce de manhã, não é Jungkook? – Taehyung perguntou e Jeon apenas riu ao ver o mais velho entre os três dá-lo a língua.

- Vai se foder, Taehyung.

_

Jimin estava andando pela cidade, parando para tirar algumas fotos quando seu celular tocou. Era sua mãe dizendo que tinha uma proposta. Ela disse que havia mostrado algumas fotos suas para uma grande estilista e agora a loira estava encantada, queria lhe ter em seus desfiles.

Ele ficou feliz, obvio. Mas estava nervoso, não poderia decepcioná-la. Estar em uma das maiores passarelas do mundo significava, mais uma vez, ser perfeito. Era como um sonho sendo realizado, mas as vezes parecia um pesadelo.

Pegou seu carro e foi para casa fazer a mala, iria pegar um avião até Nova York. Desde pequeno ele fazia aulas de inglês e se garantia na língua. Pelo menos isso lhe deixava mais confiante.

Chegando em casa, arrumou suas malas e seu motorista particular o levou até o aeroporto. Não poderia deixar o carro lá e o jatinho já estava sendo usado pela sua mãe. Precisaria ir de avião mesmo.

Mandou mensagem para os meninos avisando que iria viajar para Nova York por conta de uma proposta que recebeu e, quando voltasse, contava tudo.

Já em NY sua mãe o buscou e foram direto para onde a estilista estava. Era um prédio de dez andares, muito chique. Sua progenitora disse que iria lhe esperar lá embaixo pois ele precisava falar sozinho com a mulher. Pegou o elevador e clicou no último andar. Chegando lá, uma moça o guiou até a sala da loira. Batendo três vezes na porta até ouvir um "entre", ele engoliu seco mas fez o que ela pediu.

- Olá! Jimin, né? – a senhora disse.

- Sim, é um prazer conhece-la.

- O prazer é todo meu, rapaz. Sente-se por favor. – obedeceu e sorriu para a loira. – Seu sorriso é lindo, seu rosto é igual ao de sua mãe. Você tem muita sorte de ser filho dela, não acha?

Não.

- Sim, claro. Tudo que tenho hoje é graças à minha mãe.

- Você se parece com um anjo. A mandíbula marcada, seu sorriso límpido, seu nariz empinado. Mas, tem uma coisa me incomodando... – arregalou seus olhos, desnorteado.

- O que seria?

- Sabe, Jimin... o principal requisito para ser modelo é ser magro e alto. E digamos que você não seja nenhum dos dois.

Aquilo foi como um soco no estômago. Ela não teve remorso nenhum em dizer aquilo.

- Essas são coisas que ainda podemos mudar antes do seu primeiro desfile. Quer dizer, o peso, é claro. A sua altura a gente resolve com um salto. – ela o encara. – Mas bem, preciso ser sincera. Com esse peso, nem eu nem ninguém irá te contratar. – seus olhos já estavam cheios de lágrimas. – Ah, não chore rapaz. Estou sendo muito querida com você. Vou te dar uma chance de emagrecer. Se até o mês que vem você estiver com pelo menos dez quilos a menos, a abertura do desfile é sua.

Sua primeira lágrima caiu. Jimin ainda tinha uma esperança, uma alternativa. E iria fazer de tudo para conseguir abrir aquele desfile.

- Rapaz, o que me diz? – a loira sorri amarelo para ele.

- Fechado.

_

Desceu até onde sua mãe estava, passando direto por ela. Entrou no carro e solta um suspiro.

- Isso é jeito de tratar a sua mãe, Park Jimin? – o mais novo continua olhando para a frente.

- Você fez de propósito. Você me fez vir até aqui para ouvir aquela crueldades, assim eu emagreço mais rápido e não estrago sua imagem, não é?

Antes que ele pudesse receber uma resposta, sentiu um tapa bem forte no meu rosto.

- Você me respeite, rapaz! Eu ainda sou sua mãe! – ela suspirou. – Tudo que eu estou fazendo é pelo seu bem, pelo seu sucesso. Você acha que eu gosto de lhe ver com esse peso? O mundo reprova seu corpo, Jimin. Você tem que lutar pelos seu sonhos. Desfilar para essa marca vai ser uma oportunidade e tanto para você, meu filho.

Foi a primeira vez que ele ouviu alguém falar do seu corpo além das suas próprias vozes da cabeça. Na cabeça dele, por um lado, ela não estava errada. O mundo atual reprovava seu corpo e, se ele quisesse abrir aquele desfile, precisaria se esforçar e abrir mão de algumas coisas.

Inclusive a comida.

Checando seu celular ele percebe que haviam dezenas de mensagens dos meninos, principalmente de Jungkook. Ele pensou que não podia deixar eles atrapalharem, tinha cerca de vinte dias para surpreender a estilista e era isso que eu estava disposto a fazer.


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