Capítulo 3
Eu ligo para José Luiz,mas a chamada vai para a caixa postal.
— O telefone deve ter descarregado, vou tentar o telefone da casa. — Não permito que ele tenha a chance de pensar, digito o número de Isadora sem que perceba e alívio me invade quando ela atende no terceiro toque.
— Nora! —Ela rosna do outro lado da linha, parecendo furiosa por alguma razão. Forço um sorriso no rosto, porque Tobiah acredita que estou falando com a caçula Tilly e não pode saber do meu contato com Isa.
— Oi. — Meu tom é baixo, contido, devido os olhos questionadores do homem perto de mim. — Como você está?
Posso senti-la revirar os olhos do outro lado.
— Se eu estou bem? Você está brincando, certo? Onde diabos você se meteu? Eu vi os carros perseguindo vocês, Rael e eu estávamos indo para sua casa e fomos atrás para ajudar, mas os perdemos de vista.
Eles estavam?
Foi por isso que Rael ligou para Tobiah?
— Fico feliz que esteja ciente disso, ajuda muito para o que vou te pedir. — Ergo o olhar para o do meu segurança, esperando alguma reação negativa. — É sobre as outras meninas. — Acrescento.
Silêncio.
— Posso contar com sua ajuda? — Inquiro.
— Você está com problemas? Tentei falar com seu padrasto, mas não obtive sucesso. Quem eram aqueles caras?
— Estou bem. — Mentira. Mais ou menos. — Pode acobertar meu sumiço na faculdade? — Deslizo a língua entre os lábios, quase sentindo os neurônios dela queimarem. — Ficarei fora por algum tempo, porém não posso falar meu destino. Preciso pensar sobre a confusão que minha vida se tornou. — Invento, bem, quase tudo é invenção, menos a última parte.
— O que precisa que eu faça?
Garota esperta.
— Diga as outras que o passado manda lembrança e volto para a festa da mãe de Tilly.
— Isso significa que devo esperar e não interferir? Eu olhei o armário de Ari como você pediu e não encontrei nada, quero dizer, lembra da pulseira que você encontrou no cemitério e sumiu no incêndio da sua casa? Ela estava lá.
Eu fico paralisada por um minuto inteiro.
— Nora. — Tobiah resmunga, percebendo provavelmente a expressão surpresa no meu rosto.
— Falaremos disso depois, trouxe presentes da França.
Como o amante louco da nossa amiga morta. Penso.
— T está bem?— pergunto um segundo depois.
— Ambas estão bem, pedi que Rael selecionasse alguns homens para ficar com Tilly e Tália tem os próprios seguranças dela.
Rael.
Eu não confio nele agora.
— Seria melhor se você mesma selecionasse.
— Isso seria estúpido, ele é o meu chefe de segurança.
Mordo a língua para não falar o que ele é, então lembro que ela falou sobre eles vindo até minha casa e depois Rael ligou para Tobiah.
— Por que foi até a minha casa? — Indago, lembrando que confirmei com ela a reunião minutos antes de tudo acontecer.
A minha intenção era revelar o conteúdo dos três envelopes e revelar todos os segredos.
— Eu tinha assuntos para tratar e precisava fazer isso longe da menina. — Sua declaração deveria funcionar como alerta, porque sei o significado e peso delas. Porém, meus pulmões enchem com mais ar e libero um suspiro entusiasmado. Uma olhada para cima e encontro o ombro de Tobiah a poucos centímetros do meu rosto.
Ele pode ser silencioso quando quer.
— O quê? — Pergunto, não conseguindo conter minha ansiedade.
— Guto, ele vai embora. — Minha expressão congela com minha boca aberta, a língua que acariciava meus lábios e os umedecia diante da secura também para.
Ãn? Essa era informação.
— Lembra quando você ainda estava na França e me ligou? — Assinto com a cabeça, mesmo que ela não posso enxergar.
— Tenho certeza que você vai esclarecer. — falo.
— Coloque no viva-voz. — Tobiah resmunga, a voz um sussurro autoritário. Ignoro a ordem e não faço contato visual.
— Eu falei que ele estava com uma loira, certo?
A brisa da noite bate contra a porta da frente, arrepiando os pelos dos meus braços. Será um sinal divino?As primeiras gotas aparecendo em seguida até que uma chuva grossa começa a cair, batendo contra a calha do teto.
— Não seja prolixa, pare de ficar dando voltas e vá direto ao ponto, Isadora.
— Bem, acabamos a noite juntos e...
— O quê?!— Grito, interrompendo-a no meio da frase. —O que você disse? —Não escondo a ansiedade na minha voz e Tobiah sente que algo está errado, unindo as sobrancelhas.
— Eu falei muitas coisas, Nora.
— Você sabe o quê. — Rosno, torcendo para que ela não tenha feito o que estou imaginando.
— Na verdade, não. Nenhuma ideia mesmo. — Mordo a língua para não gritar que ela acabou de insinuar que dormiu com Augusto Lobo entre todos. — Entretanto, vou continuar dizendo que Guto confidenciou-me algo naquela noite.
— Viva-voz! — Meu segurança rosna do meu lado, baixo o suficiente para que Isa não escute do outro lado da linha. Quando não faço qualquer movimento, ele empurra meu ombro e tenta alcançar o celular.
— Estou ouvindo. —Murmuro, desviando de mais um ataque de Tobiah. O que acontece em seguida é que ele agarra meus braços e me puxa de encontro a seu corpo, fazendo com que meu rosto fique colado a seu peito.
— Guto falou que Ariel era uma traidora e que ela mudou nos últimos meses, ele disse também que ela estava mais envolvida nos negócios dos pais.
Traidora. A palavra pesa nos meus lábios.
— Você acha que Ari o traiu?— ela pergunta.
Sim.
— Não sei.
Tobiah passa o braço por minha cintura, roubando o ar dos meus pulmões pela força que coloca no aperto e com a mão livre puxa o celular, mas antes consigo encerrar a ligação e gritar para ter cuidado e não confiar em ninguém. Principalmente em Israel.
— O que diabos ela estava dizendo?! — Ele exige.
— Isso não é da sua conta! —Digo no mesmo tom, não cedendo um centímetro. —Eu ainda preciso falar com Zé.
— Você vai.—Um sorriso nasce na minha boca, embora eu esteja surpresa com sua resposta. —Na hora certa.
Fecho a expressão, meu pé indo ao encontro do dele com força. Ele grunhe, afrouxando o aperto e me devolvendo o ar. Acabo liberando uma risada, percebendo que usa chinela de dedo e a dor deve ter sido maior. Bem feito.
— Eu não sou sua prisioneira. —Empurro o dedo indicador contra seu peito, fitando-o de igual para igual. Sua sobrancelha esquerda ergue e ganho um olhar de desafio. — Podemos caçar Ivan,ao invés, de sermos suas presas. —Ofereço.
Um ruído deixa sua garganta.
— Caçar, hein. O que você, é? Algum personagem dos anos 90 e não fiquei sabendo? — Estou pronta para responder quando ele me solta e aponta para na direção do banheiro. — Vá tomar seu banho, não vamos caçar ninguém.
De repente, seu olhar aquece, descendo do meu rosto para meu corpo de forma lenta e esquisita. Os pelos da minha nuca se arrepiam, mas não de uma forma boa. No fundo, eu sei que ele nunca me tocaria sem o meu consentimento.
— Não hoje, pelo menos. — Fala, um pouco antes de me dar as costa e seguir para o andar de cima.
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