O mar e suas nuances

Jeon Jungkook

Quando os lábios de Taehyung tocaram os seus novamente, Jungkook suspirou, entregando-se completamente a ele, estava com medo, completamente apavorado, pois estava pela primeira vez depois de muitos anos se entregando de bandeja para alguém que poderia destruí-lo. Taehyung despertava sentimentos diversos dentro de seu peito, não sabia nomeá-los, mas era uma urgência, misturada com desejo e euforia, não era o mesmo sentimento que sentiu quando estava com Eunji, mas sentia que a queda daquela altura o machucaria da mesma forma, por isso não conseguiu conter a lágrima teimosa que insistiu em rolar por sua bochecha.

Sentia seus dedos trêmulos, em contraste com os quentes de Taehyung, que apertaram os seus, o braço que lhe abraçava ficou com o aperto mais forte, abraçando-o com mais firmeza. Jungkook sentia que estava desmoronando, parece que o trauma de ter sido traído ainda estava forte o bastante para desesperá-lo, ele havia realmente feito aquilo? Ele havia realmente dado a faca para Taehyung apunhalá-lo pelas costas? Os lábios dele eram doces, seu aperto era carinhoso, mas... E se aquele fosse o doce veneno que o mataria quando se distraísse? As lágrimas salgadas de Jungkook se mesclaram ao beijo dos dois.

— Não precisa temer Jungkook — Taehyung se afastou um pouco, para limpar suas lagrimas. — Sou eu que está em suas mãos, não o contrário, sou eu que está entregando a arma que pode me matar. Estou entregando tudo o que eu tenho a você, incluindo a mim mesmo, você pode fazer o que quiser comigo, me despedace, me quebre... Eu não farei isso com você, mas estou disposto a arriscar tudo, mesmo que não sobre absolutamente nada no final.

— Por quê? — Abriu os olhos, vendo a certeza nos olhos estranhamente afetuosos de Taehyung.

— Sabe... — Ele abaixou a cabeça, sorrindo fraco, como se estivesse envergonhado pelo que iria revelar. — Amélia disse a mim quando eu a procurei pela primeira vez, que eu vou encontrar a minha verdadeira felicidade em uma pessoa, não em uma aventura ou um tesouro, mas em uma pessoa, que vai me dar tudo isso e um pouco mais.

— E você acredita que essa pessoa sou eu?

— Eu posso ser um homem que mantém a imagem de ameaçador, mas eu era uma criança carente Jungkook, minha mãe não era a definição mulher de amorosa e meu pai sequer chegava perto, embora eu admire demais a mulher que me criou, eu senti falta dos cuidados que eu via o Jimin recebendo da mãe dele — ele fazia carinhos singelos nas costas de sua mão, olhando para seus dedos. — Eu cresci sem isso, eu senti falta disso e vamos ser sinceros, mesmo depois da maturidade nós sentimos falta de cuidados que não tivemos durante nossa infância, eu quero ser amado Jungkook. Então quando disse que eu iria encontrar a pessoa que me daria a felicidade que eu procurava, sabia que ela estava dizendo que eu seria muito amado. Eu não sei se essa pessoa é você, mas eu estou disposto a arriscar tudo para descobrir.

Jungkook o encarou com intensidade, tentando ler suas expressões que agora Taehyung não fazia mais questão de esconder, ele realmente havia se aberto o suficiente para ele conseguir ler todas as suas expressões sem dificuldades. Sempre foi bom em decifrar enigmas e pessoas, gostava de colocar sua inteligência a prova, praticar tudo o que seu pai lhe ensinou, por isso ficou extremamente confuso e fascinado quando encontrou uma pessoa que escondia suas emoções e intenções tão bem quanto Taehyung, que agora o deixava lê-lo, notando que por trás do Capitão havia somente um homem comum.

— Somos duas pessoas fodidas da cabeça — Jungkook soltou o que estava pensando há um tempo. Taehyung riu soprado e assentiu.

— Piratas não tem histórias felizes.

— Tentei tanto fugir da realidade — foi sua vez de suspirar e abaixar a cabeça, levantou-se do colo de Taehyung, separando suas mãos e vendo-o encarar de maneira confusa. — Eu amo o mar, a liberdade que ele nos dá, eu sou igual meu pai, apaixonado pelo mar e suas nuances. Por isso penso que ele ficaria feliz se eu compartilhasse isso com alguém com a mesma paixão que nós. — Jungkook disse ficando de costas para Taehyung, tirando sua camisa e jogando-a na areia. Ele virou-se e o encarou por cima do ombro. — Vamos mudar a história juntos Taehyung.

Taehyung arregalou os olhos ao vê-lo, Jungkook nunca mostrou sua tatuagem a ninguém, a única pessoa a vê-la foi seu pai, já que havia sido ele mesmo a marcar a pele do filho com as linhas que levavam a tudo aquilo que ele conquistou. Taehyung se levantou depressa com seus olhos arregalados, encarando suas costas com uma admiração intensa, Jungkook viu ele se aproximar com calma, levando seus dedos quentes pelos traços da tatuagem, seguindo os caminhos pela linha da coluna, arrepiando-o com o toque delicado.

