Capítulo 32
NORA
Suspirei, segurando a xícara de cappuccino que o garçom havia acabado de trazer.
- Descobri algo sobre Ariel... e o pai dela - comecei, meu tom baixo. Não queria que ninguém escutasse.
Os olhos de Talia se estreitaram, e ela se recostou na cadeira.
- O que foi agora?
- Ele sabia do caso dela com seu pai, T. Tentou mandá-la para a França, mas não conseguiu. E agora, ele também acha que Alexei mandou matá-la e está planejando uma vingança.
Talia soltou um suspiro pesado, passando as mãos pelo rosto.
- Eu ainda não consigo acreditar que meu pai teve um caso com Ariel - ela murmurou, quase para si mesma.
- Acredite, Talia. É verdade - respondi, bebendo um gole do meu cappuccino. - E ela era uma ponta solta, uma ameaça para os planos dele.
Talia balançou a cabeça, os olhos correndo pelo ambiente como se procurasse por alguém.
- Você acha que eu não sei disso? - Sua voz estava cheia de certeza, mas também de medo.
Eu assenti, séria.
- Talia, você precisa ficar vigilante. Se Alexei está no centro disso tudo, ele não vai hesitar em fazer qualquer coisa para proteger seus segredos. E o pai da Ariel... ele está planejando algo. Não confie em ninguém.
Ela ergueu as sobrancelhas, os dedos apertando a borda da mesa.
- Como você sabe disso tudo, Nora? De onde está vindo essa informação?
Engoli em seco, refletindo sobre como responder. Pensei em dizer que foi Zé, mas hesitei. Ela confiaria nele? Finalmente, decidi que a verdade era o melhor caminho.
- Foi Zé quem me contou. Ele sabe de tudo e está do nosso lado.
Talia arqueou uma sobrancelha, claramente desconfiada.
- Do nosso lado? Nora, seu padrasto também faz negócios com a minha família. E com certeza tem os próprios interesses nessa história.
Agora, isso era uma novidade.
- Ele não faria nada contra gente. - rebati, firme. - Eu confio nele.
Ela suspirou, balançando a cabeça.
- Espero que você esteja certa. Porque, se não estiver, estamos ferradas.
Talia começou a morder o lábio inferior enquanto olhava ao redor. Seu comportamento estava começando a me irritar.
- Quem você está procurando? - perguntei, minha paciência se esgotando.
- Ninguém - sussurrou ela, mas seu tom não era convincente. -Você está paranoica, Nora.
- Ninguém, Talia? - Repeti, cruzando os braços e lançando um olhar desconfiado para ela. - Sabe que não adianta tentar me enganar. Quem é? - rebati, deixando o olhar cair sobre a roupa dela. A calça preta justa, a blusa branca de mangas longas com um decote profundo, o cabelo preso em um rabo de cavalo impecável. Talia parecia casual, mas sexy. A maquiagem leve e os brincos de argola dourados adicionavam um toque de elegância. - E desde quando você se arruma assim pra um café?
Talia deu de ombros, jogando o cabelo para trás.
Ergui uma sobrancelha.
Ela suspirou, evitando meus olhos por um momento, antes de finalmente admitir.
- Achei que talvez alguém tivesse me seguido.
- Seguido? Quem, Talia? - Minha voz subiu um tom, atraindo olhares de curiosos nas mesas próximas. Respirei fundo, tentando me controlar. - Está escondendo algo de mim?
- Não estou escondendo nada! - rebateu ela, mas sua expressão não era convincente. Ela mexia os dedos nervosamente na borda do copo. - É só... eu tenho me sentido observada ultimamente, como se alguém estivesse me vigiando.
- Ivan?
Ela negou com a cabeça.
- Nã, não acho que seja ele.
Aquilo fez meu estômago revirar. Olhei ao redor, tentando detectar algo suspeito, mas o café parecia normal. Pessoas conversavam, sorriam, e ninguém parecia prestar atenção em nós. Mesmo assim, a sensação de perigo iminente me alcançou.
- Você precisa me contar tudo - exigi, inclinando-me sobre a mesa. - Quem acha que está te seguindo?
Talia hesitou, e pela primeira vez, percebi um lampejo de medo genuíno em seus olhos.
- Talvez seja paranoia minha. - Sua voz era um sussurro, mas eu sabia que ela estava escondendo mais. - Mas, Nora, se for verdade o que você disse, sobre o pai da Ariel buscar vingança, eu preciso ficar de olho no meu avô. Ele... ele pode estar mais envolvido nisso do que eu imaginava.
Descansei minhas costas de volta na cadeira.
As peças começaram a se encaixar na minha mente, mas o quadro geral era sombrio demais para ignorar.
