Capítulo 17

Minha mente é como um cemitério de palavras.

Mesmo quando as pessoas esticam a mão para me cumprimentar ou falam comigo, minha cabeça continua remoendo o que acabei de presenciar e o sorriso que forço parece exatamente o que é, tão falso quando uma nota de um real. Sentindo uma enorme dificuldade para respirar, peço ajuda de um dos garçons para me levar até o lado fora, onde o ar não está tão corrompido com mentiras.

Como se você não fosse a maior de todas.

A personagem ardilosa dentro da minha cabeça provoca e rosno.

— Está se sentindo melhor? — o mesmo garçom pergunta, tomando cuidado em me sentar em um dos bancos enfeitados no jardim e checar minha pressão. Afirmo com a cebeça e ele sai em seguida.

Meus olhos percorrem o espaço atrás do meu segurança ou uma das meninas, eu desci a escada sem olhar para trás, tão

apressada para fugir daqueles dois.

— Nora? — Tobiah senta ao meu lado, os olhos preocupados checando meu rosto e corpo. — Onde você estava?

— Eu ... lá em cima. — uma ruga surge entre suas sobrancelhas.

— As garotas estavam te procurando. — encaro suas mãos, ambas estão tocando o meu corpo, mas a esquerda pressiona contra minha coxa, descansando no meu colo enquanto o polegar roça o tecido do meu vestido em movimentos sincronizados.

— O que aconteceu? — ele pergunta quase ao mesmo tempo que o garçom volta e me entrega a água, quando percebe que não estou falando nada, pressiona o pobre rapaz. — Estou bem. — murmuro um segundo após ficarmos sozinhos.

— Foi uma ideia ruim vir até essa festa, eu não tenho o controle de quantas pessoas estão entrando e saindo ou uma lista com os nomes dos funcionários e convidados.

— Você está exagerando. — resmungo, esvaziando o copo.

Ele abre a boca, mas volta a fechar.

— Estamos indo. — ele declara, agarrando minha mão e me colocando de pé. Eu não movo um dedo. — Nora.

— Não podemos partir.

Um longo suspiro deixa sua garganta e eu sei que sua paciência está atingindo o topo.

— Sabe o quanto esse lugar é adequado para assassinar um pessoa? — meu corpo tensiona com sua escolha de palavras, mas apesar de notar isso, ele continua falando e me olhado como de cima. — Qualquer um pode entrar, Nora. É tão fácil esconder uma arma nessa roupa. — para enfatizar seu ponto, ele afasta o paletó e revela a pistola presa ao cinto.

Eu engasgo com a saliva.

— Estou bem. — repito a frase, não conseguindo desviar meus olhos dele, mesmo que agora eu esteja com medo.

— Mesmo sabendo que não está segura?

— Tenho você.

Tenho você. A frase parece mais certa em voz alta do que na minha cabeça, mas isso o faz apertar os olhos e trincar o maxilar como se eu o tivesse acabado de o ofender.

— Não coloque tanta esperança em mim, menina. Pode se decepcionar. — a corrente fria nos abraça antes que eu tenha a chance de responder e tremo dos pés a cabeça, arrepiando-me toda. Tobiah me oferece seu paletó e recuso, sabendo que voltar para a festa com a peça de roupa do meu segurança presa ao meu corpo, tornará a noite pior.

— Onde encontrou as meninas? — questiono quando voltamos ao salão, sua postura mais rígida que antes.

— Perto da escada. — ele sussurra quando um casal na faixa dos quarenta passa por nós.

Eu pego um copo de uísque com um dos garçons e viro o líquido de uma vez, sentindo queimar quando passa pela minha garganta. Quando olho para Tobiah, ele está me checando com uma sobrancelha erguida e expressão elegível.

— Servido? — Ofereço quando pego um segundo copo.

— Estou trabalhando.

— Ah, claro. Minha segurança em primeiro lugar. — brinco, porque o fato de precisar de um segurança não é engraçado, ainda mais quando você não sabe quem é o inimigo.

— Sempre.

Eu viro o segundo copo e estou indo para o terceiro quando uma mão, extremamente macia, me impede.

— É o suficiente. 

Eu solto minha mão da de Isadora com facilidade, driblando suas próximas tentativas de roubar minha bebida quando bato em uma senhorinha e derrubo o líquido âmber do meu copo em seu vestido bonito. Seu olhar escurece, adquirindo uma tonalidade de azul que só é possível encontrar quando a lua banha o mar Egremni.