Parte do que seu pai havia dito-lhe: "eu encontrei a minha felicidade, Jungkook, e espero que você aceite o tesouro que eu lhe deixei e o divida com alguém que confie" significava entregar não só o tesouro a pessoa, mas a si mesmo, outro tesouro precioso de seu pai, se não o mais valioso. Junghyun tatuou no corpo de seu filho porque sabia que ele o entregaria a pessoa que fosse importante o suficiente para dividir aquilo que ele guardou com tanto cuidado. Jungkook olhou para trás, olhando para a pessoa que havia acabado de se tornar importante o suficiente para passar por cima dos seus medos, para entregar tudo.

Taehyung conseguiu o que nenhuma outra pessoa fora Eunji havia conquistado e jogado no lixo, sua confiança, esperava apenas que ele não a jogasse no lixo como ela fez, que não o estilhaçasse com ela não teve piedade ao fazer. Jungkook saiu de seus devaneios de abrupto quando sentiu os lábios de Taehyung tocarem sua pele, aproximando-se para poder colar o corpo ao seu, passando os dedos quentes delicadamente por seus braços, arrepiando-o da cabeça aos pés. Os beijos subiram até seu pescoço, deixando um selar delicado próxima a sua orelha, fazendo Jungkook quase se derreter com os toques.

— Eu estava certo Jungkook — disse com os lábios próximos ao seu ouvido direito.

— Sobre o quê? — Perguntou olhando para o horizonte, vendo Aurora atracada na orla afastada deles.

— Seu pai escondeu o tesouro no triângulo das bermudas, onde nenhum pirata foi ousado o suficiente para entrar e os que tentaram não voltaram... Tem certeza que esse tesouro é real? Não estou duvidando de você ou de seu pai, mas acho difícil qualquer pessoa conseguir ir e vir de lá.

— Ele existe — virou-se para encará-lo, sem se afastar. — Meu pai não me colocaria em um perigo do qual eu não pudesse lidar, ele me treinou muito para ser tão bom quanto ele ou até melhor.

— Você já estudou as linhas do seu mapa? — Perguntou e Jungkook assentiu.

— Tentei ao menos, embora não tenha conseguido decifrar muita coisa.

— Você conhece os mitos do mar, não é? — Taehyung o puxou para se sentar na areia novamente, de frente um para o outro. Jungkook assentiu novamente, encarando-o com curiosidade. — Precisarei falar com Namjoon para podermos tentar encontrar uma boa rota, calcular o tempo e o que precisaremos para irmos até o tesouro, mas...

— Mas?

— Temo que não vamos conseguir — suspirou, parecendo extremamente decepcionado.

— Por que não? — O encarou com cautela, temendo sua resposta.

— Se os mitos forem verdadeiros sobre os lugares marcados em seu mapa, seremos mortos na primeira provação, sem dó nem piedade, seremos afogados e destroçados antes de sequer chegarmos perto do tesouro.

(...)

Quando finalmente a Aurora havia sido consertada, Taehyung e Jungkook voltaram, encontrando todos os tripulantes conversando no cais, fazendo o Capitão sorrir pequeno ao notar que a grande maioria estava presente, que não haviam desistido de navegar com ele. O navio estava como novo, as madeiras haviam sido reparadas, o mastro havia sido trocado, as velas foram trocadas por novas e haviam limpado todo o convés, Aurora estava novinha em folha. Quando todos embarcaram, Taehyung deixou ordens para que os tripulantes ajudassem no carregamento de alimentos, enquanto ele, Namjoon e Jungkook iriam conversar em particular na cabine.

Quando a porta da cabine foi fechada, Namjoon encarou os dois com curiosidade, pois ele não sabia sobre a identidade de Jungkook e para falarem sobre o mapa, precisava saber a verdade. Por isso Taehyung explicou tudo a ele, enquanto Jungkook apenas esperava no canto da sala, mexendo os dedos de maneira ansiosa, temendo a reação do navegador quando ele soubesse a verdade. Namjoon ouvia tudo atentamente, sem demonstrar nenhuma emoção em seu rosto, apenas o encarando ocasionalmente, enquanto Taehyung explicava toda a situação até o momento em que revelou o mapa.

— Então deixa eu ver se eu entendi — Namjoon disse cruzando os braços com uma expressão metódica. — O JK é, na verdade Jeon Jungkook o filho do capitão Junghyun, que ele estava escondido entre corsários esse tempo todo para se manter longe dos olhos gananciosos dos piratas, que pensou que entrou aqui por engano, mas que, na verdade era obra do destino que a Amélia disse que viria a acontecer. — Listou os acontecimentos, contando nos dedos, fazendo Jungkook ficar ainda mais ansioso. — Que também ele revelou o mapa para você e agora temos que encontrar uma rota porque o mapa nos leva para o cemitério dos piratas... É isso ou está faltando algo?

— Sobre a runa — Taehyung disse segurando o riso.

— Ah! É verdade — Namjoon estalou os dedos e voltou a resumir tudo o que ouviu. — Ele tem a runa que Junghyun provavelmente usou para chegar nesse lugar, que lhe dá o poder de controlar o mar e esse tempo todo ele não sabia que poderia usar, mas agora ele é tipo um Poseidon?

— Acredito que dessa vez você fantasiou um pouco — Jungkook acabou rindo, apesar de estar nervoso.