- Sobre isso... Zé também falou que seu pai pode ter interesse em tirar seu avó da frente dos negócios, precisamente, tirar seu avó
da jogada.
-O quê?
- Seu avô está trabalhando com o pai de Isadora, certo? - perguntei, tentando manter a voz baixa.
Talia assentiu, os olhos cheios de tensão.
- Sim. Eles têm uma aliança política. Meu avô o apoia publicamente, mas agora... agora começo a pensar que pode haver algo mais.
- Algo mais? - Minha mente estava correndo, tentando processar.
- Nora, precisamos contar às outras. Isa precisa saber disso, ela tem agido tão estranha ultimamente. Ela está enchendo meu celular de mensagens. Algumas delas são ameaças veladas. Ela acha que meu avô tem algo a ver com o que aconteceu com Ariel, e eu estou começando a achar que ela pode ... - Talia tamborilou os dedos na mesa, claramente agitada. - Ela vai fazer alguma coisa por conta própria, eu sei.- Talia hesitou, olhando para o telefone como se ele pudesse morder. - Nora, acho que precisamos falar com ela.
Assenti.
A tensão cresceu entre nós. Isa era impulsiva e determinada. Isso não era uma boa combinação em uma situação tão volátil.
- Tudo bem, você fala com Isa. Eu falo com Tilly. Não podemos deixar Isa agir sozinha. - Suspirei, esfregando o rosto com as mãos. - E quanto a Mikhail? Ele sabe de algo?
Talia deu de ombros, mordendo o lábio novamente.
- Ele trabalha na segurança direta do meu avô. Mal o vejo durante o dia, só à noite, quando ele passa no escritório ou em casa.Ele está... estranho. Mais reservado.
- Eu não tenho contato com ele, mas ainda confio nele. - disse, tentando tranquilizá-la, mas minhas palavras soaram menos convincentes do que eu gostaria.
- Eu espero que você esteja certa. - Talia olhou para a janela, a expressão distante. - Porque, se não estivermos, isso pode custar muito mais do que imaginamos.
O silêncio caiu entre nós, pesado e carregado de incertezas. Terminei meu cappuccino, mas o sabor parecia amargo. Havia algo maior em jogo, algo que eu ainda não conseguia enxergar completamente.
Eu só esperava que pudéssemos sobreviver ao que estava por vir.
Talia perguntou sobre minha mãe, e a simples menção dela me deixou desconfortável. Desviei o olhar e dei uma desculpa qualquer, mudando o assunto rapidamente. Não era algo que eu estava pronta para discutir, nem mesmo com Talia. O silêncio que se seguiu foi breve, mas carregado. Pouco depois, nos despedimos.
Quando voltei para casa, a ausência de Cecília foi um alívio imediato. Ela já tinha ido embora, deixando o ar menos pesado, porque ela é um abutre. Não procurei por Zé. Minha vida estava cheia demais de caos para lidar com ele naquele momento. No entanto, à noite, ouvi o som familiar de passos pesados no corredor. Ele tentou entrar no meu quarto, mas encontrou a porta fechada.
Fiquei deitada na cama, observando a maçaneta se mexer levemente. Fiquei quieta. Não houve uma segunda tentativa, apenas o som de passos se afastando. Fechei os olhos e me perguntei se deveria manter aquela porta trancada para sempre. Não apenas a porta do quarto, mas também a do meu coração.
O dia seguinte chegou rápido, mas trouxe consigo uma nuvem densa de preocupações. Eu não conseguia afastar os pensamentos sobre a conversa com Talia. Enquanto tomava um café na cozinha, a imagem dela nervosa, olhando por cima do ombro, voltou à minha mente. Algo a estava incomodando mais do que ela deixava transparecer. Peguei meu telefone e mandei uma mensagem curta, pedindo para nos encontrarmos novamente no mesmo café de ontem. Talia já estava à mesa quando cheguei. Ela parecia inquieta, mexendo distraidamente no copo de chá gelado à sua frente. Isadora e Tilly chegaram alguns minutos depois. Nós contamos tudo, desde o segredo até as últimas informações que descobri. Eu já estava cansada de tantos segredos, e deixei claro para as garotas que ninguém poderia mais guardar informações para si.Isadora ficou encarregada de vigiar seu pai e Tilly o dela.
Zé e eu não nos falamos pela semana seguinte inteira, eu também evitei seu quarto ou sala de estar ou a cozinha,ou qualquer cômodo que ele estivesse. No entanto, ele tentava entrar no meu quarto toda noite.
Foi na terça da semana seguinte, que descobri que minha mãe já podia receber alta.
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top