Touch It
Noah tinha ido para sua casa e eu tinha ficado em um quarto na empresa.
Troco algumas mensagens com ele até conseguir cair no sono. Quando acordo na manhã seguinte mando mensagem de bom dia para Noah, mas não recebo uma resposta.
Josh: Amor, vamos dar uma volta hoje?
Vou à uma loja de waffles próxima da empresa e tomo café da manhã.
Any: E o que aconteceu aí com o Simon?
Josh: Bom, está tudo bem, ele só queria dizer que acredita na gente e que a pesquisa deles não deu em nada, não acharam nada...
Any: Bom, isso é ótimo, tudo não passou de um mal entendido, né?
Josh: Sim...
Pago pelo café e vou andando devagar para a empresa. Entro no elevador e aperto o número do andar que eu queria. Enquanto a porta fecha, vejo Noah correndo em minha direção, então paro a porta e ele entra.
Ele sorri para mim quando entra, mas não sorrio de volta porque estava confuso com a grande mancha roxa na lateral do seu olho direito.
- Bom dia - Ele fala sorrindo meio forçado.
- O que é isso? - o elevador fecha e começa a subir.
- O que?
- Essa mancha roxa no seu rosto, aconteceu algo? - pergunto sério.
- Ah, não, está tudo bem, eu só bati - ele sorri.
- Bateu aonde? - a porta do elevador abre.
- Esquece isso, vamos? - ele sai do elevador e eu o sigo completamente preocupado com aquela mancha.
Sentamos um do lado do outro em uma mesa grande.
- É sério? Me explica isso direito - falo olhando diretamente em seus olhos.
- Beauchamp, não foi nada, não precisa se preocupar, tá de boa - ele sorri.
- Para de sorrir Noah, como assim você bateu o olho? Está muito feio, até um pouco inchado - a irritação era evidente em minha voz.
Noah abre a boca para responder, mas Simon entra na sala e se senta de frente para nós.
- Bom dia, garotos, como estão? - ele sorri para nós, mas demora um pouco observando o rosto de Noah.
- Estamos bem - Noah sorri, mas eu continuo sério.
- Que ótimo - ele mexe em seus papéis - Então, temos que terminar a conversa que tivemos ontem.
- Certo - respondo.
- Ok. Vocês estão cientes de que quanto mais o grupo e vocês se popularizam, mas difícil vai ficar para esconder o que vocês têm.
- É.. - Noah dá de ombros.
- Então, eu escrevi algumas precauções que vocês devem tomar, a menos que vocês queiram acabar com isso...
- A gente... - respiro fundo - a gente não quer.
- Então - ele entrega uma folha para mim e outra para Noah, tinha muita coisa escrita nela - Eu acho melhor vocês não viajarem muito um para a casa do outro, pode levantar suspeitas, já que os outros membros não costumam fazer isso. Vocês podem sair juntos, mas não com tanta frequência e tentem procurar lugares mais calmos... Afeto em público, bom, vocês não querem testar a sorte, né?
- Tudo bem - respondo.
- Existem mais instruções nos papéis, mas também tem instruções gerais para o grupo inteiro, então leiam porque é importante.
- Tá bom - Noah sorri fraco.
- O que é isso em seu rosto, Noah? - Simon pergunta o encarando.
- Eu só bati.
- Não me parece só uma batida acidental - Simon diz enquanto se levanta.
Olho sério para o Noah e ele olha só de relance para mim e dá de ombros.
- Tá tudo bem - Noah afirma.
- Ok então, eu vou saindo agora - Simon começa a sair, mas Noah se levanta e caminha rapidamente até ele.
- Simon, posso falar com você? - Noah coloca a mão em seu ombro.
- Claro, pode falar.
- Em particular - Noah fala e depois os dois olham para mim.
- Estou saindo - me levanto e saio da sala.
Caminho até a janela do andar e fico observando a cidade dali, não parava de pensar no rosto de Noah e me perguntar porque ele estava escondendo as coisas de mim. Também não podia deixar de me preocupar com como as coisas seriam controladas daqui para frente, o quão difícil guardar segredo de tantas pessoas.
Depois de alguns minutos, sinto a mão de Noah agarrando meu ombro e me viro para ele.
- Vamos? - ele sorri.
Sorrio fraco e a gente sai da empresa. No carro, eu não falo muita coisa, estava meio bravo por Noah não me contar a verdade sobre seu rosto.
Descemos do carro e nos sentamos no mesmo lugar onde tínhamos sentado no dia em que Noah perdeu seu avô.