— Eu acredito que essa história toda é uma grande fantasia — Namjoon disse rindo também, ele virose em direção a Taehyung, para encará-lo. — Se eu não tivesse visto ele afundar um navio com os próprios olhos, eu diria que vocês são dois lunáticos. — Voltou o olhar em sua direção. — Mas conheço Taehyung e sei que ele não inventaria uma história dessas.

— Então você acredita em tudo o que ele contou? — Jungkook perguntou surpreso.

— Bom, não é como se eu não tivesse visto Taehyung, Amélia e você fazerem coisas além da minha compreensão — deu de ombros. — E parando para pensar, depois de tudo o que você contou quando entrou aqui, se encaixarmos todas peças, fica um pouco óbvio, tão óbvio que nem cogitamos a possibilidade.

— Então para você está tudo bem...? Tipo, sobre tudo? — Perguntou inseguro.

— Por que não estaria? — Ele sorriu, revelando suas covinhas. — Eu estou na presença de uma lenda, na verdade, julgo que não está tudo bem, eu deveria me curvar ou sei lá, pagar um tributo? — Jungkook riu e negou com a cabeça, olhando para Taehyung, vendo-o sorrir em sua direção, seu olhar dizia que ele não deveria ter medo. — Mas então, vamos analisar o mapa? Para que eu possa entender o tamanho do problema?

Jungkook assentiu e fez o mesmo que fez com Taehyung na praia, virou-se de costas e retirou sua camisa, expondo os traços que seu pai levou dias para desenhar em sua pele, olhando para Namjoon por cima do ombro, vendo-o se aproximar. Ao contrário do Capitão, ele não o tocou, apenas estudou todas as ilhas, nomes e direções antes de caminhar até o armário ao lado da cama de Taehyung, abrindo-o e pegando alguns pergaminhos, examinando-os. Ele ficou com alguns e outros ele colocou de volta no lugar, quando pegou tudo o que queria se aproximou da mesa, colocando os papéis sobre ela. Jungkook e Taehyung se aproximaram, para observar o que ele estava fazendo.

— Seu pai é assustadoramente inteligente JK — Namjoon disse enquanto abria os pergaminhos e fazia dobraduras, colocando pesos sobre os papéis, para que não voltassem a se enrolar. — O lugar que ele tatuou em suas costas não fora mapeado, justamente por que ninguém que foi até lá sobreviveu. — Ele dizia dobrando e colocando mapa em cima de mapa.

— Foi exatamente isso que eu percebi — Taehyung disse olhando atentamente para o mapa que Namjoon montava com a ajuda de outros, montando-os como peças de quebra-cabeças, fixando uns aos outros com tachinhas de cobre. — Eu não soube ler, porque nunca vi essas coordenadas em nenhum mapa.

— Se eu não estou enganado... — Namjoon disse prendendo o último mapa com tachinhas antes de se afastar. Jungkook observou seu trabalho, o mapa contornava um lugar vazio no centro, mostrando todas as ilhas e oceanos em volta de um lugar não mapeado. — O lugar que seu pai guardou o tesouro dele fica bem aqui. — Tocou com indicador na parte vazia do mapa que ele havia montado. — O mar do Diabo.

— Um nome bem convidativo... — Jungkook disse baixinho.

— Isso é porque você não tem ideia de onde precisaremos passar para chegar até a Ilha do Tormento — suspirou, cruzando os braços. Jungkook conhecia aquele nome, era o destino final de seu mapa. — O primeiro lugar do qual teremos que passar é o Lago dos Ossos.

— Outro nome convidativo... — Jungkook suspirou. — Por que ele tem esse nome?

— Bom... O nome é bem auto explicativo, não há areia nas profundezas deste lugar, mas sim uma pilha de ossos humanos — Taehyung respondeu por Namjoon, fazendo Jungkook arregalar os olhos. — Lá vivem os seres mais sanguinários dos oceanos.

— Tubarões? — Perguntou assustado.

— Quem dera fosse — Namjoon disse encarando-o de braços cruzados. — São sereias.

— Sereias não são mitos? — Jungkook franziu o cenho. — Apenas marinheiros bêbados em tabernas falam sobre elas.

— O lugar onde seu pai escondeu o tesouro também deveria ser um mito, mas cá estamos nós, tentando ir atrás dele — Taehyung tinha um ponto.

— Ok, sereias então — foi a vez de Jungkook cruzar os braços, olhando de maneira analítica para os dois. — Como passamos por elas?

— O mapa do tesouro é você — Namjoon disse, fazendo um bico surgir nos lábios de Jungkook.

— O navegador é você — devolveu, observando os lábios dele pressionarem em uma linha rígida.

— Certo crianças, temos outros problemas além desse — Taehyung interrompeu revirando os olhos. — Além das sereias ainda tem a Floresta Abissal e Os Dentes do Diabo.

— O que tem nesses dois lugares? — Jungkook perguntou.

— Na Floresta Abissal não temos ideia, só sabemos que lá há algas imensas, que chegam quase até a superfície, impedindo os marinheiros de observarem o que há nas profundezas daquele lugar. Mas é de conhecimento geral de navegadores que animais abissais são os mais peculiares, se não os mais perigosos dos oceanos — Namjoon disse divagando.

