Capítulo 10


A cada segundo a caçula Bragantino fica mais pálida, pressionando o lábio inferior até tirar sangre. No começo, seus olhos ainda estavam conectados com os meus, mas agora tudo que ela faz é encarar a parede.

— Viu, ela não estava pronta para isso. —Falo, preocupada que ela não piscou em mais de um minuto. Agarro um pedaço de pano da minha camisola e limpo minhas palmas suadas.

— Ela ficará bem. —Isadora protesta, fingindo não se importar com a garota e seu estado mental, porém consegui ver a preocupação em seus olhos antes que pudesse esconder.

— Como sabem que o mataram? — A menina questiona, quebrando o silêncio e me fazendo travar no lugar. Eu estava quase indo até ela para abraçá-la.

— Nós o atropelamos, depois checamos os batimentos e o levamos para o hospital. —Argumento, mais calma do que imaginei que estaria.

— Vocês não entraram no hospital. — Aponta.

— Como sabe disso? — indo para uma parte escura da minha mente, a suspeita surge como um monstro debaixo da cama.

Não volte lá. Não volte lá. Não volte lá.

— Você acabou de dizer que o deixou em um lugar qualquer, então não pode ter sido o hospital.— Sua voz, ela é ... eu apenas não gosto de como parece.

— Ele estava morto. —Isa volta a falar, a voz uma nota mais profundo do que antes. — E não temos tempo para essa discussão no momento, temos outros problemas.

A olho incrédula, porque foi ela quem tocou nesse assunto e insistiu que a garota deveria saber.

— Por quê!? Está mudando de ideia sobre compartilhar segredos?

Ela limpa a garganta, olhando-me de baixo para cima como se eu fosse um inseto irritante.

Oh, vamos lá.

Perfeito para caralho.

— Eu só quero seguir para a próxima pauta, o início era necessária para que a menina soubesse onde está piando. Não quero ninguém falando ser inocente nessa história. — Estou pronta para marcar seu rosto quando Tilly se posiciona entre nós.

— Isadora tem razão. —Fala e raiva ondula através de mim. —Penso que vocês estão perdendo uma parte daquela noite.

Aperto as sobrancelhas juntas.

— Como assim?

— Vocês pegaram um atalho pouco conhecido, certo? — Tanto eu quanto Isa respondemos sim. — Então, o que um homem estaria fazendo a noite, ainda mais sozinho e sem carro?

Penso em uma razão, mas não tem. Ela tem razão.

— Sim, é estranho. Mas isso não muda o fato de que T o atropelou.

— Ela não o viu! — Isa sem em defesa da melhor amiga, fulminado-a com os olhos.

— Eu não disse que foi de propósito, apenas relatando um fato.

— Estava escuro. — Lembra e aceno, não querendo ter essa conversa.

— Vocês também não entraram no hospital para checar se ele estava morto. — Continua falando em círculos.

— Sem batimentos significa morto, Tilly. — Rosno. Ela não precisa enfeitar isso para nós. — Eu estudo medicina, acredite em mim. — Adiciono.

— O que eu quero dizer é que vocês têm muitas lacunas nessa história. Como, por exemplo, vocês têm certeza que não tinha mais ninguém observando vocês? Quero dizer, não é estranho que um herdeiro da máfia estivesse vagando sozinho por uma estrada deserta? — Argumenta e não posso deixar de pensar sobre isso.

— Talvez ele estivesse ali para executar alguém. — Isa comenta e nós três ficamos em silêncio, até que resolvo falar algo que estou evitando desde que cheguei da França.

— Encontrei algo no apartamento da sua irmã.—Ambas me encaram, embora cada uma esteja emanando uma vibração diferente, sei que estão curiosas. — Ela tinha alguém com ela.

— Alguém? — Tilly inclina a cabeça, como se de repente minhas palavras fossem difíceis de entender.

— Um homem, ele se chama Ivan.

— E como você tem certeza disso? —Isa pressiona, não tão surpresa com a revelação quanto Tilly.

— Havia roupas masculinas na casa, mas eu também encontrei um passaporte com a foto do homem. Bem, na verdade, eu encontrei três passaportes e um deles tinha a sua foto.

— A minha? — Tilly grita e assinto.

— Sim.