— Sinto muito. — falo para a mulher, esfregando a região molhada com um guardanapo de papel.

Alguém protesta e posso jurar que ouvi um xingamento.

Hmmm...

Nenhum pouco elegante.

— Nora. — Isa rosna ao meu lado, tentando afastar minhas mãos da senhorinha. Eu volto a pedir desculpas quando a mancha aumenta, embora o fato do vestido ser branco ter bastante influência nisso.

— Pare.—a mulher protesta e quando ergo a cabeça, percebo que não é tão senhora assim, talvez uns cinquenta.

Droga.

A senhorinha que não é tão senhorinha me empurra, estendendo o braço para criar um amplo espaço entre nós.

— Apenas pare, menina!

— Não precisa ser grossa! — resmungo, meio chateada que ela esteja gritando comigo quando eu só estou tentando ajudar.

— Cristo. —Isa suspira, envolvendo meu braço direito em um aperto e me puxando para longe. Com o canto do olho, noto Tobiah nos seguindo. Ele tem a mandíbula travada e um olhar assassino.

O que aconteceu?

— I-Isadora. —as pessoas começam a parecer apenas borrões. Esfrego meus olhos com as costas das minhas mãos e pisco três vezes antes de fixar o olhar em Tilly, parada do outro lado do salão e parecendo uma estátua. — O que ela está fazendo? — pergunto quando percebo quem a menina está olhando.

Argh!

Aquele idiota.

O que ele está falando para ela?

Tento me desprender da minha algoz, mas Isa deve ter adquirido uma força extra recentemente, porque cada vez que eu puxo o braço, ela pressiona os dedos contra minha pele mais forte. Estou tentada a gritar com ela nesse exato momento, porém tenho certeza que tenho álcool guiando minhas ações e não vai acabar bem, então resolvo apelar.

Procuro Tobiah entre a multidão dispersa, mas o número de pessoas parece ter dobrado em segundos e ele sumiu. Olho novamente para onde Tilly se encontra e quando vejo Augusto Lobo a tocando, minha raiva aumenta.

— Isadora!

— Fique quieta, as pessoas estão olhando. — tento saber exatamente de que pessoas ela está falando, porque não tem ninguém prestando atenção em nós, quando cruzo o olhar com meu segurança.

— Tobiah!!! — grito, não me importando se chamei a atenção de uma dúzia de curiosos. — Aqui. — ergo o braço e começo a chamar por seu nome.

— O quanto você bebeu?? — Isa provoca e só então percebo que paramos de andar, quando volto meus olhos para ela, sua expressão não é nada condescendente.

— Um ou dois copos. —revelo, mordendo a língua ao lembrar das outras três taças de champanhe que tomei ao chegar na festa. — estou bem. —tento tranquiliza-lo quando erro o passo e preciso usar seu ombro de apoio.

Ela bufa, massageando a têmpora com a ponta dos dedos.

— O que aconteceu? Você saiu para atender aquela ligação e não voltou. — tanto seu tom como a expressão que carrega grita desconfiança.

Abro um sorriso sincero, porque eu definitivamente não consigo deixar de fazê-lo desde que bebi o primeiro copo de uísque. A lembrança me faz passar a língua entre os lábios, o gosto forte se espalha pelo céu da minha boca e acabo gemendo.


— Ah, isso.

Como eu deveria começar aquela descoberta bizarra? Vamos ver,o pai da Ari mantém um caso com a empregada e teve um filho com ela, quero dizer, o bebê nem chegou a nascer, mas só porque nossa amiga empurrou a mulher escada abaixo e causou um aborto.

Acho que não.

— Então? — Ela ergue a sobrancelha, cruzando os braços na altura do peito e dando-me um olhar aguçado. Aproveito para checar os arredores, descobrindo que as pessoas mais próximas estão dez passos de distância e distraídas com alguma coisa.

— Você está bem? — Tobiah aparece quando estou pronto para mover os lábios e despejar os últimos acontecimentos. Quando eu não respondo, ele se prontificar em checar por si. — Vamos para casa. —ele declara quando tem certeza que estou fisicamente bem.

Movimento a cabeça em uma negativa.

— Eu descobri uma coisa. — Falo, navegando o olhar entre ele e Isa.

Ela assente e informa que também descobriu algo enquanto estive fora. 

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