— Os Dentes do Diabo são rochas imensas que emergem do mar, elas impedem a entrada, a Ilha do Tormento é uma ilha vulcânica, dizem que Os Dentes do Diabo nada mais são do que rochas magmáticas, causadas por uma erupção de centenas de anos atrás, que emergiram depois de uma erosão — Taehyung continuou, olhando em sua direção enquanto explicava. — De qualquer forma... Não há como a Aurora passar por elas, iremos naufragar nas rochas.

— Não tem como contornar? — Jungkook perguntou a Namjoon, vendo-o negar.

— Teríamos que passar pela Vala profunda ou Coroa Branca para darmos a volta pela ilha, a Vala Profunda é habitada por uma criatura abissal que se assemelha um dragão aquático e a Coroa Branca é a casa do Kraken — disse fazendo Jungkook arregalar os olhos.

— É melhor nos atermos ao caminho indicado pelo seu pai mesmo — Taehyung disse também cruzando os braços.

— Não vamos conseguir sequer chegar perto da ilha — Namjoon disse suspirando. — Passaremos por três lugares impossíveis de atravessar.

— Junghyun conseguiu — Taehyung argumentou.

Como ele conseguiu é a verdadeira questão — Namjoon contrapôs.

— Eu tenho uma ideia de como ele conseguiu — Jungkook disse, chamando a atenção dos dois.

(...)

— Você acredita que eles serão tão compreensivos quanto Namjoon foi? — Jungkook disse suando, andando de um lado para o outro na cabine. Namjoon havia saído para avisar Lisa e reunir a tripulação, para que dissessem o destino que tomariam.

— Não tem porque temer.

— Na verdade, eu suponho que eu tenho muito o que temer, eu vou revelar para dezenas de piratas que eu sou o filho do Capitão Junghyun e estou com o mapa — Jungkook começou a dizer gesticulando de maneira nervosa, sem parar de andar de um lado para o outro. — E claro, eles podem me matar assim que chegarmos lá, isso se nós chegarmos lá vivos. — Taehyung acabou rindo, atraindo a atenção de Jungkook, que colocou a mão na cintura e jogou o quadril para o lado. — Qual é a graça?

— Foi o surto mais fofo que eu já presenciei — deu de ombros, se aproximando. — Eles não vão tentar nada contra você, mas mesmo que haja alguém tão ousado a ponto de tentar... — Taehyung segurou sua mão, levando-a até o coldre de sua espada, pressionando seus dedos no cabo dela. — Essa espada agora tem como único objetivo, lhe proteger, mesmo que seja de alguém da minha própria tripulação.

— Você é ótimo com as palavras — Jungkook deixou escapar um sorriso, sentindo os dedos de Taehyung apertarem os seus.

— Não só com as palavras — sorriu de maneira maliciosa.

Jungkook acabou sorrindo soprado, fechando os olhos lentamente quando notou o rosto de Taehyung se aproximando do seu, deixando que suas respirações mesclassem uma à outra, que os hálitos se misturassem antes de sentir os lábios juntos. Porém, antes de conseguir sentir os lábios macios de Taehyung tocar os seus, a porta da cabine foi aberta, fazendo os dois virarem os rostos para encarar Namjoon parado na frente da porta, com os olhos arregalados e de boca aberta, chocado com o que quase acabara de presenciar. Fazendo tanto Jungkook quanto Taehyung rir.

— Estão todos no convés Capitão — Namjoon pigarreou, acabando por rir um pouco antes de se virar. — Da próxima vez eu bato na porta.

— Por favor — Taehyung riu, caminhando para fora da cabine, parando no meio do caminho para encarar Jungkook. — Vamos? Não precisa temer, estarei ao seu lado.

Jungkook assentiu, sentindo seu coração bater forte contra sua caixa torácica, fazendo suas mãos suarem e tremerem um pouco enquanto seguia Taehyung para fora da cabine, pronto para lidar com os olhares perscrutadores de todos da tripulação da tão temida Aurora. Quando saiu, Namjoon fechou a porta atrás dele, inocentemente fechando o único lugar que Jungkook poderia correr para fugir, pois, contar para Taehyung e Namjoon diferia de contar para toda uma tripulação de piratas, do qual ele conhece a pouquíssimo tempo. Sentia que iria surtar, pois todos os pares de olhos caíram sobre ele.

— Eu pedi para que reunissem vocês aqui para eu poder contar a todos qual será nosso próximo destino — Taehyung vestiu sua máscara de capitão, fechando completamente todas as suas emoções. — Mas, já alerto com antecedência que é uma aventura extremamente arriscada, as chances de morrermos a caminho é maior que as chances de conseguirmos chegar ao nosso destino.

— É um tesouro? — Hoseok perguntou, mostrando estar receoso.

— Sim, o tesouro mais valioso que qualquer pirata já sonhou em ter — Taehyung completou, muitos tripulantes arregalaram os olhos.

— O tesouro do Capitão Junghyun?! — Jimin perguntou eufórico, seu irmão assentiu, fazendo-o arregalar os olhos. — Você finalmente encontrou o Jungkook?

— Ele nos encontrou — Taehyung disse olhando para Jungkook, que sentiu seu sangue gelar ao ter todos os olhos sobre si novamente.

