5 - That is my family

   Fizemos uma vistoria rápida no local antes de pularmos a cerca o mais silenciosamente possível e corrermos para dentro do prédio. Checamos todas as portas do local, e estava tudo vazio, até o momento que ouvimos algumas vozes vindas do fim de um dos corredores. Puxei uma flecha da aljava e a preparei no arco.

   Entramos na sala lentamente, onde várias pessoas estavam presentes. Uma delas estava falando algo em um microfone, como se fosse mandar o sinal para algum rádio. Ela parou o que estava falando no instante em que nos viu, assim como as outras pessoas pararam o que estavam fazendo. Ficamos nós cinco enfileirados, olhando para todos eles. Mantinha o arco levantado, assim como Daryl com sua besta, Rick e Carl com os revólveres e Michonne com a espada.

   — Entraram pelos fundos. Espertos. — disse um dos homens que trabalhavam com alguns mapas. — Pelo estado de vocês, imagino que estejam na estrada há um bom tempo. — Ele se aproximou mais um pouco, me fazendo erguer mais o arco em sua direção. Ele levantou as mãos para o alto. — Hey, eu sei que estão nervosos, cansados e desconfiados, mas garanto a vocês, não somos uma ameaça. — Ele fez uma pequena pausa. — Sou Gareth.

   — Rick. — respondeu ele depois de alguns segundos, abaixando sua arma. Consequentemente, Michonne abaixou. E Carl, Daryl e finalmente eu. Coloquei a flecha de volta na aljava, mas mantive minha atenção em Gareth. — Esses são Carl, Michonne, Daryl e Reyna.

   — Estão aqui pelo santuário, imagino. — Gareth sorriu. Rick balançou afirmativamente a cabeça. — Alex levará vocês para descansar e comer alguma coisa. Mas antes, precisamos dar uma checada em suas armas. Podem colocá-las no chão? — Gareth apontou para cada uma das armas.

   Semicerrei os olhos na direção de Gareth e coloquei mais força no aperto da minha mão no arco. Rick hesitou, mas acabou colocando o revólver e a faca, que estava na bainha, no chão. Todos imitaram o ato, inclusive eu, revirando os olhos e bufando enquanto me abaixava para colocar o arco no chão, sem tirar os olhos do homem que parecia ser o líder.

   — Odiaria ver o outro cara. — disse Alex enquanto revistava Daryl.

   — Pode apostar que sim. — respondi olhando para ele.

   — E eles mereceram? — Gareth perguntou para Carl.

   — Sim. — O garoto respondeu sem hesitar. Rick e eu olhamos para ele, e depois nos olhamos, preocupados e surpresos.

   Esperei com o cenho franzido, até Alex parar em minha frente. Olhei diretamente em seus olhos, desafiando-o a fazer qualquer movimento que fosse. Ele sorriu sem graça e gaguejou antes de me perguntar:

   — Posso...? — Ele não terminou a frase, mas eu havia entendido muito bem o restante.

   Continuei com a mesma expressão dura e desafiadora para ele, quando levantei lentamente os braços, dando o mínimo de liberdade para que me revistasse. Ele assim o fez, cuidadosamente. Me controlei o máximo possível, tentando mais uma vez esquecer o meu passado, quando o toque era o grande problema na minha vida. Daryl me olhava com preocupação, ele sabia exatamente no que eu estava pensando e o quanto a memória me afetava.

   — Ok, já chega. — falei depois de poucos segundos, empurrando as mãos do homem para longe. Ele assim o fez com um sorriso gentil no rosto.

   Depois de Gareth revistar Michonne, Alex voltou até mim e se abaixou para pegar o meu arco — as flechas e a aljava continuavam em minhas costas — e quando voltou a se levantar me entregou, ainda com um sorriso gentil no rosto. O arco voltou a posição confortável em minha mão esquerda antes de passá-lo pelo meu tronco e repousá-lo ali junto com a aljava.

   — Por favor, me sigam. — pediu Alex gentilmente. O jeito desse homem estava me deixando desconfortável, como se não pudéssemos confiar.

   — Há quanto tempo estão aqui? — Daryl perguntou enquanto seguíamos Alex e Gareth.

