Capítulo 24
— Calada. — Nikolai sussurra, colocando a mão na minha boca antes que o grito de pavor ecoe pelo corredor e chame atenção dos guardas. Ele me dá um olhar de quem perdeu a paciência, colocando certa distância entre nós. Quando percebe que estou mais calma, faz sinal de silêncio com o dedo.
Porra.
Minhas pernas vacilam.
— O que está fazendo? — Indago ao captar o movimento de Talia para mais próximo da porta, onde a maioria dos homens de Igor se encontram. Eu juro que seus capangas são tão assustadores quanto ele, mas desejo sair daqui sempre precisar vê-lo novamente.
— Quieta . — T diz com os dentes cerrados, puxando a pistola que Nikolai entregou-lhe para mais perto do peito, deixando na altura certa para mirar e atirar.
Abraço meu corpo, balançando a cabeça em negação.
— Você sabe mesmo manusear essa coisa? — questiono, não tendo a certeza se quero ouvir a resposta. Ela sempre agiu como a garota descolada, apesar das suas atitudes impulsivas e personalidade destrutiva, nunca percebi nada em Talia que fizesse jus a sua ligação com a máfia.
— Você sabe a resposta para isso. — é Nikolai quem diz, piscando e todo convencido como um pavão, enquanto T se contenta em me dá apenas um olhar.
Pressiono meus lábios juntos.
— Você está louco se pensa que vou permitir que faça dela uma criminosa. — Levo o dedo indicador até a altura do rosto do meu ex segurança e seguro seu olhar, me esforçando para manter a pose de durona mesmo com as pernas tremendo.
Ele sorri de uma forma perversa e isso me desestabiliza.
— Ela não precisa da minha ajuda. — Sem me dar tempo para questionar suas escolhas de palavras, Nikolai agarra meu braço e me puxa para suas costas, escondendo-me dos nossos algozes.
— O quê? — Sibilo assustada quando ouço passos,mas não consigo enxergar ninguém.
— Estão vindo. — Talia esclarece e a segurança em sua voz, causa uma rachadura no meu íntimo, trazendo culpa e vergonha para minha consciência.
Eu a coloquei nessa situação, bem, Ari fez isso com todas nós quando se envolveu com Ivan, mas Nikolai era meu segurança.
Que diabos!
— Estão fugindo! — Alguém grita, julgando que nós somos os únicos fugitivos em potenciais, cada célula do meu corpo entra em combustão e meus dedos dos pés se encolhem.
— Onde está sua filha? — pergunto do nada, inclinando a cabeça na direção das vozes. Nikolai me empurra de volta para suas costas, tentando ser meu escudo humano. — Posso ajudar. — falo após ouvir mais passos se aproximando.
Ele solta um riso frouxo, debochado e esfrega a mão no rosto.
— E como pretende fazer isso? Não sabe manusear uma arma e está tremendo de medo. — Tento ficar séria, mas como costumo sorrir quando fico nervosa, isso acaba acontecendo.
— Você é pai de uma garotinha linda, com quem ela ficará se algo te acontecer?! — Seus olhos se fecham enquanto sua mandíbula contrai.
— Foi o que pensei. — avanço na direção da sua arma, tentando roubá-la do seu domínio.
— Muita calma nessa hora, menina. — me afasta com o braço, estudando meu rosto. — Sou um soldado treinado, sei exatamente o que estou fazendo e quais risco correndo. A chapeuzinho vermelho lunática da sua amiga também, então nesse momento você é um fardo que vai ficar quieta e me obedecer.— ele pausa, aperta os olhos nos meus e massageia a têmpora em seguida.
Ele parece exausto.
— Fica. — Ordena quando tento agarrar uma faca presa no seu cinto.
— Preciso me defender. — Um silêncio estranho se instaura e sem se importar com a nossa falta de tempo, ele xinga por muitos segundos, até que o primeiro disparo surge e passa raspando por minha cabeça.
— Sabe, achei que estava puto enquanto dirigia pra cá, agora percebo que foi a parte mais fácil. — não consigo olhar para ele, não consigo nem me mexer. Acabei de levar um tiro!— Meu irmão não vai nos deixar sair vivos daqui. — declara e quero gritar, porque isso é bem óbvio e nenhum pouco tranquilizador.
Ele bufa, balbucia qualquer coisa e passa a andar de um lado para o outro. Fecho minhas as mãos em punho, tomando um pouco de ar enquanto inicio uma contagem de um até dez na minha cabeça, uma e outra vez.
— Precisamos agir. — Eu não vejo de onde vem o golpe, mas quando recupero um terço da minha racionalidade, vejo uma das minhas melhores amigas agindo como uma atiradora de elite.— Que porra, Nora! — ela grita quando uma segunda bala quase me atinge. Nikolai me puxa para baixo, forçando nossos corpos ao chão.
— Quando eu disser para correr, você corre, entendeu? — ele diz, empurrando uma pistola menor que a dele e a de T na minha mão.
Encaro o objeto com incredulidade, balançando a cabeça para os lados de forma frenética.
— Não estou te reconhecendo, Nora. Essa não é você. Onde está a garota valente que ameaçou minha vida uma dezena de vezes?
— Acho que não consigo fazer isso. — digo com a voz trêmula, o choro preso no meio da minha garganta. Vejo um dos capangas de Igor, o mesmo que me arrastou para o quarto e entro em pânico.
— Caralho! O que deu em você? — Nikolai grita quando Talia atira no sujeito, descarregando no sujeito mesmo depois que ele cai no chão. MORTO.
Não estou respirando.
— Salvando nossas bundas. — ela atira de volta, carregando uma expressão sombria.
O que aconteceu com ela?
— Maluca. —Nikolai murmura, mas acho que ele não tinha nenhuma intenção de compartilhar seu pensamento comigo, porque seus olhos continuam nela e brilham com orgulho e interesse.
— Vamos. — ele diz, agarrando minha mão para que eu não desabe no chão.
Eu não quero morrer aqui.
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