— Eu sou o Jeon Jungkook — escondeu suas mãos trêmulas atrás de suas costas. — Eu usei outro nome e me escondi entre os corsários, para que nenhum pirata me encontrasse, mas por conta de um plano mal calculado acabei entrando na Aurora.

Depois que disse aquilo todos ficaram em um silêncio ensurdecedor.

— Eu já sabia — Jennie disse de repente, surpreendendo a todos.

— Eu também — Lisa disse dando de ombros, fazendo Taehyung encará-la com o cenho franzido. — Jennie me contou, mas não deixou que eu contasse a você, desculpe capitão, eu tenho mais medo dela do que de você.

— Tudo bem — Taehyung riu. — Amélia já me deu todas as dicas que ela poderia oferecer sem afetar a ordem natural.

— Então... — Yoongi chamou a atenção para ele, seus olhos encaravam Jungkook com atenção. — Você ter revelado a sua identidade para nós significa que irá compartilhar a localização do tesouro?

— Sim — Jungkook assentiu, vendo toda a tripulação comemorar.

— Se eu fosse vocês não comemorava antes da hora — Jin se pronunciou pela primeira vez. Ele estava sentado em um barril, Jungkook podia ver algumas ataduras em seu pescoço e peito por conta da camisa levemente aberta. — O Capitão disse que as chances da gente morrer no caminho é maior do conseguirmos chegar lá. — Isso desanimou um pouco a todos.

— O lugar onde o pai do JK escondeu o tesouro é no mar do Diabo — Namjoon disse de braços cruzados. Todos arregalaram os olhos novamente, fazendo Jungkook achar um pouco cômico as reações. — Teremos que passar pelo Lago dos Ossos, Floresta Abissal e nos Dentes do Diabo, tudo isso para chegar na Ilha do Tormento.

— Ou seja — Hoseok disse com o olhar atento em seu Capitão. — Um suicídio coletivo.

— Basicamente — Taehyung disse dando de ombros, como se não fosse nada de mais. Todos da Aurora estavam temerosos, olhando uns para os outros com receio.

— Ok, eu topo! — Hoseok disse animadamente, atraindo olhares julgadores em sua direção.

— Você topa? — Rose perguntou com o tom de voz meio sarcástico. — Ele acabou de confirmar que é suicídio.

— Isso não torna tudo mais emocionante? — Ele olhou-lhe, seus olhos brilhavam. — Se fosse fácil não teria graça.

— Concordo — Yoongi disse dando de ombros, ganhando um sorriso grande de Hoseok. — Temos a chance de ficarmos ricos ou morrer, não vejo pontos negativos.

— Eu vejo muitos — um tripulante disse, Jungkook não o conhecia, nunca falou com ele. Mas sabia que ele era amigo do Dino.

— Não irei obrigar ninguém a ir conosco — Taehyung disse sério. — Sou realmente grato a tudo o que vocês fizeram durante todos esses anos, vocês tornaram a Aurora um navio indomável. Mas não pedirei que venham comigo quando as chances de sucesso são ínfimas. — Seu semblante estava sério, mas suas palavras eram suaves. — Por isso, caso alguém queira desistir e voltar para suas famílias, esse é o momento. Porque depois que zarparmos, talvez não voltemos.

Muitos olharam uns para os outros, decidindo o que fariam, alguns marujos não hesitaram, caminharam até Taehyung e apertaram sua mão, tirando seu chapéu e caminhando para fora da Aurora. Muitos ali não queriam morrer ou tinham alguém para voltar, no caso de Jungkook, não ligava para nenhum dos dois casos, já que um dia ele morreria de qualquer maneira e não tinha ninguém esperando por ele, caso retornasse vivo. Jimin encarou Namjoon, seu olhar era tenso, mas o sorriso de Namjoon o relaxou, fazendo-o suspirar em alívio. Talvez ele não quisesse abandonar nem o irmão e nem o namorado.

Muitas pessoas foram embora, ficando apenas poucas dezenas, mas todos que ficaram estavam com expressões decididas, sem medo. Incluindo as quatro corajosas mulheres da tripulação, que pareciam sequer receosas com a ideia de entrarem no cemitério dos piratas. Hoseok, Yoongi e Jin também permaneceram, junto a Namjoon e Jimin, o restante Jungkook não conhecia muito bem, mas devia ter no máximo vinte pessoas no convés. Taehyung apertou a mão do último marujo desistente e suspirou, ele olhou para o restante que permaneceu e sorriu.

— Obrigado por ficarem — Taehyung disse sorrindo, embora seu sorriso não tivesse o mesmo entusiasmo de antes.

— Vamos trabalhar dobrado — Hoseok ergueu as mangas de sua blusa, sorrindo grande. — Mas esse tesouro será nosso!

— Mas como nós vamos atravessar o Mar do Diabo? — Lisa perguntou a seu Capitão. — Jennie sentiu coisas ruins a caminho e Ruth disse que ele vai nos levar até os confins do inferno.

— Temos uma teoria de que o meu pai conseguiu entrar e sair do Mar do Diabo usando isso — Jungkook mostrou a runa pendurada em seu peito. — Agora eu só preciso aprender a usar.

— Só um momento — Jisoo disse estendendo a mão, trazendo a atenção para ela. — Você ainda não sabe usar ela? E nós vamos adentrar no Mar do Diabo com a teoria que seu sexto sentido vai funcionar?