   — Praticamente desde o começo. As pessoas vinham para cá, como se fosse instinto. — Alex respondeu sem se virar para nós. — Hey, Mary, mais cinco pratos de comida, por favor. — Ele gritou para uma mulher de meia idade, que estava em frente a uma churrasqueira.

   — Entraram pelos fundos? — Ela perguntou com o mesmo sorriso gentil de Alex. — Muito espertos. — Mary repetiu a fala de Gareth minutos antes.

   — Por que aceitam pessoas tão facilmente? — Michonne perguntou, olhando quase incrédula para todas as pessoas se divertindo e comendo como se nenhum apocalipse estivesse acontecendo.

   — Uma pessoa sozinha é fraca. — Gareth respondeu. — Pessoas juntas são fortes. — Ele olhou para mim por alguns instantes enquanto falava.

   — Fraca... — comentei em um grunhido baixo, mais para mim do que para o resto. Houve momentos tanto no velho quanto no novo mundo que eu estava mais segura sozinha do que acompanhada, dependendo de quem fosse.

   Mary estendeu o prato de comida para nós. Carl pegou, depois Michonne, mas quando ela estendeu para Rick, percebi que ele mantinha suas orbes azuis em pontos aleatórios, desconfiado de algo. Rick olhou para o bolso de Alex antes de jogar a comida e o prato longe e puxar algo de lá de dentro, para em seguida puxar Alex e apontar o revólver para a sua têmpora. Daryl apontou a besta para qualquer um que se aproximasse. Michonne e Carl largaram os pratos e puxaram a espada e a pistola. Puxei rapidamente meu arco junto com uma das flechas e apontei para Gareth.

   — Onde achou o relógio? — perguntou ele erguendo um relógio de bolso. As pessoas, que antes comiam calmamente, se levantaram, apreensivas. Olhei de relance para o telhado e vi um homem segurando um rifle.

   — Abaixe a arma, Rick. — Gareth pediu enquanto se aproximava. Dei um singelo passo para frente, ainda apontando a flecha para ele, que sorriu sarcástico na minha direção.

   — Estou vendo o homem no telhado com o rifle. — Rick virou Alex em direção ao homem. — Ele é bom de mira? — perguntou como uma provocação. — Onde achou o relógio?

   — Está tudo bem. Abaixe a arma. — Alex disse para o homem no telhado. — Abaixe, agora! — Ele assim o fez. — Rick, não vai querer fazer alguma coisa estúpida. Somos muitos. — dizia ele em voz baixa para Rick.

   — Onde achou a porra do relógio? — Rick gritou dessa vez, colocando mais pressão no revólver na têmpora de Alex.

   — Tirei de um morto. Não era muito provável que ele precisaria. — Alex respondeu com a voz trêmula.

   — Ah é? E a roupa de proteção com seu amigo ali? E o poncho? — Rick mantinha sua voz em um rosnado, enquanto eu continuava a apontar a flecha para Gareth. Havíamos formado uma roda, apontando as armas para todos ali.

   — Tiramos a roupa de proteção de um policial morto, e achei o poncho em um varal. — disse Gareth.

   — Gareth, podemos esperar... — Alex tentou falar.

   — Calado, Alex! — Gareth cortou a fala do homem, com a voz calma.

   — Você só fala com ele! — gritei para Gareth indicando Rick com a cabeça.

   — O que quer que eu fale? Vocês não confiam mais em nós. — Gareth estava mais calmo do que o esperado.

   — Gareth...

   — Calado! — Mais uma vez ele cortou a fala de Alex.

   — Gareth, por favor. — Alex tinha sua voz desesperada.

   — Está tudo bem. — Esse homem já estava me dando nos nervos com essa calma repentina. — O que você quer, Rick?

   — Onde está o nosso pessoal? — Franzi o cenho, um pouco confusa. Então aquelas coisas eram do grupo de Rick? Então eles estavam vivos? Então eu já poderia ir embora se conseguíssemos sair daquele lugar? Tantas perguntas...

   — Você não respondeu à minha pergunta.

   Em um movimento brusco, Rick virou Alex novamente e atirou em uma das pessoas. Outra atirou novamente, e mais outra. Isso denunciava que o tiroteio havia começado. Mirei em uma das pessoas e consegui acertá-la, mas lá se ia mais uma flecha. Rick puxou Carl e gritou para que ficássemos juntos.