- Queria que o vovô estivesse vivo - Noah sorri fraco para mim e eu retribuo - Ele, pelo menos, é compreensível.
- O que quer dizer com isso? - pergunto confuso.
- Meu pai fez isso - ele aponta para a mancha em seu rosto.
- O que? Por que? - eu estava irritado, porém não muito surpreso.
- Bom, obviamente a notícia e a foto chegaram até ele, então eu cheguei em casa e ele tinha bebido, então você já sabe - Noah fala baixo e era possível ver o quão desapontado ele estava.
- Noah, isso é ridículo, ele não pode fazer isso, é cruel demais, você devia revidar - falo olhando em seus olhos.
- E como eu vou fazer isso, Josh? Só vai piorar as coisas.
Respiro fundo e o encaro.
- Está bem - falo, mas eu sabia que não estava tudo bem e que ele devia estar destruído por dentro e aquilo me destruía também e me irritava.
Ficamos mais um tempo alí conversando e depois vamos a um McDonald's almoçar.
Depois disso, vamos ao cinema e vemos algum filme que estava em cartaz, o filme era meio irrelevante já que a gente passava a maior parte do tempo se beijando.
- Vamos a praia? - Noah me pergunta quando entramos no carro depois do filme.
- Vamos - eu sorrio.
- Vou ter que passar em casa para pegar um short
- Mas e o seu pai? - pergunto preocupado.
- Está trabalhando
Noah nos leva até sua casa.
- Eu já volto - ele diz abrindo a porta do carro.
– Ok, pega um short pra mim – falo e ele pisca pra mim e sai do carro.
Quando Noah entra na casa, um carro estaciona de frente para o carro de Noah, era o pai dele. Saio do carro sentindo a irritação me tomar. O pai dele me encara por algum tempo e começa a caminhar para dentro da sua casa.
– Como você tem coragem de bater nele? Seu próprio filho – falo alto e então ele se vira para mim.
– Do que está falando, rapaz? – ele fala sério.
– Você sabe muito bem – meus punhos estavam cerrados.
– Olha garoto, enquanto estiver debaixo do meu teto, eu faço o que eu quiser e um viadinho como você não vai me dizer como educar meu filho – seu tom mais parecia um rosnado.
– Não vejo problema em ser viado, mas em viver com ódio como o senhor vive, eu vejo – respiro fundo – E saiba que eu vou à polícia.
– Pode ir, mas meu filho não vai ser um gayzinho qualquer e se for preciso dou uma surra nele.
Penso no rosto manchado de Noah e não aguento, avanço para cima dele e o empurro. Ele não revida.
– Bate em mim, covarde – começo a ir para cima de novo, mas Noah sai da casa.
– Josh, para com isso – ele entra no meio da gente.
– Você não pode deixar ele impune, eu não vou deixar – falo alto.
– Josh – Noah me segurava – você não pode fazer isso, não é da sua conta, é melhor você ir embora – ele fala sério enquanto me encara.
– Tudo bem, então, quando parar de ser idiota, me liga – me viro e começo a caminhar.
– Josh, calma eu te levo – Noah começa a me seguir.
– Deixa esse viado – escuto seu pai falar.
Viro a esquina e continuo a andar. Paro em um local e peço um Uber.
No meu quarto na empresa, fico remoendo o que tinha acontecido e a raiva não desaparece, coloco alguns episódios de uma série, mas não presto muita atenção. Sempre ligava a tela do celular para ver se Noah tinha mandado mensagem, mas não tinha nada e eu era orgulhoso demais para mandar.
Quando anoitece, tomo um banho, me arrumo e deixo uma mensagem para Noah finalmente.
Josh: Vamos conversar, estarei no restaurante italiano que fica perto da empresa.
Caminho até o restaurante, espero um pouco e faço meu pedido, término de comer e fico esperando Noah enquanto mexia no celular.
Como ele não aparece, pago a conta e saio do restaurante, era umas 21:15 e eu caminhava devagar pelas ruas.
Resolvo passar por um beco para cortar o caminho. Enquanto andava, escuto passos atrás de mim.
– Pare de andar e não se vire – alguém fala.
– Rafael é você? – pergunto reconhecendo a voz, mas não me viro.
– Desculpa Josh, mas creio que não exista outro jeito de separar vocês, então não tenho escolha – a voz dele estava trêmula.
Penso em me virar, mas escuto uma pequena explosão, sou atingido e caio.
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