— Eu vou treinar — Jungkook disse observando os tripulantes lhe encararem meio hesitantes.

— Não podemos esquecer o fato que ele afundou a Marinha — Yoongi interviu, notando que seus companheiros e companheiras estavam inseguros. — Capacidade sabemos que ele tem, ele apenas precisa aprender a controlar para que ele não desmaie toda vez que a usar.

— Exatamente — Taehyung disse olhando para Jungkook. — Eu me ofereço para te ajudar com os treinos, aprendi a usar minha runa sozinho, posso ajudá-lo a conseguir controlar a sua também.

— Então vamos?! — Hoseok bateu palmas, demonstrando toda sua empolgação.

(...)

Jungkook ficou levemente preocupado quando muitos dos marujos partiram, ficou apenas vinte e três pessoas para coordenar um navio inteiro. Agora que já haviam zarpado do Porto de Palaciana, todos se focavam em seus afazeres, agora que a quantidade de tripulantes havia reduzido grandemente, até mesmo Taehyung estava ajudando a fazer Aurora navegar. Namjoon estimou que o tempo até chegarem a primeira provação seria de três dias, teriam três dias para se preparar para entrar no Lago dos Ossos e sobreviver. Três dias para Jungkook aprender a usar sua runa.

Ao menos, a não desmaiar usando ela.

— Vamos começar por coisas pequenas — Taehyung disse segurando um cálice de prata. — Sabemos que você pode manipular as águas do mar e encantar animais marinhos, o restante vamos descobrir depois, mas vamos nos focar em tentar manipular uma quantidade menor de água. Já que talvez você tenha se esgotado por conta da força que você fez para fazer o mar se mover.

— Falando assim parece até fácil — Jungkook suspirou, durante a madrugada ele tentou fazer a água se mover novamente, mas a pressão em sua cabeça foi tanta que ele teve que interromper antes que acabasse se machucando.

— Vamos lá, não é tão difícil, você apenas não está acostumado — Taehyung disse se aproximando da horta do navio. — Feche os olhos e se concentre, tente encher meu cálice com água.

Jungkook assentiu e se aproximou da borda também, colocou suas mãos sobre a madeira e fechou os olhos. Ele respirou fundo e focou-se nas sensações que o mar lhe causavam, sentiu as ondas, o vento batendo no espelho d'água e a correnteza. Não sabia exatamente como fazer, por isso imaginou a água se movendo, abrindo os olhos para ver se estava dando certo, vendo a água se revirar antes de criar uma bolha. Conteu um grito de alegria, não querendo perder a concentração, a pressão estava ali, mas nem se comparava a sensação sufocante que sentiu ao derrubar Marinna.

— Certo, muito bem — Taehyung disse com a voz suave. — Agora tente movê-la e encher o cálice. — Disse estendendo a peça de prata.

Jungkook assentiu, a esfera de água tinha o tamanho de sua palma e estava alguns centímetros acima do espelho d'água. Ele tentou movê-la novamente, mas era extremamente difícil, ele sentia as linhas em sua cabeça, como linhas que seguravam uma marionete, mas eram extremamente difíceis de malear. Franziu o cenho, a pressão era mínima, não o incomodava, mas estava ali, não o deixando esquecer que estava presente. Ele conseguiu subir a bolha, quase na altura da borda do navio, não devia ser tão difícil, mas era extremamente complicado fazê-la seguir seus comandos. Ele notou que usar a força era mais fácil do que usar a concentração.

— Use suas mãos, te ajuda a manter o foco e a visualizar melhor o que você quer fazer — Taehyung aconselhou, fazendo Jungkook erguer suas mãos, gesticulando e notando que a água obedeceu melhor aos seus comandos, seguindo seus movimentos. — Ótimo, agora tente colocá-la em meu cálice.

Jungkook moveu suas mãos em direção ao cálice que Taehyung segurava, vendo a bolha seguir seus comandos devagar. Ele não se atreveu a olhar para outro lugar ou mudar o foco, para não acabar perdendo o delicado fio de sua concentração. Quando a bolha de água estava sobre o cálice, Jungkook fez como havia feito quando afundou Marinna, apenas soltou a pressão que estava segurando. A bolha estourou e caiu dentro do cálice, mas molhou o rosto, as roupas e as mãos de Taehyung, que fechou os olhos e usou a mão esquerda para se secar.

— Bom, mas da próxima vez tente molhar só o cálice — disse jogando os cabelos para trás, fazendo as gotas respingarem em Jungkook, que riu, mas seu sorriso morreu logo em seguida. — O que foi?

— Eu tenho três dias para aprender a controlar minha runa, mas e se eu não conseguir? — Suspirou e se debruçou sobre a madeira da borda. — Eu vou acabar nos matando.

— Não vai — Taehyung também se debruçou olhando para o mar. — Mas mesmo que isso aconteça, é risco que todos nós aceitamos correr, não tem porque temer, apenas focar para que esse não seja o nosso destino.

— Falar é fácil, mas eu sinto que eu vou afundar a Aurora e todos que estão dentro dela.