   — Carl! — gritei puxando o braço do garoto para mais perto de mim.

   Os homens no telhado começaram a atirar, mas o mais estranho é que não acertavam nosso corpo, mas sim o chão, perto dos nossos pés. Corremos próximos uns dos outros, até o lugar onde entramos, porém, alguém fechou a grande porta do que parecia ser uma garagem, deixando-nos encurralados. Olhávamos para todos os lados procurando algum lugar para nos escondermos ou sairmos de lá de uma vez por todas.

   — Aqui! — Daryl gritou apontando para uma abertura com uma grade de ferro parcialmente destruída.

   Passamos facilmente por ela, e voltamos a correr. Daryl abriu outra porta que dava para o lado de fora, em um estacionamento. Meu irmão guiava todos nós, tentando achar mais uma porta, mais uma saída, mais uma esperança, e para nos atrapalhar, estavam novamente os homens nos telhados, ainda atirando em nossos pés. Continuamos correndo até passarmos por alguns contêineres, antes de avistarmos mais uma porta ao longe.

   — Socorro. Por favor, nos ajudem! — As vozes vinham dos contêineres, com batidas por toda sua extensão, em baques aflitos e desesperados. Paramos por um segundo, tentando analisar a situação. Mas os tiros continuavam.

   — Continuem. — Rick gritou. Passamos pela porta, e a sala com que nos deparamos embrulhou meu estômago.

   A salinha estava lotada de prateleiras cheias de velas, assim como o chão, com algumas flores secas em volta. Vários nomes estavam escritos no concreto ao nossos pés, assim como pequenas estátuas de alguns Santos. Olhamos incrédulos o pequeno lugar, que mais parecia a casa de um grande adorador doente. Nas paredes ainda lia-se: NUNCA NOVAMENTE. NUNCA CONFIAR. NÓS PRIMEIRO, SEMPRE.

— Que porra de lugar é esse? — perguntei para ninguém em especial.

   — Não acho que nos queiram mortos. — Michonne comentou, tão confusa quanto cada um naquela sala.

   — Não, estão atirando nos nossos pés. — Rick respondeu sem tirar os olhos dos escritos nas paredes. — Ali. — Ele apontou com a cabeça para uma porta entreaberta.

   Corremos naquela direção, mas algum filho da puta fechou antes que chegássemos. Olhamos para todos os lados, procurando alguma saída. Avistei outra porta mais afastada e gritei para que fôssemos até ela. Estava aberta. Nós todos saímos rapidamente, para voltar para o lado de fora, mais precisamente do lugar onde pulamos a cerca e entramos. O único problema era que estávamos encurralados dessa vez. Vários homens apareceram do outro lado da cerca, apontando rifles, metralhadoras e fuzis para nós. Não tivemos outra escolha a não ser pararmos.

   — Larguem as armas. Agora. — Gareth gritou, já se aproximando de nós. Nos olhamos por alguns instantes, mas não abaixamos as armas. — Agora! — gritou novamente.

   Daryl largou a flecha e a besta sem paciência no chão. Tirou a faca da bainha e jogou novamente. Rick e Carl fizeram o mesmo com os revólveres e as facas, Michonne com a espada, mas eu continuei com o arco em mãos. Olhando desafiadoramente para Gareth.

   — Largue, ou eu atiro. — disse Gareth apontando um revólver para mim. Continuei parada. O homem sorriu sarcástico e moveu a pontaria para Daryl. — Duvido que não vai largar agora. — Sua voz era irônica, e o sorriso continuava em seu rosto.

   Larguei o arco no chão depois que me certifiquei que ele não estava blefando. Tirei a aljava das costas e a faca da bainha. Elas seguiram o mesmo rumo do arco no concreto aos meus pés. Gareth soltou uma risada fraca, olhando alternadas vezes de mim para Daryl.

   — Sabe, vocês formam um casal muito bonito. — Gareth brincou, abaixando o revólver.

   — Ele é meu irmão. — rosnei em sua direção, mas ele não tirou o sorriso do rosto.