 Eu expliquei detalhadamente os minutos que passei no apartamento de Ari, citando meu encontro com o cara da recepção de forma enfática, não deixando de acrescentar a minha opinião sobre o sujeito e de como ele me pareceu suspeito.

Mas suspeito de quê?

Minha mente gritou no mesmo instante e tive de retroceder, consolidando que minhas especulações não devem ser nosso único julgamento. O alvo principal deve ser Ivan.

E se...

Esqueça, Nora.

— Por que Ariel teria um passaporte para mim? — A voz de Tilly parece tão surpresa e confusa como na primeira vez que fez a pergunta. Bem, eu também não sei.

— Nos diga você. — Isadora rosna.

A menina a encara com o queixo erguido, torcendo o nariz em seguida, provavelmente percebendo a sugestão oculta na frase.

— Eu não sei! — Tilly esbraveja, o clima se tornando mais denso a medida que ambas continuam se encarrando.

— Não acreditamos que você saiba de qualquer coisa sobre isso. —Declaro, surpresa pela certeza no meu tom. — Existiu um momento que desconfiei de você, não vou negar. Pensei que tivesse planejado algo quando fui até lá, afinal não nos conhecemos direito e Ariel deixou o diário para você. —Ela bufa. — Porém, tenho certeza agora que é inocente.

— E o que a faz ter tanta certeza? — hesito por um momento antes de me aproximar dela e agarrar seu rosto.

— Você não é como nós. — faço uma pausa para não dizer a coisa errada quando seus olhos graúdos me encaram cheios de perguntas. — Não somos pessoas ruins, Tilly. Porem, também não somos as mocinhas indefesas da história. Ninguém aqui vai se revelar herói no fim, mas defendemos os nossos e nunca a abandonaremos.

— Sabe que está falando em círculos, certo?

Sorrio.

Dou uma espiada em Isadora e volta a olhar pra ela.

—Pode confiar em nós se precisar de algo, mas acho que deve ficar fora dessa história. Prefiro que fique fora.

— Estou envolvida demais para sair agora, Nora. — Contrapõe.

— Desconfiamos que sua irmã foi assassinada e estou desconfiada dele. — Declaro.

— Pensamos que ela descobriu algo grande e chantageou as pessoas erradas. —Isa acrescenta, inspecionando o celular novamente. Ela me pega olhando e disfarça, enfiando o aparelho.

— Chantageou quem?

— Esse é o ponto, não sabemos. —Seus ombros caem, o semblante ganhando um ar melancólico e sombrio.

Oh, não vá lá garota.

— Você sabe o que é estranho? —Isadora questiona três segundos depois. Um bocejo escapa-me e lembro que preciso dormir antes de pensar em sair novamente.

— Muitas coisas? —Ergo uma sobrancelha.

— Como esse Ivan pode ter assassinado Ari, causado o incêndio no seu quarto, deixado a pulseira no cemitério se estava em Paris?

Uma ruga cresce entre suas sobrancelhas.

Eu me junto a Tilly na cama.

— Simples, ele não está trabalhando sozinho. — Ambas emitem um som de surpresa e não leva um segundo até que Isa cruze o quarto e tome todo meu campo de visão.

— Você sabe quem? — está na ponta da minha língua dizer que desconfio do seu segurança, mas então terei que explicar as razões e tudo que tenho é um sonho e minha intuição. Claro, eu também teria que mencionar nome de Tobiah e sua ligação com nosso suspeito número um e não quero fazer isso.

O motivo?

Porra, eu não sei.

Ele só a única pessoa que me restou no momento e uma parte de mim acredita nele.

— Não, mas tenho certeza que existem mais pessoas. — Isa abre a boca, porém seu telefone toca e ela o atende rapidamente, saindo do quarto com pressa.

O alarme apita no minha cabeça.

— Nora?

— Hmmm...

— Você acha que Estevão tem alguma ligação com a morte da minha irmã?

— Quem?

— O meu antigo professor de piano, lembra? — eu olho para ela, quase sentindo a cascata de emoções que seu rosto revela. Toco sua mão, não desviando do seu olhar. Lembro do sujeito, um maldito aliciador que teve o fim merecido.

— E por que ele teria?

Seu olhar cai para a porta a nossa frente.

— Porque foi ela quem o apresentou para mamãe. Ele era o professor dela.

Eu não sabia disso. 

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