— Quer falar com a Jennie? — Taehyung olhou em sua direção. — Ela não é tão poderosa quanto Amélia, mas também é uma bruxa, ela pode nos ajudar a enxergar algo que não podemos ver.

— Taehyung eu não me dou tão bem com bruxas — confessou, olhando para suas mãos. — Você ouviu o que Amélia disse, eu as culpo pelo o que aconteceu com meu pai, eu preciso culpar alguém pelo aconteceu. Por três anos eu tive tudo, eu fui verdadeiramente feliz, embora minha Mama tenha cuidado de mim como um filho, ela sempre me lembrou quem era realmente meus pais. Eu tive uma família, mesmo que incompleta, até eu descobrir ser por pouco tempo. — Olhou para Taehyung, vendo que ele olhava em sua direção. — Meu pai foi atrás de tesouros, se arriscou, porque ele sabia que não morreria antes do necessário, ele escolheu continuar, porque ele tinha certeza do destino dele.

— Acredita que se Amélia não tivesse contado, ele poderia estar vivo agora? — Ele perguntou olhando em seus olhos. Jungkook negou.

— Não, ele iria ter o mesmo fim, mas talvez o começo e o meio teria diferido — disse olhando para suas mãos. — Talvez ele tivesse conseguido passar mais tempo com a minha mãe, talvez ele tivesse mudado o destino da minha Mama, talvez ele tivesse passado mais tempo comigo antes de partir. Eu estou ressentido com Amélia por ela ter me tirado a possibilidade de ter mais lembranças dele, porque depois que meu pai descobriu, ele dedicou cada minuto de seu precioso tempo a marcar seu nome na história. Se ele não soubesse... Talvez teria vindo me buscar antes.

— Mas essa foi a escolha dele — Taehyung segurou sua mão. — Assim como você escolheu dedicar sua vida a encontrar o tesouro que ele deixou, Junghyun dedicou sua vida a dar mais sentido a sua, te dar um objetivo, algo ao qual se apegar depois que ele partisse.

Jungkook olhou para suas mãos juntas, pensando nas palavras de Taehyung, talvez ele estivesse certo, sempre culpou as bruxas por traçarem o destino de seu pai, mas a verdade era que o destino dele já estava traçado, não havia como adiar o inevitável. Era como ele mesmo havia dito, estava em luto, precisava sentir que havia um culpado pelo que houve, precisava odiar algo, mas não fazia mais sentido acreditar nisso. Taehyung realmente estava certo, seu pai lhe deu um objetivo, uma aventura, um propósito, mesmo que ele não estivesse lá para ver. Acabou sorrindo para o nada, seu pai era realmente um homem incrível.

— Obrigado Taehyung — levantou seus olhos, vendo-o sorrir. — Você sempre tem a resposta que eu preciso na ponta da língua. Embora às vezes eu tenha vontade de te socar por isso.

— É um dom — deu de ombros com um sorriso convencido nos lábios. Jungkook riu e se assustou quando Taehyung lhe roubou um beijo, apertando suas mãos juntas. — Vamos falar com Jennie? Desfazer essa imagem ruim que você tem das bruxas?

Jungkook assentiu, estava realmente na hora de acabar com aquele preconceito sem fundamento, não era mais uma criança, então mesmo que a possibilidade de buscar ele mesmo por respostas de seu futuro o assustasse, saber o que iria acontecer era melhor que ir às cegas para o perigo, talvez ele até conseguisse mudar o futuro caso ele não estivesse a favor deles. Então juntos — e estranhamente sem soltar as mãos — eles caminharam até onde Jennie estava, vendo-a ajudar no carregamento de alimentos, para que Seokjin não carregasse peso.

— Jennie — Taehyung a chamou.

— Sim, Capitão? — Ela respondeu colocando um saco de batatas no chão, encarando-o logo em seguida.

— Precisamos que você veja algo, pode nos ajudar? — Ela pareceu entender na hora, assentindo.

— Precisamos de um lugar calmo e de preferência, silencioso — ela disse olhando em volta.

— Vamos para minha cabine — Taehyung respondeu, vendo-a assentir. — Precisa de algo mais?

— Da Lisa — ela respondeu, fazendo tanto Taehyung quanto Jungkook franzir o cenho. — A presença dela me ajuda a não ir longe demais. — Ela corou.

— Se é assim — Taehyung sorriu, olhando em volta e vendo Lisa conversando com Jimin perto do leme. — Lisa! Precisamos de você!

— Sim, Capitão! — Ela gritou, descendo as escadas para caminhar em direção a eles.

— Lisa preciso da sua ajuda para ver — Jennie pediu, vendo Lisa caminhar em sua direção e assentir. — Verei o seu futuro Capitão?

— Não, o de Jungkook.

(...)

— Estou começando a ficar nervoso — Jungkook disse sentado na cadeira. Quando entraram na cabine de Taehyung, a porta foi fechada e duas cadeiras foram colocadas no centro dela, uma de frente para outra, onde Jennie e Jungkook estavam sentados. — Minha Mama fazia isso comigo quando iria me dar uma bronca.

— Não se preocupe — Jennie riu. — Eu não sou tão poderosa quanto Amélia, então eu preciso tocar na pessoa ou no objeto para ver ou sentir algo, foi assim que eu descobri sua verdadeira identidade. Nós dançamos juntos e mesmo sem ser minha intenção, acabei descobrindo a verdade.