   — Tanto faz, vou direto ao ponto. — Gareth fez um gesto com as mãos. — Líder do grupo, caminhe até o vagão a sua esquerda. Fique de frente para as escadas. — Ele apontou para um vagão de trem vermelho. Rick não se moveu. — Vá agora, ou o garoto morre e você continua aí com essa cara patética.

   Rick mantinha seu melhor olhar de raiva e ódio no rosto quando caminhou até o vagão e fez o que Gareth pediu. Não tirei meus olhos dele até o idiota falar novamente.

   — Agora o arqueiro. — Gareth falou olhando para Daryl, com a mesma porra de sorriso sarcástico. Daryl olhou profundamente nos olhos do idiota a nossa frente antes de andar na mesma direção de Rick. — A samurai, agora. — Michonne fez a mesma coisa. Logo estavam os três enfileirados em frente à porta do vagão.

   — Meu filho. — gritou Rick, com apenas um pouco da raiva que continha.

   — Vá, garoto. — disse Gareth, mas não abriu a boca para mandar eu ir até eles. Apenas ficou olhando para mim, por alguns segundos, que pareceram horas.

   — Minha irmã. — Daryl gritou. Meu coração se agitou singelamente ao perceber que ele tinha pelo menos um pingo de preocupação comigo. Gareth riu com o comentário.

— Ela não. — disse ele erguendo uma das sobrancelhas.

   — O que? — perguntei incrédula para ele.

   — Reyna, minha querida. — Ele se aproximou lentamente. — Acha que vou deixar você ir assim? — Seu sorriso aumentou. — Você é uma garota solitária, com um passado assombroso, acertei? — Gareth levantou uma das mãos e tocou na ponta da minha trança. Afastei a cabeça rapidamente, sem responder. — Aqui você seria parte da família. Sem pessoas mandando em você. Se quiser, pode ficar em um quarto afastado, e falar conosco apenas quando ficar com vontade. — Ele se abaixou para pegar o arco. — Pense que aqui, você não precisa se preocupar em fazer as pessoas gostarem de você. Aqui você não precisa se apegar a ninguém. — Gareth estendeu o arco até mim. — O que me diz, sweetheart?

   Olhei longos segundos para o arco. Aquele objeto era algo inseparável a mim. Cogitei aceitar a proposta de Gareth, apenas por conta do arco, mas o que Gareth não pensou, foi que a pessoa que me dera o arco, uma das pessoas mais importantes em minha vida, estava lá, junto com o resto da minha nova família. Dei um passo para trás, erguendo o olhar para Gareth, em seguida.

   — Não. — falei em um sussurro. — Aquela é a minha família. — Levantei um dos braços apontando para os quatro em frente ao vagão.

   O sorriso de Gareth sumiu, dando lugar a uma careta entediada e raivosa. Em um movimento rápido o bastante, ele puxou o revólver e apontou para a minha perna. O gatilho foi puxado, e a bala passou pela minha coxa de raspão, mas doeu o bastante para me fazer cair. Ouvi o grito de Rick, enquanto sentia mãos em meus braços, me erguendo do chão. Recobrei minha consciência em tempo suficiente para ver dois homens me arrastando para algum lugar longe dali. Tentei lutar para escapar, mas a dor em minha perna estava agonizante. Olhei para trás, vendo Rick, Daryl, Michonne e Carl serem segurados por mais homens, impedindo-os de chegar até mim.

   Um dos que estavam me segurando acertou um soco certeiro em minha maçã do rosto, deixando minha visão turva. Tentei recuperar os sentidos, mas outro soco me acertou. E outro. E outro. A última coisa que ouvi foi o grito de Daryl chamando meu nome. Depois disso, tive um encontro não tão legal com a escuridão.




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Autora: olaaaaa pessoal, gente eu demorei pra postar esse pq esse final de semana tive que viajar para fazer prova🥲🥲 mas tô postando, e jaja vou postar mais um só pra compensar o meu atraso hihi!

bom gente e agora?? deu ruim, o que vai rolar??? como eles vão sair dessa agr??

espero mto que estejam gostando, não esqueçam da estrelinha e de comentar bastanteeee pra eu saber o que estão achando♥️

Bjin procêis♥️

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