— Então é certeza que você consegue ver algo? — Taehyung perguntou atrás de Jungkook.

— Se eu souber o que procurar, sim — ela arregaçou as mangas de sua blusa, revelando diversas tatuagens tribais em sua pele. Ao notar que Jungkook estava encarando os desenhos em seus antebraços ela sorriu. — Essas marcas são as minhas runas, não são físicas como a sua e não funcionam em pessoas normais, mas são tão poderosas quanto. São um presente de Amélia, porque quando eu era pequena, ficava viajando entre o passado e o futuro, elas me ajudam a filtrar e controlar minhas visões. Assim como evitam que minhas habilidades acabem transbordando do meu corpo.

— Você consegue fazer outras coisas além de ver o futuro? — Jungkook perguntou demonstrando sua surpresa.

— Sim, Hécate nos deu muitos dons, basta apenas aperfeiçoá-los, mas eu nunca quis aprender — deu de ombros, esticando as mãos, pedindo para que Jungkook as segurassem. Ele hesitou um pouco, mas segurou suas mãos. — Quase fui queimada quando criança por paladinos, por isso encarei meus dons como uma maldição, até conhecer Amélia. Bruxas são queimadas diariamente, assim como minha mãe e minhas ancestrais também foram. — Lisa tocou seus ombros, passando força a ela, que sorriu. — Mas encontrei pessoas que me aceitam e me amam do jeito que eu sou, por isso não vejo problema em ajudá-los às vezes. Mas eu tenho que avisar, se eu vir algo que pode mudar de forma drástica o futuro, não irei poder revelar, porque isso pode desfazer o delicado tecido da realidade.

— Tudo bem — Jungkook assentiu. — Apenas quero saber o que nos aguarda mais para frente. — Jennie assentiu e Lisa colocou suas duas mãos sobre os ombros dela. Jungkook viu ela fechar os olhos e respirar fundo.

— Eu vejo... — Ela disse ainda de olhos fechados. — O Capitão. — Jungkook ergueu as sobrancelhas e olhou para Taehyung, que parecia surpreso também. — Ele está segurando uma runa azul... A sua runa, você entregou-lhe.

— Algo mais? — Jungkook instigou. Jennie franziu o cenho, apertando suas mãos juntas.

— Eu vejo sereias — Jennie pareceu tensa com o que viu. — Elas vão matar alguns dos nossos.

— Quem? — Taehyung perguntou e ela negou com a cabeça.

— Não posso revelar, vocês não podem salvá-los — ela continuou com o cenho franzido.

— Jennie, nós vamos conseguir chegar na Ilha do Tormento? — Lisa perguntou com a voz suave.

— Nós... — Ela parou de falar de repente, ficando tensa, seu corpo ficou rígido.

— O que você viu? — Jungkook perguntou preocupado.

— Vejo um pergaminho, há desenhos nele — Jennie curvou um pouco a cabeça, parecia confusa. — Tem runas desenhadas nele, uma delas tem o mesmo símbolo que a sua, está escrito Mayim embaixo dela.

— É o nome da minha mãe — Jungkook arregalou os olhos.

— O que está escrito nas outras runas? — Taehyung perguntou.

— Esh, Éretz e Avír — ela pronunciou com um sotaque diferente. — Está tudo escrito em hebraico... O futuro está mudando, Jungkook acredito que mexemos com algo que não deveríamos.

— Como assim? — Piscou assustado.

— O futuro não estava decidido, mas parece que essa revelação que eu te fiz mudou algo — Jennie disse respirando fundo. — Eu vejo uma onda.

— Uma onda? — Jungkook franziu o cenho.

— Sim... Ela é tão alta quanto uma montanha — ela disse com sua voz banhada em tensão, Jungkook arregalou os olhos. — Taehyung está no caminho dela.

De todas as coisas que ouviu, aquela revelação fez o coração de Jungkook dar um salto em seu peito.

— Eu irei morrer? — Taehyung perguntou tenso. Apenas menção da morte na mesma frase que o nome dele fez o peito de Jungkook apertar.

— Não consigo ver, está tudo se esvaindo como fumaça, em constante mudança, nada faz sentido, o futuro é mutável. Nada a partir daqui está claro, apenas... Apenas...

— O quê? — Jungkook perguntou aflito. Jennie pareceu ficar ofegante, uma veia saltou em sua testa e ao perceber isso Lisa acariciou seus ombros.

— Estou aqui — Lisa disse suavemente, Jennie pareceu mais calma após sua fala. — Não vá tão longe, foque apenas no que você quer ver.

— Eu vejo... Uma mulher — ela disse após alguns segundos em silêncio.

— Uma mulher? — Jungkook franziu o cenho novamente

— Sim, ela tem cabelos brancos e ondulados, olhos azuis como o céu e uma pele tão branca que parece ter sido beijada pela lua.

— Minha mãe — Jungkook arregalou os olhos. Jamais ele esqueceria da descrição que seu pai fez sobre ela.

— Ela está em uma ilha... Sentada na areia de uma praia, está de noite — ela abriu os olhos de repente.

— O que foi? — Taehyung perguntou preocupado.

— Não há futuro depois disso — ela olhou para Jungkook preocupada.

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